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30 DE AGOSTO DE 2013

Publicado: Sexta, 30 de Agosto de 2013, 09h41 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h23 | Acessos: 745

Clipagem ASCOM
Recife, 30 de agosto de 2013

 

:: Jornal do Commercio

Caderno C

Tempo de ouro para Daniel

Diretor do premiado Boa sorte, meu amor lança o filme no Recife, tem outro em pré-produção e mais um engatilhado

O cineasta pernambucano Daniel Aragão, 32 anos, vive sob o signo da urgência. No seu bunker de produção, no bairro do Parnamirim, ele pula de um andar a outro de um duplex para dar conta do lançamento de Boa sorte, meu amor, seu premiado longa-metragem de estreia, e a pré-produção de Prometo um dia deixar esta cidade, que começa a filmar no início de novembro. "Minha empresa não é minha casa. Eu é que durmo na minha empresa", confessa, candidamente.
Seu lugar preferido na Cicatrix Filmes, sua produtora, é puro charme: ele fez um upgrade na cobertura ao cobrir a piscina e transformar o local em ilha de edição, sala de projeção e de ensaio. "Como eu não consigo dissociar vida profissional da pessoal, trouxe tudo para esse apartamento", frisa. Nos dois andares abaixo, um acolhe sua vasta coleção de vinis; o outro, os funcionários da produtora.
É nele que, há várias semanas, Daniel e equipe se esfalfam para fechar o cronograma de lançamento de Boa sorte, meu amor. Na semana passada, o filme entrou em cartaz em Goiânia. Hoje, aporta no Cinema da Fundação e, nas próximas duas semanas, ganha a tela da Sessão Cinecult, no Cinemark RioMar. O cineasta tentou negociar a distribuição com uma empresa paulista, mas o acordo não o satisfez e ele partiu para a guerrilha. "Já fechamos em 22 cidades brasileiras. É um trabalho lento, mas acho que aprendemos durante o processo. É uma experiência que devemos repetir", assegura.
Boa sorte, meu amor participou de cerca de 20 festivais nacionais e internacionais e ganhou, pelo menos, dois prêmios importantes no ano passado: Melhor Filme do Júri Cinema & Gioventù do Festival de Locarno e o Candango de Melhor Direção do Festival de Brasília. "O filme circulou bem na Europa e nos Estados. Se eu tivesse mais experiência, talvez ele tivesse ido mais além. Mas, não tínhamos agente de vendas e um filme não depende só do diretor", lamenta. Daniel acredita que tem energia para fazer um filme a cada dois anos, pelo menos até completar 40. Ele explica a urgência para erigir uma sua filmografia: “Os anos em que passo parado ou esperando um edital, nessa década, valem muito. Eu tenho que aproveitar agora. Como me coloco muito nos filmes, é como se esse tempo fosse de ouro pra mim”. Prometo um dia deixar esta cidade segue o mesmo modelo de produção de Boa sorte, meu amor: além do orçamento de R$ 900 mil, o filme vai contar também com parte da mesma equipe técnica – entre eles o diretor de fotografia Pedro Sotero – e o suporte da Cicatrix, que possui um par de câmeras digitais Red. Além, é claro, do próprio conhecimento técnico de Daniel. Quando não está filmando, ele se agrega às equipes dos amigos cineastas como produtor de finalização, cuidando dos filmes até a sua primeira cópia em película, geralmente feita em Los Angeles nos laboratórios da Technicolor. “Eu não estudei em escola de cinema, mas fiz muitos cursos quando viajei para a Europa e os Estados Unidos com meus curtas. Desde 2006 que não paro e tive tempo para assimilar muitas coisas, explica. “Meu próximo filme Serpa a antítese de Boa sorte, meu amor. A personagem principal é a mulher que volta à cidade depois de um tempo ausente. Esse retorno à sociedade pernambucana traz conflitos familiares e sexistas para esse universo feminino. Ela não sabe se ainda pertence a esse lugar, só que não tem opção de se redescobrir, como se o meio social não permitisse isso. Eu me pergunto: eu seria eu mesmo se nascesse na Islândia? Não, eu acho que as pessoas mudam devido ao lugar. É uma questão de redescobrir o sentimento da cidade onde mora”, teoriza. Paralelamente aos seus projetos pessoais, Daniel está envolvido em uma produção americana, uma nova versão do filme de vampiro Martin, que foi dirigido por George A. Romero (A noite dos mortos vivos) em 1976. Na refilmagem, a história se passa numa comunidade evangélica brasileira em Los Angeles e será falado em português. “Fui contactado pelo produtor chileno Alfredo Castro e estamos apenas nas primeiras conversas. Acredito que em cinco anos o filme pode se tornar realidade”, diz.

 

Caderno C

Uma descida ao inferno

Ferino, Boa sorte, meu amor oferece um fascinante retrato da alma atormentada do ser humano

Com cerca de 10 longas-metragens produzidos ao ano, a cinematografia pernambucana se destaca pela diversidade de olhares e propostas. Apesar de saudável, essa regra nem sempre deve ser levada ao pé da letra. Sem muita explicação lógica, os filmes se relacionam entre si para além da vontade de seus autores e formam, às vezes, corpos que se correspondem. Politicamente. Socialmente. Artisticamente.
Três filmes pernambucanos, realizados no ano passado e explorados comercialmente em 2013, são irmãos siameses em toda sua extensão física. Um deles, muito visto e badalado com muita justiça, é o arrasador O som ao redor, de Kleber Mendonça Filho. Seus outros dois irmãos começam agora a serem conhecidos do grande público. O primeiro é Boa sorte, meu amor, de Daniel Aragão, que estreia nesta sexta (30/08) no Cinema da Fundação. O outro é Eles voltam, de Marcelo Lordello, ainda inédito no circuito, mas com data de estreia para muito breve.
Mas o que eles têm em comum além do fato de serem filmes pernambucanos Mesmo numa rápida olhada, os três longas capturam uma fissão, quase geológica, que marcou nossa formação política e socioeconômica. Independentemente de seus estilos, cores e ritmos, nos vemos capturados em nosso passado escravocrata e coronelista - seja no Agreste, no Sertão ou na Zona da Marta -, que tem o Recife como epicentro de séculos de diferenças. Vimos isso na milícia urbana de O som ao redor, na brancura profunda do Sertão de Boa sorte, meu amor, e na miséria das bordas da zona canavieira em Eles voltam. Boa sorte, meu amor, assim como os outros dois filmes, fogem a nomenclaturas. São filmes estranhos, incômodos, ferinos - se assemelham a pedras cheia de quinas, daquelas que cortam por todos os lados. No Festival de Brasília, quando foi exibido pela primeira vez no Brasil para uma grande plateia, o filme surgiu como um disco voador no Planalto Central. Assim como O som ao redor, Boa sorte, meu amor também é estruturado em três tempos. São filmes extremamente sonoros, musicais e sensoriais (no bom sentido da palavra). Nos dois primeiros tempos, o cineasta deixa entender que irá enveredar para uma história de amor nos tempos do cólera no Recife, uma cidade cada dia mais desfigurada pela sistemática destruição de sua memória urbana e a construção de pilastras de concreto e metal. No entanto, quando se esperava a continuidade de um romance normal, embora complicado, Daniel nos leva para uma descida aos infernos. Por meio de dois personagens jovens - que têm suas raízes no Sertão do Estado, mas que vivem no Recife -, Daniel faz de Boa sorte, meu amor um tratado etnológico sobre seres com a psique entulhada de tradição, nome e propriedade. Ensimesmado pela certeza da falência amorosa, o personagem Dirceu (Vinicius Zinn, da série Alice, da HBO) não consegue se apegar a coisas - vive num apartamento semivazio - nem a pessoas. Mas quando ele vê Maria (a beldade Christiana Ubach), uma garota de rosto angelical que vive de bicos como promotora de ponto de vendas, ele sai da inércia. Filmado em um preto e branco e expressionista em suas intenções, Boa sorte, meu amor é um fascinante retrato da alma atormentada do ser humano.

 

Caderno C

Cinema

Boa Sorte Meu Amor (BRA, 2012). De Daniel Aragão. Com Vinícius Zinn e Christina Ubach. Recife, Pernambuco. Dirceu tem 30 anos e vem de uma família aristocrata do sertão nordestino. Ele trabalha em uma empresa de demolição, ajudando nas diversas transformações que a cidade tem passado nos últimos anos. Ao encontrar Maria, ele passa a sentir a urgência por mudanças em sua própria vida. Cinema da Fundação – 17h10; 20h50. Drama. Livre.

Frances Ha (EUA, 2013). De Noah Baumbach. Com Greta Gerwig, Mickey Sumner. Frances divide um apartamento em Nova York com Sophie, sua melhor amiga. Brincalhona e com ar de quem não deseja crescer, ela recusa o convite do namorado para que more com ele justamente para não deixar Sophie sozinha. Cinema da Fundação – 19h. Comédia. 14 anos.

The Bling Ring – A Gangue de Hollywood (The bling ring, EUA, 2013). De Sofia Coppola. Com Emma Watson, Katie Chang. Cinema da Fundação – 15h20. Drama. 12 anos.

 

:: Folha de Pernambuco

Guia Folha

Roteirão

Cinema

Boa Sorte, Meu Amor / De Daniel Aragão / Com Vinicius Zinn, Christina Ubach, Maeve Jinkings. Cinema da Fundação: 17h10, 20h50 (sex, dom), 19h, 20h50 (sab, ter e qui), 15h10, 18h50 (qua).

Frances Ha / De Noah Baumbach / Com Greta Gerwig. Cinema da Fundação: 19h (sex/dom), 15h20, 17h10 (sab). 14 anos.

The Bling Ring: A Gangue de Hollywood / De Sofia Coppola / Com Emma Watson, Katie Chang. Cinema da Fundação: 15h20 (sex, dom, qui). 16 anos.

 

:: Diário de Pernambuco

Viver

À flor da pele

Chega hoje aos cinemas do Recife um dos filmes mais aguardados da novíssima safra cinematográfica pernambucana. Premiado nos festivais de Brasília e Locarno (Suíça), Boa sorte, meu amor tem um bom potencial entre o público jovem com sua linguagem pop, sem medo do exagero. O longa de Daniel Aragão é essencialmente romântico, mais preocupado com as emoções do que com o realismo (algumas cenas têm tom de fantasia). Vinicius Zinn (ator do seriado Alice, da HBO) vive  um pernambucano de 30 anos que trabalha no ramo da construção civil no Recife e sofre uma reviravolta em sua vida quando conhece a pianista vivida por Christiana Ubach, que vira sua namorada.
Um mal-entendido os leva às origens de suas famílias na paisagem do Sertão. O visual em preto & branco é impressionante e a dramaturgia aposta em diálogos estruturados como monólogos. O filme entra em cartaz no Cinema da Fundação e no RioMar.

10 motivos para ver
1 uma musa
Christiana Ubach é carioca, mas conseguiu atingir um sotaque perfeito para interpretar uma pernambucana no filme. A atriz, que foi revelada no papel da namoradinha de Fiuk em Malhação, amadureceu e tem uma presença imponente na tela, com sua beleza valorizada pela fotografia em preto & branco. Ela estará no elenco de Além do horizonte, próxima novela das 19h da Rede Globo.

2 o visual
Todas as imagens do filme, em preto & branco, são bonitas, a cada segundo. O diretor de fotografia responsável por essa plasticidade é Pedro Sotero, que também trabalhou em O som ao redor. Seu trabalho em Boa sorte, meu amor foi premiado no Hollywood Brazilian Film Festival, em Los Angeles.

3 prêmios
Boa sorte, meu amor ganhou o prêmio de melhor filme cedido pelo júri jovem do Festival de Locarno, um dos cinco principais festivais da Europa. O cineasta Daniel Aragão também venceu o Troféu Candango de Melhor Diretor no Festival de Brasília, o mais concorrido do Brasil, onde o longa-metragem também venceu na categoria de melhor som. Ao todo, 20 mostras de cinema já o exibiram.

4 Recife na tela
O filme apresenta uma visão sobre o Recife pouco abordada no cinema. São retratadas a selva de prédios dos bairros nobres, o Centro da cidade, o Parque Dona Lindu e o universo cultural dos jovens de classe média. Uma das cenas foi filmada em um show do DJ Tiësto.

5 energia pop
O filme tem uma aura pop que o diferencia da maioria das produções pernambucanas, que pode funcionar bem entre o público jovem. Isso se manifesta em elementos como a trilha sonora, a escolha do elenco, as movimentações de câmera e o perfil cultural de personagens como Johnny (interpretado pelo DJ, artista plástico e estilista Jack Mugler). O teaser teve mais de 15 mil visualizações no YouTube.

6 trilha sonora
As músicas originais feitas para o filme foram produzidas pelo alemão Jimi Tenor. Daniel Aragão já era fã do músico e fez a proposta pela internet. Há também canções de Lamont Dozier, Donny Hathaway e Jackie Wilson. Toda a trilha é de artistas estrangeiros, sem nenhum brasileiro.

7 despedida de um mestre
O cantor paulista Marku Ribas, mestre do samba rock, falecido em abril 2013, faz poderosa uma participação especial no filme, no papel de um pastor evangélico. Os músicos pernambucanos Júnior Black (cantor) e Ana Lúcia Altino (pianista) também interpretam personagens.

8 um ícone do cinema
Por causa de Boa sorte, meu amor, Carlo Mossy, nome lendário do cinema brasileiro como ator e diretor, ganhou um prêmio especial no Festival de Brasília, em homenagem ao conjunto de sua obra. Ele interpreta o pai da personagem de Christiana Ubach, um empresário que trabalha na transposição do Rio São Francisco.

9 autonomia pernambucana
Todas as etapas da produção do filme foram realizadas em Pernambuco, inclusive a finalização das cópias digitais que serão exibidas no cinema. A distribuição foi feita pela Cicatrix, empresa do próprio Daniel Aragão, que já garantiu a estreia em 16 salas de projeção em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Salvador e Porto Alegre.

10 a safra
Ao lado de Eles voltam, O som ao redor, Doméstica e Era uma vez eu, Verônica, entre outros, Boa sorte, meu amor é um dos principais representantes da histórica safra 2012-2013 do cinema pernambucano, vencedora dos principais festivais nacionais e também com boa repercussão no exterior. É um filme obrigatório para quem quiser ficar atualizado com a atual produção cinematográfica do estado.

 

Viver

Cinema

Boa Sorte, Meu Amor – Homem de 30 anos conhece uma estudante de música com alma de artista e passa a sentir a urgência por mudanças em sua própria vida. 16 anos. Cinema da Fundação. 17h10 (sex e dom), 20h50 (exceto seg, qua e qui), 19h (sab, ter e qui), 15h10 (qua), 18h50 (qua)

Frances Ha – Mulher de 27 anos que precisa entender que amadurecer é especialmente difícil quando você já é uma adulta. 14 anos. Cinema da Fundação. 19h (sex e dom), 15h20 (sab, ter), 17h10 (sab, qui), 17h (qua).

The Bling Ring – Jovens fazem pequenas assaltos na casa de celebridades de Hollywood. 16 anos. Cinema da Fundação. 15h20 (sex, dom e qui), 17h10 (ter), 20h40 (qua).

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