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19 DE AGOSTO DE 2015

Publicado: Quarta, 19 de Agosto de 2015, 08h16 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h20 | Acessos: 581

Clipagem ASCOM

Recife, 19 de Agosto de 2015

 


:: Jornal do Commercio

Caderno C

Há muito o que ver e revelar

Diogo Guedes

“Quase todo o Brasil cabe nessa foto”, sintetizou o historiador Luiz Felipe de Alencastro, na série História da Vida Privada no Brasil. O autor se referia à imagem ao lado, da ama negra Mônica e do sinhozinho Augusto Gomes Leal, um retrato de um possível afeto, como gostava de ver Gilberto Freyre, formado dentro das relações cruéis e violentas da escravidão. A fotografia é uma das imagens mais simbólicas e duras entre os muitos registros valiosos das reunidos no volume O Retrato e o Tempo: Coleção Francisco Rodrigues (1840-1920), de Rita de Cássia Barbosa de Araújo e Teresa Alexandrina Motta, que é lançado hoje, às 19h, junto a outros quatro títulos pela Editora Massangana.

O evento acontece na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) de Casa Forte e vai contar com palestra do cineasta Pedro Nabuco, além de um show do Quinteto Spok Frevo Orquestra, do maestro Spok. Na ocasião, também serão apresentados outros títulos da Massangana: Homens de Negócio, de Fé e de Poder Político: a Ordem Terceira de São Francisco do Recife, 1695-1711, da historiadora Maria Eduarda Marques, Gilberto Freyre Jornalista: uma Bibliografia, de Lúcia Gaspar e Virgínia Barbosa, O Eleitorado Imperial em Reforma, de Felipe Azevedo e Souza, e Contra a Conspiração da Ignorância com a Maldade - a Inspetoria de Monumentos de Pernambuco, de Rodrigo Cantarelli.

As obras são frutos de pesquisas acadêmicas. O Retrato e o Tempo, em capa dura e edição bilíngue, traz 500 fotografias do acervo da Fundação Joaquim Nabuco. É um material rico, que revela os rostos e detalhes de roupas, expressões e contextos de um período fundamental da história brasileira, o final da escravidão e do Império e o começo da República.

“O acervo, quando foi adquirido, tinha pouco mais de 12 mil retratos. Hoje sabemos que ele tem mais do que isso, vamos começar a recatalogar. A Coleção Francisco Rodrigues é considerada a mais importante de retratos do Brasil”, conta Rita de Cássia, uma das autoras. “O período pega esses momento estruturante do Brasil e permite não só enxergar a elite, mas questionar que são os ausentes naquelas fotos. É importante pensar nisso hoje: que histórias nós estamos deixando de perpetuar também?”.

Segundo ela, a obra é uma forma de dar vida a um acervo pouco conhecido. “A Fundaj tem essa diretriz memorial, de guardar e difundir documentos. Uma das formas é através de pedidos de informação e atendimento direto do público. Outra é gerar conhecimento a partir do que possui, como é o caso do livro”, destaca.

A obra tem oito artigos de nomes das mais diversas áreas, da conservação das imagens até a sociologia, passando pela história, antropologia e fotografia - incluindo um de Gilberto Freyre. “É um olhar coletivo, mas sabemos que há mil outros possíveis - cada pessoa que se debruçar nessas fotos vai ver e sentir coisas diferentes”, aponta. Um dos ensaios é de Gilberto Freyre, que fala da sociofotografia que as imagens permitem.

 

Lançamento coletivo da Massangana - hoje, às 19h, na Fundaj de Casa Forte (Av. 17 de Agosto, 2187, Casa Forte). Entrada gratuita


Cinema

Permanência (BRA, 2015). De Leonardo Lacca. Com Irandhir Santos, Rita Carelli, Silvio Restiffe. Drama. 14 anos. A viajem de um fotógrafo desperta sentimentos antigos por uma ex-namorada.  , – 18h40, 20h30.

 

:: Folha de Pernambuco

Programa

O papel decisivo da história

Gabriel Albuquerque

A Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) realiza hoje, s 19h, o evento “Pernambuco Imortal”, que marca o lançamento de cinco livros sobre emas da história do Estado ela Editora Massangana. A ata é representativa: 19 de gosto é o Dia do Historiador, ia do Fotógrafo e Dia da Cultura Pernambucana, quando nasceu o abolicionista Joaquim Nabuco, patrono da Fundaj. A noite terá uma mesa de debate com os autores e palestras de Paulo Rubem Santiago, presidente da Fundaj, e o cineasta Pedro Nabuco, bisneto de Joaquim Nabuco. A Spok Frevo Orquestra também se apresenta no local, às 20h30, em evento que pretende afirmar a pernambucanidade.

Um dos principais destaques do lançamento é “Homens de Negócio, de Fé e de Poder Político - A Ordem Terceira de São Francisco do Recife (1695-1711)”, da historiadora Maria Eduarda Marques. A Ordem Terceira surgiu dentro do convento de Santo Antônio no final do século 17, no período em que a idade buscava autonomia política de Olinda, após a expulsão dos holandeses. A organização teve papel decisivo nesse contexto político. “Os homens que constituíram a Ordem foram os homens que estiveram à frente na luta pela independência do Recife”, diz a pesquisadora. Ela ressalta que os membros da ordem formaram parte da Câmara de Vereadores após a emancipação do Recife.

Uma característica excepcional da Ordem Terceira é seu caráter mais democrático. “Normalmente, as ordens terceiras do reino português eram muito segregacionistas. Era necessário ter muito dinheiro e havia diversas restrições”, conta Maria Eduarda Marques. A ordem do Recife flexibilizou esses parâmetros e recebeu pardos e mercadores. “A Capela Dourada, construída por eles, é um espaço de representação da grandeza desses mercadores, que chegaram pobres e enriqueceram no Recife”, diz a historiadora.

O livro se debruça sobre os choques políticos que surgiram com a Ordem. “O choque entre o sistema mercantil se opôs frontalmente ao sistema produtor”, explica a autora, em referência às cidades de Recife e Olinda, respectivamente. Nesse conflito, Recife consegue a independência e forma “a primeira vila de afeição burguesa no Brasil”, segundo Maria Eduarda Marques.

 

MEMÓRIAS

“O Retrato e o Tempo - Coleção Francisco Rodrigues (1840-1920)” é uma das obras a serem lançadas amanhã. Organizado por Rita de Cássia Barbosa de Araújo e Teresa Alexandrina Motta, o livro reúne parte do extenso acervo iconográfico de fotografias de famílias nesse recorte temporal. Ensaios de historiadores, sociólogos, antropólogos e fotógrafos que analisam e contextualizam as imagens de patriarcas, crianças, escravos e sinhás. As memórias de pessoas de outro tempo e suas expressões faciais sérias, olhares fixos e posturas rígidas criam uma ligação que desperta a curiosidade e imaginação. O doutorando em História Felipe Azevedo Souza reflete sobre a formação e direitos políticos em “O Eleitorado Imperial em Reforma”. Ele investiga as motivações e aplicações da Lei Saraiva, responsável pela eliminação de mais de 90% do eleitorado que ia às urnas no Brasil império. O historiador sistematiza milhares de dados e traça um painel demográfico por renda e alfabetização, que permitem compreender as dinâmicas socioeconômicas do Recife da época. “Gilberto Freyre Jornalista - Uma Bibliografia” é um minucioso levantamento de todos os artigos publicados pelo célebre intelectual em jornais e revistas do Brasil e do Exterior. Abrangendo uma rica diversidade de temas, os 3.420 textos registrados pelas bibliotecárias Lúcia Gaspar e Virgínia Barbosa compõem uma importante obra de referência para pesquisadores e professores.

O arquiteto Felipe Cantarelli transita pelos territórios da museologia, patrimônio e história social em “Contra a Conspiração da Ignorância - a Inspetoria de Monumentos de Pernambuco”, que analisa a Inspetoria do Museu do Estado de Pernambuco ações de preservação do patrimônio. O autor busca u outro enfoque, para além das ações federais dos grandes museus ou instituições museológicas. “As ações regionais, como as impetrada por Anníbal Fernandes, sã pouco conhecidas e valorizadas”, escreve Cantarelli.

 

> Serviço

“Pernambuco Imortal - Um Lançamento para Fazer História” Onde: Sala Calouste Gulbenkian, da Fundaj de Casa Forte (Avenida 17 de agosto, 2187) Quando: Hoje, às 19h Quanto: Os exemplares têm preços que variam de R$ 30 a R$ 120, à venda no local Informações: (81) 30736363 GA

 


Guia Folha

Permanência / De Leonaro Lacca. Com Irandhir Santos, Rita Carelli, Silvio Restiffe. Ivo é um fotógrafo pernambucano que viaja a São Paulo para fazer sua primeira exposição individual. Ele aceita o convite da ex-namorada Rita para se hospedar na casa dela.Mas hoje, Rita já está casada com outro homem, e Ivo também deixou um amor em sua cidade natal. A proximidade entre eles desperta sentimentos antigos. Cinema da Fundação: 18h40, 20h30. 14 anos.

 

:: Diario de Pernambuco

Viver

Retratos do tempo

Isabelle Barros

Senhores e senhoras de engenho, casais bem vestidos, com seus filhos ou escravos, compondo um painel que reflete a elite social de parte dos séculos 19 e 20, especialmente em Pernambuco. Este é o panorama geral da Coleção Francisco Rodrigues, que tem mais de 15 mil imagens e está, atualmente, em posse da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). Um recorte desse acervo é lançado como livro hoje, em pleno Dia da Fotografia, pela Editora Massangana, da própria Fundaj, com o título O retrato e o tempo – Coleção Francisco Rodrigues (1840-1920), por R$ 120.

A publicação traz 500 fotografias que registram 80 anos de história e mostram as mudanças históricas pelas quais passou Pernambuco e, por extensão, o Brasil. “Esse conjunto de imagens tem material tirado já a partir dos anos iniciais da fotografia e engloba a passagem do rural para o urbano, do Império para a República, da sociedade escravocrata para a do trabalho livre. Nele, é possível estudar a família, as relações de gênero, o olhar da criança nessa época e até a questão da morte”, afirma Rita de Cássia Barbosa, organizadora do livro junto com Teresa Motta.

Além das fotografias, o livro apresenta oito artigos que trazem os mais diversos olhares sobre uma coleção cujos retratos exibem algumas das famílias pernambucanas mais ricas da época. Nas páginas, discussões sobre classes sociais, a conservação de acervos fotográficos, o mercado fotográfico em Pernambuco nessa época, os aspectos técnicos da imagem e o colecionismo de fotografia. “No começo, um retrato era algo muito caro, um motivo de orgulho, algo que se mostrava às visitas como símbolo de posse. Com a popularização da fotografia em papel, a classe média também passa a se ver retratada. A intenção dessas pessoas era fixar uma imagem e transmiti-la para o futuro”, analisa.

Um dos exemplos de como as condições sociais influenciaram nos fotografados é a presença dos filhos da elite com suas amas de leite. As poses, a posição das mulheres nas fotos, os ornamentos dos estúdios e, por fim o aparecimento de imagens mais despojadas, ao ar livre e com o surgimento da classe média, também fazem parte do livro. “Vemos a importância de preservar a memória. É preciso lembrar também das pessoas desta época que não estão nas imagens”.

 

Projeto

Sobre a coleção
A coleção foi iniciada por Francisco Rodrigues em 1927 e compreende o auge da fotografia profissional no Brasil. O Museu do Açúcar a adquiriu logo na sua abertura, em 1960, e depois de extinto, em 1977, as imagens foram incorporadas ao então Instituto Joaquim Nabuco. 

Domínio público
Cerca de cinco mil imagens do acervo estão disponíveis no site www.dominiopublico.gov.br, 
do Ministério da Educação, 
ao qual a Fundação Joaquim Nabuco é ligada.

Fotografia no estado
Para lidar com a nova tecnologia que permitia a retenção da imagem, era necessária mão-de-obra especializada, que veio com os fotógrafos estrangeiros. No verso ou na parte de baixo das fotografias, era possível ler  nomes como Louis Pierecki, o alemão Alberto Henschel e o francês A. Ducasble. 

Melhorias técnicas
A coleção traz desde imagens feitas a partir de daguerreótipos, nos primórdios da fotografia, até retratos feitos em cartes de visite, de 5cm por 9cm. Eles surgiram a partir da popularização dos negativos em filme, que permitiam a produção de cópias. Em seguida, na década de 1860, surgiram as carte cabinet, de 10cm por 15cm, que compõem a maior parte da Coleção Francisco Rodrigues.

 

Lançamentos

Mais quatro obras serão lançadas na mesma ocasião. Confira:

Fé e política se cruzam
Em Homens de negócio, de fé e de poder político, Maria Eduarda Marques analisa um capítulo crucial do conflito entre a nobreza da terra e o comércio português em torno da criação da vila do Recife.

Ideias do Mestre de Apipucos
Lúcia Gaspar e Virgínia Barbosa organizaram a obra Gilberto Freyre jornalista: uma bibliografia, que compila mais de 3 mil textos assinados pelo sociólogo pernambucano.

Reflexão sobre poder do voto
Em O eleitorado imperial em reforma, Felipe Azevedo e Souza faz reflexão sobre o passado eleitoral do estado. 

Preservação do patrimônio
O patrimônio cultural, arquitetônico e histórico do estado é alvo de estudo de Rodrigo Cantarelli em Contra a conspiração da ignorância.

 

Cinema

Permanência - Fotógrafo revive paixão por amiga casada ao apresentar exposição. 14 anos. Cinema da Fundação. 18h40, 20h30.

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