12 DE ABRIL DE 2013
Clipagem ASCOM
Recife, 12 de abril de 2013
:: Jornal do Commercio
Caderno C
A pior forma de viver
Uma das maiores formas de violência da sociedade moderna, o bullying tornou-se uma epidemia generalizada em todos os países. De acordo com uma pesquisa divulgada pelo documentário Bullying (2011), de Lee Hirsch, mais de 13 milhões de crianças americanas são vítimas da prática a cada ano. Premiado no Festival de Sundance e já exibido em algumas capitais brasileiras, o documentário permanece inédito no Recife. No ano passado, o Festival de Cannes premiou o jovem cineasta mexicano Michel Franco com a Cámera d´Or pelo longa-metragem de ficção Depois de Lucía (Despues de Lucía, 2012), cujo tema também é o bullying. O filme, que entra em cartaz hoje no Cinema da Fundação, merece ser visto sem ressalvas, principalmente pelo tratamento sem concessão que o realizador imprime ao espinhoso assunto. Se nas sociedades ditas de primeiro mundo a violência entre crianças e adolescentes é assustadora, o que dizer então de países mais pobres, como o México, que vive às voltas com problemas insolúveis ligados ao tráfico de drogas e à prostituição? A resposta não poderia ser menos do que a que está impressa em Depois de Lucía, um estudo preciso e angustiante de como a violência é uma espiral sem fim, que atinge a todos e a tudo sem exceção. Com pinta de cineasta em plena maturidade, Michel Franco conta uma história a princípio muito comum. Seis meses após perder a mulher (Lucía) em um acidente, o chefe de cozinha Roberto (Hernán Mendoza) e a filha adolescente Alejandra (Tessa Ia) mudam-se da tranquila Vallarta para reiniciar a vida na Cidade do México. Apesar da impaciência dele com os empregados do novo trabalho e dos acessos de choro quando está sozinho, aparentemente tudo se encaminha bem. Para Alejandra, que supera a perda da mãe mais fortemente, a vida precisa seguir. Apesar de um problema envolvendo maconha, que motiva uma chamada da escola, a menina é aceita pelos colegas e começa uma socialização bem do dentro do normal. Até que, durante uma festa com amigos, um menino grava a transa que tem com ela e o vídeo começa a ser veiculado em e-mails e celulares.Tratada como prostituta pelos meninos, Alejandra ainda vai sofrer horrores nas mãos das colegas. Seus cabelos serão cortados à força. Os colegas vão forçá-la a comer um indigesto bolo de aniversário. Durante uma viagem escolar, ficará trancada num banheiro, onde será abusada pelos meninos do grupo. No entanto, essa violência não irá se comparar à resposta que virá do pai dela. Para tratar de algo tão duro, só mesmo uma estética muito particular. E Michel Franco pensa cada plano do seu filme com uma sequência em si, evitando toda forma de campo e contracampo, além dos clichês envolvendo high schools, tão comum no cinema americano. Apesar de difícil de se assistir, Depois de Lucía é fácil de recordar.
Caderno C
Para os que só pensam no glamour do ator
Mais um bom exemplar do cinema brasileiro atual chega aos cinemas hoje. Entra em cartaz, no Cinema da Fundação, a inquietante comédia dramática Super nada (2012), que tem direção de Rubens Rewald e codireção de Rossana Foglia. No Festival de Gramado do ano passado, o filme foi agraciado com o Kikito de Melhor Ator para Marat Descartes. Sem dúvida, foi uma das decisões mais acertadas do júri. Super nada é um filme sobre a difícil vida de um ator. Geralmente, somos levados a pensar nos atores bem-sucedidos do cinema e da TV, mas quase nunca no percurso que eles tiveram que fazer, do anonimato total até o reconhecimento. O filme acompanha as dificuldades de um ator para se manter na atividade. Guto (Marat Descartes, que brilhou na série Alice, da HBO, e em Trabalhar cansa) se prepara o tempo todo para conseguir algum papel: faz esquetes de clown, aulas de dança contemporânea, engole fogo nos sinais de trânsito e até se faz de morto. Ele chega mesmo a fazer umas gravações esdrúxulas, mas ganha tão pouco que frequentemente vai pra casa da mãe (a ótima Denise Weinberg) pedir dinheiro emprestado. A sorte dele muda quando pinta um teste para o Super nada, um programa de humor de uma TV de quinta categoria. Apesar de ser uma participação pequena, Guto se anima porque vai contracenar com Zeca (o cantor Jair Rodrigues), que ele considera um mito. Durante o ensaio, Guto acaba sujando a camisa do velho ator, mas dá conta do recado se virando em improvisações. Depois de um encontro em um bar, Guto leva Zeca bêbado para seu apartamento, onde encontra a namorada Lívia (Clarice Kiste). Mas, durante um rompante de ciúme, Guto acaba agredindo o humorista, que desmaia e é posto na rua, para ser resgatado pelo Samu. A partir desse ponto, a vida de Guto dá uma guinada para baixo, com Rubens Rewald e Rossana Foglia criando um série de alegorias sobre a difícil odisseia do ator em busca de seu lugar ao sol.Jair Rodrigues dá uma show e abusa de sua verve de sambista e malandro. Jair não canta, mas uma antiga música dele rende um dos melhores momentos do filme, quando dança com a atriz Clarice Kiste.
Caderno C
Cinema
Cabra Marcado para Morrer (BRA, 1964/1984). De Eduardo Coutinho. Cinema da Fundação – 14h50 (sab); 18h30 (dom). Documentário. Livre.
Depois de Lúcia (Después de Lucía, MEX/FRA, 2012). De Michel Franco. Com Gonzalo Veja Jr., Tessa La. Cinema da Fundação – 17h (sex); 18h50 (sab); 20h45 (sex, dom). Drama. 14 anos.
Super Nada (BRA, 2012). De Rubens Rewald & Rossana Foglia. Com Marat Descartes, Jair Rodrigues. Cinema da Fundação – 14h45 (dom); 15h10 (sex); 16h40 (dom); 17h (sab); 18h50 (sex); 20h45 (sab). Comédia. 16 anos.
:: Folha de Pernambuco
Foco
Fundaj 1
A Fundação Joaquim Nabuco do Derby inaugura, no dia 15 de maio, a exposição “Marcados”, de Cláudia Andujar. A mostra reúne 85 fotos de índios ianomâmis, feitas pela fotógrafa na década de 1980, durante uma expedição que tinha por objetivo fazer um levantamento de saúde dos membros da tribo. Como os ianomâmis não se identificavam por nomes próprios, ela os fotografou segurando uma placa com números, como em fotos policiais. “Marcados” fica em cartaz até o fim de junho e depois segue para a Fundação Cartier, em Paris.
Fundaj 2
Bruna Pedrosa, que atuou no Instituto Tomie Ohtake de São Paulo e foi diretora do Murillo la Greca por dois anos, assumiu a coordenação de Artes Visuais da Fundaj. A chegada dela deixa Moacir do Anjos mais livre para pensar curadorias, publicações e outros eventos em torno das exposições da Fundaj.
Programa
Lamento sobre a arte de ser um ator
Filme é um presente ao elenco, em particular ao seu protagonista, por, primeiro, propiciar situações convincentes com a realidade na vida de um ator
“Super Nada” (2012), que entra em cartaz hoje no Cinema da Fundação, mostra o vigor cinematográfico de Rubens Rewald, fazendo jus a sua inteligência (pela experiência) de dramaturgo teatral paulista. O filme, antes de tudo, é um presente para seu elenco - encabeçado pelo competente Marat Descartes (de “Trabalhar Cansa”). Não por acaso, Descartes levou o Kikito de melhor ator no 40º Festival de Gramado, em agosto do ano passado. O filme é um presente ao elenco, em particular ao seu protagonista, por, primeiro, propiciar situações convincentes com a realidade na vida de um ator. Aquela figura que luta por um espaço na arte e na vida. E o melhor é que “Super Nada” não se resume ao retrato deste cotidiano. A certa altura, o muito bom roteiro de Rewald toma uma bifurcação para o inesperado e encerra com uma reflexão um tanto amarga, mas corajosa. É um excelente filme para ser visto com “Riscado”, de Gustavo Pizzi, vencedor de três Kikitos um ano antes de “Super Nada”. São Paulo é o cenário. Lá vive Guto (Descartes), um ator que sonha em ser grande. Ele se prepara, se exercita, vai a todos os testes, acredita que a sua grande chance pode vir. Seu ídolo e exemplo é Zeca (Jair Rodrigues), um velho comediante, decadente, mas que ainda mora no coração de toda uma geração. O caminho de Guto e Zeca se cruzam e o primeiro finalmente acredita que a carreira vai deslanchar. Uma vez que conhece por dentro a estrutura que sustenta Zeca, Guto começa a perceber que precisa relativizar o ídolo. A grosseria e falta de tato da “estrela” o irritam e o levam a atos no mínimo curiosos. Neste momento “Super Nada” convida o espectador a entrar num contexto quase fabuloso. Há uma sequência em especial - com Zeca, Guto e sua namorada - em que o ídolo vira uma espécie de brinquedo no sofá da casa de seu fã. Guardando proporções, temos aqui um diálogo curioso entre “Super Nada” e “Durval Disco” (2002), de Anna Muylaerte, que é também um forte filme contemporâneo situado na urbe paulistana. Neste filme, entretanto, a questão aprofunda-se em outro caminho: a transferência de personalidade. Guto quer ser Zeca, mas quando vem o repúdio, o conflito lhe toma. E a expressão desse conflito vem em sutilezas que só um bom ator consegue apresentar. Pelo real ator Descartes, então, temos um espetáculo de atuação para entender um contexto do inexperiente ator fictício Guto. Só por esse paradoxo, “Super Nada” vale muito.
Programa
Cinema
Cabra Marcado para Morrer / De Eduardo Coutinho / A vida de João Pedro Teixeira, líder camponês da Paraíba, assassinado em 1962. Em razão do golpe militar, as filmagens foram interrompidas em 1964. Parte da equipe foi presa sob a alegação de “comunismo”, e o restante de dispersou. O trabalho foi retomado 17 anos depois, recolhendo-se depoimentos dos camponeses que trabalharam nas primeiras filmagens e também da viúva de João Pedro, Elisabeth Teixeira. Cinema da Fundação: 14h50 (sab) / 18h30 (dom, qui) / 20h15 (ter). Livre.
Depois de Lúcia / De Michel Franco. Com Tessa la, Hermán Mendoza. Desde a morte de sua esposa, Roberto não consegue dedicar muito tempo à sua filha Alejandra, uma jovem de 15 anos. Para escapar da depressão que passa a dominar a rotina dos dois, pai e filha na Cidade do México. Envergonhada e incapaz de explicar para o pai as razões, Alejandra omitirá as humilhações e abusos emocionais e físicos sofridos em seu novo colégio. Cinema da Fundação: 17h, 20h45 (sex) / 18h50 (sab) / 20h45 (dom) / 16h30 (ter) / 15h10, 18h50 (qua) / 14h50, 20h45 (qui).
Super Nada / De Rubens Rewald / Com Marat Descartes, Jair Rodrigues. Na cidade de São Paulo vive Guto, um ator que sonha em ser grande. Ele se prepara, se exercita, vai a todos os testes, acredita que a sua grande chance pode vir a qualquer momento. Seu ídolo e exemplo e Zeca, um velho comediante, já bem decadente, mas que ainda mora no coração de toda uma geração. Seus caminhos se cruzam e a sorte de Guto parece mudar. Cinema da Fundação: 15h10, 18h50 (sex) / 17h, 20h45 (sab) / 14h45, 16h40 (dom) / 14h40, 18h20 (ter) / 17h, 20h45 (qua) / 16h40 (qui). 16 anos.
:: Diário de Pernambuco
Viver
Cinema
Cabra marcado para morrer. Numa narrativa semidocumental sobre a vida de João Pedro Teixeira, líder camponês da Paraíba assassinado em 1962. Cinema da Fundação. 14h50 (Sab), 18h20 (dom, qui), 20h15 (ter).
Depois de Lúcia – Pai e filha buscam uma nova vida na Cidade do México. Mas a jovem passará por abusos no novo colégio. Cinema da Fundação. 14h50 (qui), 15h10 (qua), 16h30 (ter), 17h (sex), 18h50 (sab e qua), 20h45 (sex e qui).
Super Nada – Uma comédia depressiva sobre o teatro, a TV e a sobrevivência em São Paulo. Cinema da Fundação. 14h40 (ter), 14h45 (dom), 15h10 (sex), 16h40 (qui, dom), 17h (Sab, qua), 18h20 (ter), 18h50 (sex), 20h45 (sab, qua).
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