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12 DE MARÇO DE 2014

Publicado: Quarta, 12 de Março de 2014, 10h30 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h23 | Acessos: 947

Clipagem ASCOM
Recife, 12 de março de 2014

 

:: Jornal do Commercio

Caderno C

Cinema

Eles Voltam (BRA, 2014) – De Marcelo Lordello. Com Maria Luiza Tavares, Georgio Kokkosi. Drama. 12 anos. Cinema da Fundação – 16h30; 18h30; 20h30. Drama. 12 anos.

A Imagem que Falta (L’image manquante, CAM, 2014) – De Rithy Panh. Com Randal Douc. Cinema da Fundação – 14h40. Documentário. 14 anos.

 

:: Folha de Pernambuco

Cotidiano

É preciso refletir e agir

Pensar a cidade não apenas como um local de trabalho, passagem diária ou diversão momentânea. Pensar a cidade como espaço de discussões, cujos diálogos possam analisar a complexidade da experiência urbana, compartilhada por quem nela vive e vivencia todos os seus conflitos. Os últimos anos mostraram uma mudança na direção atribuída, tradicionalmente, aos gestores públicos. Cada vez mais, os recifenses buscam exercer seu direito à cidadania, independente de planos de governo, de projetos políticos oficiais. Atuando como um poder paralelo, coletivos, grupos intelectualmente organizados, associações e ações em diversos segmentos vêm colocando em evidência um novo modelo de construção democrática. O resultado é a fiscalização das medidas econômicas e políticas e a cobrança de ações que possam transformar o Recife numa cidade mais humanizada. O exercício de diversos tipos de ativismo, como o cultural, socioambiental e urbanístico, indicam não apenas um descontentamento com a velocidade, com o ritmo de desenvolvimento do Recife, nessa nova fase de urbanização. Apontam para uma nova ordem de debate que se sobressai e mostra que o velho lema do “a união faz força” tem, ainda, muito o que ensinar aos cidadãos recifenses. Por outro, a cidade-irmã Olinda parece viver uma inércia que impossibilita a motivação para se pensar a própria cidadania. Nessa matéria, conheça alguns desses grupos e tendências, que questionam problemas como o da mobilidade urbana, memória, tradição e a crescente verticalização da Capital pernambucana.

Meio Ambiente

Parece até uma lenda distante, mas até as primeiras décadas do século 20, o Rio Capibaribe foi usado como instância terapêutica ou como opção de lazer para quem tinha medo de ir à praia. Era o lazer tradicional das famílias abastadas. Com base nessa tradição, a artista plástica Bruna Pedrosa, diretora de Artes Visuais da Fundaj, pensou no rio Capibaribe como uma forma de articular artes integradas, educação ambiental e memória, recolocando o uso do rio como lazer e memória cultural. O projeto Praias do Capibaribe acontece no último domingo de cada mês e chama a atenção para um dos maiores cartões-postais da cidade, renegado nas últimas décadas por sua poluição. “Entendo o rio como um espaço maior e agregador. Ele não é o símbolo de um bairro. Corta toda a cidade e tem um potencial de unir as pessoas”, define Bruna. O projeto é realizado com apoio de instituições culturais, com as quais Bruna faz parceria, para ter a estrutura necessária ao uso do rio num novo ambiente urbano. Locais como o Museu Murillo La Greca e a Fundaj foram cenários de um domingo de piquenique à beira do Capibaribe, com ações voltadas para crianças e adultos “Recife é um lugar que amo e faço o que está dentro do meu alcance para melhorar a Cidade. Mas tenho insatisfações movidas pelo fato de que as tomadas de decisão do seu futuro são pensadas sem um diálogo mais estreito com os gestores públicos. Qual é a cidade que a gente quer construir? Precisamos perceber isso. E não é apenas o amor que pode fazer isso por ela, mas a execução de necessidades reais que não vêm sendo supridas pelo nosso governo”.

Verticalização

O Grupo Direitos Urbanos, consolidado no Facebook, existe desde 2011, e nesse curto espaço tempo se revelou como uma das plataformas mais eficazes do exercício democrático. Ele surgiu em torno de várias mobilizações em defesa dos patrimônios históricos e espaços públicos ameaçados de extinção coma crescente verticalização da cidade. Lá, o diálogo é constante, e como toda democracia tem convergências e divergências. Leonardo Cysneiros, um dos seus fundadores, enfatiza que o problema não é a modernização ou progresso que vem sendo adotado como modelo de gestão da cidade. “Sempre somos acusados de sermos contrários ao desenvolvimento e nossa resposta é: não pode ser considerado progresso e desenvolvimento, uma forma de crescimento urbano que tem ampliado desigualdades, criado mais segregação e deteriorado a olhos vistos a qualidade de vida de todas as pessoas na cidade”, defende. Para Leonardo, o grupo procura levantar um questionamento sobre os rumos desse desenvolvimento baseado numa visão global, integrada, da cidade e de seus problemas, pensando e discutindo de forma conjunta o patrimônio histórico, o meio ambiente, o direito à moradia e a mobilidade. O grupo cresceu no contexto de disseminação dos Occupy, fenômenos de protestos urbanos que acontecem em vários países do mundo. O DU, porém, tem sua própria marca: o debate organizado na internet com uma forte atuação junto a meios institucionais, como o Ministério Público. As redes foram fundamentais na articulação de grupos heterogêneos, que normalmente não se encontrariam fora do ambiente virtual. “Grande parte da força do DU vem da diversidade de seus membros. Isso permite produzir uma inteligência coletiva, uma maneira de pensar as questões de forma muito mais eficiente e multifacetada. Também é uma forma de distribuir o trabalho de fiscalização do poder público e torná-lo bem mais rigoroso”, disse.

Memória

“Recife te pede um pouco de paciência, não é? Um estado reflexivo constante. Como é possível viver com tanta precariedade e com tanta riqueza?”, acredita o teórico Paulo Carvalho, doutorando em comunicação e criador do site Compartilhe Pernambuco, sobre turismo e experiência. O blog foi criado após o planejamento de uma viagem de Carvalho e da jornalista Mariana Fontes, que também o administra. “Percebemos o quanto é difícil fugir da experiência do turismo. Queríamos viajar e não comprar uma ida a um lugar”, define. Pensado desde 2012, o Compartilhe foi gerado após leituras de publicações turísticas, revistas, sites e jornais locais. Hoje, promove uma forma de redescobrimento da cidade, de forma a unir a experiência afetiva ao roteiro de lugares, sabores e sensações. As fotos do Compartilhe são feitas com celular e câmeras semiprofissionais. “Achamos que o site pode cartografar formas de habitar a cidade mais ligadas ao afeto. Não é,digamos, um site institucional que precisa elencar todos os museus, todos os monumentos, todos os locais de interesse histórico ou mesmo todos os restaurantes. Queremos colocar o que nós gostamos, e misturar áreas geralmente separadas nas edições de turismo”, descreve. O site foge à regra dos roteiros oficiais, institucionalizados do Recife, e aposta no caráter colaborativo. “Convidamos pessoas para fazer seus próprios roteiros. Algo que flerte com o que chamamos de “antiturismo”. Ou seja, falar do principal às avessas. Paulo destaca a opção de antiturismo como um posicionamento político diante do espaço urbano.

Olinda

Ao contrário do Recife, Olinda, apesar das inúmeras críticas destinadas à sua última gestão, tem ficado para trás quando o assunto é mobilização. A cantora Catarina de Jah, moradora da cidade há 33 anos, lamenta a descaracterização de sua memória recente, com a exploração empresarial no Sítio Histórico e diz que já vem se formando uma mobilização em torno de seus conflitos. “Temos 15 casas fechadas, não há moradia, só especulação. É preciso pensar numa forma de crédito para que os moradores restaurem suas casas. Senão, perderemos nossa identidade”, coloca Catarina, que tem o grupo Direitos Urbanos, como modelo de diálogo. Para ela, um nova gestão da Sodeca (Sociedade de Defesa da Cidade Alta) tem contribuído para que essa perda cultural não se efetue de forma predatória. A Sociedade vem discutindo, por exemplo, a possibilidade do Mercado Eufrásio Barbosa, um dos símbolos da cidade, se transformar em museus. Raul Córdula, artista plástico, acredita que falta articulação e liderança para que as ações sejam acionadas. “Tudo isso aqui é muito precioso, mas falta mais diálogo e reivindicações”, alerta.

Mobilidade

Coordenador da associação Amiciclo, que existe há um ano e três meses, o engenheiro eletrônico Daniel Valença cansou da falta de iniciativa do governo e resolveu fundar uma entidade capaz de se articular oficialmente sobre a inserção da bicicleta como alternativa ao nó da mobilidade urbana. “A associação vem possibilitando um diálogo mais claro como poder público. A gente sempre é convidado para participar de reuniões com o governo e a Prefeitura”, descreve Valença. Além de participar da agenda política na área da mobilidade urbana, o Amiciclo faz palestras em escolas e estimula a participação social. “Sempre procuro alertar para a inércia que nos acomete. As pessoas são acostumadas a dizer que pagam seus impostos e fica por isso mesmo. Você tem que ser responsável pelo ambiente em que vive”, acredita. Para ele, a bicicleta, hoje, ainda não foi vista, efetivamente, como meio de transporte. O plano diretor, por exemplo, indica que apenas 10% da população utiliza o veículo como lazer; enquanto 58% a tem como meio de se locomover para o trabalho. Daniel vê a ciclo faixa como um dos motivos de aumento de ciclistas nas ruas do Recife, mas diz que não se tem o que comemorar quando o assunto é infraestrutura. “Ela vem sendo priorizada como lazer e precisa ser inserida no plano modal de transporte”.

 

Guia Folha

Roteirão

Cinema

Eles Voltam / De Marcelo Lordello. Com Maria Luiza Tavares, Georgio Kokkosi, Elayne de Moura, Mauricéia Conceição, Jéssica Silva, Irma Brown, Clara Oliveira, Germando Haiut, Teresa Costa Rêgo. Cris, 12 anos, e seu irmão mais velho são deixados na beira da estrada por seus pais. Em pouco tempo percebem que o castigo vem a se tornar um desafio ainda maior. Cinema da Fundação: 16h30, 18h30, 20h30. 12 anos.

A Imagem que Falta / De Rithy Panth. Com imagens fortes, o documentário Rithy Panh busca recriar com “A Imagem que Falta” os anos de terror em que o Camboja foi governado pelo regime do Khmer Vermelho responsável por um genocídio que vitimou cerca de dois milhões de pessoas entre 1975 e 1979. Cinema da Fundação – 14h40. 14 anos.

 

:: Diário de Pernambuco

Viver

Cinema

Eles voltam – Menina abandonada pelos pais encaraja jornada num humilde vilarejo. 12 anos. Cinema da Fundação. 16h30, 18h30, 20h30

A imagem que falta – Documentário sobre o Camboja durante governo do Khmer Vermelho. 14 anos. Cinema da Fundação. 14h40.

 

 

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