27 DE AGOSTO DE 2015
Clipagem ASCOM
Recife, 27 de Agosto de 2015
:: Jornal do Commercio
Caderno C
Cinema
Crepúsculo dos Deuses (Sunset Blvd., EUA, 1950). De Billy Wilder. Com William Holden. Drama. 14 anos. Em fuga, Joe Gillis se refugia na mansão de uma estrela do cinema do mundo. Cinema do Museu: 20h25.
Os Guarda-Chuvas de Amor / (Les parapluies de Cherbourg., FRA, 1963). De Jacques Demy. Com Catherine Deneuve. Comédia. 12 anos. Jovem, filha de dona de uma loja de guarda-chuvas, é apaixonada por mecânico, mas a mãe desaprova o romance. Cinema da Fundação - 20h20. 12 anos
Que horas ela volta? (BRA, 2015). De Anna Muylater. Com Regina Casé. Drama. 12 anos. Pernambucana se muda para São Paulo a fim de dar melhores condições de vida para filha. Cinemark 5 – 15h50; 18h40; 21h20. Cinépolis Guararapes 1 – 16h10; 21h. UCI Kinoplex Recife 9 – 14h20; 16h40; 19h; 21h20. Cinema do Museu – 15h40; 18h.
Michael Kohlhaas: Justiça e Honra (Michael Kohlhaas, ALE, 2014) De Arnaud des Pallières. Com Mads Mikkelsen Drama. 14 anos. Vendedor de cavalos sofre injustiça de nobre e luta para reconquistar a honra. Cinema da Fundação: 15h45, 18h.
:: Folha de Pernambuco
Programa
Ainda somos os mesmos
Luiz Joaquim
Foi da produtora de cinema Isabela Cribari uma das pontuações mais interessantes obre “Que Horas Ela Volta?” Bra., 2015), filme de Anna Muylaert que estreia hoje em todo o Brasil. Logo após assistir a pré-estreia, sexta-feira assada, em sessão que inaugurou o Cinema do Museu o Homem do Nordeste, na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) em Casa Forte, Cribari refletiu: “É muito simbólico que seja esse o filme a inaugurar este cinema, dentro e uma instituição idealizada por Gilberto Freyre”.
De fato. Uma vez visto, o filme não pode deixar de ser associado à “Casa Grande & Senzala” ao expor, nos dias de hoje, os resquícios da cultura colonialista em termos de convivência social. E o que há e mais evidente, ainda no campo da associação, a ser dito sobre a urgência de “Que oras ela Volta?” é sua intrínseca comunicação com os filmes “O Som ao Redor” 2012), de Kleber Mendonça ilho, e “Casa Grande” (2014), e Fellipe Barbosa.
Com uma representação clara na contemporaneidade o comportamento do Senhor (Carlos, o personagem e Lourenço Mutarelli) e da Senhora de Engenho (Bárbara, vivida por Karine Teles), temos a figura da empregada doméstica Val (Regina Casé, inspirada) que mora no quartinho dos fundos da casa dos patrões há mais de dez anos.
Durante todo esse período, criou à distância a filha Jéssica (Camila Márdila, excelente), que deixou em sua terra natal, Pernambuco. Até que, aos 17 anos, Jéssica diz que vai a São Paulo fazer a prova do vestibular para a mais concorrida faculdade de arquitetura de São Paulo, cidade onde a mãe trabalha.
Hospedada na casa dos patrões da mãe, Jéssica, com seu espírito livre e sagaz, começa a reverter a situação colocando sob nova perspectiva o modo como Val se comporta e como seus patrões lhe tratam. Ainda nesse cenário, Muylaert também apresenta o carinho exacerbado de Val por aquele que ela que ajudou a criar: Fabinho, o filho dos patrões (Michel Joelsas), com a mesma idade de Jéssica.
Há aqui também o constrangedor desejo e assédio do patrão Carlos por Jéssica. Ou seja, numa só tacada, Muylaert encaçapa vários pontos com analogias daquilo que foi o comportamento colonialista mas que ainda dizem muito à respeito da nossa atual cultura.
Para tanto, Muylaert desenhou personagens consistentes que se apresentam numa interação muito próxima d natural. Com uma larga experiência na televisão - nas séries “Castelo Rá-Tim-Bum” (1995) e “Um Menino Muito Maluquinho” (2006), e no cinema com “Durval Discos (2002) e “É Proibido Fumar (2009), entre outros -, a cineasta conseguiu criar um fluidez sedutora em sua narrativa. Daquelas que, e pouco tempo, se esquece que estamos num filme e nos percebemos entre amigos.
Já próximo do final, num importante cena na piscina, Val parece começar a antecipar aquilo que viria a ser sua alforria. É apenas nesse momento delicado que Muylaert aceito inserir uma melodia musica em seu filme. Ela entra acerta da, emoldurando a emoção simples e poderosa que Casé soube tão bem condensar.
Uma coisa é certa. Risada serão ouvidas em todas as sessões de “Que Hora ela Volta?”. Algumas acompanharão o riso de Val. Outras rirão de Val. Para o segundo caso, seria interessante o espectador tentar se colocar no lugar da personagem e repensar os próprios valores.
Fundação
Justiça com feudalismo em declínio
Luiz Joaquim
Vez por outra, e tem sido aro, o poderoso Festival de Cannes se aventura a colocar m sua mostra principal, a competitiva, filmes de diretores com pouco experiência ou realmente desconhecidos do mundo. Em 2013 aconteceu m desses casos quando “Mihael Kohlhaas: Justiça e onra” (França/Alemanha, 013) participou da mostra tentando levar a Palma de Ouro.
“Michael Kohlhaas” - estreando no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco (no Derby) - é apenas o terceiro longa-metragem de ficção dirigido pelo francês Arnaud des Pallières, que aqui se arrisca numa adaptação do ponto escrito pelo poeta e romancista alemão Heinrich von Kleist (1777-1811). Só por essa informação - trazer os cinemas de hoje um texto alemão escrito no início do século 19, sobre uma situação no século 16 no Centro-Sul da França - é dado suficiente para entender onde Pallières estava se metendo.
O cenário é o da região de Cévennes, França, onde o vendedor de cavalos Michael Kohlhaas (Mads Mikkelsen, quase matemático na performance) leva uma vida tranquila e próspera ao lado da esposa que ama e da filha pequena. Quando dois de seus cavalos lhe são devolvidos maltratados por um nobre, ele, que é um homem religioso e íntegro, decide levar até o limite sua ideia de recuperar sua honra.
Um dos aspectos interessantes em conhecer a história de Kohlhaas, é observar como ali, cerca de 200 anos antes da Revolução Francesa na Europa, a ideia de justiça e ordem social já passava pela mediação do estado, ou melhor, da monarquia. O protagonista tenta inicialmente reaver seus direitos por meio de uma espécie de advogado. Uma vez frustrado, parte para busca a justiça comas próprias mãos. E, por aí, arrisca tudo o que tem de valioso. Até parece um filme policial contemporâneo, mas é mostrado com todo o rigor de como seria a vida no século 16.
Persona
Noturno
O Museu do Estado será aberto para visitações noturnas todas as últimas quartas e quintas-feiras de cada mês, até às 20h. Muito boa a ideia, especialmente para quem não tem tempo durante o dia.
Guia Folha
Michael Kohlhaas: Justiça e Honra / De Arnaud dês Pallières. Com Mads Mikkelsen, Bruno Ganz, Mélusine Mayance, Delphine Chuillot. Cinema da Fundação: 15h45, 18h (qui) / 15h40, 20h10 (sex) / 15h45, 18h (sab) / 15h40, 19h50 (dom) / 15h40, 18h (ter) / 15h40, 18h (qua). 14 anos.
O Desprezo / (Le Mépris, Fra, 1963). De Jean-Luc Godard. Com Brigitte Bardot, Jack Palance, Michel Piccoli. Cinema do Museu: 16h (sex). Cinema da Fundação: 20h20 (qua). 16 anos
Os Guarda-Chuvas de Amor / (Les parapluies de Cherbourg, Fra., 1963). De Jacques Demy. Com Catherine Deneuve, Nino Castelnuovo, Anne Vernon. Cinema da Fundação: 20h20 (hoje) 12 anos
Frenc Can Can / De Jean Renoir. Com Jean Gabin, Françoise Arnoul, María Felix. Cinema da Fundação: 18h (sex). 14 anos
O Demônio das Onze Horas / De Jean-Luc Godard. Com Anna Karina, Jean Paul Belmondo, Dirk Sanders. Cinema da Fundação: 20h20 (sab). 16 anos
O Demônio da Argélia / De Julien Duvivier. Com Jean Gabin, Mireille Balin, Line Noro. Cinema da Fundação: 18h10 (dom). 12 anos
A Grande Ilusão / De Jean Renoir. Com Jean Gabin, Pierre Fresnay, Eric on Stroheim. Cinema da Fundação: 20h15 (ter). Livre.
Zero em Comportamento / (Zéro de onduite, Fra., 1933). De Jean Vigo. Com Jean Dasté, Robert Le Flon, Henri Stork. Cinema do Museu: 17h (ter). Livre.
Os Olhos sem Rostos / (Les Yeux Sans isage, Fra., 1959). De George Franju. Com Pierre Brasseur, Alida Valli, Edith Scob. Cinema do Museu: 18h15 (ter). Livre
Permanência / De Leonaro Lacca. Com Irandhir Santos, Rita Carelli, Silvio Restiffe. Ivo é um fotógrafo pernambucano que viaja a São Paulo para fazer sua primeira exposição individual. Cinema da Fundação: 18h40, 20h30. 14 anos.
:: Diario de Pernambuco
Viver
Cinema
Mostra Grands Classiques Français - Exibições de clássicos do cinema francês na Fundaj e Museu. Programação em diariode.pe/bh41.
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