17 DE JULHO DE 2014
Clipagem ASCOM
Recife, 17 de julho de 2014
:: Jornal do Commercio
Caderno C
Legado de Bernardes é retomado em filme
O legado do arquiteto carioca Sérgio Bernardes, morto aos 83 anos, em 2002, é o tema do documentário Bernardes, que estreia hoje no Cinema da Fundação. Dirigido pela dupla Paulo de Barros e Gustavo Gama Rodrigues, o filme tem como narrador Thiago Bernardes, neto do arquiteto. Bernardes desenhou casas, hotéis e projetos utópicos que nunca saíram do papel. Por muitos anos, ele ficou no ostracismo por causa dos trabalhos encomendados pelo governo durante a ditadura militar. Nos últimos anos, no entanto, suas ideias voltaram a ser discutidas e classificadas como visionárias. O filme chega em boa hora para os recifenses, que estão às voltas com os debates levantados pelo confronto Movimento Ocupe Estelita x Projeto Novo Recife.
Caderno C
Cinema
Bernardes (BRA, 2014) – De Gustavo Gama Rodrigues, Paulo Barros. Cinema da Fundação – 20h30. Documentário. 12 anos.
Que estranho chamar-se Federico: Scola conta Fellini (Che estrano chiamarsi Federico!: Scolla racconta Fellini, ITA, 2013) – De Ettore Scola. Cinema da Fundação – 16h30.
Uma relação delicada (Abus de faiblesse, FRA, 2013) – De Catherine Breillat. Cinema da Fundação – 18h25. Drama. 12 anos.
:: Folha de Pernambuco
Programa
Vínculo afetivo em “Bernardes”
Reflexão sobre urbanismo estreia hoje no Cinema da Fundação
No documentário nacional há projetos em que o diretor filma um amigo, um familiar, um evento particularmente importante em sua formação. Filmes que se tornam especiais pela maneira como partem da instância pessoal e incluem o afeto não apenas como tema, mas um componente narrativo essencial e de certa forma universal. O novo exemplar desse tipo de documentário é "Bernardes", que estreia hoje no Cinema da Fundação. O filme fala sobre o arquiteto carioca Sergio Bernardes (1919-2002). Foi dirigido por Gustavo Gama Rodrigues e Paulo Barros e tem como guia Thiago Bernardes, também arquiteto, neto de Sergio. Na primeira entrevista ele explica aos diretores que enquanto estudava arquitetura se perguntava: "Por que pararam de falar de meu avô?". A pergunta formulada nesses termos tem algo de incômodo, por sugerir uma importância negada. Um dos grandes filmes desse tipo afetivo é "Santiago" (2007), de João Moreira Salles, em que o diretor apresenta uma revisão de um filme que começou a fazer nos anos 1990, sobre o mordomo de sua família. O filme original seria um típico perfil filmado de um homem peculiar; a obra de 2007 é uma "reflexão sobre o material bruto", as imagens gravadas por João. Esse deslocamento mantém a ideia de afeto, mas transforma a motivação; amplia as possibilidades de interpretação. "Bernardes" é mais ou menos como seria o filme original de Moreira Salles. Há algumas falhas pequenas, como a repetição de frases vazias para validar uma suposta relevância de Sergio (pesquisadores dizem que ele foi "um dos arquitetos mais importantes"); trilha sonora com piano para ressaltar emoções; equívocos de construção narrativa, como nas cenas em que os diretores se inserem nas filmagens sem qualquer motivo dramático. Há outras falhas que são um tanto maiores. Durante quase uma hora o espectador acompanha depoimentos de netos, enteado, filhos, ex-mulher, ex-estagiário, arquitetos, ressaltando a genialidade e o carisma de Sergio. Nesse momento é possível questionar se esse não seria um ótimo presente para a família, que através de imagens de arquivo e testemunhos poderia compartilhar um amor sobre alguém genial e contraditório. Apenas na segunda (e curta) parte que o filme ganha robustez dramática e legitimidade artística. Depois que fugiu para Nova Iorque, no dia do aniversário de 25 anos de casamento, deixando uma carta que dizia que estava "farto de representar no mesmo teatro a mesma peça com os mesmos cenários, o mesmo público e a mesma estrela" - referência ao universo da elite carioca -, Sergio dedicou-se a projetos ambiciosos e controversos. Relacionou-se de maneira confusa com os militares, durante o período da ditadura; concorreu nas eleições do Rio de Janeiro com propostas ousadas e meio folclóricas - teve menos de 1% dos votos. Apenas nesse trecho que temos acesso a uma das potencialidades do cinema: universalizar as crises pessoais.
Cotidiano
Sagradas, saborosas e também medicinais
Encontro aborda potencialidades das folhas, raízes e ervas
Elas estão à mesa dos restaurantes sofisticados ou no almoço popular, nos jardins de casa ou nas prateleiras do supermercados. Acompanham rituais simbólicos das religiões afro-brasileiras e ameríndias e também estão nas procissões das doutrinas cristãs. Ervas, raízes, plantas que curam, alimentam e trazem em sua história bem mais do que princípios ativos que vão nutrir, fortificar, alimentar. Embora não sejam protagonistas como foram há milênios, as plantas são uma fonte preciosa para a humanidade em campos que vão da saúde à religiosidade. Entender a sua importância hoje e divulgar a cultura das ervas é o objetivo do “Seminário Folhas Sagradas”, que ocorre hoje e amanhã no Museu do Homem do Nordeste, em Casa Forte. A entrada é gratuita. No encontro, que reúne especialistas em sociologia, antropologia, cultura, saúde e gastronomia, uma visão panorâmica de como as ervas estão presentes nas nossas vidas. O evento terá, ainda, o lançamento do livro “As Plantas Medicinais e o Sagrado”, de Maria Thereza Lemos de Arruda Camargo. No livro, Maria Thereza explora a relação entre as plantas que possuem propriedades psicoativas, a religião e a medicina tradicional. De certa forma, os últimos séculos nos distanciaram das práticas mais tradicionais, transmitidas oralmente, por gerações. Receitas caseiras, de família, para males como indigestão, dor de barriga, cólicas, ainda são usadas como recursos alternativos, principalmente no Nordeste. Mas é um fato que elas perderam o protagonismo para os remédios de rápida absorção que, em questões de minutos até, podem levar aquela dor de cabeça irritante para bem longe. A escolha se justifica pela diferença entre os dois métodos. “Vivemos a cultura do excesso: o excesso de exames, diagnósticos, remédios, tratamentos”, define Celerino Corriconde, especialista em Medicina Comunitária. Enquanto um método tem se amparado em pesquisas científicas e propagandas milionárias das indústrias farmacêuticas, o outro se sustenta na crença compartilhada pela própria tradição que a criou. São tradições como a cultura popular ou as religiões politeístas, como o candomblé, nas quais o culto dos orixás não existiriam sem elas, as folhas sagradas. Frei Tito, da Paróquia de Nossa Senhora de Piedade, faz questão de ressaltar que o uso das ervas independe de orientação religiosa. “As folhas que curam são chamadas sagradas porque são boas. No Brasil, tivemos um mistura de culturas. O conhecimento dos indígenas foi repassado para os colonizadores. Já os católicos ibéricos trouxeram chás e garrafadas”, coloca. Ele lembra, ainda, que as ervas aromáticas são muito apreciadas no culto católico, nos incensos. “Essa queima de plantas aromáticas vem dos judeus”, coloca. O babalorixá Manuel Papai, do Sítio do Pai Adão, lamenta que algumas das principais ervas usadas pelo candomblé estejam quase em extinção. “Elas são encontradas nas matas, pertos de rios e fontes. Mas, hoje os açudes e lagos estão desaparecendo”, diz. Manuel planeja pleitar, junto ao governo do Estado e à Prefeitura do Recife, um espaço para plantio dos terreiros. A tradição manda que as ervas sejam colhidas nas matas e florestas, mas a ausência de muitas espécies nestes ambientes vêm forçando a religião a cultivar suas próprias plantas.
Guia Folha
Roteirão
Cinema
Bernardes / De Gustavo Gama Rodrigues, Paulo Barros. Documentário. Numa espécie de viagem ao tempo, o arquiteto Thiago Bernardes revisita a vida e carreira do avô, Sergio Bernardes (1919-2002). Através de cartas, projetos, plantas e encontros ele refaz a trajetória do visionário arquiteto carioca, que caiu em desgraça ao aceitar trabalhar para os militares. Cinema da Fundação: 20h30 (qui) / 18h50 (sex/sab) / 16h20, 20h (dom) / 16h30 (ter) / 18h40 (qua). 12 anos.
Que estranho chamar-se Federico: Scola conta Fellini / (Che Estrano Chiamarsi Federico! – Scolla Racconta Fellini) / De Ettore Scola. Com Sergio Rubini, Sergio Pierattini, Antonella Attilo. Um retrato maravilhoso pintado com as tintas do cinema sobre o cineasta mestre Federico Fellini, a partir das lembranças e das emoções do amigo e grande realizador italiano Ettore Scola. Cinema da Fundação: 16h30 (qui) / 17h (sex) / 20h45 (sab) / 18h10 (dom) / 20h30 (ter) / 16h50 (qua). 12 anos.
Heli / De Amat Escalante / Com Armando Espitia, Andrea Vergara, Linda González, Juan Eduardo. Cinema da Fundação: 20h30 (sex) / 16h45 (sab) / 18h25 (ter). 18 anos.
Uma Relação Delicada / de Catherine Breillat / Com Isabelle Huppert, Kool Shen, Laurence Ursino. Cinema da Fundação: 18h25 (qui) / 20h30 (qua). 12 anos.
:: Diário de Pernambuco
Vida Urbana
Fundaj
Seminário debate o uso das plantas em ritos religiosos e na medicina
O uso de plantas em ritos religiosos de matriz africana e cristã e na medicina está sendo discutido, nestas quinta e sexta-feira, durante o Seminário Folhas Sagradas (Kosi Ewe Kosi Orisà “sem folha não há orixá”, em iorubá”). O evento gratuito, está sendo realizado na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) de Casa Forte, zona norte do Recife.
O encontro reúne especialistas em Sociologia, Antropologia, Saúde e Gastronomia, com o objetivo de preservar a tradição do estudo do uso das folhas nesses rituais e também suas propriedades medicinais para estimular a fitoterapia. Entre os participantes, estão frei Tito (um dos coordenadores do seminário); o padre Clóvis Cabral (Unicap); o babalorixá Manuel Papai (Sítio de Pai Adão); o antropólogo Júlio Braga; Celerino Carriconde, mestre em Medicina Comunitária e Epidemiológica pela Quees University (Canadá); Maria dos Prazeres, parteira tradicional, e outros.
Durante todo o seminário haverá uma exposição de folhas pelo Babalorixá Malaquias de Xangô, do Terreiro Africano Nosso Senhor do Bonfim. Para Frei Tito, "as folhas sagradas são uma realidade de todos os povos brasileiros. É um elemento comum na nossa identidade cultural, sobretudo no campo da religiosidade". A relação das folhas com o sagrado no Brasil faz parte da história cultural do país. Os índios utilizavam em vários ritos, como também os africanos e os portugueses, durante a colonização.
Viver
É Hoje!
Novidade na telona
Bernardes, de Paulo de Barros e Gustavo Gama Rodrigues, na Fundaj, narra a vida e obra do arquiteto, designer, escritor, inventor e humanista carioca Sérgio Bernardes. A comédia francesa Uma juíza sem juízo entra em cartaz no Cine Rosa e Silva.
Fundaj: Rua Henrique Dias, 609, Derby, 3073-6689
Cine Rosa e Silva: Av. Conselheiro Rosa e Silva, 1460, Aflitos, 3483-0100
Vida Urbana
Diário Urbano
Folhas sagradas
A professora Maria Thereza Lemos de Arruda Camargo, da USP, lança hoje no Recife o livro As plantas medicinais e o sagrado. O lançamento integra o seminário Folhas Sagradas que vai reunir especialistas em sociologia, antropologia, cultura, saúde e gastronomia no Museu do Homem do Nordeste, em Casa Forte.
Viver
Cinema
Bernardes – Vida e carreira do arquiteto Sergio Bernardes. 12 anos. Cinema da Fundação. 20h30.
Que estranho chamar-se Federico: Scola conta Fellini – Ettore Scola retrata vida de Federico Fellini. 12 anos. Cinema da Fundação. 16h30.
Uma relação delicada – Após derrame, cineasta enfrenta limitações físicas. 12 anos. Cinema da Fundação. 18h25.
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