09 DE MARÇO DE 2014
Clipagem ASCOM
Recife, 09 de março de 2014
:: Jornal do Commercio
Política
Eventos lembram ação militar de 64
Após o pontapé inicial dado pelo Congresso Internacional da Justiça de Transição, órgãos públicos e organizações da sociedade civil planejam programação especial para a descomemoração dos 50 anos do golpe militar, que segue até abril. O Instituto Miguel Arraes (IMA) reúne testemunhas do dia no Palácio do Campo das Princesas em que o ex-governador foi deposto pelos militares. O Comitê da Memória e Verdade de Pernambuco organiza seminário em parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), entre os dias 1º e 4 de abril. Já a Secretaria Estadual de Direitos Humanos irá promover debates, além de fechar um calendário para todo o ano com atividades que façam uma reflexão sobre o dia 31 de março, que durou 21 anos. O IMA convidou Ivan Rodrigues, à época do golpe assessor do ex-governador Miguel Arraes, para dar um depoimento de como foi o bastidor da deposição e prisão dentro do Palácio até o momento da fotografia histórica, em que Arraes sai no banco traseiro de um fusca conduzido por Waldir Ximenes. Ex-funcionário do Banco do Brasil e conselheiro político de Arraes, Ximenes era casado com uma prima do ex-governador chamada Ivone. Fechando a programação, o presidente da Comissão da Verdade Dom Hélder Câmara, Fernando Coelho, ainda comanda uma conferência sobre o golpe, suas causas e implicações políticas e históricas. O espaço comporta cem pessoas. Será inaugurada, ainda, uma exposição de fotos e documentos da época, entre eles, o ofício do general Justino Alves Bastos comunicando a retirada do governador do Palácio, a carta de Arraes explicado a causa do golpe, e o alvará com que saiu para o exílio. Segundo o ex-preso político Edival da Silva, Cajá, do Comitê Estadual de Memória e Verdade, está sendo organizada uma semana de repúdio ao golpe, do dia 1º ao 6 de abril, que contará com o apoio da Universidade Rural, onde acontece um seminário, e audiências na Assembleia Legislativa.
Opinião JC
Dois artigos
O brasileiro ama o capítulo dos direitos e tem um irado horror ao capítulo dos deveres. É capítulo, este último, que ele acha enfadonho e que, lá encontrando penas e sanções, salta bruscamente, sem ao menos temer a mais terrível das quedas: o cair em si mesmo. Daí, como quem se safa do maior dos perigos, torcer o nariz (já que não pode torcer a lei) a tudo o que venha a colocá-lo nos devidos limites. No nosso imaginário, a lei continua sendo uma abstração e, ai de nós, um inevitável incômodo. Do trânsito aos condomínios, das práticas corriqueiras do dia a dia ao mundo do trabalho, nas instituições públicas ou privadas, o nosso comportamento ainda não tem aquela racionalização que Max Weber percebeu na sociedade moderna ocidental. Talvez porque o brasileiro não seja mesmo ocidental, seja outra coisa que os sociólogos e antropólogos ainda vão melhor categorizar. Que nos valham os doutos nesta hora difícil, quando o pão e o queijo entram em litígio no seio do sanduíche. Por falar em litígio, consta que o Brasil é um dos campeões mundiais nessa área. Toda a nossa cordialidade (não mais que um frágil esmalte de origem latina) parece às vezes virar pelo avesso. Briga-se por tudo, inclusive pelo que Freud chamou de o narcisismo das pequenas diferenças. Briga-se porque só é lido e decorado o capítulo dos direitos, sempre lembrado em prol do egoísmo individual, essa ferrugem das sociedades como já apontara Tocqueville. Diferentemente do que pretendia o poeta Mallarmé, para quem tudo terminaria em livro, no Brasil tudo termina em processo. Nossos juízes vivem sobrecarregados, e há bagatelas que sobem a tribunais em franco desafio a qualquer razoabilidade. Como se tal não bastasse, há, como já notou um observador atento, um fervor legiferante e um furor microrregulatório, como se a proliferação de normas fosse garantir a paz e o êxito universais. Multiplicar as leis é, muitas vezes, jogar para a plateia e passar a manteiga no focinho do gato. Vale, a propósito, recordar o dito espirituoso do velho historiador Capistrano de Abreu. Segundo ele, a Constituição deveria ter apenas dois artigos: Art. 1º: Todo brasileiro é obrigado a ter vergonha na cara, Art. 2º: Revogam-se as disposições em contrário.
Paulo Gustavo é escritor e servidor da Fundação Joaquim Nabuco
Caderno C
Cinema
Eles Voltam (BRA, 2014) – De Marcelo Lordello. Com Maria Luiza Tavares, Georgio Kokkosi. Drama. 12 anos. Cinema da Fundação – 14h40; 16h40; 18h40. Drama. 12 anos.
A Imagem que Falta (L’image manquante, CAM, 2014) – De Rithy Panh. Com Randal Douc. Cinema da Fundação – 20h40. Documentário. 14 anos.
:: Folha de Pernambuco
Guia Folha
Roteirão
Cinema
Eles Voltam / De Marcelo Lordello. Com Maria Luiza Tavares, Georgio Kokkosi, Elayne de Moura, Mauricéia Conceição, Jéssica Silva, Irma Brown, Clara Oliveira, Germando Haiut, Teresa Costa Rêgo. Cris, 12 anos, e seu irmão mais velho são deixados na beira da estrada por seus pais. Em pouco tempo percebem que o castigo vem a se tornar um desafio ainda maior. Cinema da Fundação: 14h40, 16h40, 18h40. 12 anos.
A Imagem que Falta / De Rithy Panth. Com imagens fortes, o documentário Rithy Panh busca recriar com “A Imagem que Falta” os anos de terror em que o Camboja foi governado pelo regime do Khmer Vermelho responsável por um genocídio que vitimou cerca de dois milhões de pessoas entre 1975 e 1979. Cinema da Fundação – 20h40. 14 anos.
:: Diário de Pernambuco
Vida Urbana
Vai dar praia no Capibaribe
O sonho de um mergulho em águas limpas, no Capibaribe, parece distante ao recifense. Só não é para os integrantes do projeto Praias do Capibaribe e do grupo Stand Up Paddle Recife. Para despertar governantes e população à necessidade de se revitalizar o rio, eles criaram uma piscina flutuante, com água limpa e sem contato com a do Capibaribe. O contato com o rio-símbolo da capital pernambucana se repete neste domingo, mas dessa vez sem a piscina. Em lugar dela, as pessoas poderão andar dentro de uma bola gigante de plástico, conhecida como water ball. Também poderão passear em um píer flutuante.
O uso da piscina e da bola tem dupla finalidade. Os instrumentos evitam o contato das pessoas com a água poluída sem, no entanto, afastá-las do rio. Ao contrário, aproximam de um curso d’água que, segundo o Plano Hidroambiental (PHA) da Bacia Hidrográfica do Rio Capibaribe, apresenta concentrações elevadas de amônia e fósforo. Essas concentrações foram verificadas em coletas feitas da Agência Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH).
Em síntese, reforça a professora da UFPE Suzana Montenegro, “o Capibaribe é um rio doente”. Especializada em recursos hídricos, ela afirma que as causas da “doença” podem ser percebidas ao longo do Capibaribe e dos seus afluentes. “Maltratado, o rio recebe dejetos das cidades e do campo”, acrescentou. Mesmo assim, Suzana acredita em dias melhores para o rio. O arquiteto Julien Ineichen, um dos fundadores do Praias do Capibaribe, também acredita na possibilidade de reverter a situação. A saída estaria na implantação de projetos e ações de saneamento nas comunidades ligadas ao rio, bem como de valorização do transporte fluvial e da educação ambiental. “Ao se aproximar do rio, as pessoas descobrem ainda mais a importância dele”, disse. A constatação de Julien é, em parte, consequência das ações do projeto que ele integra e chega à 17ª edição neste domingo. O evento será em frente ao Museu Murillo La Grecca, no Parnamirim e começa por volta das 14h.
Material contaminado
Um dos melhores retratos do nível de poluição do Capibaribe vem do fundo do rio. Todo material retirado do trecho a ser navegável, no Recife, estava contaminado. As análises realizadas até agora indicam a presença de metais pesados - a exemplo do chumbo, do zinco e do mercúrio - nos resíduos.
O produto contaminado, segundo a Secretaria das Cidades do estado, está sendo colocado para secar no canteiro de obras da dragagagem, na BR-101. Após a secagem, o material é levado para um aterro sanitário em Igarassu. Caso haja resíduos não-contaminados, eles seguem para um bota-fora oceânico, a 11 km da costa.
O projeto de navegabilidade prevê um corredor fluvial de transporte coletivo ao longo de 13,5 km. Previsto inicialmente para ser inaugurado antes da Copa, o corredor deve ficar pronto até setembro.
Fotos: Fundaj/Reprodução
Viver
Cinema
Eles voltam – Menina abandonada pelos pais encaraja jornada num humilde vilarejo. 12 anos. Cinema da Fundação. 14h40 (sáb, dom), 16h30 (sex, ter, qua), 16h40 (dom), 18h30 (sex, ter, qua), 18h40 (dom), 20h30 (exceto dom, seg).
A imagem que falta – Documentário sobre o Camboja durante governo do Khmer Vermelho. 14 anos. Cinema da Fundação. 14h40 (sex, qua), 16h40 (sáb), 20h40 (dom).
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