09 DE AGOSTO DE 2013
Clipagem ASCOM
Recife, 09 de agosto de 2013
:: Jornal do Commercio
Caderno C
Conto de fadas em P&B
Banalizados e transformados em edulcoradas histórias para criancinhas que ainda não sabem ler, os contos de fadas vez por outra ganham leituras surpreendentes. Essa vereda foi aberta com os trabalhos do psicólogo Bruno Bettelheim (a partir do ensaio Psicanálise dos contos de fadas) e da escritora inglesa Angela Carter, principalmente seu roteiro para A companhia dos lobos (The company of wolves, 1984), dirigido por Neil Jordan, em que uma adolescente Chapeuzinho Vermelho delira de febre em sonhos quase eróticos. E até Tim Burbon, já com o suporte da Disney pasmem! Vem ousando com inusitadas versões de histórias da carochinha. A produção espanhola Branca de Neve (Blancanieves, 2012), de Pablo Berger, em cartaz a partir de hoje no Cinema da Fundação, também segue essa tendência, mas vai um pouco mais além. Embalado como um velho filme silencioso em preto e branco e tela quadrada, como o francês O artista, de Michel Hazanavicius, o filme ganha fácil a adesão dos cinéfilos. No entanto, o grande diferencial de Branca de Neve é de outra ordem. Para contar a história de sua Branca de Neve, Pablo Berger apoiou-se na estética gótica, na fatalidade da música flamenca e na violência das touradas para propor uma experiência única. Com esses elementos tão próprios da cultura espanhola, o filme salta além de sua curiosidade técnica e ganha ares de tragédia os quais só as grandes obras conseguem alcançar. A trajetória de Carmen (vividas pela menina Sofía Oria e pela jovem Macarena García) é seguida a partir de quando ela fica órfã de mãe e quase sem pai. No mesmo dia, perde a mãe ao nascer e o pai, massacrado por um touro, é retirado de sua vida. Enquanto isso, Carmencita é criada pela avó (uma irreconhecível Angela Molina). Uma madrasta má, chamada Encarna (interpretada com a classe de sempre por Maribel Verdú), a manterá num porão sujo. O pai, que ela nunca vê, vive isolado de todos em uma cadeira de rodas. Como se vê, Berger não se furta em seguir caminhos conhecidos do conto de fadas: como fazer a personagem salvar-se milagrosamente da morte, marcar seu encontro com um grupo de sete anões toureiros e se transformar numa réplica do pai, até o dia que ganha uma maçã envenenada de presente. Apesar de seguir caminhos já trilhados antes de Hanazavicius, o brasileiro Renato Falcão (A festa de Margarethe, 2003) e o argentino Esteban Sapir (La antena, 2007) fizeram filmes silenciosos, Pablo Berger consegue injetar emoção e muito sentimento com um uso fantástico da fotografia, música e montagem. Sem dúvida, Branca de Neve já entrou na lista dos melhores filmes do ano.
Caderno C
Cinema
Antes da Meia-Noite (EUA, 2013). De Richard Linklater. Com Julie Delpy, Ethan Hawke, Seamus Davey-Fitzpatrick. Nove anos após os eventos de Antes do pôr-do-sol, Jesse e Celine vivem juntos em Paris, ao lado das filhas gêmeas que tiveram. Ele busca sempre manter contato com Hank, o filho adolescente que teve com a ex-esposa e que vive em Chicago com a mãe. Cinema da Fundação – 18h30.
Branca de Neve (Blancanieves, ESP, 2012). De Pablo Berger. Com Maribel Verdú, Daniel Gimenez. Cinema da Fundação – 15h; 16h40; 20h40. Drama. 10 anos.
:: Folha de Pernambuco
Programa
FUNDAÇÃO
Bela revisão de conto de fadas
É bom saber que ainda existem filmes como este “Branca de Neve” (Blancanieves, Esp., 2012), de Pablo Berger, que estreia hoje no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco. Criado a partir do homônimo conto de fadas dos Irmãos Grimm, o filme não apenas adequa a história para a realidade da Espanha do início do século 20, como apresenta ao espectador como se fosse um filme realizado naquela época. Isso significa ser um filme silencioso, com os raros diálogos aparecendo em cartelas, e imagens sempre acompanhadas por uma trilha sonora que empresta dramaticidade às situações. Detalhe é que aqui as melodias compostas por Alfonso de Vilallonga são absolutamente envolventes. Primorosas mesmo. Assim como as imagens em P&B que vemos por uma janela próprio de 100 anos atrás, com proporção 1,33:1. Na adaptação, a protagonista é a linda menina Carmencita (Sofía Oria), órfã de mãe e afastada pela madrasta má (Maribel Verdú) de seu pai (Daniel Giménez Cacho), o mais famoso toureiro de Sevilha. Uma vez adulta (na pele da radiante Macarena García), Branca de Neve é acolhida por seis anões (sim, aqui seis) de circo. Com eles descobre-se uma grande toureira assim como o pai e conquista a Espanha. Nesse mais que belo exercício estilístico, não há monstros ou efeitos digitais. Há apenas uma montagem azeitada a serviço de uma boa e inteligente situação dramática sobre as dores humanas. Elas são vividas aqui por excelentes atores banhados por uma estupenda fotografia, e embalados por uma melodia igualmente inspirada ao fundo.
Guia Folha
Roteirão
Cinema
Doméstica / De Gabriel Mascaro. Sete adolescentes assumem a missão de registrar por uma semana a sua empregada doméstica e entregar o material bruto para o diretor realizar um filme com essas imagens. O filme lança um olhar contemporâneo sobre o trabalho doméstico no ambiente familiar. Cinema da Fundação: 17h (sab) / 21h10 (ter) / 18h50 (qui). Livre.
Antes da Meia-Noite / De Richard Linklater. Com Ethan Hawke e Julie Delpy. O casal Jesse e Celine está em viagem de férias na Grécia. Cinema da Fundação: 18h30 (sex, qua) / 16h40 (dom).
Branca de Neve / De Pablo Berger / Com Maribel Verdú, Daniel Gimenez Cacho. Nova interpretação da história de Branca de Neve, ambientada na Sevilla, Espanha, dos anos 1920, e tendo como personagem principal uma jovem e bela toreadora. Cinema da Fundação: 15h, 16h40, 20h40 (sex, qua) / 15h15, 18h50, 20h40 (sab) / 15h, 18h50, 20h40 (dom) / 15h30, 17h15 (ter) / 15h15, 17h, 20h40 (qui). 14 anos.
:: Diário de Pernambuco
Viver
Cinema
Doméstica – Adolescente registrar por uma semana a sua empregada doméstica e entregar o material bruto para o diretor do filme. Antes, rola a exibição do curta Porcos Raivosos. Livre. Cinema da Fundação. 17h (sab), 21h10 (ter), 18h50 (qui).
Antes da Meia-Noite – Jesse e Celine vivem juntos em Paris com as filhas gêmeas, quando resolvem viajar à Grécia. 14 anos. Cinema da Fundação. 18h30 (sex e qua) e 16h40 (dom).
Branca de Neve – Versão sombria de Branca de Neve, ambientada na Sevilla, Espanha, dos anos 1920, e tendo como personagem principal uma jovem e bela toureira. 12 anos. Cinema da Fundação. 15h (sex e qua), 15h15 (sab), 15h30 (ter), 16h40 (sex e qua), 17h (qui), 18h50 (sab e dom), 20h40 (sex, sab e qua).
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