03 DE MAIO DE 2013
Clipagem ASCOM
Recife, 03 de maio de 2013
:: Jornal do Commercio
Opinião JC
Índice sócio-cultural
Gilberto Freyre, em seu ensaio Oh de casa!, Observou, como traço que distinguia o ser brasileiro, a maneira de morar, com o ritual linguístico que precedia a entrada na casa: ô de casa respondido por ô de fora!. O momento se particularizava no jogo verbal: voz de dentro e voz de fora. A saudação é impensável e impossível hoje. A impessoalidade e o isolamento dos altos edifícios que compõem nossa paisagem urbana atual é um índice da cultura do individualismo que se instaurou entre nós. A arquitetura faz parte da cultura de um povo, testemunha escolhas, gosto estético, hábitos cotidianos. As ruínas de Pompéia, as pirâmides egípcias ou as ruínas das citânias de Portugal são índices de formas de viver. Também a casa brasileira conta sua história e define o homem que a constrói e habita. Os edifícios na sua uniformidade, com restrição de espaços verdes, substituíram casarões com quintais. Para conhecer a alma do povo, seus tabus e preconceitos, a observação do cenário urbano rasga véus e desvenda realidades cotidianas, mas despercebidas. Uma das coisas a observar é o quase óbvio: o quarto de empregada é o resquício da senzala nos apartamentos. São obviedades que nem percebemos. Essa dependência já é peça de museu no resto do mundo. Kleber Mendonça, cineasta premiado, observou o fato no seu filme Recife Frio. Agora, com a nova lei, como será? A casa é a expressão do homem, para sobrevivência e reprodução, dando-lhe sua marca cultural. A linguagem silenciosa da arquitetura expressa suas múltiplas determinações como unidade espacial e social. Já assinalava Vauthier, o arquiteto do Sta. Isabel, que essa identificação social se dava pela moradia: O sobrado significa a aristocracia e a casa térrea, a plebe. Habitar o sobrado é o objetivo de ambições e a condição de posições sociais. Há uma separação marcada. Ainda, segundo Vauthier, na arquitetura doméstica, os costumes são o espírito que engendra, a alma que dá forma à matéria. A função determina a forma espacial, na história trivial diária da cidade, tecida e vislumbrada nas linhas e entrelinhas, lidas e vistas em casas antigas de Casa Forte ou do Poço, com quartos para criados nos quintais ou nos sótãos dos sobrados remanescentes. Uma reflexão sobre nossa realidade social, partindo do que existe de mais concreto e estável, a casa como objeto físico, revela o que existe de mais abstrato e instável: o relacionamento humano.
Caderno C
Boa Mesa
A bebida que o recifense adora
DUFFTOWN (Escócia) - Em Pernambuco, a cana-de-açúcar colhida no campo distribui suas benesses aos seres humanos, do caldo ao bagaço. Num outro ponto extremo do mapa, na cidade escocesa de Dufftown, praticamente traçando uma linha reta que cruza nosso oceano em direção ao Atlântico Norte, com vista para a Islândia e a Groelândia, um outro vegetal, a cevada, é usado com o mesmo propósito: dele extrair alimento para homens e animais, fertilizar o solo, criar combustível, para máquinas e almas. A cachaça pernambucana e o uísque escocês deram um insuspeitado abraço que cobriu esta longa distância mais de 7,6 mil quilômetros quando os ingleses apresentaram a obra-prima escocesa aos nascidos na terra dos altos coqueiros. A bebida estrangeira encontrou referência no paladar local: ambas eram destiladas em alambiques e observavam o processo de ver o açúcar se transformar em álcool pela ação de leveduras. Acqua vitae, água da vida, eau de vie, água ardente e uisge beatha (em gaélico escocês) são sinônimos que definem uma solução aquosa com alto teor de etanol que, se consumidas com moderação, amenizam a perspectiva sombria de que a vida é sempre dura. Um sentimento que o ator norte-americano Humphrey Bogart (1889-1957) expressou tão bem ao dizer que era sempre melhor estar duas doses acima do resto da humanidade. Bogart, aliás, era a epítome de masculinidade do seu tempo, localizado entre as duas grandes guerras: cosmopolita, durão, desejável, corajoso, casualmente refinado. Uma construção identitária que pode ter encontrado eco entre a elite masculina pernambucana daquela época. Afinal, embora a cachaça fosse produto nosso, ela trazia arraigado o estigma de bebida de pobre, de escravos, tomada, sim, pelos senhores de engenhos, agradando aos seus paladares, mas que foi alegremente substituída por um sucedâneo europeu, o líquido dourado produzido nas frias paisagens escocesas, trazido pelos súditos da rainha, no início do século 19, quando aqui vieram trabalhar.Não era fácil colocar a mão em uma daquelas garrafas. A importação era precária e seu consumo limitado àqueles que tinham o bolso mais recheado. Os ingleses que aqui vieram trabalhar em empresas como Western Telegraph, a Pernambuco Tramways and Power Company e a Western of Brazil Railway Company não eram altos executivos, por isso o uísque era tomado em ocasiões especiais. No cotidiano, a preferência recaía em bebidas como o gim misturado a bitters e a cerveja, lembra o médico e memorialista Rostand Paraíso, autor do livro Esses ingleses, um relato revelador sobre presença inglesa no Recife, tendo como palco central o The British Country Club, ponto de socialização, primeiramente, entre os cidadãos britânicos e, mais à frente, com a comunidade local. Ficou famosa, no Country, a brincadeira em torno da placa (ainda hoje lá) que trazia as letras WYBMADI’TY. Os curiosos que queriam saber o significado eram instados a pagarem um drinque aos estrangeiros para obterem a resposta, que nada mais era do que as iniciais, em inglês Quando você me comprar um drinque eu lhe conto Os ingleses exerceram grande influência em Pernambuco, particularmente em sua capital, lembra a pesquisadora Semira Adler Vainsenche, em artigo escrito para a Fundação Joaquim Nabuco. Desde a inclusão de vocábulos (suéter, bife, vagão, rosbife, blefe e flerte), passando pela moda com o uso do tecido tropical inglês e do linho diagonal branco o Taylor & 120, sem esquecer do amor pelo futebol. De tal modo o hábito de tomar uísque ficou arraigado entre a oligarquia masculina pernambucana que os efeitos dessa paixão são sentidos até hoje. Há 20 anos, não era comum encontrar à mesa de refeição uma garrafa de vinho fazendo par com as iguarias servidas. Bebia-se uísque, do começo ao fim do processo, ritual que prosseguia noite adentro, bem depois de cruzados os talheres. Era tempo de mulheres de um lado da mesa, homens, de outro. O pernambucano desenvolveu rituais específicos para celebrar o consumo de uma bebida que, quando decodificado, podia ser traduzido como detentor de status. Ao terminar uma garrafa inteira, eles a deitavam na mesa, colocando-a para dormir, enquanto pediam outra ao garçom, que não deveria recolher a anterior. Era para ser exibida. Se hoje muito do panorama anterior sofreu alterações, algumas coisas seguem sendo como antes. Embora o vinho tenha laboriosamente granjeado seu espaço junto à comida e o tenha feito de forma a abranger os gêneros masculino e feminino e ainda que a cachaça, de uns anos para cá, tenha se empenhado em assegurar seu orgulho nativista, saindo do limbo de bebida marginalizada e sem finesse, agregando valor à sua manufatura, o uísque ainda fala grosso entre os pernambucanos. Segundo a publicação inglesa The Whisky Magazine, Recife é a cidade que detém o maior consumo de uísque per capita em todo o mundo, o que nem todos sabem é que por trás de cada gole on the rocks ou com água de coco esconde-se uma história de empreendedorismo, de conversas homem a homem e, sobretudo, de DNA, uma linguagem perfeitamente familiar ao pernambucano.
Velhos Hábitos
Possivelmente, quando um dos ingleses abriu seu bar pessoal para apresentar aos recifenses a versão escocesa da água da vida, a marca Grant’s devia estar entre elas. Tal suposição encontra raízes na própria história da companhia, uma das primeiras a desbravar as fronteiras do Reino Unido em busca de novos mercados. Antes disso, porém, muita água do Rio Fiddich rolou sob as pontes construídas na cidade de Dufftown, berço de William Grant e sua descendência sete filhos e duas filhas, que conseguiram manter o controle da companhia em laços estritamente familiares, diferentemente do que se observa na região, quando muitas marcas ali nascidas foram incorporadas por grandes grupos, com inúmeras ramificações. O número 52 da Conval Street ainda hoje é exibido como um ponto turístico em Dufftown, que se orgulha de ostentar a placa com os dizeres A capital mundial do whisky. Foi lá, numa casa simples, que W. Grant nasceu e viveu parte de sua vida como pastor e sapateiro. Até encontrar o emprego que mudaria a sua vida.
Caderno C
Rápidas
Curso revê a história do cinema local
Os interessados em participar do curso História do Cinema Pernambucano têm até hoje para se inscrever. Quem quiser pode mandar um breve currículo e uma carta de intenção para o e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. Ao todo são 50 vagas gratuitas. A carga horária do curso é de 50 horas/aula e a duração de três semanas, de segunda a sexta-feira, no horário das 19h às 22h, na Sala João Cardoso Ayres, na Fundaj do Derby. No programa das aulas constam os ciclos e movimentos da produção cinematográfica local, seguindo sua linha do tempo, pontuando fases, conquistas, cineastas e gêneros cinematográficos e mostrando sua importância até os dias atuais.
:: Folha de Pernambuco
Programa
Aula para entender o cinema pernambucano
Curso faz radiografia completa dos 90 anos do cinema regional
Com o formato de um curso de extensão, a oportunidade é interessante para quem deseja complementar sua formação cultural/profissional. A promoção do curso é da Andréa Mota Produção e Comunicação, com recurso aprovado pelo Fundo de Incentivo à Cultura (Funcultura), apoio da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), do Centro de Atitudes e da Eixo Audiovisual. As aulas acontecem entre às 19h e 22h na sala João Cardoso Ayres, Fundaj (Derby). Para à vaga, o interessado deve enviar o currículo e uma da carta de intenções para o e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..
Programa
Festival
Varilux começa hoje em novo endereço
Uma das mostras de cinema mais esperadas no Recife, o Festival Varilux do Cinema Francês, acontece em novo endereço. De hoje até quinta-feira, o Varilux acontece no UCI/Kinoplex do Shopping Recife, exibindo 15 filmes inéditos do país europeu. A mudança de endereço, o Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, onde aconteceu desde a primeira edição, deu-se em função da antecipação do evento para o mês de maio, período em que a Fundaj programou recesso para readequação da cabine de projeção.
Entre os títulos de destaque da mostra neste ano aparecem “Pedalando com Molière”, do diretor Philippe Le Guay, “A datilógrafa”, de Régis Roinsard, “O homem que ri” de Jean-Pierre Améris, com Gérard Depardieu, e o drama “Adeus, Minha Rainha”, de Benoît Jacquot, com a bela Léa Seydoux, uma das maiores revelações do cinema francês atual, cujo currículo está filmes como “Meia-Noite em Paris”, “Bastardos Inglórios” e “Missão Impossível: Protocolo Fantasma”.
Um diferencial dessa edição é que o evento será dividido em duas fases, de hoje até dia 9 de maio em algumas cidades, e de 10 a 16 em outras, totalizando 45 cidades no Brasil. A expectativa é que neste ano sejam alcançados 100 mil espectadores. Quem realiza o Varilux é a empresa Bonfilm, sendo patrocinado pela multinacional francesa Essilor/Varilux, com apoio da Aliança Francesa e Consulado Geral da França.
:: Diário de Pernambuco
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