20 DE NOVEMBRO DE 2013
Clipagem ASCOM
Recife, 20 de novembro de 2013
:: Jornal do Commercio
Caderno C
Cinema
Tatuagem (BRA, 2013) – De Hilton Lacerda. Com Irandhir Santos, Jesuíta Barbosa. Cinema da Fundação – 16h; 18h15; 20h30. Drama. 16 anos.
:: Folha de Pernambuco
Não houve notícias sobre a Fundaj.
:: Diário de Pernambuco
Viver
Cinema
Tatuagem – Clécio é o líder da trupe teatral Chão de Estrelas, que realiza shows repletos de deboche e com cenas de nudez. 16 anos. Cinema da Fundação. 16h, 18h15, 20h30.
:: Diário do Nordeste – CE
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Zimá: filha e mãe de santos
O cotidiano do terreiro Ogum Megê e a vida de mãe Zimá viram filme, lançado hoje, no Cinema do Dragão
Um dos traços característicos da religiosidade no Brasil é o sincretismo, materializado na contribuição, sobretudo, na herança cultural das três principais etnias que ajudaram na formação do povo brasileiro. Cenas do documentário-ficção "Mãe de santo, teu nome é Zimá", de Lilia Moema Santana São elas: indígena, negra e portuguesa. Para tentar desmistificar o preconceito em torno da umbanda, exemplo de sincretismo de culto religioso, nascido no Brasil, entre o fim do século XIX e o início do XX, a cineasta Lilia Moema Santana enveredou pelo dia a dia do terreiro "Ogum Megê", tendo como foco principal a vida da mãe de santo Zimá. O resultado do trabalho, fruto de seis anos de pesquisas e gravações, está expresso no documentário de ficção "Mãe de santo, teu nome é Zimá", cujo lançamento acontece hoje, "Dia Nacional da Consciência Negra". A exibição para convidados e elenco será às 20h, na sala 01, do Cinema do Dragão - Fundação Joaquim Nabuco. A estreia para o público será amanhã, 21, no Cine Benjamin Abraão da "Casa Amarela Eusélio Oliveira", também às 20h.
Produção
"O tempo é um elemento essencial para a construção do filme", argumenta Clébio Viriato, produtor executivo do longa metragem, que mescla fatos reais e ficção para falar sobre a trajetória da mãe de santo cearense, que aos 21 anos, atendendo ao chamado dos orixás, começou a exercer a atividade de sacerdotisa de umbanda.
Após a estreia, o filme seguirá o circuito de festivais, cines-clubes, TV´s e DVD´s, promete Clébio Viriato, justificando que um dos objetivos do filme é desmistificar o preconceito em relação à umbanda. "Foi o meu primeiro contato profundo sobre a umbanda", explica a diretora, que identificou três pontos interessantes na vida da protagonista para serem enfocados sob o ângulo da ficção. Ao sete anos, quando mãe Zimá recebe o primeiro orixá; aos 14, ao realizar uma cura no tio; e, aos 21 anos, quando incorpora a entidade tapuia. "Ela se comportou como uma criança". O fato representou o chamado oficial para jovem começar a exercer a atividade de mãe de santo. "Por isso o tempo é importante na obra", observa, justificando o intervalo de seis anos para ficar pronto. Assim, desde 2007 a diretora captava imagens, colhia informações e depoimentos. A parte de ficção foi finalizada este ano. O filme mostra a trajetória da vida da mãe de santo, que durante esse tempo, viu os filhos crescerem, os netos, e os próprios realizadores tiveram mais tempo para trabalhar a trama. Conforme Clébio Viriato, "invadimos a intimidade da mãe de santo que entregou a alma e o coração para nós". Para reforçar a importância do tempo na produção, conta que existem filmagens em diversos suportes, que demonstram bem a evolução da tecnologia audiovisual. Algumas foram captadas em equipamentos de super 8, VHS e câmera digital de última geração. A ficção entrou no filme para dar "um charme", brinca, além de não ficar restrito apenas a depoimentos. Dessa forma, o filme ganha maior dinamismo. A escolha de Clébio Viriato transformar em filme a trajetória de Zimá Ferreira da Silva, 66 anos, tem uma relação afetiva. Conta que mãe Zimá curou a sua mãe biológica. Viriato ressalta que a mãe de santo é muito particular, estimando que existem apenas seis no mundo, apresentando qualidades semelhantes as suas, como cultivar a prática primitiva da umbanda. Duas delas estão no Brasil, e as outras na Colômbia, e na África. A particularidade diz respeito à forma de exercer a sua função de mãe de santo, que significa cuidar, unir, zelar pelos filhos. "Ela pratica um catimbó de raiz, de forma bem primitiva", esclarece. "É uma personagem única no Ceará", diz, completando que sua vida se confunde com a história da umbanda local. A batida do pé no chão é uma das características dessa prática. Conta que o dom foi herdado do bisavô, chamado Gastão. No entanto, ressalta que a mãe de santo nasceu em uma família católica conservadora. O dom de médium acompanha mãe Zimá desde criança. É questão de destino e não tem como fugir. O primeiro orixá incorporado foi na idade de sete anos. Ela não tinha noção de nada. Nem quando curou um tio, aos 14 anos. Estava casada quando incorporou uma entidade indígena, selando de vez a entrada da umbanda na vida da jovem. Desde então, passa a exercer o dom. "É um ponto bastante forte o chamado dos orixás para exercer a religião", pontua a cineasta Lilia Moema Santana, que usa a criatividade para traduzir esse momento, que entra no filme como ficção. O filme retrata também o dia a dia do terreiro. Além das giras, ou seja, os rituais para o início dos trabalhos, quando a mãe de santo consulta os caboclos. O filme mostra os rituais para as festas das entidades e como o terreiro se formou. É um mergulho na história da umbanda, tendo como ponto de partida a vida de mãe Zimá. "A gente não maquiou nada. Mostra as oferendas, as matanças, as amarrações", ressalta Lilia Moema Santana. A transmissão dos ensinamentos, assim como a formação e o aprendizado dos rituais acontecem de forma oral. Os trabalhos para a concepção da obra começaram em 2007. A parte de ficção foi concluída nesse ano, afirma a diretora Lilia Moema Santana, destacando a generosidade de mãe Zimá. Lilia fala sobre a escolha dos atores para compor a parte de ficção do documentário. Destaca os nomes de Haroldo Serra, que interpreta do avô Gastão, ao lado da atriz Antonieta Noronha, que faz o papel da avó. A jovem atriz Paula Yemanjá, do grupo Bagaceira, interpreta a protagonista aos 21 anos. O longa é realizado pela Associação de Cinema e Vídeo de Quixadá e pela Cabeça de Cuia Filmes, em coprodução com Clan do Cinema, Mungango Produções, Red Line Filmes e recursos do Banco do Nordeste (BNB), Secretaria de Cultura do Estado do Ceará (Secult-CE) e Ministério da Cultura (Minc).
Mais informações:
Lançamentos de "Mãe de Santo, teu nome é Zimá", hoje, às 20h, no Cinema do Dragão- Fundação Joaquim Nabuco, para convidados e elenco. Amanhã, às 20h, acontece exibição aberta ao público no Cine Benjamin Abraão da Casa Amarela Eusélio Oliveira (Avenida da Universidade, 2591).
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