Pedestrianização no foco do 418° Seminário de Tropicologia da Fundaj desta terça-feira (23)
Em sua 4ª edição do ano, a reunião recebeu a palestra do arquiteto e urbanista Francisco Carneiro da Cunha, que ressaltou a importância de se qualificar as vias para quem anda a pé
"Quem só se locomove de automóvel e segue para lugares fechados possui um olhar diferente da cidade, em relação a quem caminha”. A afirmação do arquiteto e urbanista Francisco Cunha, palestrante do 418° Seminário de Tropicologia, realizado nesta terça-feira (23), na Sala Gilberto Freyre, campus da Fundaj em casa Forte. Com o tema "A Cidade Tropical dos 5km por hora", o palestrante abordou o quanto a pedestrianização se faz necessária, já que não se pode aumentar as vias, mas sim reduzir o número de veículos nelas. Dentro desse conceito, avaliou, é fundamental que o poder público e a sociedade preserve as calçadas e as ruas, que o pedestre seja respeitado para que possa utilizá-las com segurança.
“O subtítulo desta palestra poderia ser: um relato de uma conversão ao pedestrianismo. Isso tudo tem a ver com o que vivencio, pois acredito que o caminhar gera perspectiva e vida”, ressaltou o arquiteto e urbanista, que diz afirma ter passado 25 anos "fora da cidade", dentro de um “túnel refrigerado”, pois não andava a pé pelo Recife. “Ao andar de carro o cidadão não conhece a cidade, não interage com ela", avalia. As consequências do uso cada vez maior de veículos podem ser vistas no cotidiano: engarrafamentos, calçadas esburacadas, insegurança gerada por ruas ocupadas por carros e não por gente.
Depois de viver o ponto de vista da cidade no automóvel, Francisco Cunha resolveu caminhar e, a partir disso, começou a escrever em um blog e ser reconhecido na área da pedestrianização. Escreveu livros e fez caminhadas com grande quantidade de pessoas pelo Recife. “O passeio deveria ser o caminho inviolável do pedestre”, pontuou. Segundo ele, em 2017, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) apontou que 41,5% dos óbitos relacionados ao trânsito em São Paulo ocorreram com pedestres. Grande parte por falta de mobilidade. "O Código de Trânsito assegura os que se locomovem a pé. Mas o pedestre desconhece seus direitos, fica receoso e pedindo desculpas”, afirmou.
Ao final da exposição, foi aberto para os seminaristas fazerem suas pontuações. “Além da realidade dos buracos nas calçadas, a situação para a população do Recife é ainda mais agravada por conta da falta de qualidade no transporte público”, afirmou Ivanildo Sampaio. Já Aurélio Molina ressaltou a importância do seminário como um espaço que serve para pensar e afirmou: “precisamos unir esforços para ajudar a cidade a ficar mais bonita e agradável”.
O presidente da Fundaj, Antônio Campos, destacou que a instituição dará seguimento ao seminário e tornará sua estrutura mais orgânica e ainda mais fortalecida no meio digital. Logo depois, Fátima Quintas, ex-servidora da casa e coordenadora do evento, reforçou que “este momento de interdisciplinaridade é de suma importância para a instituição e estamos felizes com as mudanças que estão por vir”.
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