Literaturas de José de Alencar e Mário de Andrade foram tema do 421º Seminário de Tropicologia da Fundaj
Obras “Iracema” e “Macunaíma” foram discutidas na ocasião
As particularidades linguísticas de “Iracema” e “Macunaíma”, obras de José de Alencar e Mário de Andrade, foram a temática do 421º Seminário de Tropicologia da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), que aconteceu na tarde desta terça-feira (29). A edição, intitulada de “Aclimatando nos Trópicos a Língua Portuguesa: um estudo sobre Iracema e Macunaíma”, contou com a palestra do professor de Teoria da Literatura e de Literatura da Língua Portuguesa, Anco Márcio Tenório Vieira. Como de costume, a Sala Gilberto Freyre, no campus Casa Forte da Fundaj, recebeu a programação.
As saudações iniciais da reunião foram feitas pelo diretor de Pesquisas Sociais (Dipes) da Fundaj, Carlos Osório. Logo depois, a coordenadora do Seminário de Tropicologia, Fátima Quintas, contextualizou a função do seminário, a qual se configura em debater temas plurais, e apresentou o palestrante: “Anco possui capacidade de aprofundar os assuntos com leveza e lucidez e não se afunila em abordagens simples. Hoje ele transita entre as linguagens de José de Alencar e Mário de Andrade”.
Para introduzir sua exposição, o palestrante explicou que, no século XIX, existia um debate sobre a definição do que era literatura brasileira e o que era literatura portuguesa. Depois, apresentou sua pesquisa sobre aquilo que os autores dos livros de Iracema e de Macunaíma buscavam em seus escritos. “Em Iracema, Alencar construiu uma poética etimológica. Ele leu o tupi-guarani e o interpretou na obra. Durante o texto, explica sobre as metáforas da linguagem indígena nas notas de rodapé”, afirmou.
Com uma linguagem clara, Anco exemplificou, lendo vários trechos do livro, a análise que fez. Ao terminar de discorrer sobre José de Alencar e sua obra, foi a vez de abordar a linguagem do autor de Macunaíma. “A poética de Mário de Andrade foca na sintaxe, se diferenciando das formas mais cultas do português. Ele tem um falar impuro, irregular e causa um certo estranhamento linguístico”, destacou o professor.
Ao término da fala do palestrante, o seminarista Lourival Holanda teve a oportunidade de fazer seus comentários sobre o conteúdo exposto. “O que chama minha atenção é a singularidade da forma de Macunaíma, como o autor organiza o texto. Ele abriu uma forma narrativa que outros escritores também seguiram depois. Esse estilo representado é o que melhor define a identidade dos brasileiros”, afirmou.
Em seguida, o seminarista Abraham Sicsú também pôde dar sua contribuição. “O que me impressiona é o contexto e o conteúdo das obras, pois possuem uma lógica datada. São representativos da identidade nacional. Em Iracema, se mostra o belo. Já Macunaíma tem características interessantes de uma época fundamental na mudança política e histórica do país”, afirmou.
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