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Pesquisador revela novos achados sobre Gilberto Freyre

Publicado: Quarta, 11 de Dezembro de 2019, 16h50 | Última atualização em Quarta, 11 de Dezembro de 2019, 16h50 | Acessos: 746

No Brasil para integrar evento em homenagem aos 120 anos de Freyre e ao centenário de João Cabral, Pablo González Velasco fala da hipótese do autor sobre a relação Brasil-Espanha

Guto Moraes

ESPECIAL PARA O DIARIO DE PERNAMBUCO

Gilberto Freyre (1900-1987) faleceu sem realizar uma de suas maiores ambições: o livro “Um brasileiro na Espanha”. O escritor e antropólogo, que desnudou os contrastes dos bastidores da formação social do Brasil em sua polêmica obra prima Casa Grande & Senzala (1933), deu início a pesquisas para provar que o país carrega consigo uma herança hispânica. Trinta e três anos após sua morte, essa hipótese ressurge e será base para o Congresso Internacional de Ciências Sociais e Humanas, realizado no próximo ano — quando o autor celebraria 120º aniversário —, pelo Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Salamanca, na Espanha.

O evento, agendado para 25 e 26 de fevereiro, aborda “A hispanidade e as presenças andalusies e orientais na obra de Gilberto Freyre”. À frente da organização, o antropólogo espanhol Pablo González Velasco dedicou os últimos anos à pesquisa da relação entre Freyre e o seu país natal. O contato com o autor se deu após morar quatro anos no Brasil, onde foi “impactado”. “De repente conheci Gilberto Freyre e fiquei fascinado. Ao longo destes três anos, tenho pesquisado, no acervo de Apipucos [no Recife] e na Espanha, a correspondência dele com autores locais”, revela González Velasco.

Pablo participou, ontem (6), do Seminário Internacional Casa Grande Severina: 120 anos de Gilberto Freyre, 100 anos de João Cabral de Melo Neto, promovido pela Fundação Joaquim Nabuco, no Derby. Durante uma mesa-redonda, compartilhou “O itinerário hispânico de Gilberto Freyre e novos achados na Espanha”. “Freyre explica, em sua obra, o processo cultural que ocorreu na primeira colonização do Brasil, mas que também é extensível a outros países ibero-americanos: como a mestiçagem, a cultura mesófila etc. Ele trabalhou o medieval ibérico e as relações que havia entre judeus, muçulmanos, não-muçulmanos e cristãos”, observa. 

Em suma, a teoria do pernambucano é de que, por ter pertencido a Espanha por cerca de 60 anos, Portugal também foi atravessado pela cultura hispânica. Em meados do século 16, o rei espanhol Felipe II uniu as coroas espanhola e portuguesa a partir da crise sucessória do trono português. O episódio ficou conhecido como a União Ibérica (1580-1640). Em 1578, durante a batalha de Alcácer-Quibir contra os mouros, no Marrocos, o rei de Portugal, Dom Sebastião, desapareceu sem deixar herdeiros para sucedê-lo. Por isso, Freyre defendeu a aproximação entre os países.

“A União Ibérica foi determinante para a formação do Brasil, não só territorialmente. Mas, também, espiritualmente, com o envio da missão dos franciscanos, por exemplo. Para Gilberto Freyre, o hispano foi um itinerário que começou já muito cedo”, conta o antropólogo espanhol. “Ele chegou a chamar essa parte da tropicologia de hispano-tropicologia, a falar da dupla hispanidade do país e à reconhecer como cultura maternal”, conclui, enquanto cita obras de Freyre menos conhecidas, como A Propósito de Frades (Progresso Bahia, 1959) e O Brasileiro Entre os Outros Hispanos (Jose Olympio, 1975).

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