09 DE NOVEMBRO DE 2014
Clipagem ASCOM
Recife, 09 de novembro de 2014
:: Jornal do Commercio
JC Mais
Sertão quando menos se espera
Diana Moura
Poucas regiões do Brasil foram tão cantadas quanto o semiárido nordestino. O Sertão de Euclydes e o de Ariano. O Sertão de Graciliano e o de Rosa. O Sertão de Luiz Gonzaga e o de Lirinha. Os Sertões. Visto de longe, é uma coisa só. Seco, duro e pedregoso. De perto, são tantos quanto os artistas que o retrataram. O Theória, evento que convida o público a pensar o mundo a partir das imagens, reúne mais três visões desse território numa exposição que está em cartaz no Museu do Homem do Nordeste. A partir do trabalho do fotógrafo Alexandre Severo, morto em agosto, o pernambucano Ricardo Labastier e a gaúcha Fernanda Chemale lançaram seu próprio olhar sobre a região.
Ao contrário das criações de Severo, todas realizadas dentro dos limites físicos da caatinga, os trabalhos de Labastier e Chemale apresentam um ponto de vista menos geográfico. O deslocamento é resultado do tema do Theória deste ano: Brasil: Imagens nômades. A partir do mote, os artistas compartilham com a plateia cenas de um território expandido e exibem as representações de uma terra que se move com o seu povo.
O Sertão de Chemale, por exemplo, está a quase dois mil quilômetros do Recife, na Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Fatia nordestina em terras cariocas, o lugar reencena canções, gastronomias e sotaques. A fotógrafa também investiga um pouco da vida dos funcionários dos prédios fluminenses, quase todos de origem nordestina. “O ponto de partida foi o porteiro do edifício da minha avó, no Rio. É uma pessoa que saiu da casa dele para cuidar da casa do outro, para ver a paisagem passar. Um homem estático em seu próprio deslocamento”, comenta.
Já o Sertão nômade de Labastier escorre pelo Rio São Francisco e chega até o oceano. Não por acaso, a série fotográfica foi batizada de Opara (rio-mar), nome que os índios davam ao São Francisco. “O rio era caminho de entrada e saída, elo entre o Sertão e o Litoral”, explica Labastier, que fez todas as fotos no mar, onde vão parar muitos daqueles que partem do semiárido. Assim, o artista recria a região a partir do maior desejo simbólico do nordestino: a água. “A estiagem servia de impulso para o processo migratório do sertanejo, mas a viagem, curiosamente, se dava pela água”, resume.
É então a partir das ausências que se desenham os sertões de presentes nesta exposição do Theória. A região é expressa onde ela não está. Se materializa nômade, como propõe o evento, no Rio de Janeiro e no litoral pernambucano, sendo redesenhada a partir de alguns de seus contrapontos. As obras refazem assim, de outra maneira, o caminho trilhado por Alexandre Severo, que percorreu o território com a repórter Fabiana Moraes em busca de uma face menos conhecida da região no centenário da morte do escritor Euclydes da Cunha.
É um mundo que se move, que não para de surpreender, como descreveu Guimarães Rosa: “Sertão é isto: o senhor empurra pra trás, mas de repente ele volta a rodear o senhor dos lados. Sertão é quando menos se espera.”
Caderno C
Cinema
A professora do Jardim da Infância (Haganenet, FRA, 2014). De Navad Lapid. Cinema da Fundação – 18h10. Drama. 14 anos.
Uma passagem para Mário (BRA, 2014). De Eric Laurence. Cinema da Fundação – 14h50; 16h30; 20h30; 15h50; 17h30; 19h10; 20h50. Documentário. Livre.
:: Folha de Pernambuco
Guia Folha
Roteirão
A Professora do Jardim da Infância / (Haganenet)/De Nadav Lapid.Com Sarit Larry, Avi Shnaidman, Lior Raz.Uma professora descobre em um de seus alunos um imenso talento para a poesia. Encantada e inspirada, ela se dedica a incentivar e proteger o menino prodígio, que tem apenas cinco anos. Cinema da Fundação: 18h10. 14 anos
Uma Passagem para Mário / de Eric Laurence. Com Eric Laurence, Mário Duques. Um documentário sobre amizade e superação da morte. Uma reflexão sobre as jornadas e os ciclos da vida através de uma viagem que parte de Recife, no Brasil, atravessa a Bolívia, até chegar no deserto do Atacama, Chile.Um documentário um road movie.Uma história de vida.Uma história de vida. Cinema da Fundação: 15h; 16h40; 18h20. Livre.
:: Diário de Pernambuco
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Cinema
Uma passagem para Mário - Livre. Cinema da Fundação. 14h50, 16h30, 20h30.
A professora do Jardim da Infância – 14 anos. Cinema da Fundação. 18h10.
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