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19 DE JANEIRO DE 2014

Publicado: Segunda, 20 de Janeiro de 2014, 09h59 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h23 | Acessos: 895

Clipagem ASCOM
Recife, 19 de janeiro de 2014

 

:: Jornal do Commercio

Caderno C

Cinema

Vertigo – Um Corpo Que Cai (Vertigo, EUA, 1958) – De Alfred Hitchcock. Com James Stewart, Kim Novak. Cinema da Fundação – 15h20. Suspense. 14 anos.

Ninfomaníaca – VOL I (Nymphomaniac: Volume I, DIN, 2014) – De Lars Von Trier. Com Charlotte Gainsbourg e Stellan Skarsgard. Cinema da Fundação – 17h50, 20h20. Drama. 18 anos.

 

:: Folha de Pernambuco

Cotidiano

Monumentos históricos têm pouca sinalização

Faltando menos de cinco meses para a Copa do Mundo e em meio a muitas incertezas sobre a real capacidade para sediar o megaevento, os estados que receberão os jogos correm contra o tempo para estar com a casa arrumada à espera dos exigentes visitantes. Em Pernambuco, assim como em outros estados, os desafios são enormes. Basta caminhar pelas ruas das principais cidades para perceber que ainda falta muito a ser feito. Não se pode esperar que nestas cidades todos os bairros estejam cem por cento, mas que pelo menos os mais turísticos sejam exemplo de boa gestão. A sinalização precária de algumas importantes rodovias, a carência de identificação nos principais pontos turísticos do Estado, a ausência de placas bilíngues ou a depredação de alguma delas podem atrapalhar a viagem de quem busca conhecer melhor a terra do frevo, rios e pontes. É importante dizer que muitas vezes o poder público até faz sua parte, mas o cidadão contribui para o mal estado das coisas, quando parte para a depredação ou faz das ruas um lixeiro a céu aberto. Mas há, no entanto, situações de puro descaso das gestões municipais. A história segue nestes termos para quem desembarca no Aeroporto Internacional dos Guararapes, localizado na Zona Sul do Recife. Seguindo o fluxo de veículos, através da Avenida Marechal Mascarenhas de Morais, na Imbiribeira, o condutor conta com sinalização suficiente para acessar pontos como o Bairro do Recife ou a cidade irmã, Olinda. Entretanto, o olhar, ainda que mais atento, não identificará qualquer orientação para se chegar aos polos culturais, a exemplo de museus, fortes, parques ou igrejas espalhados pela cidade. Se o caminho for feito pela orla de Boa Viagem - onde se hospedarão a maioria dos turistas - poderão ser vistas, no máximo, informações sobre o Centro de Convenções ou ainda sobre o Convento de São Félix da Ordem dos Capuchinhos, localizado no Pina. Já na região central, a situação se complica: locais simbólicos como o Teatro de Santa Isabel, Casa da Cultura ou o Palácio da Justiça, podem simplesmente desaparecer do roteiro, em virtude da presença de placas apenas na porta. Placas sinalizando para a Arena da Copa são raras. Se o destino for o bairro da Várzea, onde ficam as instalações do Instituto Ricardo Brennand, ou a região da UR7, sede da famosa Oficina Francisco Brennand, a sinalização deixa muito a desejar. Em ambos os casos, o turista vai ter que consultar um guia, pegar informações pelo caminho ou usar um GPS para chegar aos dois locais. Placas informando esses destinos, só a 500 metros dos dois pontos culturais. A professora paulista Maria Francisca De Vitto, de 65 anos, é um exemplo de quem se aventura e sofre para conhecer lugares se guiando apenas por placas de sinalização. “Muitos indicativos são confusos, instalados com distâncias indevidas e não orientam o caminho a seguir nas bifurcações. Às vezes o ponto de retorno é tão longe que dá até vontade de desistir”, critica. Na Avenida Dezessete de Agosto, no bairro de Casa Forte, não existem placas indicando que o turista está próximo ao Museu do Homem do Nordeste. Já na Estrada do Arraial, em Casa Amarela, o visitante poderá ter que pedir informações para achar o Sítio da Trindade. “Para caminhar por alguns locais seria preciso usar uma bússola”, brinca a gaúcha Renata Salazar, 29, hospedada há quatro dias no bairro de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. Para quem vai pegar a estrada em direção ao Litoral Sul, o quadro pode ser considerado bem mais tranquilo. Destinos como Porto de Galinhas e Serrambi, em Ipojuca, ou ainda Gaibu, no Cabo de Santo Agostinho, estão bem sinalizados e não devem esquentar a cabeça dos motoristas. Já no sentido Norte, as praias do Paulista, como Janga e Maria Farinha, assim como a tradicional Ilha de Itamaracá, carecem de mais sinalização. Algumas placas estão apagadas e o espaçamento entre elas é grande. “Na PE-15 até que está bom, mas na BR-101 tem algumas quebradas ou com o mato encobrindo a informação”, denuncia o vendedor Manoel Nascimento, de 50 anos, ao falar sobre a chegada ao Sítio Histórico de Igarassu. O torcedor, principalmente o estrangeiro, que se aventurar em alugar um carro para ir ao município de São Lourenço da Mata, sede da Arena, percorrendo as principais vias, como as avenidas Recife, Norte Miguel Arraes de Alencar, Abdias de Carvalho ou a rodovia BR-232, no Curado, encontrará limitações devido à ausência quase total de placas que indiquem o caminho.

 

Cotidiano

O poder espiritual das belas calungas

A palavra Maracatu nomeava uma forma particular de batuque, usado pelas nações para, publicamente, homenagear o rei eleito, com danças e músicas próprias. No Maracatu de Baque Virado, como também é conhecido, a relação com os orixás, divindades ancestrais africanas, presentes no Candomblé, é visível nas cores e na interferência determinante da rainha, senhora do folguedo. Boa parte dos grupos de Maracatu são adeptos da religião de berço africano e, por isso, seguem alguns ritos durante todo o ano, que se intensificam no período do Carnaval. Cada Nação possui seu protetor espiritual. A Estrela Brilhante é protegida pela Dona Joventina, que é a Iansã Gigan, e Dona Erundina, Oxum Panda, bonecas de madeira que são levadas pelas damas de paço. Além delas, tem o Mestre Cangarussu, que assume o papel de patriarca da percussão. As divindades são cultuadas frequentemente e ficam vigiando e guiando os integrantes do grupo. Em retribuição, eles oferecem banhos, frutas, flores e essências para contemplar os santos. No domingo de Carnaval, a percussão corteja as bonecas, as baianas oferecem os orixês (essências) aos Orixás e, por fim, são pronunciadas e dançadas as toadas do Maracatu. A Calunga de dona Joventina, que encarna a memória dos antepassados do Maracatu, possui três exemplares muito parecidos entre si. Segundo a falecida antropóloga Katarina Real, a primeira é de 1835 e está guardada no Museu Histórico de Igarassu; a segunda é a de seu Cosmo, esculpida em 1905, que está exposta no Museu do Homem do Nordeste; e a última é a que está sendo utilizada pelo Estrela Brilhante.

 

Guia Folha

Roteirão

Cinema

Ninfomaníaca: volume 1 / de Lars Von Trier / Com Charlotte Gainsbourg, Shia Labouf, Stacy Martin, Uma Thurman, Stellan Skarsgard. Bastante machucada e largada em um beco, Joe é encontrada por um homem mais velho que lhe oferece ajuda. Ele a leva para sua casa, onde possa descansar e se recuperar. Ao despertar, Joe começa a contar detalhes de sua vida para Seligman. Assumindo ser uma ninfomaníaca. Cinema da Fundação: 17h50, 20h20. 18 anos.

Um Corpo que Cai / Cinema da Fundação: 15h20. 14 anos.

 

:: Diário de Pernambuco

Viver

Um Capiba de todos os ritmos

Compositor pernambucano passeou com desenvoltura por ritmos diversos da música brasileira. Faceta menos conhecida do público é resgatada em disco com interpretações de vozes femininas

De chapéu de sol aberto, Capiba abraçou o frevo-canção em mais de 90 composições ao longo da vida. Mas provou quão plural era ao compor de baião a maracatus. O autor de clássicos como Maria Bethania e Serenata suburbana teve a obra gravado por Nelson Gonçalves, Claudionor Germano, Chico Buarque, Gal Costa e muitos outros. “Ele talvez tenha sido o compositor pernambucano mais eclético”, pontua Renato Phaelante, pesquisador de música popular brasileira e autor do livro Capiba é frevo, meu bem (1986).
O lado B do filho ilustre da cidade de Surubim, abafado por sucessos como Madeira que cupim não rói e Oh, bela, virou disco nas mãos dos produtores Pedro Rampazzo e Paloma Granjeiro, do selo Sambada. Com lançamento previsto para o fim do semestre, Capiba, elas e outras canções mostra um autor pouco conhecido do público. Abre as cortinas para um compositor respeitado pelos caciques da bossa nova, sambista e sensível à cultura africana e à classificada como erudita. Dez cantoras, entre elas Karynna Spinneli e Ylana Queiroga, interpretam faixas out do instrumentista - em contraposição a gravações anteriores feitas, na maioria das vezes, por homens. “Escolhemos canções importantes na trajetória dele. Todas rearranjadas em busca de contemporaneidade”, conta Paloma.
A viúva do pernambucano, dona Zezita, de 82 anos, participou da pré-produção. “Ele fazia músicas para o carnaval por deleite. Mas há canções lindas em outros gêneros. Uma delas é Cais do porto. Se eu fosse cantora, seria a primeira que eu gravaria”, revela. Nascido no seio de uma família de artistas, desde menino, Capiba lidou com música. Primeiro, tocando trompa na banda da qual o pai era regente. Depois, aprendendo piano, a contragosto, para ajudar nas despesas de casa. Já no Recife, na década de 30, fundou a Jazz-Band Acadêmica. Compôs gêneros norte-americanos e enveredou por outros caminhos de ritmos brasileiros, como a toada, o choro e o batuque. Escapou com um tango, Flor das ingratas, com o qual venceu o prêmio da Revista Doméstica (1929). “Escolhi a canção que, para mim, preenchia todos os requisitos, remeti à revista e fiquei aguaradando o resultado daquela minha afoiteza. Depois fiquei nervoso. Não tratei do assunto com ninguém. Se eu não fosse classificado, ninguém iria saber do meu fracasso”, revelou no Livro das ocorrências (1985, Coleção Pernambucana). Capiba era perfeccionista. E vaidoso. Em 1966, ao participar da primeiro Festival Internacional da Canção Popular, teve três canções, das cinco que enviou, classificadas entre as 36. Os quase 10% de aprovação renderam muita autopromoção nas rodas de amigos. Umas das faixas escolhidas foi Canção do negro amor, letrada por Ariano Suassuna, seu compadre. Mas o compositor sabia das limitações. Certa vez, a convite de Ary Barroso, nos idos de 1962, admitiu que não sabia cantar.  Foi em uma participação no programa veiculado na TV Tupi, no Rio de Janeiro. Por essa época, o samba A mesma rosa amarela, versado por Carlos Pena Filho, ecoava nos quatro cantos do país. E embora muito ouvisse, o apresentador não sabia a paternidade da canção. “Os locutores das rádios não dizem os autores”, esbravejou. Lisonjeado, o autor da música começou a executá-la ao piano. Ary interrompeu-o: “Cante!”. Capiba seguiu apenas tocando. “Cante! Tom Jobim e Vinícius de Moraes estão cantando.” Ele, prontamente, respondeu. “Estão cantando, mas estão cantando muito ruim.” Capiba tinha o dom de compor. E entrou para a história assim.

O som da vida

Renato Phaelante, autor do livro Capiba é frevo, meu bem (1986), descreve como as músicas compostas pelo surubinense ajudam a conhecê-lo melhor. As faixas selecionadas para o álbum Capiba, elas e outras canções, rearranjadas com  toques contemporâneos, situam a criação do artista na história e pontuam sua trajetória com a diversidade dos gêneros brasileiros - embora a associação com o frevo sempre se impusesse na memória coletiva. Faixas:

Começo de vida (Capiba) 
toada
Arranjo: Missionário José
Intérprete: Rogéria (PE)
n Nos anos 1950, o Brasil conhecia Carmem Costa, uma cantora nascida no Rio de Janeiro de voz diferente e de intensa força interpretativa. Ela lançou a toada pelo selo Copacabana, em 1956, oferecendo a Capiba a mesma evidência dos grandes nomes da MPB. 

Eh uá Calunga (Capiba)
maracatus
Arranjo: Juliano Holanda
Intérprete: Karinna 
Spinely (PE)
n Capiba é considerado o pioneiro da apresentação do som dos maracatus nos salões, numa época de grandes preconceitos, a década de 1930, quando realizou turnê pelo Sul do país com a Jazz Band Acadêmica. Em 1937, no auditório da Rádio Tupi (RJ), ele lançou esse maracatu, gravado em seguida pela cantora Mara Henrique.

Serenata suburbana (Capiba)
valsa
Arranjo: Metá Metá 
Intérprete: Juçara Marçal (SP)
n Inicialmente gravada como valsa, tornou-se conhecida, depois, como guarânia, nas vozes de vários intérpretes, desde 1955, quando foi gravada pela primeira vez por Orlando Correia. Sua última gravação recebeu a interpretação de Ney Matogrosso no CD Mestre Capiba, produzido por Raphael Rabello.

Dia cheio de Ogum (Capiba)
afro-xangô
Arranjo: Caçapa e Hugo Linns
Intérprete: Alessandra Leão (PE)
n Toada afro-xangô da obra de Capiba, lançada em 1966, pelo intérprete baiano Edy Souza, concorreu ao I Festival Nacional de MPB da TV Record, tornando-se uma das classificadas. Mostra o espírito competitivo do autor. É uma de suas músicas menos conhecidas. 

Campina cidade rainha (Capiba) 
valsa
Arranjo: Marcos FM 
Intérprete: Fernanda Cabral (DF)
n Numa das primeiras tentativas de resgatar o ecletismo de Capiba, a Fábrica Rozenblit lança, em conjunto com a Fundação Joaquim Nabuco, em 1982, o LP Capiba ontem, hoje, sempre, com o cantor Expedito Baracho. A música é um homenagem à Campina Grande, na Paraíba, onde Capiba viveu parte da vida.

Resto de saudade (Capiba) 
melódicos - samba-canção
Arranjo: Ivan do Espírito Santo
Intérprete: Solis (PE)
n A palavra saudade é uma constante na obra do pernambucano. Nostálgico em diversos momentos de suas composições, ele unia o gosto pelos sons melódicos e harmoniosos. Nessa música, não foi diferente. Ela foi lançada em 1963 por Carlos Nobre. 

Quando se vai um amor (Capiba)
romântica
Arranjo: Fernando Rangel
Intérprete: Cláudia Beija (PE)
n A canção exacerba mais uma vez o espírito romântico de Capiba, desta vez, em pleno carnaval, à espera da volta de um grande amor. A música foi lançada nacionalmente em 1950, na interpretação de um dos ídolos da Era de Ouro do Rádio, o cantor Carlos Galhardo. 

Ai de mim (Capiba) 
samba
Arranjo: Nana e Missionário José
Intérprete: Nana (BA)
n No início da década de 1960, quando era lançado o sistema de alta fidelidade, a fábrica de discos Mocambo/Rozenblit lançava o LP Sambas de Capiba, fase bossanovista e romântica do artista, na voz de Claudionor Germano. Entre os sambas, se destacava Ai de Mim, parceria com o poeta Carlos Pena Fillho. 
Sem pressa de chegar (Délcio Carvalho e Capiba)
samba
Arranjo: Yuri Queiroga 

Intérprete: Ylana Queiroga (PE)
n Competindo em festivais pelo Brasil afora, Capiba conhece outros compositores. Dentre eles, o carioca Délcio Carvalho, famoso nas rodas de samba. Os dois se tornam parceiros com essa música. Inédita em disco, foi lançada no ano 2000, no CD A Lua e o conhaque, com interpretação de Carvalho.

Claro amor (Capiba e Carlos Pena Filho) 
bossa nova
Arranjo: Paulo Arruda 
Intérprete: Vanessa 
Oliveira (PE)
n Uma demonstração inequívoca do Capiba romântico, música que faz parte, ainda, do LP Sambas de Capiba, na voz de Claudionor Germano. Da parceria com Pena Filho, frutificou também o sucesso Rosa amarela, faixa que os tornou figuras das mais importantes da bossa nova.

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