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28 DE JUNHO DE 2015

Publicado: Segunda, 29 de Junho de 2015, 09h25 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h21 | Acessos: 677

Clipagem ASCOM

Recife, 28 de Junho de 2015

 


:: Jornal do Commercio

Cidades

O art déco veio para ficar

Cleide Alves


Sabe aquela época das mulheres modernas e ousadas desfilando pelas ruas com a boca bem pintada e envergando elegantes vestidos a caminho do cinema, bem Paris nos anos 20? Transporte esse cenário para a arquitetura e você vai se deparar com as casas art déco do Recife, com suas formas geométricas mais retilíneas, quinas arredondadas, despojadas de enfeites nas fachadas, mais verticalizadas e caprichosamente decoradas.

Qualquer semelhança com o Clube Náutico Capibaribe, na Avenida Conselheiro Rosa e Silva, nos Aflitos, ou com o Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, na Rua Henrique Dias, no Derby, não é coincidência. O art déco, movimento ligado à vida agitada das cidades europeias na década de 20, teve forte influência na arquitetura de clubes, cinemas e cassinos no Recife dos anos 30 e 40 do século passado, declara a arquiteta Sônia Marques.

O Cine Pathé (primeiro cinema do Recife, na Rua Nova), o Cine Torre (Rua Conde de Irajá) e o Cine Polytheama (Rua Barão de São Borja) faziam parte desse ciclo da história do Recife, informa Sônia Marques, professora aposentada da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e coordenadora local da ONG internacional Documentação e Conservação do Movimento Moderno (Docomomo).

“Nenhum deles existe mais”, lamenta Guilah Naslavsky, professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFPE e pesquisadora da arquitetura moderna desde o curso de graduação. Mas o Cinema da Fundação continua lá, exibindo aos frequentadores de sua simpática sala os frisos art déco da fachada e os vitrais coloridos em paredes internas, tão característicos do estilo.

Fachada revestida com pó-de-pedra, como se vê no Cinema da Fundação, também marca esse período, afirma Guilah. “É um erro cobrir com tinta”, avisa. Geralmente preparado com cal e mica (minerais), o pó-de-pedra tem alta durabilidade e é um excelente isolante térmico, diz o professor de arquitetura da UFPE Luiz Amorim. “Não é específico do art déco, foi usado por aqui até os anos 60”, declara o arquiteto.

O estilo “típico da modernidade urbana do início do século 20”, na definição de Sônia Marques, se espalhou por imóveis residenciais, públicos e comerciais da capital pernambucana, levando para as construções primeiro andar com escadas bem verticais, vidro nas janelas e varandas graciosas. A Avenida Guararapes, no bairro de Santo Antônio (Centro), preserva o art déco na sede dos Correios, nos Edifícios Almare, Almare-Anexo e Sul-America, diz Guilah.

Recife é art déco no prédio da TV Jornal, na Rua Capitão Lima, em Santo Amaro, nas duas casas puristas da Rua Bispo Cardoso Ayres, já chegando na Avenida Visconde de Suassuna, no mesmo bairro, e na decoração da Igreja de Nossa Senhora de Fátima do antigo Colégio Nóbrega, na Rua Oliveira Lima, bairro da Soledade. Todos no Centro.

O art déco também se apresenta, e quase ninguém percebe, em meio a tantos imóveis reformados, numa moradia da Avenida Manoel Borba, no bairro da Boa Vista. “Esta bela e sóbria senhora está lá lindinha com os frisos e a elegância que a fariam participar de uma série urbana europeia, sem vergonha de sua simplicidade”, observa Sônia. A única ressalva é o revestimento de porcelanato no muro. “Descaracterizou a casa.”

 

PARIS

O termo, de origem francesa, surgiu com a Exposição de Arte Decorativa realizada na cidade de Paris, em 1925, para mostrar as novidades produzidas pela indústria, diz Guilah. “O art déco era um estilo de vida, uma tendência em todas as artes, incluindo objetos, móveis e roupas, e que chegou à arquitetura”, explica.

No Recife, esclarece a professora, o art déco (abreviatura de arte decorativa ou arts décoratifs na língua francesa) se mistura com o ecletismo, aquela junção de estilos arquitetônicos num só prédio. “Há o aspecto geométrico nas fachadas, mas a planta da edificação ainda é neoclássica, presa às concepções acadêmicas de projeto”, explica.

“Ele se opõe ao art nouveau, que era mais orgânico, com linhas curvas, arabescos e elementos que remetem à flora e à fauna”, comparam Guilah e Sônia. O art déco tende para o exótico, com inspiração indígena e também em figuras náuticas, como a casa-navio destruída na Avenida Boa Viagem, diz Guilah.

Os motivos náuticos, esclarece, eram usados “como analogia aos transatlânticos que possibilitaram viagens transcontinentais. Também foi uma referência significativa para os primeiros modernos no século 20”, diz ela. No art déco, o floral é mantido, porém estilizado e mais geométrico, detalha. As construções, seja por um questão de gosto ou por razões econômicas, eram mais baratas.

 

Caderno C

Cinema

Jauja (ARG / DIN / FRA / EUA, 2015). De Lisandro Alonso. Com Viggo Mortensen, Ghita Norby, Viilbjork Malling Agger. Faroeste. 12 anos. Um homem e sua filha embarcam numa viagem que tem com destino um deserto localizado no fim do mundo. Cinema da Fundação – 14h10; 18h30.

Permanência (BRA, 2015). De Leonardo Lacca. Drama. 14 anos. Cinema da Fundação – 20h40.

Sangue Azul (BRA, 2015). De Lírio Ferreira. Drama. 16 anos. Cinema da Fundação - 16h15.

 

:: Folha de Pernambuco

Opinião

“Quem foi que inventou o Brasil”


É o título da trilogia escrita pelo jornalista Franklin Martins, fruto de extensa pesquisa efetuada durante 18 anos, contando a trajetória política do País através de canções que remontam ao final do Brasil Império, mas coma ênfase voltada para República, inclusive a Proclamação, e até á poucos anos.

São músicas de todas as épocas. De criação e crítica musical, interligando atos e políticos numa retrospectiva em que as composições refletem como a atividade política era realizada, desde a irreverência do teatro de revista à crítica social dos atuais “rappers”. Mais de 1.000 canções foram localizadas por Franklin Martins que constam dos três volumes intitulados “Quem Foi Que Inventou o Brasil – A Música Popular Conta a História” (Editora Nova Fronteira).

O título do projeto, transformado em realidade, inspirou-se na marchinha de Lamartine Babo, grande sucesso do Carnaval de 1934. No mesmo dia do lançamento dos livros, foi inaugurada em São Paulo a exposição “A Música Canta a República”, baseada na obra literária referida acima. Disse o autor: “Comecei por acaso, divulgando músicas em meu site, além de trechos gravados de discursos de políticos como Getúlio Vargas e Carlos Lacerda; era um “hobby”, depois virou cachaça. E agora vieram os livros, o site e a exposição”.

Franklin Martins avançou no trabalho, mantendo contatos com diversos pesquisadores. O projeto ganhou forma com o acesso a arquivos virtuais como os do Instituto Moreira Sales e da Fundação Joaquim Nabuco. O primeiro volume trata do início da República, em 1889, até o Golpe de 1964. O segundo, da resistência à ditadura até a redemocratização, em 1985. O terceiro livro vai até 2002, com a eleição do presidente Lula. Na seleção musical, o autor optou pelas músicas compostas no calor dos fatos políticos.

A letra da primeira música escolhida - “As Laranjas da Sabina” – é do dramaturgo Arthur Azevedo sobre uma manifestação dos estudantes contra a proibição da polícia a uma senhora mulata de armar sua banca de frutas na porta da Universidade de Medicina do Rio de Janeiro, no final do Império. Com a Proclamação da República, a modesta vendedora teve o espaço restaurando, voltando a comercializar suas frutas.

Há inúmeros episódios em que se misturam música e política. Por exemplo, a participação antinazifascista do Brasil na II Guerra Mundial e a Revolução de 1930 figuram em um dos volumes escritos. Personagens como Adolf Hitler é satirizado, musicalmente, em “A Cara do Führer”, cantada por Isaurinha Garcia. Outras letras exaltam o trabalhador, e condenado o malandro, característica do governo Getúlio Vargas sobre quem existem outras composições.

Sobre o ainda período ditatorial, o jornalista destaca as canções de protesto surgidas no começo da década de 1960. São citadas músicas de duplo sentido, utilizadas para driblar a censura na época, especialmente quando a repressão se acentua após a edição do Ato Institucional número 5, em dezembro de1968. A “bossa nova” não poderia deixar de estar presente na trilogia, especialmente Carlinhos Lyra Vinícius de Moraes e Sérgio Ricardo.

A denominada música dos guetos nos anos 1990 também consta da obra, com o rap, o funk, e o samba reggae. Até rock dos anos 60 aparece com letra sobre liberdade e injustiça social. Acrescentem-se, ainda, as duplas de cantores que deram visibilidade à música caipira no passado.

Enfim, o jornalista Franklin Martins consegue abordar, musicalmente, a atividade política do Brasil, com a face de relevante historiador.

 

Guia Folha

Roteirão

Jauja / De Lisandro Alonso. Com Viggo Mortensen, Ghita Norby, Viilbjork, Malling Agger. Cinema da Fundação – 14h10, 18h30. 12 anos.

Sangue Azul / De Lírio Ferreira. Com Daniel de Oliveira, Caroline Abras, Sandra Corveloni. Cinema da Fundação: 16h15. 12 anos.

Permanência / De Leonaro Lacca. Com Irandhir Santos, Rita Carelli, Silvio Restiffe. São Luiz: 19h30 (qui/sab/ter). Cinema da Fundação: 20h40. 14 anos.

 

:: Diario de Pernambuco

Viver

Cinema

Jauja – Homem e sua filha embarcam em viagem com destino a deserto localizado no fim do mundo. 12 anos. Cinema da Fundação. 14h10, 18h30.

Permanência – 14 anos. Cinema da Fundação. 20h40.

Sangue azul - 16 anos. Cinema da Fundação. 16h15.

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