29 DE MARÇO DE 2015
Clipagem ASCOM
Recife, 29 de Março de 2015
:: Jornal do Commercio
Caderno C
Cinema
Eden (FRA, 2015). De Mia Hansen-Løve. Cinema da Fundação – 16h20; 18h50. Drama. 16 anos.
Dívida de Honra (The homesman, EUA / FRA, 2015). De Tommy Lee Jones. UCI Kinoplex Recife de Lux 3 - 19h25. Cinema da Fundação: 14h.
Blind (NOR / HOL, 2015). De Eskil Vogt. Cinema da Fundação – 21h15. Drama. 18 anos.
:: Folha de Pernambuco
Guia Folha
Roteirão
Dívida de Honra / De Tommy Lee Jones. Com Tommy Lee Jones, Hilary Swanks, Meryl Streep. Em Nebraska, mulher tem de atravessar o deserto para levar outras três mulheres que perderam a razão para um asilo em Iowa. Cinema da Fundação: 14h. DeLux 3: 19h25. 16 anos.
Blind / De Eskil Vogt. Com Ellen Dorrit Petersen, Henrik Rafaelsen, Vera Vitali. Após perder a visão, Ingrid resolve ficar isolada em sua própria casa, onde se sente mais segura. Seu grande parceiro nesta difícil adaptação é o marido. Mas quando as lembranças do mundo que ela conheceu vão desaparecendo gradativamente, ela percebe que o maior perigo está dentro de si mesma. Cinema da Fundação: 21h15. 18 anos.
Eden / De Mia Hansen-Løve. Com Félix de Givry, Pauline Etienne, Hugo Conzelmann. No início dos anos 1990, a música eletrônica começou a disparar na França. Paul (Félix de Givry) é um adolescente que gosta de raves, que se popularizam em Paris. Mas ele prefere um cenário mais underground. Paul e um amigo formam uma dupla de DJ´s chamada Cheers. Eles mergulham em um mundo de ritmo e batidas, rodeados por drogas e sexo. Cinema da Fundação: 16h20, 18h50. 16 anos.
:: Diario de Pernambuco
Economia
Dos engenhos seculares às usinas de açúcar e etanol
Rosa Falcão
Teresa Maia
Principal vedete da economia pernambucana desde o Brasil Colônia, a atividade produtiva secular da cana-de-açúcar encolheu a partir dos anos 1990. Fatores geográficos, climáticos e econômicos puxaram para baixo a produção. A crise dos produtores de açúcar e de álcool é um fenômeno nacional, mas rebate mais forte no Nordeste. Em Pernambuco, o parque industrial, no auge com 40 usinas, foi reduzido para 16 unidades ativas na atual safra 2014/2015. A atividade produtiva já chegou a empregar mais de 350 mil canavieiros no campo. Hoje são cerca de 80 mil empregos formais. Com a mudança na estrutura produtiva, os canaviais da Zona da Mata abrem espaço às novas indústrias estruturadoras. Para onde caminha o setor, cuja participação é de 8% no Produto Interno Bruto (PIB) do estado? De hoje até quarta-feira, o Diario traz uma série de reportagens sobre a economia da cana e os seus desafios para o futuro. Veja amanhã as usinas que apostaram em tecnologia e profissionalização.
Participação cai para 3%
A crise do setor sucroalcooleiro do Nordeste foi aprofundada com a extinção do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) e o fim dos subsídios à produção no campo, para garantir a competividade dos produtores de cana-de-açúcar e usineiros nordestinos frente às usinas do Centro-Sul e Sudeste. Na década de 1990, o setor empregava em Pernambuco em torno de 350 mil trabalhadores em 27 usinas, numa área plantada de 450 mil hectares. A participação pernambucana na produção nacional de cana-de-açúcar era de 10%. Hoje caiu para 3%.
“Houve a extinção dos subsídios diretos à cana para exportação. Ao mesmo tempo, o setor sempre foi mal administrado”, atesta Sérgio Kelner, pesquisador e economista da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). Segundo ele, a atividade econômica começou a perder importância significativa no começo da década de 1990 e depois se aprofundou com a conjuntura econômica, puxada pela queda do preço do açúcar no mercado internacional.
A atividade sucroalcooleira envolve uma cadeia de setores produtivos. Quando a crise chega, os efeitos se espalham em cascata. Atinge vários atores: plantadores de cana, fornecedores, e os produtores de açúcar e de álcool (usineiros). “A agricultura familiar é mais afetada porque as famílias trabalham nas parcelas. Hoje estamos produzindo a um custo de R$ 87 e vendendo em torno de R$ 70 a tonelada de cana. Isso se junta com a seca, que foi das maiores dos últimos 30 anos, e afetou toda a região canavieira”, conta Alexandre de Andrade Lima, presidente da Associação de Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP).
Andrade Lima diz que o preço mais baixo do açúcar no mercado internacional é outro fator que desequilibrou a atividade sucroalcooleira. Na outra ponta da cadeia sucroalcooleira houve o desestímulo à política de consumo de etanol no país. “Hoje é mais vantagem produzir o anidro, por causa da mistura à gasolina, do que o açúcar”, diz.
Produtividade para sobreviver
Para sobreviver à crise, os plantadores de cana têm que se modernizar. Os antigos engenhos de açúcar reduziram às áreas plantadas. Correram atrás de maior produtividade no campo. Visitamos o secular engenho Jaguaribe, no município de Aliança, Zona da Mata Norte. A moenda foi aposentada, mas a casa-grande resiste ao tempo de seu fundador, Antônio Ferreira Lima. São 650 hectares de área plantada, administrada por um dos herdeiros, o agrônomo Alcides Ferreira Lima.
“É uma briga para viver no mercado. A gente não vende cana, vende açúcar”, diz. Para sobreviver às adversidades econômicas e climáticas, Alcides instalou um sistema de irrigação por aspersão semi-faixa em 100 hectares de terra. Um investimento de R$ 4 milhões que garante água na safra. “Hoje tenho uma produtividade muito maior”.
O engenho Jaguaribe emprega 65 trabalhadores no campo e 17 na administração. Com a fuga de canavieiros para a construção civil, os plantadores de cana têm dificuldades de arregimentar mão-de-obra. É comum os canavieiros se aposentarem e voltarem ao campo na safra.
Aposentado há nove anos, João Alfredo da Silva, 68, teve que voltar ao batente porque o dinheiro é pouco. Ele nasceu e se criou nas terras do Jaguaribe. “Procurei o ‘doutor’ e pedi para voltar. Puxo palha e corto cana, mas trabalho menos. Hoje é melhor porque a gente ganha por produção”.
Dos sete filhos, apenas um ficou no canavial. Os demais foram atraídos para a construção civil. No alpendre do casarão do engenho, João é conhecido como Zebedeu. A relação é próxima com o “doutor”.
“Nunca me senti um senhor de engenho. A minha família sempre teve uma relação próxima com o trabalhador”, conta Alcides.
O cortador de cana Rubem Oliveira Silva, 50, orgulha-se de comandar a máquina que alimenta o sistema de irrigação. Ele teve que aprender a ler à noite para dominar os botões. A vontade de sair do canavial foi mais forte.
Catende puçá crise da setor
O fechamento de uma usina de açúcar traz consequências econômicas e sociais impactantes para a Zona da Mata. A Catende foi a primeira usina que teve a falência decretada no Nordeste. Era uma das maiores produtoras de açúcar da região. As vultosas dívidas dos proprietários paralisaram as atividades do parque fabril. Houve uma tentativa de retomada da produção apoiada pelo governo do estado, mas não deu certo. Em janeiro de 2012, a usina fechou. Deixou um rastro de desemprego e desolação nos municípios vizinhos: Palmares, Xexeu, Maraial, Jaqueira, Belém de Maria e Àgua Preta.
Antes do fechamento definitivo, os trabalhadores lideraram a reativação da produção da Catende. Eles assumiram a gestão da usina e criaram a Cooperativa Harmonia. Garantiram a manutenção de 2.800 empregos e conquistaram judicialmente o direito de administrar o patrimônio formado por 48 engenhos (26 mil hectares), hidrelétrica, duas casas-grandes, parque industrial para a produção de açúcar e ração animal, cerâmica industrial, metalúrgica e uma 38 veículos, entre caminhões e tratores.
Depois de duas administrações desastrosas da cooperativa, a Justiça decretou o processo falimentar, nomeou um síndico para leiloar a usina e pagar os credores. Três pregões já foram marcados e declarados vazios, porque não apareceram compradores. A dívida estimada com os credores é de R$ 1,9 bilhão. A nova avaliação feita pela massa falida sugere R$ 40 milhões o valor do patrimônio. O atual síndico, José Lindoso, não acredita na reativação do parque fabril. “Acho possível fazer a liquidação e pagar parte das dívidas”.
A usina é um cemitério de máquinas enferrujadas, caminhões e tratores amontoados no pátio, botas e roupas deixadas para trás pelos trabalhadores. Jordeval Pedro Domingues,46, trabalha há 25 anos como vigia. Ele está sem receber salário há três anos e tem R$ 60 mil a receber de indenização trabalhista. “Minha vida parou no tempo com a falência da usina”.
O cortador de cana Cristiano Correia e Silva, 51, trabalhou quase 30 anos na lavoura até o fechamento da usina. “Durante cinco anos a gente recebia certo. Depois, trabalhava e só ganhava a quinzena. Às vezes eu ficava seis meses sem receber”.
“Essa usina quando começava a moer era uma mãe para os moradores daqui. Quando fechou, acabou com a gente”, desabafa a cortadora de cana Rita Maria Gomes, 60.
Fechamento ocorre e todo país
A crise financeira global, a instabilidade do preço do açúcar no mercado internacional e as dificuldades financeiras das usinas bateram à porta do setor sucroenergético em todo o país. De acordo com a União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica), desde 2008 fecharam 50 usinas no país, de um total de 370. Há 67 usinas em recuperação judicial, e dessas 40 não estão moendo este ano. Foram perdidos cerca de 300 mil empregos no setor nas regiões produtoras de açúcar.
O presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool (Sindaçúcar), Renato Cunha, destaca que o problema do setor é o preço final de produção defasado em relação aos custos. Além disso, o açúcar é uma commodity agrícola, cujo preço é cotado em dólar, o que torna os produtores vulneráveis às oscilações do mercado externo. Ele cita também a insegurança hídrica no Nordeste, e os altos custos trabalhistas como fatores que retiram a competividade do setor.
Para o pesquisador da Fundaj Sérgio Kelner, à medida em que o o setor começou a perder importância no estado, começou a crescer a produção em São Paulo e no Centro-Oeste. Estas regiões são favorecidas por aspectos de natureza ambiental e terrenos planos, o que melhora o desempenho e reduz os custos da atividade. “Como se trata de um setor que produz basicamente dois produtos, precisa de capital para investir ”.
“O que a gente precisa é de políticas estruturantes e de um programa de modernização industrial para fazer mais energia”, diz Cunha, que defende que há indústrias modernas no Nordeste.
Viver
Cinema
Branco Sai, Preto Fica – 12 anos. Cinema da Fundação. 19h10.
Eden - 16 anos. Cinema da Fundação. 14h30, 21h.
Dívida de honra. 16 anos. DeLux 2. 19h25. Cinema da Fundação. 14h.
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