09 DE DEZEMBRO DE 2013
Clipagem ASCOM
Recife, 09 de dezembro de 2013
:: Jornal do Commercio
Caderno C
Um papo largo sobre cultura
Foi a partir de 2003, quando o músico Gilberto Gil ocupou o cargo de ministro, que o Ministério da Cultura (MinC) começou a flertar com uma noção mais ampla de seu tema e setor. O órgão tornou-se menos focado nas relações com os produtores e artistas, e mais atencioso às necessidades de uma nação inteira. A abertura no campo conceitual e discursivo, trazida por Gilberto Gil, foi alargada por Juca Ferreira em 2008, quando o cantor baiano pediu exoneração do cargo. As visões pioneiras dos ministros estão reunidas no livro Cultura pela palavra (Versal, 600 páginas, R$ 65), uma coletânea de artigos, entrevistas e discursos de ambos os gestores, de 2003 a 2010. A obra é lançada hoje, às 19h, na Sala Aloisio Magalhães, na Fundação Joaquim Nabuco, com a presença de Juca Ferreira, atual secretário municipal de Cultura de São Paulo.
No encontro, o gestor abordará a sua passagem pelo MinC, os desafios que enfrenta hoje como secretário e os resultados da 3ª Conferência Nacional de Cultura, encerrada em 1º de dezembro. Além, claro, da obra recém-publicada.
Para quem é interessado nos mecanismos da política pública de cultura no Brasil, o livro é praticamente uma "bíblia". Um exemplar para ser sempre revisitado, quando for necessário saber a visão de Juca e Gil sobre diferentes temas, de cultura e educação a diversidade cultural; de Lei Rouanet a economia da cultura. No índice remissivo, no fim do livro, é possível encontrar um roteiro que orienta a leitura segundo aspectos norteadores dessa política pública.
Como sabemos que as pessoas estão bastante interessadas em gestão e produção cultural, pensamos em juntar artigos, entrevistas e discursos em um único exemplar. Até porque se trata de um discurso e uma concepção de política diferentes”, diz o pesquisador de política e culturas comparadas da Fundação Casa de Rui Barbosa (RJ), Mauricio Siqueira. Ele encabeça a organização da obra com Armando Almeida, que foi assessor especial de Juca Ferreira em 2009, e Maria Beatriz Albernaz, pedagoga e mestre em educação. De fato, as visões levadas por Gilberto Gil e Juca Ferreira para o Ministério da Cultura foram bastante diferentes das anteriores. Eles apontaram para uma nova compreensão sobre o papel do Estado para o setor, que agora articula (ou pelo menos deveria articular) a cultura em três dimensões: a simbólica, responsável pela construção da visão do homem sobre o mundo, a econômica, que vê a cultura como uma fonte potencial de produção de riquezas, e a cidadã, voltada a integrar os indivíduos socialmente. Eles criaram uma nova base conceitual para o exercício político. Segundo os ex-ministros, a sociedade, como um todo, é um ambiente cultural. Falhas à parte, as novidades levadas por eles foram tantas que foi inevitável uma renovação da linguagem em torno da questão cultural. Por isso o título do livro é Cultura pela palavra. Trata-se da noção de que pensar cultura é, de uma forma ou outra, fazer cultura. Para o pesquisador Mauricio Siqueira, o marco da gestão de Gilberto Gil foi o Programa Cultura Viva, que reflete, do ponto de vista prático, as bases conceituais lançadas por ele. A ação principal do programa foram os Pontos de Cultura (hoje em discussão), que trabalham com agentes culturais como jovens, indígenas e quilombolas. Vários países da América Latina copiaram o programa. A ideia anterior era de que se trabalhava com a ausência. O Cultura Viva baseia-se na potência, naquilo que já existe”, detalha o estudioso.
Serviços
Palestra e lançamento do livro Cultura pela palavra – Hoje, às 19h, na Sala Aloísio Magalhães, na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). Rua Henrique Dias, 609, Derby, Aberto ao público.
:: Folha de Pernambuco
Programa
Um diálogo sobre a política cultural do país
Livro “Cultura pela palavra” é lançado hoje na Fundaj Derby
É bom deixar claro que “Gil & Juca” não é o nome de uma nova dupla de cantores sertanejos, mas a maneira carinhosa como os homens públicos Gilberto Gil e Juca Ferreira são lembrados pelo trabalho conjunto durante a coordenação do Ministério da Cultura (MinC) entre 2003 e 2010. O período, sob vários aspectos, foi de diversas transformações na política cultural. E, pelo comando de Gil e Juca, a comunicação com a sociedade civil vivenciou um diálogo interessante com o MinC. Tais ideias podem agora ser revistas no livro “Cultura pela palavra” (Versal Editores, 600 pgs., R$ 65), a ser lançado às 19h de hoje na Fundação Joaquim Nabuco (Derby). Juca Ferreira, hoje secretário de cultura do município de São Paulo, vem ao Recife para participar do evento quando promoverá uma palestra e debate seguido de sessão de autógrafos do livro. No compêndio estão 19 artigos publicados na imprensa nacional, 19 entrevistas concedidas à veículos brasileiros e estrangeiros, e 61 discursos proferidos aqui e fora do País entre 2003 e 2010. A riqueza do material reunido permite rever a evolução das ideias do Estado naquele período no que diz respeito ao seu papel como articulador da cultura, de sua percepção sobre a importância da Economia Criativa e da Cultura Digital, além de encarar os modelos como a renúncia fiscal (Lei Rouanet) e a regulamentação do setor audiovisual. A ideia surgiu da própria editora, Versal, que convidou Armando Almeida (economista e doutor em cultura e sociedade), Maria Beatriz Albernaz (pedagoga e doutora em ciência da literatura) e Maurício Siqueira (sociólogo e doutor em política de ciência e tecnologia) para organizarem o livro que tem como subtitulo: “Coletânia de artigos, entrevistas e discursos dos ministros da Cultura”. Para Almeida, “as gestões de Gil e Juca alteraram radicalmente a visão que se tinha sobre políticas no campo da cultura, não só no Brasil. Expor suas ideias e reflexões, registrando-as em um livro, é uma maneira de acumular esta experiência”. Já Beatriz Albernaz espera que o livro “contribua para aguçar o olhar histórico sobre um passado recente, e para a avaliação política das tomadas de decisão na área cultural”. Enquanto Siqueira lembra que avaliação de políticas públicas no campo da cultura são muito complexas. Para ele, não são apenas a “reunião de indicadores quantitativos em determinado período de tempo. A formulação de políticas públicas de cultura lida com processos culturais muitas vezes referentes a bens intangíveis, e os sujeitos desses processos variam de acordo com o conceito de cultura empregada”, conclui.
TRECHOS
AUDIOVISUAL
“A gente incorporou a TV como parte integrante da cultura. Não só a TV pública como também a TV privada. A convergência digital, dos diversos suportes e mídias, tem permitido que a gente pense a produção do audiovisual. Mas a qualidade da televisão brasileira é muito baixa. A banalidade exerce um fascínio enorme sobre as pessoas”.
Juca Ferreira
DIREITOS AUTORAIS
“Hoje, a lei é anacrônica para atender, de forma equilibrada, tanto autores como consumidores e cidadãos. A simples reprodução de um arquivo musical para um tocador de MP3 contraria nossa legislação autoral, que não diferencia cópia privada de cópia com fins de pirataria”.
Gilberto Gil
LEI ROUANET
“As empresas não querem investir fora do eixo Rio-São Paulo... Então, a gente disponibilizou um imposto coletado em todo o Brasil, recolhido no Brasil inteiro, de todos os brasileiros, que acaba sendo usado de uma forma arbitrariamente concentrada, elitista, discriminatória...”
Juca Ferreira
Serviço
Lançamento do livro “Cultura pela Palavra”, com palestra de Juca Ferreira
Quando: hoje, às 19h
Onde: Fundação Joaquim Nabuco (Rua Henrique Dias, 609, Derby)
Informações: 3073-6767
Programa
Câmara Clara
Piada$
Pois é, no balanço de brasileiros sucessos de bilheteria, foi constatado que dos dez campeões de público em 2013, sete são comédias. Tendo apenas uma delas, “Cine Holliúdy”, do cearense Halder Gomes, surgido fora do contexto globochanchada. O campeão da lista é “Minha Mãe é uma Peça”, com 4,6 milhões de espectadores. “Cine Holliúdy” será exibido na Fundaj nesta quarta-feira (11), às 19h10.
:: Diário de Pernambuco
Viver
Com a palavra, Gil e Juca
Entrevistas, artigos e discursos dos ex-ministros da Cultura preenchem as páginas de livro que será lançado hoje no Recife
Cultura pela palavra é o título do livro que reúne entrevistas, artigos e discursos de Gilberto Gil e Juca Ferreira. Os depoimentos são da época em que ambos foram ministros da Cultura durante o governo do presidente Lula (2003 a 2010). Eles falam de temas relativos aos projetos do ministério, mas também sobre experiências e questões pessoais.
Juca, que atualmente é secretário de Cultura da cidade de São Paulo, vem ao Recife hoje para lançar o livro em palestra às 19h na Fundação Joaquim Nabuco (Derby).
Antes de virar ministro, ele foi secretário executivo do ministério e representava uma espécie de braço-direito de Gil, sempre nos bastidores da elaboração das propostas.
Em 2011, saiu do PV e entrou no PT. É sociólogo, foi presidente da UNE na época da ditadura militar e passou cinco anos exilado no Chile.
Gil e Juca promoveram uma série de modificações durante suas gestões com os objetivos principais de descentralizar os recursos financeiros entre as regiões do Brasil e ampliar a participação popular nas políticas culturais. Eles também lutaram pela ampliação da porcentagem do orçamento do governo para a área, que atingiu seu maior valor em 2007 com 0,6%. “A ONU recomenda 1%, mas o ideal seria em torno de 3%”, defendeu Juca Ferreira em entrevista cedida ao Jornal do Brasil, reproduzida no livro.
No livro, com estilos diferentes, os dois alternam reflexões filosóficas e apresentações de dados concretos.
Serviço
Lançamento do livro Cultura pela palavra, com palestra de Juca Ferreira
Quando: Hoje, às 19h
Onde: Sala Aloisio Magalhães da Fundação Joaquim Nabuco (Rua Henrique Dias, 609, Derby)
Quanto: Gratuito
Gil
“Se um filme de R$ 6 milhões for atendido e 10 filmes pequenos deixaram de ser atendidos, o que resolve isso são políticas diferenciadas, que atendam ambas as coisas. O fato de não existir política é que provoca essa situação.”
“Artistas consagrados não gostam de ser elencados na classe dominante, mas são. Nós somos classe dominante. Há um conflito de classes em tudo isso, também.”
“Meu trabalho não é mais demandar os recursos para o meu grupo, é tentar uma política pública de distribuição mais aberta, democrática.”
Juca
“Saímos de um orçamento de 0,2% do total federal para quase 0,6%”
“Tem áreas em que não fomos bem-sucedidos, mas mesmo nelas nós fomos muito melhores que os anteriores”
“Desafio qualquer pessoa a mostrar um indicador de que nós não sejamos melhores do que tudo o que encontramos na fase anterior do ministério. Isso quer dizer que a gente realizou toda a obra? Não.”
“A nossa legislação não consegue realizar plenamente o direito do autor. Ela é anacrônica.”
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