18 DE JUNHO DE 2014
Clipagem ASCOM
Recife, 18 de junho de 2014
:: Jornal do Commercio
Caderno C
Carlos Augusto Lira pelas mãos do povo
Carlos Augusto Lira confirma uma premissa nem sempre óbvia: com o olhar agudo, ao selecionar e montar repertório, um grande colecionador tem o papel de um etnógrafo maiúsculo. Constrói, com suas peças, um recorte narrativo sobre determinado aspecto da cultura material e imaterial de um povo. É o que se pode ver, a partir de hoje, com a abertura da exposição A lírica de Carlos Augusto. No Museu do Estado de Pernambuco, pela primeira vez o público vai ter acesso a uma parte da impressionante coleção de mais de sete mil peças, tantas que nem ele sabe ao certo quantas, que o arquiteto mantém em sua própria casa, em Apipucos, e num galpão que precisou alugar como “reserva técnica”.
“Não conheço coleção privada tão grande, mas, se não for a maior, certamente a de Carlos Augusto é a mais importante coleção privada do País”, diz a antropóloga Ciema Silva e Melo, diretora de Centro de Estudos do Atual e do Cotidiano do Museu do Homem do Nordeste, idealizadora da exposição e de um livro em fase de produção sobre a coleção.
Ela confirma o que o público pode ver ao passear o olhar pelas mais de 2,5 mil peças que ficam em exposição nos próximos dois meses: “A coleção permite a qualquer interessado estudar toda a arte popular brasileira no mesmo lugar”, diz ela, indicando como a coleção de Carlos Augusto Lira constitui um recorte privilegiado não só da arte, mas da plasticidade brasileira do século 20 e deste começo do 21. “Já é o momento de se pensar no futuro dessa coleção, de não permitir que ela saia de Pernambuco como outras coleções saíram”, diz a antropóloga.
Além de objetos de natureza unicamente estética, há também utilitários de tempos e até funções remotas, como marcadores de boi, utensílios de fabrico de manteiga, sinos, panelas, peças de madeira usadas por antigas lavadeiras para se bater roupa na beira no rio. “São objetos utilitários, mas de grande rigor estético”, diz Carlos Augusto. Depois de ver peças zoomórficas nas áreas externas do museu, o visitante se depara com uma grande parede coberta por ex-votos e esculturas religiosas, como as imagens de São Sebastião que são parte específica da coleção. Nesta sala, há também um cruzeiro secular, de mais de dois metros, adquirido há mais de duas décadas. “Não conseguimos ainda precisar a origem exata desse cruzeiro”, diz o arquiteto. Embora possa, ali, encontrar nomes de primeira grandeza que compõem a arte popular nordestina, como Vitalino, Eudócio, da primeira escola da Ilha do Ferro, em Alagoas, ou mestre santeiro Dezinho, do Piauí, o colecionismo de Carlos Augusto não se pauta (apenas) pelas grifes. “Nunca me pautei pela compra de nomes consagrados”, diz ele. Na coleção, há, por exemplo, duas sereias-iemanjá de seis seios cada, mais de um metro e meio de altura. Foram compradas como de autoria anônima. Só depois de compradas, ele descobriu se tratarem de peças esculpidas por Doidão, Louco e Louco Filho, alguns os mais notórios artistas da escultura em madeira no Recôncavo Baiano. “Há peças cuja qualidade fala por si, nem precisamos saber de quem são”, diz o arquiteto. “A coleção de Lira tem a grande vantagem da amplitude. Podemos encontrar as obras do começo, do meio e os protótipos que consagram a estética desses artistas. Como também o que seriam as obras da maturidade”, observa Ciema Melo. Um dos principais nomes da arquitetura contemporânea brasileira, Carlos Augusto lembra que, nos anos 70, foi a Tracunhaém comprar um conjunto de barro para feijoada, se deslumbrou com o que viu, artistas como Maria Amélia e Nuca, entre eles, e nunca mais parou. Ao trabalhar com Janete Costa e Acácio Gil Borsoi, se tornou um dos grandes militantes estetas para derrubar a fronteira invisível, mas às vezes intransponível, entre arte popular e erudita na arquitetura. “Essa diferença tende a acabar”, diz o arquiteto que, para o bem da memória brasileira, segue um compulsivo comprador. “Nunca terei a coleção dada como completa”, diz.
A lírica de Carlos Augusto. Abertura, hoje, às 19h. Visitação a partir de amanhã. Museu do Estado de Pernambuco. Av. Rui Barbosa, 960, Graças. Fone: 3184-3170.
Caderno C
Cinema
Avanti Popolo (BRA, 2014) – De Michael Wahrmann. Com Carlos Reichenbach. Cinema da Fundação – 15h30; 19h. Drama. Livre.
7 Caixas (7 cajas, PAR, 2013) – De Juan Carlos Maneglia & Tana Schembori. Com Celso Franco, Lali Gonzalez. Cinema da Fundação – 20h30. Drama. 14 anos.
Praia do Futuro (BRA, 2014) – De Karim Aïnouz. Com Wagner Moura, Clemens Schick. Cinema da Fundação – 16h50. Drama. 14 anos.
:: Folha de Pernambuco
Guia Folha
Roteirão
Cinema
Avanti Popolo / De Michael / Com Carlos Reichenbach, Andre Gatti, Eduardo Valente. Cinema da Fundação: 15h30, 19h. 12 anos.
7 Caixas / De Juan Carlos Maneglia e Tana Schembori. Com Celso Franco, Lali Gonzalez, Nico Garcia. Victor, 17 anos, sonha em ser famoso e ver seu rosto circulando pelos televisores expostos no imenso Mercado 4 em Assunção, Paraguai. A solução parece vir quando recebe a oferta de transportar sete caixas - cujo conteúdo desconhece – e ganhar em troca 100 dólares. Cruzar os nove blocos que compõem o mercado parece ser uma missão fácil, mas a coisa se complica durante o caminho. Cinema da Fundação: 20h30. 14 anos.
Praia do Futuro / De Karim Ainoüz / Com Wagner Moura, Jesuíta Barbosa, Clemens Schick. Praia do Futuro, Ceará. Donato trabalha como salva-vidas. Seu irmão caçula, Ayrton, tem grande admiração por ele, devido à coragem demonstrada. Um deles é Konrad, um alemão de olhos azuis que muda por completo a vida de Donato após ser salvo por ela. É quando Ayrton, querendo reencontrar o irmão, partem em sua busca na fria Berlim. Cinema da Fundação: 16h50. 14 anos.
:: Diário de Pernambuco
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Cinema
Avanti Popolo – André encontra uma série de películas Super 8., filmados por seu irmão durante a ditadura militar dos anos 1970. L.. Cinema da Fundação. 15h30, 19h.
Praia do Futuro – Ayrton viaja para reencontrar o irmão Donato. 14 anos. Cinema da Fundação. 16h50.
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