Seminário 40 anos do Muhne destaca importância da participação coletiva na montagem das exposições
Primeiro dia de evento contou com participação do responsável pela montagem da exposição sobre cultura afro-brasileira do Muhne, Manoel Costa
O Museu do Homem do Nordeste é cultura viva e em movimento. No intuito de celebrar suas décadas de trajetória, o “Seminário 40 anos do Museu do Homem do Nordeste” foi iniciado nesta quarta-feira (11) e encerra sua programação amanhã (12). Plano Museológico, concurso para valorizar acervo e painel sobre história do Muhne foram atividades apresentadas no primeiro dia. A atividade acontece na Sala Gilberto Freyre, no campus da Fundaj em Casa Forte. “Essa gestão reconhece a importância e a preservação do Muhne. Dessa forma, destaco o rico acervo que possui, o qual está sendo levado em conta no Plano Museológico redigido pela equipe do Museu. Vamos democratizar ainda mais o acesso a esses materiais a partir das propostas levantadas”, afirmou o presidente da Fundaj, Antônio Campos.
“É uma alegria comemorar os 40 anos do Museu do Homem do Nordeste com esse seminário voltado à Museologia, com temas atuais, que objetivam aproximar a comunidade científica do nosso trabalho”, afirmou o coordenador do Museu do Homem do Nordeste, Frederico Almeida.
Para iniciar a programação, foram destacados pontos importantes sobre a necessidade do Muhne. “Em época de muitas desmemórias, é muito importante lembrar daquilo que é construção de mais de uma geração. A memória artística e cultural do homem é o que encontramos no Muhne; e estar aqui hoje para marcar o início disso tudo faz parte do ritual humano. Que possamos refletir sobre a relevância desse trabalho, que não é sobre os objetos estáticos, mas sobre o ser humano em movimento”, afirmou o diretor da Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca) da Fundaj, Mário Hélio.
Depois da abertura, foi a hora de entregar ao coordenador do Museu do Homem do Nordeste as diretrizes de ação dos próximos cinco anos para o Muhne. O Plano Museológico foi trabalhado pela equipe do Museu por meio de reuniões e oficinas durante todo o ano. O documento ainda passará por avaliações até ser aprovado no Conselho Diretor (Condir) da Fundaj.
Mais tarde, o público presente pôde conhecer a proposta do Concurso de Ensaios Aécio de Oliveira. Como meio de promover a reflexão e a pesquisa do acervo museológico da Fundaj, a iniciativa foi lançada em novembro e recebe inscrições até 28 de fevereiro de 2020. “Não é só para a academia. Todos que se interessam em conversar sobre patrimônio estão convidados a se inscrever e a concorrer a um prêmio de 10 mil reais”, afirmou Silvia Paes Barreto, servidora da Fundaj e integrante da equipe do Muhne. Para outros detalhes e e inscrição, o site é: https://bit.ly/2ROJDZT.
Mediado pela servidora do Muhne, Silvana Araújo, o painel “A Criação do Museu do Homem do Nordeste” foi iniciado. Nele, dois convidados puderam expor seus conhecimentos e experiências: o museólogo Henrique Cruz (Muhne) e o responsável pela concepção da exposição que trata sobre a cultura afro-brasileira do Muhne, Manoel Costa (do Sítio de Pai Adão-Ilê Obá Ogunté).
Por meio da projeção de fotos e imagens de plantas arquitetônicas, Henrique Cruz contou a história do Museu do Homem do Nordeste. “Desde os anos 50, o nome do museu como ele é hoje já aparece como proposta na Fundaj. Mas sua construção, na prática, só aconteceu em 1979”, afirmou. O museólogo contou sobre o começo de tudo, quando havia três museus: o de Antropologia, do Açúcar e o de Arte Popular. Depois da junção, passou por sua trajetória e mudanças de organização ao longo dos anos.
“O que o museólogo Aécio de Oliveira, que trabalhou no Muhne, falava sobre ‘museologia morena’. Esta, era a forma diferente de expor peças: sem vitrines. Ele quis inventar algo novo, diferente da organização europeia, a qual tinha aprendido na faculdade”, afirmou Henrique.
Logo foi a vez de Manoel Costa (ou Manoel Papai, como é conhecido) contribuir para o painel. “Em 1979, fui convidado pelo sociólogo Gilberto Freyre para tomar um café aqui na Fundaj. Ele me falou do desejo da casa de marcar o negro e sua religião. Com isso, trabalhamos para realizar essa tarefa”, afirmou. Na época, Manoel foi acompanhado por vários museólogos e pôde passar sua visão; a de alguém que vive a realidade do que seria exposto. Desde então, o líder religioso, sempre acompanhou a trajetória do Muhne e participou ativamente da montagem e fiscalização da exposição. Para terminar sua participação no seminário, fez uma louvação em iorubá aos seus orixás.
Segundo dia
Amanhã (12), o segundo dia de atividades, a partir das 14h, vai girar em torno de temáticas contemporâneas, presentes no campo acadêmico da Museologia e capazes de lançar desafios às práticas das instituições museais. O objetivo da reflexão é reverberar essas ações positivas para Muhne.
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