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09 DE OUTUBRO DE 2013

Publicado: Segunda, 14 de Outubro de 2013, 08h55 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h23 | Acessos: 550

Clipagem ASCOM
Recife, 09 de outubro de 2013

 

:: Jornal do Commercio

Caderno C

Cinema

Boa Sorte, Meu Amor (BRA, 2012). De Daniel Aragão. Com Vinícius Zinn e Christina Ubach. Cinema da Fundação – 16h40. Drama. Livre.

Frances Ha (EUA, 2013). De Noah Baumbach. Com Greta Gerwig, Mickey Sumner. Cinema da Fundação (leg) – 20h50. Comédia. 14 anos.

Tabu (POR, 2012). De Miguel Gomes. Com Teresa Madruga, Laura Soveral. Cinema da Fundação (leg) – 18h30. Drama. 12 anos.

 

:: Folha de Pernambuco

Guia Folha

Roteirão

Cinema

Boa Sorte, Meu Amor / De Daniel Aragão / Com Vinicius Zinn, Christina Ubach, Maeve Jinkings. Recife, Pernambuco. Homem de 30 anos vem de família aristocrata do sertão. Ele trabalha em uma empresa de demolição. Ao encontrar Maria, uma estudante de música, ele passa a sentir a urgência por mudanças em sua própria vida. Cinema da Fundação: 16h40. 16 anos.

Frances Ha / De Noah Baumbach / Com Greta Gerwig. Crônica nova-iorquina sobre uma mulher de 27 anos que precisa entender que amadurecer é especialmente difícil quando, de fato, você já é uma adulta. Cinema da Fundação: 20h50. 14 anos.

 

:: Diário de Pernambuco

Viver

Adversários que não falam inglês

Academia divulga o nome dos 76 indicados a uma das cinco vagas ao prêmio de Filme Estrangeiro no Oscar 2014. O som ao redor aparece entre os favoritos

Cineastas consagrados, como Wong Kar Wai (Hong Kong), Andrzej Wajda (Polônia), Paolo Sorrentino (Itália), Danis Tanovic (Bósnia-Herzegóvina), Thomas Vinterberg (Dinamarca) e Asghar Farhadi (Irã), estão entre os concorrentes do pernambucano Kleber Mendonça Filho, diretor de O som ao redor, na disputa por indicações ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. A lista completa com 76 países inscritos foi divulgada na segunda-feira pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. O número de candidatos é um recorde histórico.
Apenas cinco estarão entre os finalistas que serão revelados no dia 16 de janeiro, com transmissão ao vivo pela TV. Especulações sobre os favoritos já começaram a circular em sites, revistas e jornais. O som ao redor aparece em algumas das principais previsões. O site Indie Wire (EUA) divulgou um ranking dos melhores filmes e coloca o pernambucano em oitavo lugar entre os 76 indicados. “Essa categoria é notadamente difícil de prever”, assume o crítico Peter Knegt. Segundo ele, antecipar os cinco finalistas é “próximo do impossível”. O crítico e escritor norte-americano Steve Pond, considerado um dos principais prognosticadores do Oscar em Hollywood, também menciona O som ao redor entre os dez filmes com mais chances de aparecer entre os indicados. A caça, um dos que mais aparecem nas listas de favoritos, está atualmente em cartaz no Recife. O filme dinamarquês venceu três prêmios no Festival de Cannes em 2013. O diretor é Thomas Vinterberg, revelado ao mundo em 1998 com Festa de família na época do movimento Dogma. O som ao redor também voltou aos cinemas depois que foi escolhido como candidato oficial do Brasil. Outro forte concorrente é O passado (Irã), de Asghar Farhadi, diretor do vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2012, A separação. O Oriente Médio também tem grandes chances com Wadjda, primeiro filme da Arábia Saudita dirigido por uma mulher. A França concorre com Renoir, de Gilles Bourdos, já exibido nos cinemas do Recife. A Argentina, que ganhou o Oscar com O segredo dos seus olhos (2009), desta vez indicou Wakolda (The german doctor é o título em inglês), de Lucía Puenzo, sobre uma família que conviveu com o médico Josef Mengele sem saber que ele era nazista. Filmes do Chile (Gloria), Itália (La grande bellezza), Austrália (The rocket), Canadá (Gabrielle) e Israel (Bethlehem) são os outros que mais aparecem nas especulações. Quatro produções brasileiras já foram indicadas ao Oscar de Filme Estrangeiro: O pagador de promessas (1963), O quatrilho (1994), O que é isso, companheiro? (1998) e Central do Brasil (1999). Além deles, Cidade de Deus (2004), O beijo da Mulher Aranha (1986), Lixo extraordinário (2011) e o curta Uma história de futebol (2004) já receberam indicações em outras categorias. O pernambucano Cinema, aspirinas e urubus foi o representante do Brasil em 2005, mas não ficou entre os cinco finalistas.

 

:: O Povo Online – CE

Cultura e Lazer

Jogos de estímulo à fobia social

O caráter transgressor dos personagens desse tipo de jogo é sempre inspirador para quem enfrenta a angústia do crescimento

O sucesso internacional de lançamento do videogame GTA, no qual, além de obrigatoriamente assumir uma personalidade marginal, os jogadores recebem missões para superar as adversidades por meio da prática da violência, é mais um componente de estímulo à fobia social tão presente nos dias atuais. O caráter transgressor dos personagens desse tipo de jogo é sempre inspirador para quem enfrenta a angústia do crescimento e para quem tem dificuldade de lidar com as vulnerabilidades típicas de uma sociedade em crise de significados.
Depois de horas e horas diante da tela, matando prazerosamente, não resta muito o que esperar da vida comum, senão a sua espantosa repulsa. Entre o desalento e a adrenalina, é da natureza constitutiva do sujeito a inclinação pelo que produz emoção. Nos jogos de estímulo à aversão social, a escolha dos prazeres se dá em um estado de apatia consciente, que ocupa o vazio do ser com o vício da poética do sangue explícito e do gozo de matar. A fragilidade da estrutura emocional é um arquivo propício à proliferação de vírus maliciosos de uma velha estrutura comercial, agora montada em sistema multimídia. O GTA, em sua quinta versão, promete ação, voyeurismo e atitudes vendidas como símbolos de liberdade, em um molho de possibilidades de sobrevivência, com golpes audaciosos, compras de roupas, customização de carros, assaltos a bancos e a joalherias, enfim, entre o sublime fake e a ganância desmedida. Um dos destaques desse videogame de aspiração cinematográfica é que o jogador pode chamar a si tanto um assaltante entediado quanto um jovem de periferia que quer subir na vida a qualquer custo ou um agressivo viciado em drogas, para experimentar o que é sobreviver na delinquência. A propaganda do GTA 5 diz que este é o game mais caro já produzido, que o jogo custou 266 milhões de dólares, mais de meio bilhão de reais, e que é um sucesso de vendagem. Só não diz que ele vende mesmo é a padronização da mente a um processo de mundialização de conceitos desumanos. Não é à toa que seu principal financiador é a indústria de fabricação de armas. Essa situação não está, entretanto, presente apenas nos jogos eletrônicos; ela está implícita desde o merchandising nos livros paradidáticos aos shows escolares do palhaço Ronald McDonald, e explícita nos golpes escatológicos das lutas de MMA, transmitidas como oferta sórdida de libido em forma de espetáculo romano para a arena da tevê. Este tipo de prática comercial com sérios fatores de risco para a saúde física e mental das pessoas tem um exemplo concreto no passado: a ação da indústria do tabaco, quando esta patrocinou grandes astros do cinema para promover o consumo de cigarros, o que resultou em toda uma geração de vítimas de câncer de pulmão e de doenças cardiovasculares. A sensualidade do cigarro levado aos lábios, a sublimação da tragada, a baforada relaxante e os anéis de fumaça eram irresistíveis, como estimulação correspondente ao desenvolvimento cognitivo, afetivo e emocional. Por trás de tudo isso estavam contratos milionários para que atrizes como Ava Gardner, Bette Davis, Marlene Dietrich, Rita Hayworth e atores como Humphrey Bogart, John Wayne, Jean-Paul Belmondo, Marcello Mastroianni, Sean Connery, Henry Fonda e até o ator-dançarino Fred Astaire fumassem publicamente. Havia nessa conduta um aspecto de charmoso rompimento comportamental, patente também nos filmes da Disney, nos quais o cigarro aparece vinculado a personagens transgressores, tais como a raposa João Honesto e o gato Gedeão, no filme Pinóquio (1940), e o Capitão Gancho em Peter Pan (1953). Nos primeiros versos do seu irado e lírico poema Uivo (Ed. Globo, SP, 2012), dedicado "aos fodidos anônimos & miseráveis sofredores & hipsters de cabeça feita", Allen Ginsberg (1926 - 1997) diz que viu as melhores inteligências da sua geração destruídas pela loucura (p. 17). Seu desabafo contra a sociedade desumanizante ajusta-se plenamente aos dias atuais, pois, pensando bem, "todo dia está na eternidade" (p. 196). E hoje, a marginalidade dos bem-de-vida começa a mostrar a cara em filmes como Bling Ring: A Gangue de Hollywood, de Sofia Coppola, em cartaz no cine Dragão do Mar/Fundação Joaquim Nabuco, em Fortaleza, que ressalta a obsessão por objetos de grife e o narcisismo de um grupo de adolescentes que assaltava casas de celebridades. A questão é de saúde pública, com antecedentes de abandonos culturais. Não gosto da ideia de proibição. A classificação indicativa está lá: 18 anos. A mim, me parece mais razoável o uso da mesma tecnologia para produzir alternativas aos games que estimulam a fobia social. O jogo como recurso cerebral capaz de quebrar a estrutura do tempo e de permitir a incorporação da realidade em seu alcance de multivariabilidade é uma ferramenta maravilhosa. Resta descobrir quem está disposto a investir tempo e dinheiro em favor de outras referências de vida. Muitas vezes, o impulso que nos separa da inércia é o impulso do medo de dizer não a nós mesmos.

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