01 DE JANEIRO DE 2014
Clipagem ASCOM
Recife, 01 de janeiro de 2014
:: Jornal do Commercio
Caderno C
2013 vai ficar para a história
No último dia da série que reflete sobre as questões da cultura no ano passado, o cinema é o maior destaque
O ano que começa hoje já tem a garantia do cinema pernambucano na tela do Cinema do São Luiz. Na próxima sexta (03/01), volta ao cartaz o longa-metragem Tatuagem, de Hilton Lacerda, um dos pontos altos do cinema brasileiro em 2013. Na última reportagem da série sobre os principais eventos culturais do ano passado, o JC publica nesta quarta (01/03) um balanço do que movimentou o cinema em Pernambuco, no Brasil e no mundo. Convidamos seis personalidades que fizeram, pensaram e viram o que o cinema nos trouxe de melhor em 2013. Kleber Mendonça Filho, Paulo Cunha, Alexandre Figueirôa, Fernando Vasconcelos, Luciana Corrêa de Araujo e Isabela Cribari (apenas nesta edição online) foram mais além e incluíram em suas preocupações, além do universo do cinema, eventos sócio-políticos que marcaram 2013 como um ano difícil de esquecer. Para o cinema pernambucano, o ano que passou foi um sucesso de ponta a ponta, de janeiro a dezembro. Começou com o lançamento de O som ao redor, de Kleber Mendonça Filho, e terminou com a estreia de Tatuagem, de Hilton Lacerda. Entre eles, mais seis filmes produzidos no Estado chegaram às salas dos cinemas brasileiros. Só aqui no Recife, o Cinema da Fundação respondeu por quase 22 mil ingressos vendidos apenas para os filmes locais. No panorama nacional, o ano também foi excepcional em termos de mercado. Cerca de 120 longas brasileiros conseguiram lançamento, algo que não acontecia desde 1986. Na bilheteria, estima-se que o total de ingressos vendido pode chega a 27,7 milhões, o que ultrapassaria o recorde histórico de 2010 (o ano do fenômeno Tropa de elite 2, que foi visto por mais de 11 milhões de pessoas). Os números de 2013 foram alavancados pelas nefastas comédias produzidas como a mão da TV Globo. Entre os 10 filmes de maior bilheteria, constam títulos como Minha mãe é um peça, De pernas pro ar 2, Meu passado me condena, Vai que dá certo e Crô, entre outras. No panorama internacional, o que mais chamou a atenção foi a ousadia do cinema francês. Três filmes lançados durante o ano trouxeram o sexo sem preconceitos para o centro das discussões em filmes como Azul é a cor mais quente, Um estranho no lago e Jovem e bela.
Abaixo, a lista de cada participante da enquete:
Paulo Cunha, pesquisador e professor de cinema da UFPE
1. O lançamento de Tatuagem, de Hilton Lacerda, um dos mais vigorosos projetos cinematográficos do ano, com destaque para o diretor e para o trabalho da REC, como companhia produtora.
2. A gravação e disponibilização para download da coletânea de DJ Dolores (Banda Sonora), com trilhas dos filmes de Amor, plástico e barulho, O som ao redor e Tatuagem.
3. O fato de que, dos 59.876 espectadores do Cinema da Fundação em 2013, 21.838 ingressos foram para filmes pernambucanos. Uma marca histórica.
4. A repercussão nacional e internacional de O som ao redor, incluindo o lançamento do DVD duplo do com 7 horas de extras (making of, cenas excluídas e 6 curtas-metragens de Kleber Mendonça Filho).
5. A pressão política e capacidade de negociação da ABD-APECI, junto aos governos municipal e estadual, para recompor e expandir o sistema público de gestão do audiovisual (fundos e sistemas de incentivo, Funcultura, prêmios Ary Severo e Firmo Neto, cinemas São Luiz e Parque, etc.).
6. A realização de Amor, plástico e barulho, primeiro longa de Renata Pinheiro.
7. A escolha, no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, como voto popular, de Febre do rato, de Cláudio Assis, como melhor longa de ficção.
8. O anúncio, pelo reitor Anísio Brasileiro, da implantação do Cinema da UFPE, uma nova sala de alto padrão na zona oeste do Recife, com projeção 4k, som dolby e programação de qualidade.
9. A criação do Fórum dos Realizadores de Festivais e Mostras de Audiovisual de Pernambuco, para consolidar os mais de 30 eventos da área no estado.
10. O atribuição, pelo MEC, com conceito 4 (“Bom”) já na primeira avaliação do Curso de Cinema e Audiovisual da UFPE.
Kleber Mendonça Filho, cineasta
1. Ver uma multidão tomando os símbolos do poder em Brasília foi imagem forte e a mais incisiva de todos os protestos que mexeram com o País.
2. Sessão de Tatuagem, filme de Hilton Lacerda, no Cine São Luiz, na abertura do Janela VI. Público do Recife querendo ver um filme bom feito aqui, com sotaque e ponto de vista locais. 20 anos atrás, isso era uma ideia distante.
3. Movimentação dos que fazem o audiovisual junto ao Governo do Estado para que o apoio ao cinema torne-se lei.
4. Não exatamente a morte de Reginaldo Rossi, mas o adeus que recebeu. Fui ao funeral de Chico Science, mas não ao de Rossi. De qualquer forma, fica claro que Science e Rossi são artistas com personalidade e atitude, e que esses dois não vão morrer nunca.
5. A aprovação nos últimos dias do ano do Projeto Novo Recife, no Cais José Estelita, que, ao meu ver, irá criar um novo bairro de torres-fortaleza de 40 andares, isoladas do espaço público. Recife não precisa disso nesse momento, uma cidade que deve se abrir, e não se fechar cada vez mais. A localização próxima do centro histórico é, infelizmente, prova de que estamos num terceiro mundo com ilusões de primeiro, e demonstra a total falta de valorização da história de uma cidade, vide a demolição parcial do Edf. Caiçara, na Avenida Boa Viagem.
6. Movimentação em torno de uma restauração do Teatro do Parque, fechado há anos, faz lembrar que o São Luiz continua tecnicamente precário em projeção e som.
7. O sucesso fenomenal de Cine Holliúdy, de Halder Gomes, quase 500 mil espectadores, realizado com pouco mais de um milhão de reais do Ministério da Cultura e que quebrou não apenas recordes, mas também a forma como o chamado mercado espera que filmes se comportem. Num universo brasileiro dominado pela comédia carioca-Globeleza, a grande piada é o filme ter sido legendado em português traduzindo seu espesso cearencês.
Fernando Vasconcelos, designer e crítico de cinema
1. O cinema francês avançou na discussão e exibição da sexualidade com Azul é a cor mais quente, Um estranho no lago e Jovem e bela.
2. Morre Lawrence da Arabia, ou melhor, Peter O'Toole, um grande ator e seu maior personagem.
3. O cinema pernambucano tem seu melhor ano com O Som ao redor, Tatuagem e Doméstica, ficções e documentário de grande relevância no cenário nacional e internacional.
4. Alfonso Cuarón traz de volta o cinema espetáculo como obra de arte cinematográfica com Gravidade.
5. O terror confirma James Wan como excelente artesão do gênero com Invocação do Mal e Sobrenatural 2
Alexandre Figueirôa, crítico de cinema, pesquisador e professor da Unicap
1- Recorde histórico de 120 lançamentos de longas metragens nacionais.
2- O grande número de filmes (longas e curtas) e festivais com temática LGBT.
3- A estreia na direção do roteirista Hilton Lacerda com Tatuagem, um filme que de forma visceral e sincera nos fala de amor e liberdade.
4- As premiações internacionais recebidas pelo O som ao redor, o filme brasileiro mais premiado nos últimos anos em festivais no exterior.
5- Consolidação de eventos cinematográficos que abrem espaço para filmes autorais e da nova geração de cineastas brasileiros a exemplo da Mostra de Tiradentes, em Minas Gerais e o Janela Internacional de Cinema do Recife.
Luciana Corrêa de Araújo, pesquisadora e professora da Universidade Federal de São Carlos
1. 2013 começou com o lançamento de O som ao redor e terminou com a perspectiva de assistir a Tatuagem no cinema São Luiz, a partir desta sexta-feira. Bela moldura para um ano em que o cinema em Pernambuco se confirmou vigoroso e contínuo.
2. Cinema na rua: as manifestações pelo país fermentando o registro e a circulação de imagens, sons, olhares.
3. A crise na Cinemateca Brasileira deixando claro, como se fosse preciso, a ausência de uma política de preservação audiovisual no País.
4. Cinéfilos em festa, perdas na crítica. Em Belo Horizonte, Rio e São Paulo, retrospectivas impecáveis (inclusive na qualidade das cópias) de diretores essenciais como Samuel Fuller, Billy Wilder, Jacques Rivette e Howard Hawks. Enquanto isso, os leitores perdem a revista Filme Cultura, que teve sua última edição recém-lançada (disponível em http://filmecultura.org.br/categoria/edicoes/#), e o blog Cinema de boca em boca, espaço em que Inácio Araújo ampliava os limites da crítica cinematográfica, mostrando, em meio a filmes e a uma variedade de outros assuntos, que tudo é cinema.
5. Já visto jamais visto, (2013): a partir das imagens restauradas de suas filmagens domésticas e projetos inacabados, o diretor Andrea Tonacci e a montadora Cristina Amaral fazem um cinema de invenção afetivo, arqueológico e sublime.
:: Folha de Pernambuco
Não houve notícias sobre a Fundaj.
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