Regionalismo entre Gilberto Freyre e Manuel Bandeira marca o 419° Seminário de Tropicologia
O conjunto de correspondências trocadas pelos escritores rendeu um livro e foi tema do Seminário na tarde desta terça-feira (27)
Um saudosismo que uniu dois pernambucanos: O Recife. Foi o que destacou a 419° reunião do Seminário de Tropicologia, realizada na tarde desta terça-feira (27), na Sala Gilberto Freyre, do campus de Casa Forte da Fundação Joaquim Nabuco. O encontro, que teve como palestrante o sociólogo e escritor José Almino de Alencar e Silva Neto, contou também com a presença de 16 seminaristas - de diversas áreas do conhecimento - do Diretor de Pesquisas Sociais (Dipes) da Fundaj, Carlos Osório, e com a mediação da coordenadora do Seminário de Tropicologia, Fátima Quintas.
‘’A Fundação Joaquim Nabuco e Gilberto Freyre andam de mãos dadas e bem apertadas”, desta forma Osório deu início ao seminário, lembrando da proximidade com o aniversário de 120 anos do sociólogo, que será em março do próximo ano. Freyre é dono de uma ensaística interpretação do Brasil, a partir de uma visão sociológica, e ao longo de sua vida trocou diversas cartas com o poeta, professor e crítico literário Manuel Bandeira, um dos símbolos da geração de 1922 (com o movimento modernista).

O primeiro contato entre os escritores aconteceu em 1925, no centenário do Diário de Pernambuco, quando Gilberto Freyre enviou uma carta para Bandeira pedindo que o poeta escrevesse algo sobre o Recife. ‘’Manuel Bandeira estranhou, pois não se encomenda inspirações para escritores”, destacou José Almino. Porém, um mês depois do pedido, o sociólogo foi surpreendido com uma carta. Nela, o poema Evocação do Recife, escrita por Bandeira com memórias da capital pernambucana.
“Como eram lindos os montes das ruas da minha infância”, diz um dos versos da lembrança regada de regionalismo que logo agradou Freyre, o motivando a escrever um artigo elogiando o trabalho de Bandeira. Desta admiração nasceu uma grande amizade que perdurou pelos próximos 43 anos, alimentada por diversas cartas e, vez ou outra, algumas visitas. “Freyre guardava com carinho as cartas de Bandeira, principalmente pelo fator regionalista”, completou Almino.
O conjunto dessas correspondências rendeu um livro, Cartas Provincianas, publicado em 2008. “Uma das coisas coisas que me fascina são essas cartas trocadas, principalmente como objeto literário, já que esses documentos não são tão levados a sério”, comentou a seminarista, especialista em literatura, linguista pela Universidade Federal de Pernambuco e semioticista, Virginia Leal.

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