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31 DE DEZEMBRO DE 2013

Publicado: Quinta, 02 de Janeiro de 2014, 09h20 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h23 | Acessos: 413

Clipagem ASCOM
Recife, 31 de dezembro de 2013

 

:: Jornal do Commercio

Opinião JC

O papo do papa

Sabemos que o papa Francisco foi eleito por famosa revista a personalidade de 2013. Nada mau para quem ainda não chegou ao primeiro ano de pontificado. Ao que indicam seus gestos e suas palavras, Francisco não tem tempo a perder. Afinal, de perdas recentes a Igreja está bem servida. Não precisamos ser mais papais do que o papa para percebermos que há um esforço para que discurso e prática falem a mesma língua ou formem um santo par de rara sinergia. A propósito, soube, por amigo da comunidade acadêmica, que já começaram alguns estudos e análises para saber, com profundidade, se o papa, digamos assim, é homem de palavra e se sua palavra significa de fato mudança no seio (me desculpem o seio os mais pudicos) da Igreja. Como modesto (e por que não modestíssimo?, como diria certa personagem de Machado que amava os superlativos) observador do papa e das palavras, aprecio no pontífice o bom humor, que parece-me conatural à sua personalidade. Não perde a piada ou até a encontra onde outros só veriam sisudez. Nisso tem uma ponta de João XXIII, que foi famoso por suas tiradas espirituosas. Sobre este último, nos conta Hannah Arendt que, tendo sido eleito, e diante do peso da responsabilidade, perdeu algumas noites de sono, até que um dia disse de si para si: João, não se leve tão a sério, e desse dia em diante dormiu tranquilo. Ora, aí está: suspeito que Francisco durma bem. Donde logo se conclui que o sono faz bem aos homens e à Igreja. Mas não queremos que o papa durma no ponto, queremos, como indicamos acima, flagrá-lo em suas palavras. Penso que o nosso pontífice tem um veio aforismático: nada de muitas palavras para dizer o essencial. Numa imagem, numa frase nascida lapidar e poética, vai ao ponto. Para ele, os 140 caracteres da rede social nada têm de intimidantes. Nada de gordura verbal. Um pouco de vinho na semântica confere um sabor especial e publicitário às suas palavras. Eis, quem sabe, uma boa fórmula: o pão da fé embebido no vinho da poesia, talvez como nos velhos tempos das catacumbas quando a fé era uma aventura e não uma esmaecida rotina. Bem, aos doutores que já estão com a mão na massa verbal do papa, confesso a minha hipótese: o papa tem oferecido concisas iguarias morais, mas a cereja do bolo, se há um bolo no forno, ainda está por vir. Ou não virá, e ele, o papa, já terá feito muito mesmo assim. Ide, a missa terminou, não a massa...

Paulo Gustavo é escritor e servidor da Fundação Joaquim Nabuco

 

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