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31 DE OUTUBRO DE 2013

Publicado: Sexta, 08 de Novembro de 2013, 15h08 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h23 | Acessos: 428

Clipagem ASCOM
 Recife, 31 de outubro de 2013
   

:: Jornal do Commercio

Especial

Uma cidade, vários territórios

Há tempos urbanistas observam que as cidades não têm uma identidade única. Cada bairro, cada comunidade possui uma geografia, uma história, uma cultura própria que acabam por moldar seus moradores. Gilberto Freyre, no clássico Guia Prático Histórico e Sentimental da Cidade do Recife, chega a enxergar diferenças até nas ruas da capital pernambucana. As ruas do Recife variam muito de fisionomia, de cor, de cheiro. Parecem às vezes cidades diferentes, observava. Roberto Montezuma, arquiteto e urbanista, segue quase na linha do mestre de Apipucos e lembra que a cidade não é homogeneizada, mas é feita de territórios e cada um deles têm características geográficas e sociais diferentes. Tais características influenciam e transformam o homem. A noção de espaço impregna na forma de ser de cada pessoa, afirma Montezuma, que também é presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco (CAU). Há anos atuando para o mercado imobiliário, o publicitário Ricardo Rique, diretor da agência A Casa, acabou por perceber as diferenças e aplicar esse conhecimento no trabalho. Para exemplificar, ele faz uma distinção entre o típico morador de Boa Viagem e o de Casa Forte. No bairro da Zona Sul, as pessoas são mais up to date, conectadas às novidades, mais noturnas, gostam mais de baladas. O bairro sempre teve boates, analisa o publicitário. Ele nota que contribui para esse perfil o fato de ser um local novo em comparação com a tradição de outras regiões, cujas origens se confundem com a de antigos engenhos. Sem contar que BV, como chamam seus moradores, também abriga o primeiro shopping da cidade. O centro de compras, segundo Rique, teve o papel fundamental ao trazer as novidades. Montezuma acrescenta ainda que Boa Viagem é mais cosmopolita por razões como a proximidade do aeroporto. Muitos estrangeiros também gostam de morar lá por causa da praia, completa. Boa Viagem se tornou atrativa para os forasteiros, analisa Rique, por abrigar a maior parte dos hotéis no Recife.

TRADIÇÃO 

Em contraste com a modernidade do bairro praieiro de grandes avenidas, Casa Forte, com suas ruas arborizadas e bucólicas, emana tradição. Basta lembrar dos acontecimentos históricos de que foi palco, como batalhas entre holandeses e pernambucanos no século 17. Também abriga moradores de famílias tradicionais e ligadas às artes, como Ariano Suassuna. Montezuma reconhece que o morador de Casa Forte é mais intelectual e não por acaso ele está mais próximo de entidades culturais como a Fundação Joaquim Nabuco e das universidades federais. O escritor Ronaldo Correia de Brito é um habitante característico do bairro. A começar pelo espaçoso apartamento de 400m², onde vive com a mulher e o filho mais novo. Impossível ficar na varanda e não ter a sensação de estar na tranquilidade de uma grande casa. Lá, além de peças de arte popular, ele cultiva plantas regionais como a aromática bulgari, e conserva cadeiras de balanço com encosto de couro da época da sua infância no interior do Ceará. Cercado de livros e obras de arte, como quadros de Samico, ele confessa não frequentar shoppings. Gosto de ir à padaria do bairro, de tomar chá com bolo de laranja numa casa de chá perto daqui e visitar a livraria Cultura do Paço Alfândega, revela. Nos fins de semana, reúne os três filhos em almoços organizados pela mulher Avelina. A relações públicas Elizabete Mercês, 33 anos, é o oposto do escritor. Moradora de Boa Viagem, adora ir aos shoppings do bairro. Gosto de ver as vitrines e acompanhar o que acontece na moda ou para ir ao cinema, diz Elizabete que reside num apartamento de dois quartos com o filho. Ela também não perde uma balada, seja em boates como a UK, ou numa vibe mais light, como beber com os amigos na galeria Joana D'Arc, no vizinho bairro do Pina. Perfis distintos como os de Ronaldo e Elizabete revelam apenas uma parte da imensa riqueza que compõe o Recife. Montezuma ressalta que há características distintas até num mesmo bairro. A Boa Viagem da praia é completamente diferente da Boa Viagem da Imbiribeira e da comunidade Entra Apulso, exemplifica o urbanista, alertando ser salutar essas diferenças. Porém, ele defende que todos os bairros devem ser semelhantes num quesito: no acesso a uma infraestrutura de qualidade.



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