Fundaj lança Coleção de Matriz Africana para acervo institucional
O primeiro entrevistado a participar da Coleção de História Oral foi o babalorixá Manoel Papai.
O Núcleo de Imagem Memória e História Oral (Nimho), ligado a Coordenação-Geral de Estudos da História Brasileira Rodrigo Melo Franco de Andrade (Cehibra) da Fundaj está desenvolvendo uma nova coleção ligada a religiões de matriz africana. Para abrir a Coleção Religiões Afro-Brasileiras: da Resistência à Visibilidade o Babalorixá, um dos maiores propagadores do candomblé nagô no Recife, Manoel Papai, foi convidado para falar sobre suas vivências, histórias e experiências. O encontro ocorreu na manhã desta terça-feira (08), na Villa Digital da Fundaj, na Fundaj/Apipucos.
O Nimho é coordenado pela pesquisadora Sylvia Couceiro, responsável pela parte científica e acadêmica; Cristiano Borba, que atua na parte técnica; Antônio Guido Neto, Presidente do Instituto de Tradição e Cultura Afro-brasileira e auxiliar no trabalho desenvolvido no projeto; e pela antropóloga da instituição, Rosalira Oliveira, que coordena a coleção de matriz africana. "Nos anos de 2017 e 2018, realizamos um inventário de conservação e higienização com o material disponível na Coleção de História Oral, onde detectamos o que era importante para o nosso acervo. E não poderíamos deixar de fora a cultura afrodescendente", comentou Sylvia Costa Couceiro, pesquisadora da casa.
O primeiro entrevistado para a série foi o babalorixá, sacerdote do terreiro, pai de santo, filho de Iemanjá, neto de Pai Adão, Manoel do Nascimento Costa, mais conhecido como Manoel Papai. Em 2018, o terreiro Obá Ogunté Sítio de Pai Adão foi reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e considerado o espaço mais antigo destinado ao candomblé em Pernambuco.
Na ocasião, o coordenador do Museu do Homem do Nordeste (Muhne), Frederico Almeida, aproveitou a oportunidade para presenteá-lo com a medalha comemorativa Gilberto Freyre de 40 anos do Museu do Homem do Nordeste. "Essa é a homenagem que estamos fazendo para Manoel Papai pela contribuição que ele exerceu e exerce em questões religiosas e de afrodescendentes, principalmente para o Muhne", disse.
No dia da entrega das medalhas, o babalorixá não pode comparecer ao evento. "Estou muito agradecido pela lembrança. Não pude vir no dia, mas que bom que lembraram de mim. É sempre um prazer poder frequentar a Fundação Joaquim Nabuco e o Muhne. Me deixo à disposição para ajudar e acrescentar no que for necessário. Não posso esquecer que a Fundaj, por meio fe Gilberto Freyre, foi a primeira instituição que homenageou os terreiros afrodescendentes", ressaltou Manoel Papai.
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