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31 DE JANEIRO DE 2014

Publicado: Sexta, 31 de Janeiro de 2014, 10h42 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h23 | Acessos: 815

Clipagem ASCOM
Recife, 31 de janeiro de 2014

 

:: Jornal do Commercio

Caderno C

Sutil e aterrorizante

O cotidiano de famílias de classe média em luta para permanecer pagando as contas ou sobrevivendo com uma aposentadoria, apesar do medo do desemprego, é a base na qual se alicerçam as duas histórias de terror dirigidas pelo cineasta paulista Marco Dutra. Em Trabalhar cansa, codirigido por Juliana Rojas, um casal vive uma crise quando a mulher pega as economias para montar um mercadinho no subúrbio e o marido fica desempregado. Atrás das paredes do mercadinho, uma mancha se alastra e algo muito estranho parece haver sido emparedado ali.
Em Quando eu era vivo, que estreia hoje no Cinema da Fundação, Marco Dutra assume o controle total do filme, com Juliana restrita à montagem. Apesar de separados, os dois continuam fazendo o mesmo tipo de cinema. Doses homeopáticas e sugestivas de terror psicológico e sobrenatural conduzem as relações interpessoais e socioeconômicas dos seus personagens, quase sempre envoltos numa suave nuvem de loucura e obsessão.
Adaptado de um original literário de Lourenço Mutarelli, o filme parece uma versão da fábula do filho pródigo, com alguém que só viverá o presente se recuperar o que foi perdido no passado. No caso, um filho, Júnior (Marat Descartes, excelente como sempre), volta para casa divorciado e desempregado, e reencontra um pai, Sênior (Antônio Fagundes, muito bom), irreconhecível por fora e por dentro.
A princípio, não fica claro o que Júnior, solitário e entristecido, volta para buscar. Mas ao cascavilhar objetos escondidos em um quartinho, onde as coisas da mãe falecida se encontram encaixotadas, todo um passado retorna à vida deles. A partir de imagens de um fita VHS gravada quando ele era criança, assistimos a rituais envolvendo a mãe falecida e um irmão que vive enclausurado em um hospício. Outra personagem, a estudante de música Bruna (Sandy Leah, bastante razoável), que mora de aluguel no quarto que fora dos irmãos, também entra na trama para, com sua voz, penetrar no indizível. Com um inteligente e particular uso da trilha sonora, em parte composta por ele mesmo, e um ritmo compassado, Marco Dutra leva o espectador para recantos escuros do comportamento humano, mas sem precisar gritar obscenidades no seu ouvido. A sutileza ainda pode ser uma arma bastante afiada.

 

Caderno C

Vem mais mal assombro por aí

Ainda este ano, outros filmes brasileiros do trinômio terror/horror/suspense devem chegar aos cinemas. Para maio, já está marcada a estreia de Isolados, de Tomás Portella, que conta a história de um casal, vivido por Bruno Gagliasso e Regiane Alves, que foge de dois irmãos serial killers. Como uma tendência, a produção de filmes desses gêneros vai continuar em alta em 2014. A dupla Marco Dutra/Juliana Rojas ainda este ano entra no set para filmar As boas maneiras, o segundo longa-metragem em conjunto deles. O roteiro nasceu da residência que fizeram em Paris, a partir de um convite da Cinefondation, do Festival de Cannes. Durante quatro meses, eles desenvolveram uma trama arrepiante. É sobre uma mulher que cria um bebê lobisomem, cuja mãe morreu na hora do parto, e que resolve lhe ensinar boas maneiras para conviver com os outros, adianta Marco Dutra. Da mesma geração de Marco e Juliana, o pernambucano Kleber Mendonça Filho é outro cineasta brasileiro que já comprovou talento para o gênero. Adolescente nos anos 1980, Kleber também ficou marcado pelos filmes de terror na época obras de Joe Dante, Brian De Palma, Steven Spielberg, John Carpenter e que não eram bem vistos pelos cinéfilos mais velhos. Eles patrulhavam o que não viesse do cinema novo, do neorrealismo e da nouvelle vague. A produção brasileira de gênero era inexiste, só tinha Ivan Cardoso, que fez filmes como As sete vampiras, explica. Essa rejeição ao cinema de gênero, mais especialmente o terror, ainda hoje é sentida por Kleber. No premiado O som ao redor, que acaba de ganhar três páginas na revista francesa Cahiers du Cinéma (edição de fevereiro), ele já incluíra algum tempero de cinema de gênero, mas nada comparável ao média Enjaulado e aos curtas A menina do algodão e Vinil verde. Durante a carreira de Vinil verde, percebi um verdadeiro racismo, porque se tratava de um filme de terror, relembra Kleber, que também faz a curadoria do Cinema da Fundação. Agora mesmo, nas postagens do Facebook sobre a estreia de Quando eu era vivo, tem gente reagindo negativamente, avisa. Um dos projetos em que está envolvido, em parceria com Juliano Dornelles, chama-se Bacurau e certamente será o primeiro longa-metragem genuinamente de terror de Kleber. Quando fiz Recife frio não sabia ainda que era uma comédia. Só com a plateia assistindo é que tive certeza. Mas Bacurau pode ser mesmo um filme terror, acha. Como Juliana, Marco e Kleber, Rodrigo Aragão também se prepara para filmar. Ele tem dois projetos em andamento: a série para TV Fábulas negras, com histórias passadas em vários Estados brasileiros, e o longa Mata negra, que conclui a trilogia ecológica. Faço filmes sem acesso aos editais de baixo orçamento e ainda sou mais conhecido fora do Brasil, com meus filmes lançados no México, na França e na Alemanha, reforça o cineasta capixaba. Na semana passada, a carioca Anita Rocha da Silveira iniciou as filmagens de Mate-me, que vai investigar o assassinato de alguns jovens na Barra da Tijuca. Outros cineastas, alguns famosos entre eles, já anunciaram projetos ligados ao cinema de gênero, entre eles Andrucha Waddington, Walter Lima Jr. e Dennison Ramalho.

POPULARIZAÇÃO

A nova onda de sucessos de filmes de terror não está restrita ao cinema. No Recife, o gênero invadiu cineclubes e até a academia. O pesquisador Osvaldo Neto, que colaborou no livro O cemitério perdido dos filmes B: exploitation, lançado no passado, entrou no Programa de Pós-graduação de Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco para estudar o caso de dois filmes brasileiros de terror, dirigidos pelo paulista Fauzi Mansur, lançados fora do País no começo do anos 1990. O diretor da Boca do Lixo fez Atração satânica e Ritual da morte com dublagens em inglês e os dois filmes foram lançados diretamente em vídeo, em vários países. Vou pesquisar essa estratégia, que teve muito sucesso no cinema italiano, explica Osvaldo. Além da pesquisa, Osvaldo ainda marca presença em debates e discussões sobre o cinema de gênero. Em julho, ele entrou para o Cineclube Toca o Terror, que esta semana comemorou a gravação do seu 50º podcast. Formado por Queops Negronski, Geraldo de Fraga, Jota Bosco, Osvaldo Neto, Jarmeson de Lima, Diogo Siri Monteiro e Júlio Cesar Carvalho, em pouco mais de um ano o cineclube já virou referência para fãs do gênero no País. Até agora, o podcast teve mais de 5 mil audições em streaming e 1.390 downloads dos arquivos, que podem ser baixados no blog http://blogtocaoterror.wordpress.com. No dia 8 de fevereiro, o pesquisador prepara a volta do Cineclube Dissenso, com a 3ª Mostra Spaghetti-Zombie, com a exibição do longa Demons, de Lamberto Bava. Osvaldo também vem acompanhando de perto as carreiras de Rodrigo Aragão, Kleber Mendonça Filho, Marco Dutra e Juliana Rojas. Gosto do estilo sanguinolento e bem humorado dos filmes de Rodrigo, mas essa vertente psicológica mais recente tem se mostrado excelente. Estou torcendo para o sucesso de Quando eu era vivo. O cinema brasileiro precisa que esses filmes cheguem a um público maior, acredita.

 

Caderno C

Cinema

Ninfomaníaca – VOL I (Nymphomaniac: Volume I, DIN, 2014) – De Lars Von Trier. Com Charlotte Gainsbourg e Stellan Skarsgard. Cinema da Fundação – 15h50. Drama. 18 anos.

Quando eu era vivo (BRA, 2014) – De Marco Dutra. Com Marat Descartes, Antônio Fagundes, Sandy. Cinema da Fundação – 18h10; 20h30. Terror. 14 anos.

 

:: Folha de Pernambuco

Programa

Um bem-vindo horror brasileiro

Filme apresenta Antônio Fagundes e Sandy em situações incomuns

Quase que solitário num árido cenário para o suspense/horror dentro do circuito de lançamentos nacionais, estreia hoje no País “Quando eu era vivo” (Brasil, 2014), de Marco Dutra. Tendo realizado uma primeira exibição sexta-feira passada abrindo a 17a Mostra de Cinema de Tiradentes, este primeiro voo solo de Dutra em um longa-metragem chega ao Recife pelo Cinema da Fundação. Originado no universo bem particular do escritor Lourenço Mutarelli - no filme como um motorista -, o longa é uma adaptação feita a quatro mãos por Dutra e Gabriela Amaral Almeida, do romance “A Arte de Produzir Efeito sem Causa”. Como se não bastasse como uma nova oportunidade de exercitar-se num campo - o do suspense sobrenatural - que vem trilhando desde a faculdade com Juliana Rojas (com quem dirigiu “Trabalhar cansa”), Dutra ainda acrescentou aqui um molho bem condimentado ao colocar os atores Antônio Fagundes e Sandy Leah num mesmo set. Tanto um quanto o outro transita muito bem na principal locação da produção. Este terreno é o apartamento da família, que a cada novo instante oprime o pai (Fagundes), com a volta e presença gradativamente intimidante do filho Júnior (Marat Descartes). Nesse momento em que eles voltam a viver sob o mesmo teto, há também a presença de uma inquilina (Sandy) ocupando o antigo quarto de Júnior e obrigando-o a alojar-se no quartinho de tralhas da casa. Ali, em contato com os objetos do passado, lembranças retornam a Júnior. Entre elas temos acesso, por velhas imagens fitas de VHS, a misteriosos rituais da mãe já falecida. Rituais os quais o pai gostaria de esquecer. Numa espécie de transe crescente, Júnior passa a reviver os planos e objetivos da mãe para por fim num processo que reuniria novamente a família, incluindo o irmão internado num manicômio. Com um leque largo de composições para montar a atmosfera particular daquele apartamento assombrado - um espaço, a propósito, bem explorado pelo cinema nos últimos 50 anos - a principal ferramenta é mesmo o processo de transmutação pelo qual Júnior passa, como se reencarnasse a própria mãe. Sobre a presença de Fagundes, soa como o ator mais à vontade em cena, o que ressalta o valor de sua experiência no cinema - um canal no qual, ele registrou, gostaria de estar mais presente para rejuvenescer sua habilidade de interpretações. Com participação discreta mais determinante e precisa, Sandy Leah também surge aqui como aquilo que se espera de sua persona. Uma garota doce, de voz suave, que serve de contraponto à loucura de Júnior, ao mesmo tempo em que se deixa atrair por esse transe.

 

Guia Folha

Roteirão

Cinema

Quando eu era vivo / De marco Dutra / Com Marat Descartes, Antônio Fagundes e Sandy. Homem volta a morar com a família depois de perder emprego e se separar da esposa. Ao chegar, se sente um estranho. Após achar objetos que pertenciam à mãe, ele quer saber tudo sobre a família e desenvolve obsessão pelo passado, confundindo delírio e realidade. Cinema da Fundação: 18h10, 20h30 (hoje), 18h20, 20h30 (amanhã), 15h50, 18h10 (domingo). 14 anos.

3x3D / De Peter Greenaway, Edgar Pêra, Jean-luc Godard. Centrado na cidade de Guimarães, um lugar com mais de 2.000 anos, três diretores consagrados exploram o 3D e sua evolução no mundo do cinema. Cinema da Fundação: 14h30 (domingo), 16h50 (amanhã). 14 anos.

Ninfomaníaca: volume 1 / de Lars Von Trier / Com Charlotte Gainsbourg, Shia Labouf, Stacy Martin, Uma Thurman, Stellan Skarsgard. Bastante machucada e largada em um beco, Joe é encontrada por um homem mais velho que lhe oferece ajuda. Ele a leva para sua casa, onde possa descansar e se recuperar. Ao despertar, Joe começa a contar detalhes de sua vida para Seligman. Assumindo ser uma ninfomaníaca. Cinema da Fundação: 14h30 (amanhã), 15h50 (hoje), 20h20 (domingo). 18 anos.

 

:: Diário de Pernambuco

Viver

Cinema

Quando eu era vivo – Desempregado e separado, Júnior volta a viver com a família e fica obcecado pelo passado. 14 anos. Cinema da Fundação. 14h30 (qui), 15h50 (dom), 16h40 (qui), 18h10 (sex, dom), 18h20 (sab, ter), 20H30 (exceto dom, seg e qui).

3x3D – Os diretores Pêra, Greenaway e Godard reuniram seus curtas no formato 3D. 14 anos. Cinema da Fundação. 14h30 (dom, qua), 16h50 (sab), 18h50 (qui).

Ninfomaníaca: volume 1 - Ninfomaníaca é encontrada por um homem que escuta as aventuras da dela. 18 anos. Cinema da Fundação. 14h30 (sab), 15h50 (sex, ter), 16h (qua), 20h20 (dom, qui).

Tatuagem – Trupe teatral realiza shows com deboche e nudez. 16 anos. Cinema da Fundação. 18h20 (qua).

 

 

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