07 DE OUTUBRO DE 2014
Clipagem ASCOM
Recife, 06 de outubro de 2014
:: Jornal do Commercio
Caderno C
O lado perverso da autoridade
As coordenações de Artes Visuais e de Cinema da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) juntaram forças para montar uma pertinente mostra de filmes que dá continuidade ao projeto Cães sem Plumas. A partir de hoje, e durante as próximas cinco terças-feiras, oito filmes da recente produção brasileira, que dialogam entre si ao representar situações em que grupos e indivíduos se tornaram vítimas de poderes constituídos para sua segurança, são exibidos no Cinema da Fundação.
Com passagens nos principais festivais de cinema do País, em que ganharam prêmios importantes (como Branco sai, preto fica, vencedor do último Festival de Brasília), os longas-metragens – documentários e narrações híbridas que flertam abertamente com a ficção – revelam fatos e histórias que denunciam como a polícia e a Justiça têm maltratado cidadãos brasileiros desde a ditadura militar.
O filme que abre a mostra é o emblemático Os dias com ele, de Maria Clara Escobar, premiado no ano passado na Mostra de Tiradentes. Trata-se de um processo de reconhecimento entre a diretora e o pai dela, o professor, filósofo e dramaturgo paulista Carlos Henrique Escobar, que fala pela primeira vez do período em que foi preso e torturado, na década de 1970, um passado que ela não conhecia. Com 24 anos de idade, Maria Clara busca nas memórias de chumbo do pai vestígios de sua identidade.
Na próxima terça-feira, a vez é de Corumbiara, de Vincent Carelli, que ganhou o Kikito de Melhor Longa-Metragem no Festival de Gramado de 2009. Um dos mais potentes documentários realizados no Brasil nos últimos anos, conta a batalha de 20 anos de uma equipe de filmagens para provar o extermínio de uma tribo no coração da Amazônia. Em 1985, Vincent registrou o que restou das evidências do crime, a partir de uma denúncia do indigenista Marcelo Santos.
A vizinhança do tigre, de Affonso Uchoa, e Branco sai, preto fica, de Adirley Queirós, tratam de gerações de jovens que crescem e morrem à sombra dos bairros periféricos das grandes cidades brasileiras – no caso, Belo Horizonte e Brasília. Os dois filmes chamam a atenção da crítica desde janeiro deste ano, quando estrearam em Tiradentes. Produzido em Ceilândia, Branco sai, preto fica permite que dois rapazes vítimas da violência policial criem uma fabulação em que o Estado é investigado para reparar o crime cometido no passado.
Para concluir a mostra, uma oportunidade rara: assistir em sequência à trilogia em que a documentarista Maria Augusta Ramos investiga as faces da Justiça brasileira a partir de componentes como jovens criminosos (Juízo), funcionários do judiciário (Justiça) e o cotidiano de uma comunidade carioca (Morro dos Prazeres).
Caderno C
Cinema
Mais um ano (another year, ING, 2010). De Mike Leigh. Com Jim Broadbent, Ruth Sheen. Cinema da Fundação – 15h30; 20h. Drama. 12 anos.
Miss Violence (GRE, 2014). De Alexandros Avranas. Com Themis Panou, Reni Pitakki. Cinema da Fundação – 18h. Drama. 18 anos.
:: Folha de Pernambuco
Programa
Mostra de filmes dá voz a excluído
A mostra de filmes "Cães sem plumas", que começa hoje no Cinema da Fundação, segue a mesma linha da exposição homônima que tomou o Mamam entre abril e julho deste ano: joga luz sobre parcelas da população marginalizadas, destituídas de cidadania, dignidade e voz social. Assim como a exposição, os filmes alimentam a reflexão em torno do questionamento do lugar da pobreza e de grupos marginalizados nas artes.
Com curadoria do pesquisador Moacir dos Anjos, a mostra terá início hoje, às 18h, com o filme "Os dias com ele", dirigido por Maria Clara Escobar. Em forma documental, o filme narra o mergulho da cineasta no passado de seu pai, o intelectual Carlos Henrique ES PRÉDIO foi inicialmente, nos anos 1950, projetado para moradia e veraneio AUTOR relata em forma de diário os eventos que vivenciou durante três meses Alfeu Tavares Leo Motta cobar, preso e torturado pela ditadura militar.
“Corumbiara”, de Vincent Carelli, será exibido no dia 14 de outubro. O filme mostra o retorno do cineasta à aldeia Corumbiara, em Rondônia, onde ele foi, 24 anos do lançamento do filme, na tentativa de registrar evidências de um massacre que não chegou a ser reconhecido pelas autoridades.
No dia 21 de outubro será a vez de "A vizinha do tigre", de Affonso Uchoa, que retrata o cotidiano de jovens moradores do bairro Nacional, periferia de cidade mineira Contagem. Já no dia 4 de novembro será exibido "Branco sai preto fica", de Adirley Queirós, que parte de um crime em um baile de black music em Brasília. Na ocasião, será lançado o catálogo da exposição.
Por último, no dia 11 de novembro, o público contará com o documentário "Juízo, justiça e Morro dos Prazeres", descrito como uma crônica documental sobre o dia a dia de uma comunidade do Ri de Janeiro após a instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).
Mudança do eleitor causa divergência
Não é incomum na história das pesquisas eleitorais no Brasil, até porque questões de última hora, como a arrancada de um candidato ou a prática do “voto útil”, muitas vezes transformado em “voto casado”, ocorrer em muitas eleições resultados finais diferentes do que realmente sai das urnas depois de tudo apurado. Meras oscilações ou até mesmo “atropelamentos surpresas”. No geral, a arrancada sempre surpreende. Foi o que aconteceu nas eleições do último domingo.
O cientista político Leonardo Avritezer, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e presidente da Associação Brasileira de Ciência Política, disse acreditar que o que causou essa diferença tão grande entre o que apontavam as pesquisas e o resultado final foi a mudança de opinião do eleitor. Em alguns casos, a mudança pode ter sido tão de “última hora” que não tenha dado tempos dos principais institutos de pesquisa eleitoral detectaram a posição de parte considerável do eleitorado.
A subida do presidenciável Aécio Neves (PSDB), por exemplo, estava sendo detectada, mas longe do percentual que terminou levando o tucano para o segundo turno, perto dos 34%. Para ele, isso pode não acontecer no segundo turno. “O eleitorado mostrou que anda volúvel, então a precisão dos levantamentos dependerá da amostra entrevistada”, comentou. “Depois de São Paulo, Rio e Minas, Pernambuco terá muita importância, pela derrota de Dilma para Marina”.
Já Túlio Velho Barreto, cientista político da Fundação Joaquim Nabuco, inverteu a lógica. “Discutir os erros caso a caso é difícil e leviano. O que deveria a acontecer é que os próprios institutos de pesquisa deveriam ser os primeiros a se manifestarem e explicarem o que houve”, disse. Quem previa que o ex-ministro Fernando Bezerra Coelho (PSB), candidato ao Senado pela Frente Popular, atrás do candidato da Coligação Pernambuco Vai Mais Longe, João Paulo (PT), durante toda a eleição, terminaria vencendo o pleito com 64,04%? E a eleição governamental na Bahia? A disputa girava em torno de um quase certo segundo turno entre Paulo Souto (DEM) e o candidato petista, Rui Costa. Mas Rui disparou e venceu.
Guia folha
Roteirão
Cinema
Mais um Ano / De Mike Leigh. Com Jim Broadbent, Ruth Sheen, Imelda Staunton. Quatro estações de um ano estabelecem as cores e o clima geral de um grupo de amigos em Londres, Inglaterra. Há o casal maduro, relativamente feliz, experientes com a vida, e seus conhecidos amigos que freqüentam a casa deles, incluindo Mary, com 40 e poucos anos, mas que age como uma garota de 20 anos. Cinema de Fundação: 15h30, 20h. 12 anos.
Os dias com ele / De Maria Clara Escobar. Com Carlos Henrique Escobar, Maria Clara Escobar. Uma jovem cineasta mergulha no passado quase desconhecido de seu pai. As descobertas e frustrações de acessar a memória de um homem e de uma parte da historia que são raramente expostos. Ele, um afiliado e irônico intelectual brasileiro preso e torturado durante a ditadura militar. Morando em Portugal, não fala muito sobre isso desde aquele tempo. Ela, é uma filha em busca de sua identidade. Cinema da Fundação: 18h. 14 anos.
:: Diário de Pernambuco
Viver
Cinema
Mais um ano – 12anos. Cinema da Fundação. 20h.
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