21 DE JUNHO DE 2013
Clipagem ASCOM
Recife, 21 de junho de 2013
:: Jornal do Commercio
Não houve noticias sobre a Fundaj.
:: Folha de Pernambuco
Programa
EXPLOITATION
Fechando a 1º Recife Exploitation, que acontece às 19h com entrada franca na Sala João Cardoso Ayres (Rua Henrique Dias, 609), será exibido (em DVD) o radical “Banquete de Sangue” (Blood Feast, 1963), de Herschell Gordon Lewis. No enredo, um psicopata e serial killer chamado Fuad Ramses, adorador da antiga princesa egípcia Ishtar, a Mãe das Trevas, tenta revivê-la através de um culto ofertado com o sangue e vísceras cozidos de jovens garotas.
:: Diário de Pernambuco
Viver
Este livro dá uma peça
Adaptações de obras para o teatro renovam o fôlego das histórias e estimulam releituras das obras
Assistir a uma peça de teatro e ler um livro são experiências diferentes, mesmo quando a história contada é idêntica. O tempo no palco é curto, o espaço é tridimensional, os diálogos estão mais presentes, o drama ou a tragédia podem ser testemunhados, ao invés de imaginados. Diante do público, ao vivo, também há espaço para improviso e experimentação na estética e na linguagem. Quando adaptou o romance Em nome do desejo, de João Silvério Trevisan, o encenador Antônio Edson Cadengue conta que buscou a “interseção do literário com o teatral”.
Em determinado momento, exemplifica, o narrador (Ticão) acompanhava a própria trajetória quando jovem (Tiquinho, interpretado por outro ator), desde a descoberta da sexualidade até a perda do ser amado. “No livro, o garoto corria para o sótão do seminário e chorava. Na peça, depois de narrar o próprio desespero, Ticão toma nos braços o ator mais novo, que está nu, deitado no chão. Ele acolhe a si mesmo”. Para Cadengue, qualquer obra pode ser traduzida para outras linguagens, sempre em busca de novos diálogos ou até de polêmicas. A experiência é positiva também para quem tem o livro adaptado. Quando foi procurado pelo ator João Ricardo Oliveira para levar aos palcos a história de Roliúde, o escritor Homero Fonseca autorizou e deu carta branca. “Foi mais de um ano de trabalho no texto. Quando vi a peça encenada, achei excelente, pois ele captou totalmente o espírito do personagem, um contador de filmes”, relembra o autor. “Obviamente a peça tem vida própria. É outra obra. Mas a referência original foi muito feliz, respondendo à essência do livro. É aí que está o sucesso”. As adaptações para o teatro podem renovar o fôlego das obras literárias, impulsionar as vendas e até estimular novas edições. Assim, ao invés de esperar o interesse de algum dramaturgo, o jornalista e escritor Adriano Portela resolveu transformar em peça o próprio livro, A última volta do ponteiro (2011). Na história, a personagem principal busca desvendar mistérios que permeiam a vida da mãe, uma atriz de sucesso que teve a carreira interrompida. No meio do caminho, ela descobre que o próprio pai assassinou seu avô. Com estreia prevista para setembro, o espetáculo terá o mesmo nome do livro, e também vai se passar no Recife, em Ouro Preto (Minas Gerais) e Florença (Itália). “Uso projeto cenográfico desses lugares e também projeções em vídeo para criar o clima de suspense para a resolução do crime, como se fosse um cinema dentro do teatro”, conta Adriano Portela. “Precisei cortar um núcleo inteiro de personagens. Em relação à linguagem, o trabalho foi transformar a prosa em diálogo direto”. Adriano diz que a peça terá vida própria. Quando escrevi o romance, pensei eles totalmente diferentes, plasticamente e psicologicamente”. Após a estreia no Recife, A última volta segue por Caruaru, Garanhuns, Triunfo, Arcoverde e Petrolina. Em seguida, ele tem planos ainda mais ambiciosos: levar o romance para o cinema. “Seria legal se fosse adaptado com direção de figuras como Camilo Cavalcanti e Kléber Mendonça Filho”.
Entrevista >> Cadengue
O fato de ser diferente é bom caminho
O que levar em consideração na hora de adaptar?
Fiz algumas adaptações, como O romance da inconfidência, de Cecília Meireles, O alienista, de Machado de Assis, e Em nome do desejo, de João Silvério Trevisan. Busquei o que considerava de mais relevante do ponto de vista da teatralidade, friccionar o que é literário com o que é teatral. São elementos próprios do teatro que caracterizam as relações entre ator e personagem, tempo e espaço. O teatro é tridimensional, diferentemente do livro. São características para ficar atento.
Existem critérios para um livro ser adaptado ou não?
Qualquer obra pode passar por todas as linguagens. É sempre bacana experimentar e ver o que pode dialogar ou suscitar polêmicas. Às vezes, para o leitor, é inviável pensar o romance levado ao palco, pois ele faz uma imagem muito pessoal do personagem. Quando alguém lê Dom Casmurro, tem uma ideia muito própria, e quando vê a adaptação talvez não enxergue o que ele havia imaginado. Mas o fato de a peça ser diferente do que você leu, é um bom caminho. É outra coisa, outra linguagem e dimensão estética.
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