Engenho Massangana encerra ciclo de vivência de Cavalo Marinho
As apresentações, rodas de conversas e práticas do Cavalo Marinho foram conduzidas por mestra Nice, nos meses de outubro e dezembro
Foram quatro encontros, repletos de simbologia e aprendizado. Neste sábado (7), durante todo o dia, o Engenho Massangana, Cabo de Santo Agostinho, Região Metropolitana do Recife, recebeu um grupo disposto a viver uma imersão cultural à prática do brinquedo popular Cavalo Marinho. Comandada por mestra Nice Teles e com a contribuição de Natan Teles e Israel da Silva - todos do Cavalo Marinho Estrela Brilhante - a atividade encerrou um ciclo de encontros que também aconteceu nos dias 24 e 25 de Outubro, no Museu do Homem do Nordeste (campus Casa Forte da Fundação Joaquim Nabuco); e 6 de dezembro, também no Engenho Massangana.
Enquanto aguardavam o início do folguedo, alguns dos inscritos aproveitaram para conhecer a Casa Grande onde Joaquim Nabuco viveu até os oito anos de idade. A visita foi guiada pela monitora Tayane Ferreira, que tirou dúvidas e contou curiosidades. “Massangano remete à confluência de rios. Essa palavra foi transferida para o feminino com Nabuco, quando ele resolveu homenagear sua madrinha, Ana Rosa Falcão. Dessa maneira, o engenho foi batizado como Massang(Ana).”
A manhã ainda começava a esquentar quando seu Domingos Barbosa, 69 anos, chegou, despertando quem ainda dormia com seus tiros de bacamarte. Com ele, amigos da Sociedade dos Bacamarteiros do Cabo, todos inscritos na programação promovida pelo Educativo do Muhne. “Eu vou confessar que só vinha ontem, mas a experiência foi tão legal que voltei novamente. Dessa vez, vestido a caráter, como um bacamarteiro”, contou Domingos.
Após a euforia dos estouros, uma grande roda se formou no pátio interno do palacete. De mãos dadas, mestra Nice iniciou uma oração para abençoar o encontro. Ainda em sua fala, ela reforçou a importância da resistência de manifestações culturais populares como o Cavalo Marinho. “A oficina veio bem a calhar. Luto pela tradição do Cavalo Marinho, pela preservação da nossa essência. Sabemos que cada mestre tem uma forma de cantar, mas nunca devemos deixar nossas raízes, pois quando uma raiz morre, não volta mais”.
Ao longo da conversa, cada participante acrescentava às falas da mestra, com relatos de experiências pessoais. Durante o momento, pouco a pouco, surgiam arcos coloridos para a brincadeira que aconteceria à tarde, todos confeccionados com cortes de tecidos feitos pelos próprios participantes. No final das atividades matutinas, um abraço simbólico foi dado em torno do baobá histórico, localizado na diagonal direita da Casa Grande.
Tarde
Compondo a melodia da tarde, diferentes sons vindos de rabecas, pandeiros, mineiros e bajes anunciaram que a hora do almoço tinha acabado. Deixando a preguiça de lado, o grupo se reuniu novamente, dessa vez no terraço do casarão. Os apitos da mestra Nice remetiam aos ensinamentos passados e conduziram a brincadeira, que aumentava de ritmo a cada verso cantado. “Essa foi a minha primeira oficina de Cavalo Marinho, e a forma como a mestra conduziu os ensinamentos, falando mais sobre os símbolos desse folguedo tão rico, ajudou a esclarecer as dúvidas que eu tinha sobre o assunto”, dividiu o participante Felipe Karnakis, após passar sua vez para um colega na brincadeira.
O grupo Cavalo Marinho Estrela Brilhante surgiu em 2004, na Zona da Mata de Pernambuco, com o Mestre Antônio Teles. Segundo a coordenadora do Educativo do Museu, Edna Silva - que também participou do folguedo - “essa atividade nos aproximou ainda mais, trazendo uma sensação de dever cumprido para todos os envolvidos. Pudemos apresentar o Cavalo Marinho para pessoas de diversas idades e regiões geográficas, e assim, compomos parte do chamado ‘homem do Nordeste’, tão plural. Pretendemos, para 2020, oferecer atividades ainda mais lúdicas, com calma e humanidade, prevalecendo sempre o caráter coletivo”.
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