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09 DE OUTUBRO DE 2014

Publicado: Quinta, 09 de Outubro de 2014, 09h45 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h22 | Acessos: 405

Clipagem ASCOM
Recife, 09 de outubro de 2014

 

:: Jornal do Commercio

Opinião JC

Bem-vinda distinção

Lembro-me de um conto de uma escritora espanhola que começa com esta pergunta: É tímido, você que me lê? Começo de ficção inesquecível e instigante. Imitando essa escritora, que não é outra senão Emilia Pardo Bazán, considerada a maior da Espanha no século XIX, pergunto: É modesto ou humilde, você que me lê? Claro, como a própria ficcionista, faço a pergunta não para ter sua resposta, leitor amigo ou cordial leitora, mas para retoricamente deixar no ar a inquietude e servir de prólogo a uma distinção feita por Kafka, embora não exatamente kafkiana...

Segundo a filósofa Hannah Arendt, o hoje universal e onipresente Franz Kafka teria um dia disparado a seguinte e autobiográfica revelação: Não sou modesto, sou humilde. ” Nada como um grande escritor para fazer distinções que por inércia e descuido deixamos de fazer. É de se imaginar que Kafka respondesse a alguém que, como nós outros, costumasse confundir modéstia com humildade. É provável, se não claro, que esse interlocutor visse no autor tcheco uma encarnação da modéstia, ou seja, aquilo que os dicionários, repetindo o povo e as ruas, traduzem como ausência de vaidade. Nesse caso, como em tantos outros, nada mais usual do que louvar alguém pelo efeito de contraste entre o esplendor do talento e a meia-luz da humildade e da modéstia que o cercam. Para Kafka, porém, em sua complexa personalidade de criador, o que se impôs foi a recusa ética de se tomar uma coisa pela outra: humildade, sim, modéstia não, como se dissesse que tinha plena consciência do seu talento de artista, embora não precisasse gritar isso aos quatro ventos, uma atitude nada humilde, e sim vaidosa e exaltada.

O que se nota, se concordarmos com o filósofo alemão Schopenhauer, é que a vaidade geralmente é tagarela, chamando para si as atenções, enquanto o orgulho é confiantemente silencioso. A consciência de si mesmo em Kafka era um orgulho lacônico e contido, e isso o impedia de se dizer modesto, já o que chamou de humildade talvez fosse apenas o reconhecimento de que era simples, ciente de suas limitações. Quem sabe Kafka também pensasse, tendo por fundo sua ficção profética e dolorosa, numa humildade cosmológica, sobretudo se vislumbrarmos os abismos que entreviu e a fria névoa de pesadelo que perpassa sua obra genial. De qualquer forma, bem-vinda distinção.

 

Caderno C

Cinema

Riocorrente (BRA, 2013). De Paulo Sacramento. Cinema da Fundação – 20h50. Drama. 16 anos.

Oiticica (BRA, 2013). De César Oiticica Filho. Cinema da Fundação – 14h20. Documentário. 14 anos.

Mais um ano (another year, ING, 2010). De Mike Leigh. Cinema da Fundação – 18h10. Drama. 12 anos.

Miss Violence (GRE, 2014). De Alexandros Avranas. Cinema da Fundação – 16h10. Drama. 18 anos.

 

:: Folha de Pernambuco

Opinião

Escola e trabalho

A definição de uma escola que forme cidadãos ilustrados, com uma ampla e crítica visão da vida, sem o alcance limitado à reposição de mão de obra qualificada para rodar a economia e suprir os quadros da tecnoburocracia, não deve levar a que se subestime a questão do trabalho no universo escolar. O desenclausurameno da escola inclui o devido tratamento desta questão. Caso contrário, em tempos de informática, telemática, robótica, bioengenharia, nanotecnologia, física quântica, medicina ortomolecular, parapsicologia, bioquímica do cérebro e adjacências, estaremos trilhando o velho e cansado bacharelismo. Um joio ainda encontradiço nas searas. Um bacharelismo requentado. Em figurino pós-moderno e digital. Fazendo o mesmo mal.

A introdução da sociologia no ensino médio, no capítulo da sociologia do trabalho, abre uma janela para que a questão seja aprofundada. Mas independentemente desta segmentação, as informações sobre o mundo da economia, as engrenagens do trabalho e o leque das profissões, deveriam marcar maior presença na escola, de modo transversal. Afinal de contas, a culminância do processo de ensino, no seu terceiro estágio, é a formação profissional, passando pelos cursos técnicos de nível médio. A escola, ainda no nível básico, e com mais vigor no médio, não pode se furtar a contribuir para que os estudantes conheçam mais, e melhor se orientem, com larga antecedência, no que diz respeito ao trabalho e às profissões. Sem isto, certamente, serão alvos da infinidade de faculdades caça-níqueis que proliferam no país, vendendo ilusões e diplomas que não qualificam à inserção, muito menos à ascensão, no mercado de trabalho. Recentes dados estatísticos fornecidos pelo IBGE indicam que hoje, no Brasil, o ensino privado supera o público, na formação universitária. O que só vem acentuar a relevância da questão.

Essas informações generalizadas, de moldo algum são dispensáveis, em face da existência dos estágios profissionais nos níveis médio e universitário. Antes de mais nada, porque eles contemplam uma parcela limitada de estudantes. E também porque, aí se localizam diversas mazelas, como o acompanhamento puramente burocrático por parte da instância escolar, e os desvios na prática do estagiário, muitas vezes, utilizado como mera mão de obra barata ou tapa-buraco, em atividades alheias à da sua área específica de formação.

O acompanhamento do estudante em trabalho de conclusão de curso, o famoso TCC, momento em que se olha de perto para o mercado de trabalho e se espera a porta do primeiro emprego, é outro manancial de mazelas reveladas. É comum serem encaminhados à banca examinadora trabalhos realizados em baixo nível de apresentação, considerando o domínio dos conteúdos. E mais ainda, no que se refere à redação e à gramática, sendo marcantes as dificuldades em concatenar idéias, dividir frases, formar parágrafos, virgular, grafar e acentuar devidamente. E o absurdo é que o aluno a quem compete apresentar o TCC, conta, oficialmente, com um professor-orientador, por cujos olhos, em tese, deveria passar o trabalho, ao menos no momento terminal. Mas parece que, em geral, tal orientação é puramente nominal. O aluno, muitas vezes, ciente das suas carências, e sabendo-se objeto de descaso, recorre aos serviços de terceiros, por vias de amizade ou de contrato, para dar forma final ao TCC. Pergunta-se se não seria o caso, em cada TCC, de ser também avaliado o orientador. E se coloca em pauta uma pesquisa original - ou investigação policial - para identificar/quantificar, rondando a academia, os prestadores de serviço e o nicho de mercado do segmento TCC/ monografia/ dissertação/tese.

É grande falha, na educação, subestimar a formação integral do aluno como ser racional, social e cósmico. Como também o é, esquecer a formação para o trabalho. Num extremo, teremos tecnocratas insensíveis. No outro, bacharéis “cultos e famintos”, segundo adverte Adriano Dias, engenheiro e pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco.

 

Guia folha

Roteirão

Cinema

Riocorrente / Cinema  da Fundação: 20h50(qui) / 18h20(sex) / 16h20(sáb) / 14h50, 18h20(dom) / 14h40(qua). 16 anos.

Oiticica / Cinema da Fundação: 14h20(qui) / 20h(sex) / 14h30, 20h30(sáb) / 16h25(dom) / 14h20(ter) / 16h30(qua). 14 anos.

Mais um Ano / Cinema da Fundação: 18h10(qui) / 14h(sex) / 18h(sáb) / 20h(dom) / 15h50(ter). 12 anos;

Miss Violence / Cinema da Fundação: 16h10(qui) / 16h20(sex) / 18h30(qua). 18 anos

Corumbiara / Cinema da Fundação: 20h10(ter). 12 anos.

Trampolim do Forte / Cinema da Fundação: 18h20. 16 anos.

 

:: Diário de Pernambuco

Viver

Cinema

Riocorrente – Filme conta a história de um triângulo ambientado numa caótica São Paulo. 16 anos. Cinema da Fundação. 20h50.

Oiticica - Documentário conta a história do artista plástico Hélio Oiticica através de fitas K7 que o próprio gravou durante os anos de 1960 e 1970. 14 anos. Cinema da Fundação. 14h20.

Mais um ano – 12 anos. Cinema da Fundação. 18h10.

Miss Violence – 18 anos. Cinema da Fundação. 16h10.

 

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