Autoconhecimento é tema de palestra “Amigas do Peito”
O evento promovido pela Fundaj aconteceu nesta segunda-feira (21) e fez parte da programação do Outubro Rosa
O ato de tocar a própria mama vai muito além do autoconhecimento, ele pode revelar pequenas alterações que ajudam no diagnóstico precoce de um câncer. Dentro desta abordagem, com a presença de público interno e externo, o Cinema do Museu do Homem do Nordeste da Fundação Joaquim Nabuco promoveu, na tarde desta segunda-feira (21), o debate “Amigas do Peito”, integrando a programação do Outubro Rosa.
“É com muita alegria que a Fundação Joaquim Nabuco abre mais este espaço para o debate. No último mês tratamos sobre o Setembro Amarelo, agora recebemos esta palestra para esclarecer questões sobre um tema que muitas vezes é abordado como um tabu”, discursou o presidente da Fundaj, Antônio Campos, durante a cerimônia de abertura.
A mesa, mediada pela jornalista Cinthya Leite, contou com as presenças da psicóloga Marta Hazin, da paciente diagnosticada Claudia Leopoldina e da médica oncologista Cristiana Tavares. “O câncer de mama representa 25% de todos os cânceres do Brasil, então é importante dizer que, apesar da campanha, o cuidado precisa ser constante. Rastrear e acompanhar esses pacientes com suspeitas [de câncer] pode ser um passo importante para a diminuição do índice”, orientou a médica, dando início à palestra e trazendo exemplos vividos em seu consultório.
Outro dado alarmante abordado por Tavares durante o encontro é que 40% das mulheres brasileiras fazem o exame de mamografia, mas se negam a pegar o resultado depois. Conscientizando os presentes, ela apresentou indicativos que devem ser levados em conta para um diagnóstico precoce. “Quanto mais cedo for o diagnóstico, maiores serão as chances de cura. O autoexame não exclui nenhum outro tipo de exame, mas deve ser feito mensalmente para que se possa reparar rapidamente mudanças na mama. Crescimento, vermelhidão, veias aparentes, nódulos ou mesmo o afundamento dos mamilos devem ser um sinal de alerta”.
A jornalista Cláudia Leopoldina foi diagnosticada com câncer e há um ano recebeu alta do tratamento médico. Em seu relato de experiência ela contou como conseguiu superar uma das barreiras vividas por quem tem a doença: o preconceito. “Eu não me curei do câncer, o câncer me curou de mim. Depois do diagnóstico deixei de lado várias das mazelas que me acompanhavam, como a própria negação de que um dia eu poderia passar por isso. Admito, fui uma dessas pacientes que fizeram o exame e não levaram para a avaliação depois. Hoje reafirmo que precisamos desmistificar a palavra ‘câncer’ e aprender com a experiência, celebrando a vida”.
Aproveitando a fala da jornalista, a psicóloga Marta Hazin acrescentou que “não devemos encarar o câncer de mama como uma sentença de morte, mas sim encarar o processo com muita resiliência e fé”. Marta também trouxe exemplos para a roda de diálogos, falando sobre a importância da autoestima na cura. “Primeiro precisamos nos amar, nos aceitar do jeito que somos, e quem sabe aproveitar o momento para viver novas experiências?”.
Ao final da palestra foi entregue um microfone para que o público tirasse dúvidas. Dentre os participantes, alunos da Universidade Salgado de Oliveira e voluntárias da ONG Amigas do Peito. “Dra. Cristiana foi minha oncologista e fiquei muito surpresa quando vi que ela estaria neste debate. Eventos como este reforçam que a Fundaj cuida da sociedade civil, se preocupando também com a saúde das pessoas. Já estive aqui como estudante, como professora e hoje fiz questão de voltar como visitante”, contou a jornalista, professora e voluntária Solange Tavares de Melo.
O debate desta segunda-feira (21) foi encerrado com a primeira apresentação do Coral da Fundação Joaquim Nabuco - desde o seu retorno no último mês. No repertório, a música “Bom Natal”, aquecendo o espírito natalino dos presentes e anunciando Cantata de Natal, programada para Dezembro.
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