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08 DE JUNHO DE 2014

Publicado: Segunda, 09 de Junho de 2014, 11h28 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h23 | Acessos: 417

Clipagem ASCOM
Recife, 08 de junho de 2014

 

:: Jornal do Commercio

Caderno C

Para ler o Brasil da euforia à desilusão

Para quem quer mergulhar ainda mais no clima literário de Copa do Mundo, não faltam opções, tanto mais antigas como lançamentos recentes – afinal, o modo de jogar brasileiro sempre esteve próximo a uma visão poética. O mercado editorial vem investindo pesado desde o ano passado em reedições e inéditos, nos campos da análise acadêmica, da história, da biografia e da ficção (confira as dicas ao lado).
O Brasil tem uma longa relação entre o futebol e os textos. Sempre se acusa a nossa literatura de se referir pouco ao tema – salvo as conhecidas exceções sempre –, mas desde o começo do século 20, fora da ficção, quando o esporte começou a virar a paixão nacional, pesquisadores e cronistas buscaram várias vezes decifrar um pouco das razões da associação inevitável e misteriosa entre Brasil e futebol.
Segundo o cientista político e sociólogo Túlio Velho Barreto, da Fundação Joaquim Nabuco, o primeiro texto marcante sobre o assunto surge na década de 1930, pelas mãos de um pernambucano: Gilberto Freyre. No artigo Foot-ball mulato, o senhor de Apipucos já começa a apontar que o Brasil havia criado sua própria forma de jogar. “Gilberto falava dos bailarinos da bola, dos dribles, dos floreios, desse talento dionisíaco, em oposição ao futebol europeu, apolíneo”, conta o pesquisador.
Desde cedo, então, o esporte bretão é visto em sua relação com o ato de ser brasileiro. “A maioria dos livros que trata do futebol no Brasil tem uma relação direta com a Copa do Mundo, porque o futebol é muito relacionado à ideia de identidade nacional. É a disputa entre seleções que permite ver as diferenças dos países”, conta Túlio, que supervisionou a produção do e-book O futebol brasileiro, 1894 a 2013: uma bibliografia (Fundaj), organizado por Lúcia Gaspar e Virgínia Barbosa, que registra 1.464 textos e livros sobre o tema. O esporte ganhou várias referências em obras literárias, claro. Túlio cita, de cabeça, trabalhos de Alcântara Machado, Monteiro Lobato, Oswaldo de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Ascenso Ferreira, Vinicius de Moraes, José Lins do Rêgo e Mario de Andrade, além de lembrar nomes como os de Graciliano Ramos, Mário Melo e Lima Barreto, que criticaram publicamente o futebol por se tratar de uma atividade “estrangeira”. Depois de Freyre, as primeiras análises sobre a paixão nacional não vieram do campo acadêmico, que demorou para reconhecê-la como relevante. Com esse vazio, a crônica esportiva pegou para si esse papel interpretativo. Há, claro, Nelson Rodrigues – espécie de frasista oficial sobre o assunto, nome quase impossível de deixar de citar em qualquer produção literária posterior –, que inventou (e também destruiu) 90% dos mitos brasileiros sobre o assunto, do vira-latismo à “Hiroshima psíquica” que foi a criação do Maracanã. O seu irmão Mário Filho, no entanto, também produziu um dos relatos históricos mais importantes até hoje: O negro do futebol brasileiro, de 1947 (com novos capítulos feitos após as conquistas de 1958 e 1962). Ainda nos 1950, começaram a aparecer os primeiros ensaios sobre os escretes brasileiros, como Negro, macumba e futebol, do alemão Anatol Rosenfeld, e História do futebol no Brasil, 1894-1950, de Thomaz Mazzoni. Só na década de 1980, no entanto, os estudos acadêmicos se voltaram com mais afinco ao tema. “O universo do futebol, organizado por Roberto da Matta, é uma referência, que segue a tradição freyriana”, comenta Túlio. Até o final do milênio, pipocaram outras iniciativas: a Revista da USP chegou a fazer um dossiê sobre o futebol; José Carlos Meihy e José Sebastião Witter publicaram o seu Futebol e cultura; e Leonardo Pereira lançou Footballmania: uma história social do futebol no Rio de Janeiro. Da leva mais recente, além de algumas reedições fundamentais (boa parte dos livros citados acima continua em catálogo), o sociólogo destaca os trabalhos investigativos sobre a organização do futebol. “Do que tem saído, o lado mais relevante é, infelizmente, sobre os aspectos podres do futebol”, aponta. As duas reportagens do britânico Andrew Jennings que revelam escândalos envolvendo o presidente da Fifa, Joseph Blatter, e brasileiros ligados à entidade, como Ricardo Teixeira e João Havelange, são recomendadas por ele. Uma obra jornalística nacional também entra no rol: O lado sujo do futebol, de Amaury Ribeiro Jr., Leandro Cipoloni, Luiz Carlos Azenha e Tony Chastinet. Não falta conteúdo, histórico, analítico e crítico, para quem quiser compreender ainda mais o Brasil, na euforia e na desilusão. Afinal, como já disse Nelson Rodrigues, no futebol “o Brasil vacila entre o pessimismo mais obtuso e a esperança mais frenética”.

 

JC Mais

A roupa nova da Direita

Pulga atrás da orelha: o velho fantasma dos anos 1930 está de volta à Europa? Diante dos resultados das últimas eleições no velho continente, dá para pensar naquela ideia de que “a história sempre se repete”. Uma matéria publicada na semana passada pelo jornal inglês The Huffington Post “mapeou” a ascensão da extrema direita, começando pela vitória de Marine Le Pen, na França, conquistando 26% dos votos e esmagando o esquerdista François Hollande, que teve apenas 14%. “Um partido é liderado por alguém com uma suástica tatuada, outro quer eliminar todos os muçulmanos, e um terceiro sugeriu contaminar todos os imigrantes com o vírus Ebola”, descreve a jornalista Jessica Elbot, para em seguida listar as nove “mais terríveis” entre estas organizações de extrema direita, indo da Frente Nacional francesa ao Partido Nacional Democrata (e neonazista) alemão, e citando também grupos na Grécia, na Hungria, na Dinamarca, na Finlândia, na Holanda, na Itália e na Áustria. A radicalização da sociedade europeia parece em evidência, com manifestações cada vez mais explícitas de xenofobia, racismo e intolerância. Um militante de esquerda foi assassinado por neonazistas, no centro de Paris. Na Itália, renasce o culto a Mussolini. Os discursos de ódio estão cada vez mais agressivos. O partido grego ultranacionalista Aurora Dourada, depois de pichar slogans em mesquitas, cemitérios e sinagogas, conseguiu entrar no Parlamento Europeu, para fazer companhia ao Partido da Liberdade holandês e ao húngaro Jobbik (que pediu recentemente ao governo o “cadastramento” de todos os judeus do país). Diversos grupos de direitos humanos vêm fazendo pressão para tornar os partidos xenófobos ilegais, alegando violação às leis internacionais contra o racismo. Da mesma forma que aconteceu no período que precedeu a Segunda Guerra Mundial, a crise econômica parece ser o grande pivô da maré populista, com a necessidade recorrente de se encontrar um bode expiatório, de preferência “de fora”. Intimamente ligados ao fundamentalismo católico e apresentando fortes componentes racistas e homofóbicos, embora nem todos sejam nazistas, os conservadores ganham destaque - e o futuro das minorias começa a causar preocupação.

SURTO DIREITISTA

Enquanto, há trinta anos, a maioria dos partidos xenófobos de direita não conseguia ultrapassar o limite mínimo de 5% (previsto pela legislação eleitoral como necessário para integrar o governo), atualmente eles alcançam cerca de 28% do parlamento austríaco e assustadores 70% na Hungria. Isso ganhou destaque na imprensa: “houve um verdadeiro boom midiático após as eleições, com a ascensão generalizada da extrema direita. A alta foi geral, especialmente depois de 2008, com o desemprego em larga escala e a reorganização da União Europeia, onde dez novos países do leste se inseriram nos últimos anos”, avalia o pernambucano Jerônimo Freitas, que vive na Bélgica há 16 anos e atua no comércio internacional. Segundo ele, a tendência das pessoas tem sido colocar a culpa da crise, que é mundial e ligada ao sistema capitalista como um todo, na União Europeia em si. “É um erro de apreciação gerado pela ignorância. Essa ânsia de achar um grupo a quem culpar é típica do discurso da extrema direita. Mas é compreensível que cheguem a essa conclusão quando, por exemplo, em meio a uma crise de empregos, as famílias de muçulmanos imigrantes se tornam cada vez mais prolíferas e sobrevivem através do seguro social”, reconhece. “Quando a gente se reporta aos movimentos políticos e sociais na Europa, é fato que houve crescimento da direita e da extrema direita. Dá para enxergar isso claramente, inclusive dentro do Parlamento europeu”, afirma o cientista político Túlio Velho Barreto, que é pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco. Túlio pontua que a crise de paradigmas ocorrida após a queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética, na década de 1990, levou a uma reestruturação muito maior que a geográfica. “A esquerda foi atingida frontalmente quando os estados operários entraram na transição para outros modelos, gerando crise nos partidos tradicionais. A questão é muito mais complexa do que parece”, diz ele.

VOTO DE PROTESTO

A “mudança” para a extrema direita é ainda mais surpreendente quando se considera seu grau de sucesso em países tradicionalmente associados ao multiculturalismo e ao liberalismo. Uma questão crucial é entender que a “direita”, enquanto conceito, não pode ser reduzida às ideias típicas de fascismo, neonazismo, ditadura, racismo e xenofobia, embora estas sejam recorrentes quando se fala na história europeia. Um dos pontos mais interessantes do recente fenômeno de ascensão da “direita” é que estes partidos têm obtido apoio de eleitores de ideologias variadas, por conta do descontentamento crescente em relação às políticas de governo. “Acho que a União Europeia tem problemas graves de comunicação. Não se passa corretamente informação às pessoas e é mais fácil culpar o sistema do que buscar a causa da situação em cada um dos países”, ataca Jerônimo Freitas. Para ele, o resultado das últimas eleições não reflete a realidade. “Na maioria dos países europeus, o voto não é obrigatório. Por isso, muitos preferiram se abster, como forma de protesto, e outros votaram na extrema direita de forma folclórica, como no Brasil se votava no Macaco Tião. Dos poucos que foram às urnas, boa parte era justamente de direitistas que souberam se organizar”, descreve. Otimista, Freitas acredita que nas próximas eleições o resultado vai ser diferente. “As pessoas estão assustadas, o povo vai acordar. Creio que vai haver uma recuperação dos outros partidos, não digo nem os de esquerda, mas os de centro e de direita, menos radicais”, especula. Outro “trunfo” contrário aos extremistas de direita é o fato de que, embora à primeira vista não pareça, eles são extremamente heterogêneos. Muitos têm em comum a hostilidade em relação aos homossexuais, ou aos imigrantes de origem africana ou asiática. “Mas o extremista francês é contrário aos imigrantes do leste europeu, e considera os poloneses e os húngaros gente de segunda classe, embora tecnicamente brancos”, exemplifica Freitas. “Cada grupo tem sua cultura, seus interesses. As diferenças são tantas que é praticamente impossível que eles consigam se reunir, dentro do Parlamento europeu, em torno de um projeto eurocêntrico maior”.

 

Caderno C

Cinema

Era uma vez em Tóquio (Tôkyô monogatari, JAP, 1953) – De Yasujirô Ozu. Com Chishû Ryû, Chieko Higashiyama. Cinema da Fundação – 16h. Drama. Livre.

7 Caixas (7 cajas, PAR, 2013) – De Juan Carlos Maneglia & Tana Schembori. Com Celso Franco, Lali Gonzalez. Cinema da Fundação – 18h45; 20h30.

Praia do Futuro (BRA, 2014) – De Karim Aïnouz. Com Wagner Moura, Clemens Schick. Cinema da Fundação – 20h30. Drama. 14 anos.

 

:: Folha de Pernambuco

Guia Folha

Roteirão

Cinema

Era uma vez em Tóquio (1953) / De Yasujirô Ozu / Com Chishuû Ryû, Chieko Higashiyama, Sô Yamamura. O filme de Ozu / Com Chishû Ryû, Chieko Higashiyama. Sô Yamamura. O filme de Ozu é uma crônica belíssima sobre o tempo, o respeito pelas pessoas e a mortalidade. Um casal idoso visita os filhos adultos e percebe que eles não têm tempo ou interesse de estar com eles. Cinema da Fundação: 16h. Livre.

7 Caixas / De Juan Carlos Maneglia e Tana Schembori. Com Celso Franco, Lali Gonzalez, Nico Garcia. Victor, 17 anos, sonha em ser famoso e ver seu rosto circulando pelos televisores expostos no imenso Mercado 4 em Assunção, Paraguai. A solução parece vir quando recebe a oferta de transportar sete caixas - cujo conteúdo desconhece – e ganhar em troca 100 dólares. Cruzar os nove blocos que compõem o mercado parece ser uma missão fácil, mas a coisa se complica durante o caminho. Cinema da Fundação: 18h40. 14 anos.

Praia do Futuro / De Karim Ainoüz / Com Wagner Moura, Jesuíta Barbosa, Clemens Schick. Praia do Futuro, Ceará. Donato trabalha como salva-vidas. Seu irmão caçula, Ayrton, tem grande admiração por ele. Cinema da Fundação: 20h30. 14 anos.

 

:: Diário de Pernambuco

Viver

Cinema

7 Caixas – Victor, 17 anos, sonha em ser famoso e ver seu rosto na TV, até que recebe a inusitada proposta de transportar sete caixas. 14 anos. Cinema da Fundação. 18h40.

 

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