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11 DE JULHO DE 2013

Publicado: Quinta, 11 de Julho de 2013, 11h03 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h24 | Acessos: 870

Clipagem ASCOM
Recife, 11 de julho de 2013

 

:: Jornal do Commercio

Caderno C

Holliúdy made in Ceará

As virações de Francisgleydisson, dono de um cinema de ponta de rua, no interior do Ceará, nos anos 1970, vai matar de rir quem comparecer ao Cinema da Fundação, às 18h30 desta quinta-feira (11/07), para assistir à pré-estreia da comédia cearense Cine Holliúdy, de Halder Gomes. O filme é uma coleção de memórias do cineasta, que aprendeu a fazer cinema como dublê de lutador nos Estados Unidos. Ele gosta de fazer filmes falados na língua do povo. Em Cine Holliúdy, é preciso que o espectador leia antes um glossário de "cearensês" para entender o que os personagens falam, como ele explica nesta entrevista.

 

JORNAL DO COMMERCIO - Francisgleydisson já havia aparecido no curta que deu origem ao longa. Você conheceu alguém parecido com ele ou ele é uma mistura de muitas pessoas, inclusive você?
HALDER GOMES - Ele é uma pequena referência aos exibidores dos cineminhas que conheci na infância, na década de 1970, somado ao espírito batalhador, nômade e desenrolado dos nordestinos. É também uma metáfora do esforço e da multiplicação de funções necessárias aos realizadores brasileiros para fazerem seus filmes.
 

 

JC - A julgar pelos inúmeros prêmios e festivais internacionais em que Cine Holliúdy participou, além do fato de se tratar de uma história local e falada quase num dialeto, o filme tem uma empatia muito grande com os espectadores. Como você explica isso?
GOMES - O trailer entrou online e em poucos dias passou dos 100 mil acessos, além de uma grande expectativa, percebida nos comentários pra lá de empolgados do público. Acredito que se deve ao cansaço dos nordestinos e, particularmente, dos cearenses, de se verem nas telas sempre de forma caricata e com sotaques de uma "língua" que não é a nossa.

 

JC - Para facilitar o entendimento, o filme terá legendas em algumas partes. Tem como o espectador se preparar, lendo um glossário, por exemplo, para curtir melhor o filme? Ou isso não tem importância?
GOMES - O filme é falado em "cearensês" ou "cearês", como queiram chamar, e terá legendas em português. O glossário traz um apanhado de algumas palavras da nossa gramática, como "Ispilicute", por exemplo, que vem do inglês "She's pretty cute", que significa "bonitinha, faceira". Sim, o glossário agrega uma curtição a mais à novidade da diversidade linguística do Brasil no cinema.

 

JC - Você acha que o humor do filme reflete mais a cultura de seu Estado ou de um momento do passado, os anos 1970?

GOMES - Reflete a cearensidade muito em voga e motivo de orgulho no momento, somado ao nosso senso de humor aguçado, assim como o resgate das divertidas e imprevisíveis sessões de cinema da época, no interior do Ceará.

 

JC - Cine Holliúdy traz também uma vasta seleção de músicas dos anos 1970, quando a música brega viveu seu apogeu no País. Quais os cantores que estão presentes no filme?

 GOMES - Esta é uma grande homenagem que quis fazer no filme. Sou fã desses cantores e os escuto até hoje, todo dia. Inclusive, o Márcio Greyck faz uma participação especial, numa cena em que o texto é todo composto com nomes de músicas dele. E na trilha estão clássicos do Odair José, Zé Ribeiro e Fernando Mendes.

 

JC- Você faz um cinema bastante popular, que trafega entre vários gêneros, da comédia à ação, do terror ao drama. Qual foi a sua formação e como você se tornou cineasta?

GOMES - Sou formado em administração de empresas e pós-graduado em marketing (ambas pela Universidade de Fortaleza Unifor) e tive uma longa carreira nas artes marciais tae kwon do como mestre, atleta, proprietário de academia, etc... A arte marcial abriu minhas portas no cinema, na década de 1990, nos Estados Unidos, quando fiz trabalhos de stunt fighter (dublê de lutador). Minha formação em administração de empresas casou perfeito com a complexidade administrativa que é fazer cinema. Além disso, participei de inúmeras produções internacionais na área de produção. Tive uma formação prática e autodidata, além da oportunidade de ter trabalhando com grandes profissionais em diversas áreas e em diversas funções.

 

JC - Como você vê a cena cinematográfica do Ceará neste momento. Ao contrário do Recife, o cinema daí convive com filmes comerciais e uma produção mais experimental, como a do grupo Alumbramento. Vocês conseguem se relacionar ou é cada um no seu quadrado?

GOMES - O Ceará vive um momento criativo muito fértil, maduro, apesar da total falta de investimento e políticas públicas de audiovisual. Temos diversas gerações produzindo e lançando seus conteúdos nas formas apropriadas. Eu, particularmente, me relaciono muito bem com todo mundo. Tenho muita admiração por qualquer um que tem a coragem de fazer um filme.

 

JC - Você tem mantido parte de sua carreira nos Estados Unidos e parte no Brasil. Onde você se sente melhor?

GOMES - Gosto muito de filmar as histórias que fazem parte do meu quintal. Mas me sinto muito bem nos Estados Unidos. Adoro estar em Los Angeles e respirar cinema e sempre aprender um pouco mais por lá. Hoje, estou muito mais focado nos projetos no Brasil, no Ceará, especialmente.

 

JC - Quais são seus projetos pro futuro?

GOMES - Tenho um projeto autoral, Vermelho Monet!, Aprovado na Ancine. É um drama sobre um pintor clássico no fim da vida que não conseguiu um reconhecimento artístico frente ao pós-moderno. A pintura é uma grande paixão que pretendo levar às telas. Tenho outro projeto, que dialoga com o Cine Holliúdy, uma comédia de ação que estou desenvolvendo com a Downtown Filmes. O titulo provisório é O kickboxer do Sertão e remete à década de 1970 e aos desafios de lutadores profissionais nas pequenas cidades do interior.

 

Caderno C

Safra pernambucana também em cartaz

O cinema pernambucano também brilha hoje no Cinema da Fundação. Na primeira sessão, às 16h20, reprise de Filme Jardim Atlântico, de Jura Capela, que faz uma ponte bastante interessante entre a música brasileira e o cinema udigrúdi carioca dos anos 1970. Trilha sonora com Ava Rocha, filha de Glauber, e Céu, cantando Aquarela do Brasil. Vale apena ver de novo. No final da noite, às 20h50, tem a pré-estreia de Rio Doce/CDU, de Adelina Pontual. Exibido pela primeira vez no Cine PE, o documentário de Adelina promoveu a melhor noite do festival. Quem conhece o trajeto da linha vai se ficar maravilhado com a sacada da cineasta. Ela e seus principais colaboradores o diretor de fotografia Beto Martins, o montador João Maria e o músico DJ Dolores transformaram um tema trivial como uma viagem de ônibus em música para os olhos e o coração. No final, debate com Adelina. No próximo mês, Rio Doce/CDU representa o Brasil no IX Festival Internacional de Cine Independiente de Mar del Plata, na Argentina.

 

Caderno C

Cinema

Cine Holliúdy (BRA, 2012) De Halder Gomes. Com: Angeles Woo, Ary Sherlock e Falcão. Em plena década de 1970, a TV começa a chegar em massa no interior do Ceará. Processo, este, que começou a colocar em risco a popularidade das salas de cinema. Mas um herói, chamado Francisgleydisson, resolve lutar contra o domínio televiso. Cinema da Fundação – 18h30. Comédia.

Filme Jardim Atlântico (BRA, 2012) De Jura Capela. Com Sylvia Prado, Fransérgio Araújo e Mariano Mattos Martins. O filme é um musical criado a partir da história de Pierre e Syl, um casal em conflito no duelo entre posse e liberdade de um relacionamento conturbado. Cinema da Fundação – 16h20. Ficção. 14 anos.

Rio Doce/CDU (BRA, 2012) De Adelina Pontual. Os Mais de 30 quilômetros do percurso que ligam o bairro de Rio Doce, em Olinda, até a Cidade Universitária, no Recife, são traçados pelo coletivo que dá título ao filme. Cinema da Fundação – 20h50. Documentário. Livre.

 

:: Folha de Pernambuco

Programa

Um filme “joiado”, à La Holliúdy

A programação da mostra de 15 anos do Cinema da Fundação Joaquim Nabuco reserva para a sessão das 18h30 de hoje uma pérola do humor e da provocação. A provocação começa já no título do filme - “Cine Holliúdy” (escrito assim mesmo). Nele, o diretor cearense Halder Gomes nos brinda com uma história de amor pelo cinema. O herói é Francisgleydisson (Edmilson Filho) que, no interior do Ceará dos anos 1970, sonha em montar seu próprio cinema para exibir filmes de Kung-Fu. Recheando este enredo, Halder - que vem hoje ao Recife para um debate com o público após a sessão - nos apresenta, com a graça do linguajar “cearencês”, que de tão cifrado, em alguns momentos é necessário o auxílio de legendas. Muito mais do que uma divertida peça de curiosidade, “Cine Holliúdy” denota a competência de Halder como cineasta. Ex-lutador de artes marciais, Halder trabalhou como dublê em Hollywood. Daí a paixão pelo cinema não cessou. Começou dirigindo o longa metragem “Sunland Heat” (2004), depois rodou nos EUA o terror “The Morgue” (2008), e de volta ao Brasil produziu “Bezerra de Menezes: O Diário de Um Espírito” (2008) e “Área Q” (2012), além de ter codirigido “As Mães de Chico Xavier” (2011). Isso sem contar seus curtas metragens, que rodaram mais de 50 países.

 

Antes deste filme você dirigiu três longas-metragens: um de ação, um suspense e um drama. Mas podemos dizer que “Holliúdy” é seu projeto mais pessoal?

É o mais autoral. É aquele que mais traz identificação com minha vida. Por ser um longa, pude inserir muitas das coisas das quais tenho um interesse particular. A vida no interior, os filmes de arte marciais, o futebol e meu senso de humor. Mas há também outras referências mais subliminares, com relação a pintores barrocos, seja pela cor, seja pelo enquadramento. A própria trilha sonora reflete os cantores por quais tenho paixão, como Márcio Greyck, Paulo Sérgio, Diana. São ícones de nossa música que eu escuto. Eu tive total liberdade de criação. É raro fazer um filme assim. A limitação do orçamento não me impediu de contar o que eu queria contar, apenas precisei me adequar a ela.

 

E a ideia de pôr legendas para traduzir o “cearencês”?

Amplificamos o regionalismo. Mas o filme deve e pode circular em qualquer lugar. Se os diálogos soam estrangeiro para alguns, aí é só ir pra legenda.

 

Como surgiu a ideia para criar Francisgleydisson?

No Ceará o povo tem essa coisa de juntar três nomes em um só. Eu sempre lia o nome das pessoas no resultado do vestibular. E me divertia. Como construção do personagem, ele é um pouco um alter ego. Assim como ele, eu tenho de fazer muitas coisas ao mesmo tempo. No cinema então, eu sou diretor, produtor, finalizador. E faço por necessidade. O universo não colocou nada na mão do Francisgleydisson. E mesmo assim o cara se safa, é um desenrolado. Para ele não tem tempo ruim.

 

Em que lugares o filme já foi exibido. E como foi a reação no exterior?

Primeiro no Cine Ceará de 2012, depois passou no Festival de Brasília, no Festival do Rio, Mostra de SP e na Mostra de Ouro Preto. No exterior em Bangcoque, em Lisboa e em Los Angeles. Percebo que independe do lugar onde ele passa, o público embarca na história. Isso por conta da linguagem do cinema. Independente do lugar, o humor funciona. Mas em alguns lugares, funciona menos que em outros. Pelo drama é mais fácil conquistar, pois algumas chaves fazem você chorar em qualquer lugar. “Holliúdy” vai mais de acordo com a classe social da plateia do que com sua posição geográfica. Na Mostra de SP, por exemplo, com seu público de cinéfilos, eles riram muito num momento que não provocou tanto riso no Cine Ceará.

 

Cine Holliúdy encontrou preconceitos em função do “cearensês”? Como vendeu o projeto para ganhar distribuição nacional?

Olha, tenho formação em administração e pós-graduação em marketing. Aqui eu visei um nicho. Tive um laboratório muito interessante que foi meu curta-metragem - “Os Astista contra o Caba do Mal” [escreve assim mesmo]. Com ele tive a oportunidade de correr o mundo. No longa-metragem, eu sabia que encontraria barreiras para que entendessem a universalidade de nosso regionalismo. Mas eu tinha um plano de mercado e encontrei Bruno Wainer [da distribuidora Downtown], cujo olhar é apurado para o mercado. Eles abraçaram o projeto como um “case”. Talvez estejamos abrindo um novo nicho, que é o do mercado regional.

 

Como vai funcionar a distribuição nacional?

Primeiro vamos estrear o filme no Ceará [9 de agosto], e depois no Norte/Nordeste, até ir avançando nos outros estados. Se lançamos aberto [nacionalmente], o risco é maior. Aqui no Ceará tenho como mobilizar o público, daí podemos chegar aos outros lugares como um fenômeno local e diminuir os riscos.

 

Como definiria a situação atual do setor audiovisual no Ceará?

Hoje os realizadores vivem um momento único. Tem muita gente boa aqui. Das mais distintas gerações, criando conteúdos diversos e conseguindo entrar tanto em festivais como no circuito comercial. O que acontece é um contraponto ao que o nosso Estado investe no audiovisual. O Ceará come mosca e não enxerga os lugares onde o cinema pode chegar e vender a imagem do Estado. A visão que o governo de vocês [de Pernambuco] tem sobre isso, faz do governo do Ceará um míope. É uma pena, pois podíamos estar indo ainda mais longe.

 

Programa

Cinema

Filme Jardim Atlântico / De Jura Capela. Com Sylvia Prado, Fransérgio Araújo e Mariano Mattos Martins. O filme é uma narrativa criada a partir da história de Pierre e Syl, um casal em conflito no duelo entre posse e liberdade de um relacionamento conturbado. Pierre PE inseguro e ciumento, enquanto Syl nem imagina o que o convívio com outros amigos pode provocar no emocional do namorado - e o quanto isso poderá afetá-la de forma trágica. Cinema da Fundação: 16h20. 18 anos.

Cine Holliúdy / De Halder Gomes. Com: Angeles Woo, Ary Sherlock, Falcão, Fernanda Callou, Fiorella Mattheis, Roberto Bomtempo. No filme acompanhamos a chegada em massa da TV no interior do Ceará. É a década de 1970, que colocou em risco as salas de cinema da região. Mas um herói, chamado Francisgleydisson, resolve lutar contra o domínio televiso. Suas armas: criatividade e muito bom-humor. Cinema da Fundação: 18h30. Livre. (Sessão seguida de debate com o diretor).

Rio Doce/CDU / De Adelina Pontual. Os mais de 30 quilômetros do percurso que ligam o bairro de Rio Doce, em Olinda, até a Cidade Universitária, no Recife, são traçados pelo coletivo que dá título ao filme. Mais que uma paisagem geográfica, as imagens apresentam a rica paisagem humana. Cinema da Fundação: 20h50. Livre. (Sessão seguida de debate com a diretora).

 

:: Diário de Pernambuco

Vida Urbana

Secretaria vai assumir gestão

Além do Mercado de São José, os centros comerciais da Boa Vista, Madalena, Encruzilhada e Casa Amarela devem ser revitalizados até julho de 2014 e serão geridos pela Secretaria de Turismo e Lazer do Recife. Os demais continuam sob a gestão da Companhia de Serviços Urbanos (CSURB). A meta da prefeitura é aumentar o atrativo turístico para a Copa do Mundo.
“O edital para esse projeto ainda será lançado. Esperamos que isso aconteça até a última semana deste mês para estarmos com o diagnóstico em mãos até agosto. As intervenções devem começar em outubro”, adiantou o secretário Felipe Carreras. A transformação dos mercados incluirá melhorias físicas, iluminação, limpeza dos banheiros, ordenação do entorno e a adoção de um novo modelo de gestão.
O primeiro mercado a passar pela requalificação deve ser o da Boa Vista. “O objetivo é mudá-lo até janeiro do próximo ano. Com isso, teremos um projeto modelo para aplicar aos demais”, afirmou Carreras. O Mercado de São José, inaugurado em 1875, deve ser o segundo a passar pela transformação. “Ele também é uma de nossas prioridades, pois é o mais antigo. O entorno do mercado é o maior impasse, pois muitos ambulantes sobrevivem do que vendem lá. Precisaremos reordenar os arredores do mercado pensando em colocar os vendedores em outro local”, afirmou o secretário.

Saiba mais

* A construção do Mercado de São José foi aprovada em 1871 pela Câmara Municipal do Recife

* O centro foi inaugurado em 7 de setembro de 1875, pelo governador Joaquim Graciliano

* A festa de inauguração começou às 11h e só terminou às 22h

* O projeto arquitetônico é do francês Louis Vauthier

* A estrutura foi importada da Inglaterra, França e Portugal

* Foram 576 toneladas de ferro fundido, batido e laminado

* 384 pedras de mármore também estavam entre os materiais

* O mercado comporta 545 boxes numa área de 3.541 m2

Fontes: Fundação Joaquim Nabuco e historiador Sinesio Nascimento

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