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09 DE SETEMBRO DE 2014

Publicado: Terça, 09 de Setembro de 2014, 10h30 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h22 | Acessos: 414

Clipagem ASCOM
Recife, 09 de setembro de 2014

 

:: Jornal do Commercio

Caderno C

Cinema

Plano B (BRA, 2013) – De Getsemane Silva & Santiago Dellape. Com Jean-Claude Bernardet, Affonso Beato, Joel Barcellos, Edla van Steen, Lole Freitas. Cinema da Fundação – 18h10. Documentário. Livre.

Amantes Eternos (Only lovers left alive, ING/FRA, 2014) – De Jim Jarmusch. Cinema da Fundação – 16h10. Drama. 14 anos.

 

:: Folha de Pernambuco

Opinião

ARTIGOS

Escola e substância

MARCELO MARIO DE MELO

No debate em torno da atualização da escola é indispensável destacar o substancial e relevante, em meio a propostas e medidas tidas como avançadas, mas que não o alcançam. Que se reflita em torno das advertências feitas por Roger Garaudy no livro Projeto esperança, onde ressalta a prioridade que deve ser dada ao sentido da educação, e não a aspectos instrumentais, por mais importantes que sejam. Referindo-se a uma realidade européia, que não convive com carências elementares, como no Brasil, ele adverte: “Uma verdadeira mudança não se pode realizar por uma renovação reformista dos meios: não basta ceder à ilusão econômica do crescimento quantitativo da escola, isto é, simplesmente aumentar orçamento da Educação Nacional para multiplicar o número de estabelecimentos, de equipamentos escolares e de professores; nem à ilusão política, fundada, também ela, sobre critérios quantitativos, ou seja, prolongamento da escolaridade e democratização do acesso aos estudos; nem à ilusão pedagógica sobre a qualidade dos novos meios de ensino, tais como um uso mais generalizado da TV ou do computador nas salas de aula“. “De tudo isso, nada é em si condenável, mas nada disso tudo constitui solução do problema atual; uma definição nova das finalidades da educação exige mudança radical do conteúdo, dos programas, das estruturas e do funcionamento da atividade vital da cultura”. “Para ajustar-se à renovação, é preciso sair do gueto escolar e universitário e arejar, ao contato das diversas outras atividades sociais... ’

No Brasil, o esforço é redobrado, pois ao lado dos apelos de renovação emanados por uma economia globalizada e uma sociedade digitalizada, convivem carências elementares, remanescentes do nosso escravismo colonial e atuantes em quatro elos conjugados, destacados por Josué de Castro: a baixa renda, o deficit educacional, o atraso cultural, a limitada participação política da maioria. Coloca-se o desafio, a partir desta realidade, e com os recursos disponíveis, de abrir à educação caminhos de reversão, valorizando o que é substancial. No trabalho citado, Garaudy destaca três aspectos: o sentido da educação, o desenclausuramento da escola, o papel da arte e da cultura. Ao que se pode acrescentar um quarto item: o papel do professor, considerando, entre outros, o fator informática e suas repercussões no processo educativo.

Destacando em primeiro plano o conceito, põe-se a opção: a escola como simples geradora de mão de obra qualificada, segundo as necessidades da máquina produtiva e da tecno-burocracia, ou sendo a base para a formação de pessoas “com o pensamento ousado e livre”, segundo o poeta Maiacoviski? E pensando no seu desenclausuramento, o que fazer para que repercutam mais, no ambiente escolar, as pulsações da sociedade, notadamente no que diz respeito aos mundos da economia, da tecnologia, da arte e da cultura?

Embora existam debilidades expressivas no quadro da educação brasileira, conta-se com um acúmulo em matéria de legislação, conhecimento da realidade, pesquisa, referência crítica, articulação, projeto, gestão e experiências exitosas documentadas, do passado e atuais, em diversas áreas. Existem experiências vigorosas florescendo em territórios delimitados, necessitando de um esforço de sistematização e disseminação. Emanadas por núcleos de resistência e avanço animados por professores, profissionais de educação em geral, artistas, pesquisadores, pessoas e entidades que desenvolvem ou apoiam atividades nas áreas de educação e cultura.

 Para caminhar no sentido da renovação, portanto, não se parte do zero. Há um matulão de pontos ganhos, trilhas avançadas e possibilidades de impulso, coisas que precisam ser identificadas, valorizadas e repercutidas. Assim como há um lastro de descaminhos vitrinizados que servem de referência às receitas do não fazer. A exemplo da simples distribuição mecânica de computadores e tablets nas escolas, sem nenhuma providência quanto à geração de conteúdos, à capacitação dos professores e à inserção da informática no processo de ensino-aprendizagem, integrando docentes e discentes. Ora, ninguém vai escrever melhor porque o faz com uma caneta Montblanc ou num computador de última geração. Impropriedade semelhante a se insistir, hoje, na máquina de escrever e na caneta-tinteiro.

 A aprovação no Congresso Nacional do PNE-Plano Nacional de Educação estimula uma nova onda em torno da educação no Brasil, voltada para as suas metas. Destacam-se a escola em tempo integral e a adequação dos currículos. E mais uma vez se coloca o desafio de, recorrendo à tecnologia e aos meios materiais e gerenciais mais avançados e eficazes, valorizar o sentido e o humano, priorizando o aluno e o professor.

*Jornalista, poeta e assessor de comunicação da Fundação Joaquim Nabuco: - E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

 

Guia Folha

Roteirão

Cinema

Amantes Eternos / De Jim Jarmusch / Com Tilda Swinton, Tom Hiddleston. Casal de vampiros casado há mais de 100 anos vive uma vida rock’n’roll, ouvindo música, fugindo do sol e evitando matanças para obter comida. Eles têm traficantes que lhes fornecem a droga: sangue. A relação deles será testada pela visita da irmã e irresponsável dela, também vampira. Cinema da Fundação: 16h10. 14 anos.

Mercado de Notícias / De Jorge Furtado / Documentário. Filme traz depoimentos de treze jornalistas sobre o sentido e a prática de sua profissão, as mudanças na maneira de consumir notícias, o futuro do jornalismo, e também sobre casos recentes da política brasileira, onde a cobertura da imprensa teve papel de grande destaque. Cinema da Fundação: 14h30. 10 anos.

The Rover – A Caçada / De David Michot / Com Guy Pearce, Robert Pattinson. Em um futuro próximo, os habitantes australianos vivem uma rotina perigosa, onde a criminalidade impera com o colapso da sociedade. Com o passar dos anos, Eric já perdeu quase tudo e torna-se um homem duro e impiedoso. Quando sua última possessão, seu carro, é roubada por uma gangue, ele vai atrás dos homens. Cinema da Fundação: 20h40. 14 anos.

 

:: Diário de Pernambuco

Viver

FUNDAJ

Um olhar crítico sobre Brasília

Dirigido pelo pernambucano Getsemane Silva, o documentário Plano B resgata a história de um filme - o curta Brasília: Contradições de uma Cidade Nova - proibido na ditadura militar por causa de seu conteúdo crítico a respeito da inadequação dos ideais da construção de Brasília em relação à realidade social da capital federal. O filme terá sessão hoje, às 19h, na Fundaj (Derby), com entrada grátis.

 

Viver

Cinema

The rover: A caçada. 14 anos. Cinema da Fundação. 20h40.

Plano B. Equipe de documentário tenta concluir filme inacabado sobre submundo brasiliense. Cinema da Fundação. 19h.

Amantes eternos - 14 anos. Cinema da Fundação. 16h10.

O mercado de notícias - Jornalistas discutem o papel da mídia e sua influência na democracia. 10 anos. Cinema da Fundação. 14h30.

 

:: Diário do nordeste – CE

Últimas Notícias

A morte como espetáculo

Atração de hoje, no festival Farol, o documentário "The Act of Killing" investiga a extravagância do mal

A realidade é mais chocante do que a ficção. Essa assertiva tornou-se um clichê que rapidamente se espalhou nas interpretações de comentaristas diversos, após os ataques de 11 de setembro de 2001, nos EUA. Ela surgiu em uma variedade de formas que, em comum, tinham a intenção de traduzir a tese de que o real era capaz de nos surpreender com acontecimentos mais inverossímeis do que aqueles vistos em obras de ficção - sobretudo, do cinema.

Ironicamente, um dos motivos da força das imagens do 11 de setembro é o fato de elas serem cinematográficas, como se reeditassem as centenas de vezes que assistimos Nova York ser devastada por alienígenas, supervilões e mesmo terroristas. A realidade que o cineasta dinamarquês Joshua Oppenheimer procura traduzir em "The Act of Killing" traduz melhor aquele estranhamento de que se falou no Ocidente no começo do milênio. E o cinema também aparece como mediador entre o real e o ficcional, não mais oferecendo um repertório para se comparar uma coisa à outra, mas como fonte de inspiração perversa.

"The Act of Killing" é um documentário sobre a Indonésia hoje e as consequências dos massacres de 1965 e 1966, quando o partido comunista local foi eliminado como força política e cerca de 500 mil pessoas (acusadas de estarem ligadas ao partido) foram mortas, pelo governo e seus aliados. Gângsteres locais - muitos deles proprietários das salas de cinema indonésias - assumiram a tarefa genocida em troca de favores políticos que moldam a economia do país até hoje.

Oppenheimer conseguiu não apenas chegar aos assassinos como construir uma relação amigável com os mesmos. O resultado disso é que eles se sentem à vontade para falar de seus crimes, dos métodos empregados para exterminar seus oponentes (ou qualquer um que eles achassem conveniente, para o bem de seus negócios) e do papel opressor que desempenham na sociedade.

O resultado é uma realidade com ares de fantasia, tão acomodados estão seus protagonistas ao absurdo que vivem há quatro décadas. E é da fantasia que os gângsteres tiram o repertório de seu atos de crueldade, inspirados em sua contraparte ficcional do cinema americano.

Um dos concorrentes ao Oscar 2014 na categoria documentário, o filme será exibido hoje no Farol - Festival Internacional de Cinema de Fortaleza. "The Act of Killing terá uma única sessão, às 16h30, na sala 2 do Cinema do Dragão/ Fundaj.

Banalidade do mal

A filósofa alemã Hannah Arendt (1906-1975) apresentou em seu livro "Eichmann em Jerusalém" o conceito de "banalidade do mal". Baseada numa série de artigos escritos para a revista New Yorker, a obra tratava do julgamento de Adolf Eichmann, em Israel. O carrasco nazista acabou se relevando não um mostro ensandecido, que o mundo esperava ver, mas um sujeito mediano, que assumia a postura de funcionário modelo. Seus crimes de guerra eram vistos pelo próprio como uma tarefa quase maquinal, a ele confiada e com dedicação executada. A banalidade do mal residiria justamente nesta burocratização de atos que levaram a uma monstruosidade como o Holocausto.

O conceito de Arendt foi evocado muitas vezes para falar do trabalho de Joshua Oppenheimer, mas parece não se ajustar perfeitamente a ele. Os assassinos que falam para a câmera do diretor não têm a sobriedade do alemão. São homens orgulhosos de seus atos, mesmo cientes de seus conflitos éticos e morais.

O que é mais chocante de "The Act of Killing" não é ver um grupo de homens que matou centenas de homens e ordenou a matança de outros milhares - e, em alguns casos, continua a fazê-lo -, que fala disso às gargalhadas e até com certo saudosismo; ou, ainda, empenhados em recriarem, eles mesmos, os crimes num filme de baixo orçamento, com direito a efeitos especiais e cenas cômicas. Chocante é assistir a depoimentos em que eles mesmos reconhecem que não são os heróis que costumam se proclamar; e que seus opositores não são "maus e cruéis", como a imprensa por eles controlada anuncia. Eles admitem serem eles os cruéis.

Em uma das cenas mais fortes do longa-metragem, um dos assassinos refuta a acusação de ser um criminoso de guerra. O crime, ele explica, é definido pelo vencedor, que, neste caso, é ele mesmo e seus pares, sob as bênçãos do governo indonésio.

As vítimas

O atual projeto de Joshua Oppenheimer vem sendo definido como uma sequência de "The Act of Killing". Na verdade, "The Look of Silence" (algo como "o olhar do silêncio") trata do mesmo contexto político e social da Indonésia, a partir de outro ângulo.

A narrativa acompanha uma família de sobreviventes que decide confrontar os assassinos de seu filho. As filmagens aconteceram antes do lançamento do longa que será exibido hoje. O diretor temia não conseguir mais entrar no país, após o lançamento de seu filme a respeito dos gângsteres e das milícias locais.

"The Look of Silence" chega aos cinemas em 2015, mas ainda não teve sua data de lançamento anunciada. A produção é mais uma vez de Errol Morris e Werner Herzog.

Mais informações:

The Act of Killing (Dinamarca/ Noruega/ Reino Unido, 2012), de Joshua Oppenheimer. 18 anos. O filme integra a mostra Farol. Sala e horário no caderno Zoeira

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