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01 DE SETEMBRO DE 2013

Publicado: Segunda, 02 de Setembro de 2013, 10h23 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h23 | Acessos: 1124

Clipagem ASCOM
Recife, 01 de setembro de 2013

 

:: Jornal do Commercio

Política

Um preso político no primeiro governo Arraes

No seu livro Tempos de Arraes - a revolução sem violência, o escritor Antônio Callado faz a seguinte menção à atuação de Jeremias e seu grupo na Zona da Mata Norte pernambucana: "Só mesmo eles têm o direito de acusar a polícia de Arraes de uma arbitrariedade". Callado se referia a um fato que aconteceu três dias antes da chamada "Chacina do Engenho Oriente". Jeremias chegou a ser preso, em Itambé, sem nenhum mandado de prisão. Incomodados com sua atuação à frente das mobilizações pelo pagamento do 13º salário aos agricultores, latifundiários da região, junto com alguns deputados, chegaram a procurar a Secretaria estadual de Segurança Pública para pedir "providências" contra ele. Jeremias foi levado ao Recife, onde foi interrogado e permaneceu preso por três dias sob a tutela do delegado Francisco Souto.
Em relato presente no acervo da Fundação Joaquim Nabuco, o delegado se refere à prisão de Jeremias como um dos fatos mais "tristes" do período que exerceu o cargo no governo Arraes. Souto classifica Jeremias como um "rapaz de boa presença" e informa que ele não ficou atrás das grades. "Nós o aconselhamos, assim como se aconselha um filho, e entreguei-o ao advogado que ele trouxe como testemunha e fui deixá-lo em casa junto com o motorista que dirigia meu carro. Foi a última vez que vi Jeremias", conta. Em sua pesquisa sobre o movimento trotskista em Pernambuco e a atuação de Jeremias no campo, o historiador Felipe Gallindo sustenta que essa não foi a única prisão ilegal realizada durante o período arraesista. No seu levantamento, contabilizou outras sete, a maioria envolvendo militantes do partido trotskista. Ele relata os casos, por exemplo, de Ayberê Ferreira de Sá, Carlos Montarroyos e Cláudio Cavalcanti, todos membros do PORT. O trio foi preso, em Itambé, durante a organização de um congresso camponês após a morte de Jeremias, em outubro de 63. Assim como Jeremias, foram levados à Secretaria de Segurança Pública no Recife e interrogados por Francisco Souto, que os questionou sobre a autoria de um "manifesto" convocando para o tal congresso e acusando Arraes de apoiar os latifundiários. A ausência de uma ordem judicial e a própria motivação das detenções, na análise do historiador Felipe Gallindo, apontam o caráter político da prisão de Jeremias e dos demais. "Não existem dados que comprovem que Arraes tenha ordenado a prisão de Jeremias. Mas tanto ele como o PCB considerava os trotskistas muito sectários. Seu governo se assentava numa relação muito complexa de forças políticas e incluía setores da elite fundiária. As estruturas da policia ou da justiça estadual, por exemplo, não estavam inteiramente sob o controle dele. Isso o golpe vai deixar claro", comenta.

RELAÇÃO

O fato é que a relação entre o grupo trotskista de Jeremias e as forças aliadas a Arraes e ao PCB era tensa. Numa carta endereçada à direção do partido, em São Paulo, Jeremias criticava a "aliança" de Arraes e sua atuação para evitar a radicalização do movimento camponês. "Arraes e a burguesia se encontram num emaranhando de contradições cada vez mais perigoso", disse num trecho. Em outro, afirma que o então o governador estava "mobilizando o aparato" para deter movimento grevista nos engenhos de Vitória de Santo Antão.
Segundo Gallindo, Arraes sofria pressão de todos os lados e precisava mostrar que era capaz de controlar a convulsão social tanto para manter a estabilidade do próprio governo como também para viabilizar um possível projeto nacional na eleição presidencial de 65, que não aconteceu. "Ele precisava manter a credibilidade que tinha no campo, mas também mostrar controle. Era uma margem de manobra muito estreita. Durante os 14 meses de governo, ele atuou como um bombeiro", analisa Gallindo. As prisões, de todo modo, simbolizaram a corda bamba em que vivia Arraes nos meses que antecederam o golpe civil-militar. Num período marcado pela Guerra Fria e pelo acirramento ideológico, Arraes buscava se equilibrar entre sua base popular de esquerda - sustentada pelo PSB, PTB e PCB, mas com fortes raízes no meio rural - e a aliança com setores mais conservadores. Se, por um lado, sua postura conciliadora permitiu a garantia de direitos sociais para o homem do campo, por outro, não foi capaz de impedir os "excessos" cometidos à margem da legalidade contra os atores que propunham uma luta mais radicalizada no meio rural. "Se a repressão ao movimento camponês não aconteceu de forma generalizada no governo Arraes, ela aconteceu de forma bastante eficiente contra os setores que estavam à esquerda da Frente do Recife", argumenta Gallindo.

 

Repórter JC

Surdez à voz das ruas

O eleitor só serve mesmo para voltar? Os sons que vêm das ruas têm sido captados corretamente pela classe política? Para o cientista político Túlio Velho Barreto, da Fundaj, a resposta é uma só: “não”. As manifestações mostram que o eleitor não quer mais do eleger seus representantes, mas também fiscalizar e interferir no trabalho de quem ele elege. Sobretudo, naqueles mais próximos, como é o caso dos vereadores. O problema é isto entrar na cabeça dos eleitores. “Vereadores, deputados e senadores desenvolveram interesses tão próprios e corporativos que deixaram de ter compromissos com as demandas populares”, diz o analista, citando como exemplo a decisão recente de vereadores do Recife de dificultar o acesso dos eleitores no dia-a-dia da Câmara Municipal. Desde junho, quando a onda protestos começou a varrer o País, a pauta política tem sido a suposta crise ma democracia representativa. Velho Barreto lembra que também deu alerta neste sentido, de que há muito tempo partidos e políticos eleitos não conseguem traduzir esta representatividade.

 

Caderno C

Cinema

Boa Sorte Meu Amor (BRA, 2012). De Daniel Aragão. Com Vinícius Zinn e Christina Ubach. Recife, Pernambuco. Dirceu tem 30 anos e vem de uma família aristocrata do sertão nordestino. Ele trabalha em uma empresa de demolição, ajudando nas diversas transformações que a cidade tem passado nos últimos anos. Ao encontrar Maria, ele passa a sentir a urgência por mudanças em sua própria vida. Cinema da Fundação – 17h10; 20h50. Drama. Livre.

Frances Ha (EUA, 2013). De Noah Baumbach. Com Greta Gerwig, Mickey Sumner. Frances divide um apartamento em Nova York com Sophie, sua melhor amiga. Brincalhona e com ar de quem não deseja crescer, ela recusa o convite do namorado para que more com ele justamente para não deixar Sophie sozinha. Cinema da Fundação – 19h. Comédia. 14 anos.

The Bling Ring – A Gangue de Hollywood (The bling ring, EUA, 2013). De Sofia Coppola. Com Emma Watson, Katie Chang. Cinema da Fundação – 15h20. Drama. 12 anos.

 

:: Folha de Pernambuco

Persona

Colunas

Intra-Estados

A experiência de Kleber Mendonça Filho e Luiz Joaquim no Cinema da Fundação motivou parceria do Instituto de Arte e Cultura do Ceará com a Fundação Joaquim Nabuco, que coordena a reinauguração das duas salas de cinema do Dragão do Mar, em Fortaleza, fechadas há mais de um ano. Reabrem terça com novos projetores, som, poltronas e iluminação.

 

Programa

Cinema

Boa Sorte, Meu Amor / De Daniel Aragão / Com Vinicius Zinn, Christina Ubach, Maeve Jinkings. Cinema da Fundação: 17h10, 20h50. 16 anos.

Frances Ha / De Noah Baumbach / Com Greta Gerwig. Cinema da Fundação: 19h. 14 anos.

The Bling Ring: A Gangue de Hollywood / De Sofia Coppola / Com Emma Watson, Katie Chang. Cinema da Fundação: 15h20. 16 anos.

 

:: Diário de Pernambuco

Economia

Requinte até no cafezinho

Já se foi o tempo em que os consumidores que frequentavam cafeterias apostavam nos cafés tradicionais. Nos últimos anos, a popularização dos chamados cafés gourmet, produzidos com grãos de qualidade superior, e as combinações sofisticadas com a bebida estão ganhando espaço no mercado recifense. A tendência é percebida pelos empresários do setor, que veem a procura pela bebida aumentar todos os meses. Investimento e preços acessíveis são palavras-chave para se manter competitivo no mercado.
Dados da Associação Brasileira de Cafés Especiais mostram que o consumo do café gourmet cresce 15% ao ano, contra 3% dos tradicionais. Essa realidade é sentida na prática por Leonardo Lacca, um dos sócios da cafeteria Castigliani - ponto de parada obrigatório para os que frequentam o cinema da Fundaj, no Derby. “Estamos no mercado há seis anos, e a demanda no período tem sido crescente. As pessoas estão criando o hábito de consumir cafés com maior valor agregado”, diz. O estabelecimento oferece um mix de 40 cafés gourmets, dos quais o capuccino e o maltine, que custam R$ 6,50 e R$ 9,50, respectivamente, são os mais pedidos.
Ele conta que os preços acessíveis ajudam a popularizar o produto. Além disso, o investimento na qualidade, apesar de ser alto, compensa. “A diferença no preço do quilo de um bom grão para um de menor qualidade chega, em alguns casos, a 100%”, diz, enfatizando que um melhor café fideliza e atrai novos clientes, aumentando o faturamento. “É um investimento que vale muito a pena”, garante. É o que também afirma o proprietário da rede de cafeterias Delta, João Barbosa. “Os nossos grãos são importados de Portugal, o que garante um nível de café diferenciado a um bom preço”, diz. Com 16 lojas espalhadas pelo Grande Recife, o número de clientes que preferem os cafés e misturas diferenciados é grande. “Brincamos bastante com frutas, chocolate e até paçoca. As pessoas vão às cafeterias para ter uma experiência gastronômica”, acrescenta João. Ele acredita que o mercado recifense ainda está amadurecendo, e que o potencial de crescimento é alto. “O público local está criando o hábito de tomar café fora de casa. Além disso, a falta de mobilidade faz com que os estabelecimentos sirvam, em muitos casos, para alguns encontros de trabalho.” Por conta da demanda, a rede Delta vem crescendo a uma taxa de 120% nos últimos anos. Mesmo sendo uma região quente, o Nordeste tem registrado crescimento no consumo do café gourmet. “Por conta disso, percebemos que o número de baristas (profissional especializado na bebida) no Recife tem aumentado bastante”, diz a diretora de expansão da Associação Brasileira de Café e Barista (ACBB), Helga Andrade. Ela diz ainda que as preparações especiais estão mais acessíveis à população, embora alguns tipos de bebida ainda sejam caros. “Dependendo do grão, o preço da xícara de café pode chegar a R$ 30”, afirma.  O potencial turístico da região e o aumento da renda são outros fatores que impulsionam o mercado por aqui. “Essa tendência veio para ficar, já que a população está cada vez mais exigente, elevando também o padrão das cafeterias”, explica Helga Andrade.  Foi justamente por conta dessa demanda que a empresária Paula Silvestre decidiu apostar no ramo. Ela é uma das sócias-proprietárias do Café Miró, que funciona há cerca de oito meses, e conta que os clientes estão cada vez mais à procura de cafés diferenciados. No estabelecimento, a bebida é servida com doce de leite, chantilly e até uísque. Os preços variam de R$ 6,90 a R$ 7,90. “Temos vários clientes fixos, que vêm aqui até três vezes na semana. Percebemos que a demanda está crescendo muito nos últimos meses, e a expectativa é que a tendência permaneça”, comemora Paula.

 

Aurora

Comboio Universitário

Em meados do século 19, quando o conhecimento formal estava restrito aos moradores da casa-grande, os senhores de engenho enviavam seus filhos para estudar na Europa, especialmente nas universidades francesas. No século 20, as famílias mandavam seus filhos do interior para as grandes cidades brasileiras, onde era possível encontrar educação de qualidade. No início do século 21, observa-se um cenário inverso: jovens estudantes prestam vestibular para universidades do interior do país. E alguns planejam morar na região em vez de voltar para a capital depois de formados. Esse grupo ainda é minoria — no Nordeste, os que saem da capital para estudar no interior representam 10% dos alunos das universidades federais no —, mas já reflete o crescimento otimista das cidades médias e o consequente interesse que vêm despertando.
Pesquisa da consultoria Macroplan com base em dados do IBGE revela que os municípios com população entre 100 mil e 500 mil habitantes cresceram a uma taxa de 1,5% ao ano na última década, contra 1% das cidades grandes, acima de 500 mil habitantes. Entre 2002 e 2007, de cada R$ 1 produzido no Brasil, R$ 0,40 vieram desses municípios. “As cidades do interior são celeiros de oportunidades e a tendência é que cada vez mais jovens ocupem esses espaços. São municípios com muito potencial e ainda pouco explorados”, afirma Valdeci Monteiro, professor de economia na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e consultor da Ceplan, empresa especializada em economia e planejamento, com sede no Recife.
Se as perspectivas para o futuro são animadoras, o dia a dia dos estudantes que apostam no interior é marcado por desafios e exige doses superlativas de perseverança. Em Pernambuco, grupos de alunos partem diariamente de várias partes da Região Metropolitana do Recife com destino à unidade da Universidade de Pernambuco (UPE) em Nazaré da Mata, o chamado Campus Mata Norte. Às 16h50, estão a postos na Praça do Derby, no Centro do Recife, à espera do ônibus escolar. Os que moram em Olinda, Paulista ou Jaboatão já seguiram viagem há, pelo menos, 30 minutos. Do Centro do Recife até a cidade da Zona da Mata são 63 quilômetros. A grade de horário da UPE anuncia que às 18h45 os alunos devem estar nas salas de aula. Mas somente às 19h começam a despontar os primeiros ônibus na estrada de barro que dá acesso à universidade, vindos de cidades próximas no interior. Aos poucos, vão aparecendo os ônibus de cidades mais distantes, e só às 19h40, já com uma hora de atraso, fica lotado o estacionamento.
Alunos de 45 cidades vão até Nazaré para estudar todos os dias. Só do Recife e Região Metropolitana partem 15 ônibus: somam mais de 60% das matrículas. Quando chegam, após 2h de viagem, os estudantes ainda param para jantar em casas de moradores, barracas ou lanchonetes. “A gente só tem uma hora e meia de aula por dia. Das 20h às 21h30”, queixa-se Josemir Lúcio, de 27 anos, estudante do curso de letras. Faltando 15 minutos para as 22h, os motoristas começam a conduzir os ônibus e vans de volta. São todos fretados — o governo do estado disponibiliza transporte apenas para os professores (dos 65, só dois são de Nazaré). “A gente está na mão de um cartel. Cada ônibus é de uma empresa diferente e, quando uma aumenta o preço, todas aumentam. Como eles são nossa única opção, cobram o valor que querem”, reclama Elyson Diego, 21, que vai se formar neste ano em letras. Chegou na universidade avisando que uma empresas tinha acabado de aumentar de R$ 170 para R$ 200 o valor cobrado mensalmente dos estudantes.
Caso os alunos percam o transporte da volta, têm de ficar na cidade ou arrumar carona: o último ônibus de linha para o Recife sai às 20h.
A chegada na capital também é complicada, porque muitos precisam pegar outro transporte até em casa. “Às 23h, o portão do metrô fecha. Todos os dias é uma correria, e é muito comum não dar tempo”, diz Josemir. Ele segue no ônibus escolar de Nazaré até o metrô de Camaragibe, de onde parte para Afogados, onde mora. Se perde o horário do metrô, tem de pegar um ônibus para o Centro do Recife e outro para casa. “Aí só chego em casa por volta de meia-noite e meia, uma da manhã”. Josemir paga R$ 110 por mês pelo transporte até Nazaré, no ônibus da associação dos servidores da Prefeitura de Camaragibe, fora os gastos com passagens de ônibus e metrô até em casa. A bolsa-estágio que recebe (R$ 305 por mês) mal dá para cobrir as despesas. “Dou aula numa escola no Coque, porque dá para eu ir a pé ou de bicicleta. Se o estágio fosse mais longe, não conseguiria dar conta do transporte”.
O diretor do campus Mata Norte da UPE, Luís Alberto Rodrigues, informou que a possibilidade de disponibilizar ônibus para os estudantes foi descartada pela reitoria, assim como a proposta de oferecer moradia. “Entendemos que a alternativa mais viável seria o trem universitário, porque aqui já temos toda a estrutura de trilhos, mas não contamos com apoio da Transnordestina”, explica. “Não vamos construir casa do estudante porque o perfil dos nossos alunos não é compatível. A maioria prefere ir e voltar todos os dias para casa”. A universidade também não conta com cantina ou refeitório. Apesar das dificuldades, os alunos têm insistido. Na cidade e na universidade. Cerca de 60% começavam a estudar em Nazaré e solicitavam transferência para o Recife. Neste semestre, só houve dois pedidos. O cenário começou a mudar em 2007, quando os cursos tornaram-se gratuitos. Antes, ficava caro pagar a mensalidade e o transporte até a cidade. Lidyane Wanessa, 19, é uma das que apostam no potencial do município: estudante da licenciatura em matemática, alugou uma casa em Nazaré por R$ 300 mensais. “Não aguentava mais viajar todos os dias”, explica. Mais do que esse incômodo, pesou na decisão o plano de se estabelecer em Nazaré: “Adoro a cidade e quero continuar aqui quando me formar”, afirma, destacando as perspectivas profissionais: “Como sou do Recife, é mais fácil conseguir emprego: eles valorizam quem é de fora”. Posturas como a de Lydiane estão se tornando comuns, diz Valdeci Monteiro. “Nas grandes cidades, está cada vez mais difícil ingressar no mercado de trabalho, e muitos veem no interior uma alternativa. Há menos competição, inclusive no vestibular, e mais demanda”. Um dos filões a ser explorado é a própria rede de ensino. “O campus foi fundado em 1967 para formar os professores da região, mas ainda faltam profissionais”, diz o diretor da instituição. Dois oito cursos oferecidos no campus, só um não é de licencicatura.

Lares improvisados

Para chegar a Caruaru, é preciso percorrer mais que o dobro da distância até Nazaré. São 138 km do Recife até o Centro Acadêmico do Agreste, campus da Universidade Federal de Pernambuco no interior. Duas vans chegam da capital às 8h todos os dias e retornam ao meio-dia, transportando os alunos que moram na Região Metropolitana do Recife, que pagam R$ 300 por mês pelo transporte. Amanda Rocha, 19, faz parte do grupo. Estudante de design, ela mora em Jardim São Paulo, Zona Oeste da capital, e acorda às 4h30 para pegar a van na Avenida Recife às 6h. “No início, até pensei em alugar uma casa em Caruaru, mas a gente só tem duas opções de lugares para sair na cidade, e todos os meus amigos estão no Recife”, conta Amanda.
Aguinaldo Raimundo Neto, 24, colega de curso de Amanda, fez o contrário: preferiu se mudar para Caruaru em vez de encarar essa jornada diariamente. “Só consigo voltar para o Recife a cada dois meses, porque falta tempo mesmo. Aproveito os fins de semana para fazer os trabalhos da faculdade e descansar”. O estudante vive numa casa que passou a funcionar como república, num bairro central do município. No andar de baixo, cinco garotos, todos estudantes. Em cima, quatro meninas. Aguinaldo paga R$ 96 por mês para dividir o quarto com um amigo. O aluguel da casa inteira custa R$ 1.500.
Também é comum, entre os alunos da universidade, alugar quartos em casas de família. Os que comprovam condição de vulnerabilidade socioeconômica (renda familiar de até 1,5 salário mínimo) têm direito a um auxílio-moradia no valor de R$ 300 por mês. Eles podem solicitar, ainda, ajuda de custo para transporte (até R$ 170, por mês) e alimentação (R$ 273,68 por mês).
A UFPE construiu uma Casa do Estudante no campus, mas o prédio ainda não foi inaugurado. Não é suficiente para abrigar todos os alunos — tem 80 vagas e 225 alunos recebem auxílio-moradia atualmente — e fica longe de tudo. O campus está localizado numa área isolada, às margens da BR-104, sem supermercados, padarias, opções de lazer. Nem restaurante universitário há ainda. O diretor do campus, o professor Nélio Melo, informou que a reitoria está avaliando alternativas. “A gente não pode trazer a cidade para cá. O que decidimos foi adiar a inauguração da casa. O restaurante deve começar a funcionar em março”.

Uma coisa puxa a outra

Caroline Delvaz, 17, saiu de São Paulo para cursar engenharia de alimentos no campus da Universidade Federal Rural de Pernambuco em Garanhuns, no Agreste do estado. “Eu sabia que queria alguma engenharia e resolvi tentar a de alimentos. Me inscrevi pelo Sisu na universidade de Garanhuns e acabei passando. Preferi vir e começar um curso do que perder mais tempo estudando para o vestibular”, conta. Com ela, veio o namorado Bruno, webdesigner de 22 anos. Os dois dividem uma casa por trás do campus, alugada por R$ 400 mensais. Estão morando no interior desde março.
Para o estudante de medicina Severino Junior, 32 anos, recifense, também pouco importava onde iria morar. Há cinco anos tentava o vestibular para medicina, em universidades do país inteiro. Conseguiu entrar no campus da UPE em Garanhuns (a concorrência foi de 58 para uma vaga, só perdendo para o curso de direito, no Recife) e está no segundo semestre. “Passo a semana aqui e toda sexta-feira volto para casa, na Várzea”. Ele é servidor público federal e, aos sábados e domingos, trabalha como técnico de enfermagem no Hospital das Clínicas.
É comum, em Garanhuns, ver apartamentos e casas pequenas serem ocupados por estudantes. No prédio onde Severino mora, pertinho da universidade, 10 dos 15 apartamentos estão alugados para esses jovens. “Muita gente vem de fora para estudar aqui e acaba procurando lugar para morar no entornos da universidade”, diz Severino, que paga R$ 570 mensais de aluguel. “O único problema daqui de Garanhuns é que há pouquíssimas opções de entretenimento, ainda não há bares, boates ou festas suficientes”. O aspirante a médico não tem a menor ideia de onde vai morar quando se formar: “Vou para onde tiver emprego”.
Mesmo que não fixem moradia na cidade ao concluir o curso, estudantes como Severino são extremamente atraentes para cidades como Garanhuns. “São pessoas que consomem na cidade, que usufruem dos serviços, que demandam que a cidade melhore em termos de infraestrutura”, diz o economista Claudio Porto, diretor-presidente da consultoria Macroplan, especializada em análise de cenários. “Sem falar no boca a boca. Se um estudante se graduou no interior, os amigos e a família também começam a ver aí uma possibilidade. E isso só multiplica o crescimento”.
O consultor explica que as cidades do interior desenvolveram-se expressivamente na última década, como resultado da saturação das metrópoles. Quando um desses municípios sedia uma universidade, esse crescimento é ainda mais acelerado. “Acredito que, hoje, é muito melhor para uma cidade receber uma universidade do que uma fábrica. Uma fábrica, se for muito automatizada, emprega pouco. Uma universidade gera muita renda interna, atrai e forma mão de obra qualificada, que cria uma massa crítica e passa a exigir melhores condições de vida”.

 

Viver

Cinema

Boa Sorte, Meu Amor – Homem de 30 anos conhece uma estudante de música com alma de artista e passa a sentir a urgência por mudanças em sua própria vida. 16 anos. Cinema da Fundação. 17h10 (sex e dom), 20h50 (exceto seg, qua e qui), 19h (sab, ter e qui), 15h10 (qua), 18h50 (qua)

Frances Ha – Mulher de 27 anos que precisa entender que amadurecer é especialmente difícil quando você já é uma adulta. 14 anos. Cinema da Fundação. 19h (sex e dom), 15h20 (sab, ter), 17h10 (sab, qui), 17h (qua).

The Bling Ring – Jovens fazem pequenas assaltos na casa de celebridades de Hollywood. 16 anos. Cinema da Fundação. 15h20 (sex, dom e qui), 17h10 (ter), 20h40 (qua).

 

:: O Povo Online – CE

Cultura e Lazer

O cinema ao redor

A curadoria das novas salas de exibição do Centro Dragão do Mar é o mote da entrevista com Luiz Joaquim, crítico e curador do "Cinema da Fundação", em Pernambuco, em que divide o trabalho com o renomado diretor Kleber Mendonça Filho

No anúncio dos curadores das novas salas de cinema do Dragão do Mar, Salomão Santana e Pedro Azevedo, um detalhe chamou atenção: a idade dos escolhidos. O primeiro tem 28 anos e o segundo, 19. Mas, ao contrário de qualquer julgamento apressado, a "inexperiência" da curadoria não constitui um demérito, tampouco aparece por acaso.
Segundo o jornalista Luiz Joaquim, crítico e curador do cinema da Fundação Joaquim Nabuco, que respalda a nova fase das salas do Dragão, a intenção era justamente encontrar nomes jovens, com novas ideias e trânsito livre entre realizadores e público. "Dispostos a aprender, principalmente".
Os professores, ou como preferem, parceiros de curadoria dos cearenses: o próprio Luiz Joaquim e o também crítico e agora diretor Kleber Mendonça Filho, do premiado O som ao Redor. Os dois têm se destacado à frente do "Cinema da Fundação", como é conhecida a sala no Recife. Além de uma programação de qualidade, realizar um trabalho de formação crítica do público e dos interessados em cinema e servir como ponto de encontro para realizadores locais são alguns dos objetivos desse trabalho feito "a quatro cabeças". (Raphaelle Batista)

O POVO - Qual o projeto da Fundação Joaquim Nabuco para o cinema do Dragão do Mar

Luiz Joaquim - A partir de uma conversa com o Paulo Linhares, a Silvana Meireles (diretora de Memória, Educação, Cultura e Arte da Fundação Joaquim Nabuco) colocou essa parceria como um desafio pra nós dois, eu e o Kleber (Mendonça Filho). O desafio é transformar o cinema do Dragão do Mar numa espécie de espaço democrático, não só pra todos os tipos de espectadores, por um preço acessível, mas também do ponto de vista da linguagem, da estética do cinema. No Recife, a gente tem um público fiel que sabe exatamente o que vai encontrar aqui, mas também tem um público curioso que nem sabe o que está passando, ou seja, são pessoas que já assimilaram esse conceito, que ali, independente do que esteja sendo exibido, vale a pena. Tudo isso é um trabalho a ser feito, a gente vai trabalhar pra conseguir isso.

O POVO - Em que a experiência no cinema da Fundação pode ser aplicada aqui pra alcançar esse objetivo

Luiz Joaquim - O espaço aqui no Recife virou uma espécie de ponto de encontro dos realizadores, pelo menos dos realizadores mais novos. Aqui é um lugar agradável, tem um café na frente e muitas reuniões, muitos projetos bacanas do cinema pernambucano saem desse café. É um desejo da gente que se tipo de prática se reproduza no Dragão.

O POVO - Como deve ser o diálogo com os realizadores cearenses, o espaço para as produções locais

Luiz Joaquim - Assim como Pernambuco, o Ceará tem uma produção cinematográfica bastante expressiva, a nível nacional mesmo. E aqui no Recife, naturalmente, o cinema da Fundação acabou criando também uma espécie de casa, onde os realizadores gostam de lançar seus filmes, fazer a primeira exibição pública, um teste de projeção. É um trabalho que naturalmente atrai as pessoas da área porque elas querem discutir cinema. Então assim, da mesma forma que o cinema daqui é forte e o daí também, a gente deve ficar bastante atento pra essa movimentação cinematográfica que acontece aí e, uma vez que a gente perceba - a gente eu, o Kleber, o Salomão e o Pedro - que está diante de um trabalho que case com a proposta do Dragão do Mar a gente vai querer promover isso com sessões e debates. Talvez, mas não necessariamente, as segundas-feiras sejam dias-chave aí na semana pra fazer esse tipo de ação. Toda sexta uma programação nova, a princípio.

O POVO - Como foi a seleção dos curadores

Luiz Joaquim - O Salomão é uma figura que tanto eu quanto o Kleber lembrávamos, a gente conhecia razoavelmente dos festivais. O Pedro esteve aqui cobrindo o Janela (festival internacional de cinema do Recife). Eram pessoas que nós lembrávamos com um perfil mais próximo do que a gente achava interessante, que é essa coisa de serem jovens, estarem mais próximos do público e dos realizadores e poderem ser termômetros, mas também duas figuras que a gente percebe que têm um tesão mesmo por cinema. E estão dispostas a aprender, principalmente, porque tudo pra eles vai ser uma experiência nova. De qualquer forma a gente também vai aprender com eles, no fato de eles chamarem a atenção minha e a do Kleber pro que está acontecendo no Ceará, em Fortaleza e como a gente deve aproveitar esse momento pra deixar a programação mais dinâmica. Talvez esse seja o bem mais caro pra um curador de cinema: o feeling. Eu e o Kleber vamos ajudando a entender a dinâmica com os distribuidores, a maioria fica no Rio e em São Paulo, e é uma dinâmica muito específica, delicada e responsável. Vai ser uma grande experiência.

O POVO - A parceria tem prazo definido

Luiz Joaquim - Eu não sei te dizer sobre validade, mas o ideal é que tenha uma continuidade. Até porque não é um trabalho só do Recife pra Fortaleza. A gente deve ser beneficiado com esse tipo de parceria no sentido de, por exemplo, digamos que tenha uma mostra de Hitchcock, e ela é muito cara pra gente trazer. Uma vez que a gente tem o IACC (Instituto de Arte e Cultura do Ceará) como parceiro a gente pode dividir os custos e exibir nas salas daí e daqui. É um tipo de benefício que a gente pode usufruir.

O POVO - As salas do Dragão do Mar sempre foram referência em Fortaleza como espaço para o chamado "cinema de arte" ou "cinema alternativo". Como você observa esse "perfil" do cinema do Dragão e de que forma esse tipo de produção deve aparecer lá

Luiz Joaquim - Tem uma questão conceitual aí. Nem eu nem Kleber gostamos de usar esse termo, "cinema de arte" ou "alternativo", porque é preciso primeiro definir o que é arte. É um conceito muito abrangente e às vezes soa pejorativo. Tem gente que rejeita só por esse título. No caso do alternativo é complicado porque precisa das estruturas do mercado, então não é totalmente independente. No início do cinema da Fundação, em 1998, a gente ficava brigando com as distribuidoras pra conseguir filme. Tinha uma quantidade expressiva de títulos, mas as distribuidoras eram muito poucas. Hoje tem entre 15 e 20 distribuidoras dedicadas a filmes alternativos. Na verdade, a gente briga hoje pra tentar administrar a grande demanda. Tem mais distribuidoras, tem mais filmes, e as salas cresceram, mas não cresceram tanto, então é um funil muito estreito.

O POVO - Se não existe preocupação com um tipo específico de filme, qual deve ser o conceito do cinema do Dragão, então

Luiz Joaquim - A gente sempre presta atenção aos filmes que, de outro modo, não chegariam no Recife ou a Fortaleza. É o que a gente faz, no fim das contas, nesse cinema que eu nem sei como chamar, contemporâneo, clássico, mas essencialmente o contemporâneo que vem sendo produzido com tendências, temáticas e narrativas que apontam pra um futuro. É um cinema que desafia a linguagem, ou não também, mas de um modo geral é o que não é pipoca. Não é um cinema apenas para entreter. É um cinema que vai te deixar um ser humano mais sensível.

 

:: O Povo Online – CE

Cultura e Lazer

Cinema do Dragão do Mar de portas (re)abertas

O Cinema do Dragão do Mar será reaberto na próxima terça-feira. Reformado, com nova estrutura e com uma jovem curadoria. O Vida & Arte de hoje discute o que a cena cultural da cidade pode esperar do novo espaço - e também do que virá a partir dele

Numa tarde qualquer da semana passada, os jovens Salomão Santana e Pedro Azevedo pararam a correria do dia para falar sobre cinema. Desde que foram anunciados como curadores das duas salas de exibição do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC), que reabrem na próxima terça-feira, 3, o assunto nunca foi tão sério para os dois rapazes.
Não que antes fosse banal. Ao contrário, a seriedade do pensamento sobre a sétima arte, tão presente na vida deles, fez de um realizador e do outro crítico. Salomão é nome conhecido da nova geração de cineastas cearenses. Vive correndo o Brasil exibindo seus curtas. O mais recente, Alguém no futuro, estreou na última edição da Mostra de Cinema de Tiradentes.
Pedro estuda psicologia, mas não é de hoje que se dedica aos filmes. Com 19 anos, já fez o curso de Cinema e Vídeo da Casa Amarela Eusélio Oliveira, tem um cineclube e colabora com artigos na imprensa local e na internet sobre a produção contemporânea.
Agora, sobre os rapazes tímidos, que se conheciam "de raspão", pesa a responsabilidade da curadoria de duas salas de projeção das mais importantes de Fortaleza. E a expectativa dos cinéfilos sobre elas, fechadas há mais de um ano, é grande. Seja pela falta que faz um circuito de filmes alternativos numa cidade em que a opção restante é a cartela mainstream oferecida pelos shoppings, seja pela relação afetiva de muita gente que aprendeu a gostar de cinema frequentando aquele local quando ainda era Espaço Unibanco. O novo Cinema do Dragão do Mar - Fundação Joaquim Nabuco conta com a parceria da instituição pernambucana, referência na seleção de filmes de qualidade, fidelização de público e no diálogo com realizadores. O crítico de cinema Luiz Joaquim e o diretor Kleber Mendonça Filho, do aclamado O Som ao Redor, responsáveis pelo sucesso da experiência no Recife, são os mesmos incumbidos de dar novos ares às salas de Fortaleza.

Quatro cabeças

Segundo os curadores cearenses, mais que repetir o modelo do Recife, a ideia é ampliar as possibilidades das salas do Dragão. Um processo, diz Salomão, liderado por Luiz Joaquim e Kleber. Ainda assim, da definição dos filmes (veja a programação da semana de reabertura na página 5) aos horários, estratégias de divulgação, debates, tudo deve ser decidido "a quatro cabeças", conforme Luiz Joaquim. Com o passar do tempo, o objetivo é dar mais autonomia a Salomão e Pedro - escolhidos pela novidade que representam, pelo modo como enxergam o cinema e por serem termômetros da Cidade, dado o acesso que têm ao público e aos realizadores.
Entre os novos projetos, um curso para formação de críticos de cinema, a abertura das salas para testes de projeção e a gravação dos debates que depois serão disponibilizados na Internet. Para o presidente do Instituto de Arte e Cultura do Ceará (IAAC), que gere o Dragão, o novo desenho do cinema retoma o caráter de formação, criação e difusão do centro cultural. Características iniciais que, segundo ele, foram se perdendo ao longo dos anos. "A gente está trabalhando pra fazer um cinema que a Cidade vai amar", disse Paulo Linhares. Se a Cidade vai amar ou não, como aposta Linhares, ainda não é possível dizer. Mas o fato é que as novas salas trazem novidades: como a capacidade (que passa de 286 para 400 lugares, considerando os dois espaços), adaptação das cadeiras para pessoas com necessidades especiais; rampa de acesso e novos equipamentos de som e projeção. "Vão ser as melhores salas de cinema de Fortaleza, essa afirmação é fácil de fazer", gaba-se Pedro. "A estrutura é interessantíssima, agora é trabalhar", emenda Salomão.

Frances Ha
Filme de abertura
O longa de Noah Baumbach será o primeiro a ser exibido. Traz a história de uma novaiorquina que se torna aprendiz de uma companhia de dança.

Serviço
Cinema Dragão do Mar - Fundação Joaquim Nabuco
Onde: R. Dragão do Mar, 81 - Praia de Iracema
Quanto: R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia)
Venda na bilheteria e pelo ingresso.com a partir de terça-feira

 

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Dos cavalos de Moacyr

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