22 DE MARÇO DE 2014
Clipagem ASCOM
Recife, 22 de março de 2014
:: Jornal do Commercio
Caderno C
O adeus tardio uma figura paterna
Reza a etiqueta jornalística que repórter só escreve em primeira pessoa quando tem experiência comprovada pelo tempo ou quando discorre sobre algo muito pessoal. Então, peço licença aos leitores e aos colegas para lembrar um pouco do meu relacionamento com Fernando Spencer, o jornalista e cineasta pernambucano que morreu na última segunda-feira. Hoje, ele será homenageado numa sessão gratuita, com a exibição de cinco curtas, no Cinema da Fundação, às 16h10min.
Por motivos profissionais não estava no Recife e não tive como dar adeus a Spencer. Como todos que o conheceram e conviveram com ele, fiquei muito triste com o seu falecimento. Senti a sua morte tanto quanto a do meu pai.
Mas isso se explica. Quando vim morar no Recife, em dezembro de 1980, eu ainda vivia a perda do meu pai, que morrera em abril de 1977. Nos seus últimos anos de vida, quase todo fim de semana ele me levava ao Cine Brasília, em Bom Conselho, onde passei toda a minha adolescência.
Ao chegar ao Recife, não deu um ano e encontrei duas figuras paternas de primeira grandeza: Celso Marconi e Fernando Spencer, os críticos de cinema do Jornal do Commercio e do Diário de Pernambuco, respectivamente. Não foi por acaso, claro. Depois de frequentar o Cinema do Parque durante um mês, conheci Celso e disse para ele que gostaria de ser apresentado a Spencer. Escrevi três páginas de papel pautado e dei para Spencer quando o conheci.
Entre outras coisas, dizia que recortava a coluna dele quase diariamente e que tinha feito a minha a lista dos melhores filmes do ano. Dois dias depois, me surpreendi ao ver a lista do “jovem cinéfilo” José Ernesto de Barros publicada na sua coluna. A minha amizade com Celso e Spencer perdurou por todos esses anos. Mas aqueles primeiros anos foram marcantes para mim. Se não os tivesse conhecido, certamente seria outra pessoa e nem estaria aqui. Entre 1982 e 1984, eu via os dois quase diariamente. Durante a semana, ia para a casa de Celso, no Bairro Novo, em Olinda, e no sábado, ia para a casa de Spencer, no Poço da Panela. Passava a tarde e a noite conversando sobre Federico Fellini, Nino Rota, Charles Chaplin, Alfred Hitchcock e Marilyn Monroe. E ainda víamos filmes, como os Super8 que ele projetava na parede do seu escritório. Depois, dormia no mesmo quarto de Ricardo e Renato, seus filhos, e ainda recebia o carinho de Inês, sua mulher. Anos depois, em 1991, tive a sorte de fazer a montagem do documentário Ciclo – Uma história de amor em 16 quadros por segundo, que ele fez em parceria com Amin Stepple. Tantos anos depois, ainda lembro de cada tarde que passamos perdidos nos sonhos dos cineastas do Ciclo do Recife. Adeus, Spencer. E não deixe de fazer filmes no céu.
Caderno C
Cinema
Ninfomaníaca: volume 2 (Nymphoaniac: volume 2, DIN, 2014) – De Lars von Trier. Com Charlotte Gainsbourg, Stellan Skarsgard. Cinema da Fundação – 17h50. Drama. 18 anos.
Vidas ao Vento (Kaze tachinu, JAP, 2014). De Hayao Miyazaki. Com Hideaki Anno, Miori Takimoto. Cinema da Fundação – 20h20. Animação. 12 anos.
:: Folha de Pernambuco
Últimas Notícias
Cinema da Fundação exibe curtas de Fernando Spencer neste sábado
Cinco curtas serão exibidos a partir das 16h10. Entrada é gratuita
Para homenagear o cineasta pernambucano Fernando Spencer, falecido nesta segunda (17), o Cinema da Fundação Joaquim Nabuco exibe neste sábado (22), a partir das 16h10, cinco dos vários curtas-metragens do diretor. A entrada para ver os filmes, projetados em 35mm ou em formato digital, é gratuita.
A sessão tem requintes de homenagem e gratidão, pois Spencer foi diretor da Cinemateca da Fundação Joaquim Nabuco durante 20 anos. Nascido em Recife, Spencer deu sua contribuição como programador de cinemas, jornalista e realizador desde os anos 1960. Segundo declarou o cinema em sua página do Facebook, “sua importância para o cinema, e para o cinema em Pernambuco, é inestimável”.
Confira a lista de curtas exibidos:
- Valente é o Galo (14 min, 1984)
- Capibaribe (10 min, 1982)
- Almery & Ari (10 min, 1981)
- Evocações: Nelson Ferreira (15 min, 1987)
- Trajetória do frevo (10 min, 1987)
- História de Amor a 16 Quadros Por Segundo (16 min, 1992)
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Programa
MOSTRA
Fundação Joaquim Nabuco homenageia Spencer
Conteúdo indisponível no site
Guia Folha
Roteirão
Cinema
Vidas ao Vento / De Hayao Miyazaki / Animação. Jiro vive no interior do Japão. Um dia, ele tem o sonho de voar em um avião com formato de pássaro. Ele decide que construir um avião e colocá-lo no ar é a meta da sua vida. Cinema da Fundação: 20h20. Livre.
:: Diário de Pernambuco
Viver
Cinema
Vidas ao vento – Homem tenta construir um avião em forma de pássaro. 12 anos. Cinema da Fundação. 20h20 (sáb).
Ninfomaníaca: volume 2 – Continuação de Ninfomaníaca: volume 1. 18 anos. Cinema da Fundação. 17h50 (sex, sáb).
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