Com bloco e oficinas, Domingo dos Pequenos carnavalesco arrasta comunidade Beira-Rio
Segunda edição de 2020 conta com a troça inédita "Segurando o Talinho", no dia 16 de fevereiro, e atividades educativas no Museu do Homem do Nordeste
Frevo, folia e luta acompanharão a segunda edição do Domingo dos Pequenos no ano. Em homenagem ao Carnaval, o evento será animado pela primeira vez na história por um bloco carnavalesco, o "Segurando o Talinho". A concentração da troça está marcada para o dia 16 de fevereiro, a partir das 8h30, na comunidade Beira-Rio, em Apipucos, exatamente na rua Aliança, onde mora Lindinete dos Santos Borges, mais conhecida como Linda. Após o agito, a criançada irá para o Museu do Homem do Nordeste (Muhne), local das oficinas educativas.
Quem é Lindinete dos Santos Borges? Pernambucana de Olinda e há 16 anos morando na comunidade Beira-Rio, Linda é dona de casa. Não tem filhos, mas ama crianças. Por outro lado, é cheia de irmãos, 11 no total, seis homens e cinco mulheres. Em seus redutos, é considerada uma "Mãezona". Filha da lavadeira Maria dos Santos Borges, falecida há mais de um ano e ex-visitante ferrenha da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), ela se encantou pelo Museu do Homem do Nordeste (Muhne) após conhecer Ciema Mello, antropóloga do Muhne.
"Conheço Ciema há 17 anos. De lá pra cá, ela me apresentou a cultura, a arte e a educação", conta Lindinete dos Santos, 57 anos. "Linda é maravilhosa e íntegra. Tem um coração enorme. Ela é batalhadora e luta intensamente todos os dias pelas crianças da sua comunidade. É uma pessoa que transborda amor e sentimentos bons. Sabe como fazer uma pessoa se sentir amada", declara Ciema Mello.
O Educativo do Museu do Homem do Nordeste — recepcionado com um almoço e muito carinho — oficializou a participação exclusiva da comunidade Beira-Rio no Domingo dos Pequenos nesta semana. A edição carnavalesca terá oficinas de frevo, de estandarte e de instrumentos musicais, karaokê e desfile de la ursa. As atividades educativas serão realizadas no Muhne, na Fundaj Casa Forte.
"A ideia é sentir o que é fazer museologia nas comunidades e democratizar o acesso à cultura. O museu é para todos. A ida até a residência de Lina é o pontapé inicial da montagem do Domingo de Pequenos de carnaval. A maioria das crianças que moram nas comunidades no entorno de Apipucos vai conhecer o Museu do Homem do Nordeste pela primeira vez", afirma a coordenadora de ações educativas do Muhne, Edna Silva.
Voz ativa da comunidade Beira-Rio, Linda tem o desejo de transformar jovens em verdadeiros e saudáveis cidadãos por meio da educação.
"Meu sonho de consumo é criar uma creche para 'abraçar' as crianças. Quero dar coisas que não tive oportunidade para a garotada. A maioria da criançada não sabe o que é museu. Acha que o acesso é difícil, mas na verdade não é. Não é uma coisa de outro mundo. A cultura é fundamental para mudar vidas. Eu já sabia um pouco, mas aprendi mesmo após conviver com Ciema (Mello). Todos precisam desse acesso. Então é muito importante estar fazendo atividades para estimular as crianças", pontua.
Mesmo com todas as dificuldades, Linda se desdobra para levar crianças no Museu do Homem do Nordeste. Davi Lucas (7 anos) e Adriano Henrique (8 anos), que estavam presentes em sua casa na visita do Muhne, tiveram essa oportunidade. "Foi muito bom conhecer de perto a história. Adorei a experiência. Nunca vou esquecer", lembra Davi. "Quero voltar ao local. Estarei fantasiado de palhaço (no Domingo dos Pequenos)", disse.
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