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10 DE AGOSTO DE 2014

Publicado: Segunda, 11 de Agosto de 2014, 10h53 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h22 | Acessos: 411

Clipagem ASCOM
Recife, 10 de agosto de 2014

 

:: Jornal do Commercio

Cidades

Ideias às margens do conteúdo

Alguns leitores não conseguem se imaginar atravessando um livro sem rabiscar seus pensamentos ao lado do que diz o autor

Muita gente enxerga um livro como um objeto especial, sagrado, para ser manuseado com cuidado e respeito. Mas o oposto também é verdade: são inúmeros os leitores vorazes para quem um volume só é lido de verdade quando ganha marcas, grifos, rabiscos ou anotações – uma forma diferente e também afetiva de lidar com suas páginas. A leitura, costuma-se dizer, deve ser uma forma de se apropriar de uma obra já existente. O que pode simbolizar isso mais do que dialogar com as ideias usando as suas próprias palavras?
Os comentários e riscos servem para apontar os momentos mais importante, guardar para depois uma frase marcante, destacar uma conexão com outro autor e até discordar. Para os adeptos, é imaginável passar por uma obra sem isso. “Não consigo imaginar que alguém leia sem comentar ou anotar”, confessa a escritora e antropóloga Fátima Quintas. A vontade de preencher as margens é tão corriqueira que livros de referência, como Casa-grande & senzala, pilar fundamental da sua pesquisa na obra de Gilberto Freyre, aparecem nas suas estantes em três exemplares completamente anotados. “Eu sempre preciso marcar uma frase que me toca, registrar uma associação com outros autores ou livros, fazer essas ‘conexões de sentido’ de que Max Weber falava”.
Pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco, ela conta que Gilberto Freyre gostava de anotar nas margens dos seus livros. “Gilberto romantizava até as leituras. Ele se colocava nas bordas dos livros”, indica. Fátima, na adolescência, se valia dos resumos que o pai, Amaro Quintas, fazia nos seus livros, mas hoje faz comentários mais pessoais no seu livro. “Eu não deixo nem meu filho pegar alguns dos meus exemplares. Eu me expus ali. Acho que a anotação é muito confessional, é uma forma de diário do pensamento e da leitura.” Para o escritor e advogado José Paulo Cavalcanti Filhos, “é simplesmente impossível ler um livro sem uma caneta do lado”. Até mesmo para discordar de si mesmo: ao pegar recentemente uma edição de Fedro, de Platão, na sua biblioteca, viu que quando leu o volume aos 15 anos destacou trechos que considera hoje irrelevantes. “Anotar para mim é importante. Eu tenho uma memória geográfica, sei mais ou menos onde está uma passagem numa obra, e o grifo me ajuda muito”, revela. Colecionador da obra de Fernando Pessoa, ele também é um leitor dessas “marginálias” – nome que pesquisadores costumam usar para descrever o fenômeno –, justamente por possuir parte da biblioteca do poeta português. “Existem vários exemplares anotados, muitas vezes com textos que não têm nada a ver com a obra em questão”, conta. “Ele esboçava poemas completos ou qualquer coisa que desse na telha nas margens”. Na ficção ou nos estudos, o professor da Universidade Católica de Pernambuco Mateus Pereira também não passa por um livro sem anotar. A preferência é pelo lápis, que não deixa marcas definitivas. “Normalmente, é para marcar uma ideia ou, no caso de romances, uma forma de construir uma sentença. Isso me ajuda a voltar para o livro sem precisar folheá-lo todo”, descreve. O crítico literário Lourival Holanda, da Pós-Graduação em Letras da UFPE, já pesquisou nas bibliotecas de autores como João Guimarães Rosa e Graciliano Ramos. Esses dados podem ser fundamentais para se aprofundar na produção de alguém. Parte do processo da crítica genética – ramo multidisciplinar que pesquisa manuscritos e o processo criativo para entender as decisões finais de um criador –, a marginália ajuda a desvendar, por exemplo, como funcionava a mente do autor de Grande sertão: veredas. “Ler as anotações revela mais do que o autor supõe. Na escrita, a pessoa consegue ocultar influências e subjetividades, nesses comentários, não”, aponta. “As notas em livros de outros dizem muito sobre um autor. É preciso saber o que ele leu para localizar sua obra. Guimarães Rosa não só comentava, como comentava com três canetas diferentes: vermelho, azul e amarelo, para separar temáticas e interesses”, explica. “Com isso, é possível observar como surgem as inovações de um dos autores mais complexos da nossa literatura. A ideia é mostrar que a genialidade não vem de ser ‘original’, mas das visitações que um autor faz a outras obras. É importante desfazer esse mito romântico”. A historiadora do Memorial Dom Helder Camara, Lucy Pina Neta, pesquisou o acervo do ex-arcebispo de Olinda e Recife na sua dissertação de mestrado, Helder Pessoa Câmara: elementos de seu perfil intelectual a partir de suas bibliotecas. “Ele era muito organizado, tinha códigos para destacar frases e parágrafos. Fazia também esquemas de leituras, deixava indicativos de como aproveitar melhor o conteúdo”, descreve. “Ele lia em vários idiomas e, às vezes, escrevia as anotações na língua do texto original”. Ela explica que, através desses livros, é possível ver aspectos pouco conhecidos da biografia de Dom Helder. Já como um leitor maduro, ele leu a biografia do Papa Paulo VI depois de ter negada pelo pontífice a autorização para fazer conferências fora do Brasil. Nas marginálias do seu exemplar de Conversas com Paulo VI, escrito por Jean Guitton, ele registra a tentativa de compreender a decisão de Paulo VI. “Comecei a estudar esse tema porque queria saber quem eram as mentes que circulavam ao redor de Dom Helder. As anotações parecem dicas, sussurros dele para você. Quem se interessa pela biblioteca dele tem acesso ao mapa da mente de um homem”, define.

 

Política

Pinga-Fogo

#OcupeEstelita

Evento na Fundaj avalia os caminhos do planejamento urbano do Recife a partir das mobilizações populares e do papel das mídias, amanhã e terça. Debate oportuno para os candidatos que priorizam os nossos espaços públicos.

 

Caderno C

Cinema

O melhor lance (La migliore offerta, ITA, 2014) – De Giuseppe Tornatore. Cinema da Fundação – 18h20. Drama. 14 anos.

O homem das multidões (BRA, 2012) – De Cao Guimarães &Marcelo Gomes. Cinema da Fundação – 14h30; 20h50. Drama. 14 anos.

 

:: Folha de Pernambuco

Guia Folha

Roteirão

Cinema

Promessas de um novo mundo / De Justine Shapiro, B.Z. Goldberg, Carlos Bolado. O documentário retrata a história de sete crianças israelenses e palestinas. Apesar de morarem no mesmo lugar, vivem em mundos completamente distintos, separados por diferenças religiosas. Com idades entre 8 e 13 anos, suas histórias oferecem nova e tocante perspectiva sobre o conflito no Oriente Médio. Cinema da Fundação: 16h20. Livre.

O Homem das Multidões / De Marcelo Gomes e Cao Guimarães / Com Paulo André e Silvia Lourenço. Juvenal é um maquinista de metrô em Belo Horizonte, Margô controla o fluxo dos trens. Ambos vivem em um estado de profunda solidão – cada um à sua maneira. Cinema da Fundação: 14h30, 20h50. 14 anos.

O Melhor Lance / Cinema da Fundação: 18h20. 14 anos.

 

:: Diário de Pernambuco

Viver

Cinema

Promessas de um novo mundo – Retrata a história de sete crianças israelenses e palestinas em Jerusalém que, apesar de morarem no mesmo lugar, vivem em mundos completamente diferentes. L. Cinema da Fundação. 16h20.

O melhor lance – 14 anos. Cinema da Fundação. 18h20.

O homem das multidões – Juvenal, condutor de trem do metrô, enfrenta a impossibilidade de estar só. 14 anos. Cinema da Fundação. 14h30.

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