03 DE MARÇO DE 2013
Clipagem ASCOM
Recife, 03 de março de 2013
:: Jornal do Commercio
Caderno C
Grandeza de Vicente é revelada
Com uma caligrafia firme e expressiva, como o traço que dava forma às figuras em suas telas, o artista Vicente do Rego Monteiro (1889-1970) preenchia o envelope das cartas que enviava do Rio de Janeiro para o marchand Carlos Ranulpho, no Recife. Dentro deles, as notícias seguiam em uma linguagem direta e tom atencioso. Os dois se conheceram em 1969, quando um procurou o outro para organizar uma exposição. Os laços permaneceram mesmo após a morte de Vicente e, até hoje, o marchand representa a família do artista. Outro sinal desta proximidade é um projeto que Ranulpho acalentava há anos: lançar um livro sobre um período pouco divulgado da obra do amigo. A ideia tomou corpo e, nesta terça-feira, às 19h, Vicente do Rego Monteiro Olhar sobre a década de 1960 será lançado na Ranulpho Galeria de Arte, ocasião em que o marchand celebra os 45 anos de seu espaço expositivo. Ranulpho havia aberto sua galeria cerca de um ano antes de ir ao Edifício Holiday com a intenção de conhecer pessoalmente o artista plástico. Como não encontrou Vicente, ele passou um cartão por baixo da porta convidando-o para uma visita, o que se concretizou alguns dias depois. O marchand lembra que, direto como era seu hábito”, Vicente perguntou o que ele queria. Quando Ranulpho disse que pensou em convidá-lo para mostrar suas obras na galeria dele (pois sei de sua relevância no âmbito das artes e também porque estou sabendo que há anos não expõe no Recife), Vicente disse não acreditar que ninguém da capital pernambucana colocaria as pinturas dele na parede. Mas o marchand insistiu na ideia. Sugeriu que ele pintasse dez telas com tamanho médio e outras dez pequenas, as dimensões e os valores seriam determinados por Vicente. Em um pedaço de papel, o artista colocou estas informações e também o desconto que daria para a galeria. Tudo acertado, os dois foram comemorar tomando chope em um bar perto dali. Foi um acordo e uma maneira de trabalhar que permaneceram para sempre entre nós, recorda Carlos Ranulpho no texto que escreveu para o livro. O marchand conta que reencontrou o artista alguns dias depois, já com três pinturas feitas, nas quais se via um grupo de freiras, um carro de boi transportando cana-de-açúcar e duas corsas, respectivamente. Todas elas foram vendidas antes mesmo da inauguração, assim como aconteceu com as outras pinturas da mostra, que depois foi ampliada para 25 obras. Até os desenhos, que Vicente levou para a vernissage por sugestão de Ranulpho, foram vendidos. Foi um fato inusitado e relevante: vender obra em papel, no Recife, em 1969, período em que não havia ainda um mercado de arte consolidado para papel sequer no eixo Rio-São Paulo, continua. Esta é uma das histórias, do âmbito profissional e particular (como os almoços aos sábados na casa do marchand), que Carlos Ranulpho compartilha na obra. As 230 páginas do livro reúnem um farto material em texto e imagem para os interessados em saber mais sobre Vicente e o contexto das artes visuais na época. A publicação também apresenta uma detalhada cronologia sobre a vida do artista no período abordado pelo livro, elaborada pelo jornalista e historiador Leonardo Dantas. Além disso, o leitor encontrará curiosidades, como as cartas de Vicente para Ranulpho citadas no início deste texto. Elas foram reproduzidas no livro, assim como textos publicados em jornais da época, páginas de catálogos e algumas fotografias. Isto sem falar nas 190 pinturas, que fazem parte de coleções particulares, de museus e outras instituições culturais a Fundação Joaquim Nabuco, Itaú Cultural (SP), Palácio do Governo de São Paulo (Campos do Jordão), Museu Oscar Niemeyer (PR) e o Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. Todas acompanhadas por informações como a técnica utilizada e o ano em que foram pintadas. O projeto contou com apoio da Lei Rouanet (o Armazém Coral e a Chesf foram os patrocinadores). O livro traz também um depoimento da segunda mulher de Vicente, Crisolita Pontual (com quem ele teve três filhos e viveu seus últimos anos), e um longo texto do crítico de arte Jacob Klintowitz (SP), que começa com um grande elogio ao pernambucano: O pintor Vicente do Rego Monteiro realizou no século vinte um feito notável e que parecia impossível: sozinho, e por conta própria, inventou a criação do ser humano e do mundo. Ele não elaborou, como outros grandes artistas, a revelação de um mundo que estava oculto. Ele não cumpriu a extraordinária saga do artista definida pelo gênio de Paul Klee, a de tornar visível. Caso Vicente do Rego Monteiro não tivesse existido, nós não teríamos este universo e esta iconografia original, pois ela não poderia ser criada por nenhum outro artista. E se imaginássemos que a obra de Vicente do Rego Monteiro desaparecesse numa catástrofe de resto, em parte, muitas vezes isso aconteceu com sua obra, nós poderíamos afirmar que um mundo teria desaparecido.
Caderno C
Cinema
Holy Motors (FRA, ALE, 2012). De Leox Carax. Com Dennis Lavant, Eva Mendes. Cinema da Fundação – 18h10, 20h20. Drama. 14 anos.
Amor (Amour, FRA/ALE/AUS, 2012). De Michael Haneke. Com Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Isabelle Huppert. As dificuldades e os afetos de um casal de idosos. Cinema da Fundação. 15h20. Drama. 16 anos.
:: Folha de Pernambuco
Programa
Cinema
Holy Motors / De Leo Carax / Com Dennis Lavant, Eva Mendes, Kylie Minogue. Oscar transita solitário em vidas paralelas, atuando como chefe, assassino, mendigo, monstro, pai... Mergulha profundamente em cada um dos papéis e é transportado por Paris e arredores em uma luxuosa limusine, comandada pela loira Celine. Ele é um homem em busca da beleza do movimento, da força motriz, das mulheres e dos fantasmas de sua vida. Cinema da Fundação: 20h20. 14 anos.
Amor / De Michael Haneke / Com Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Isabelle Huppert. Georges e Anne são um casal de aposentados, que costumava dar aulas de música. Eles têm uma filha musicista que vive com a família em um país estrangeiro. Certo dia, Anne sofre um derrame e fica com um lado do corpo paralisado. O casal de idosos passa por graves obstáculos, que colocarão o seu amor em teste. Cinema da Fundação– 15h20, 17h40. 14 anos.
:: Diário de Pernambuco
Viver
Cinema
Holy Motors. De Leos Carax. Denis Lavant, Edith Scob, Kylie Minogue. Monsieur Oscar é um homem sombrio que viaja de uma vida para outra. Cinema da Fundação. 20h20 (sex/dom), 15h40 (sab).
Amor. De Michael Haneke, Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Isabelle Huppert. Casal octogenário para lidar com a idade, a família e o relacionamento a dois. Cinema da Fundação. 17h50 (sex/dom), 15h20 (dom).
O Som ao Redor. De Kleber Mendonça Filho. Gustavo Jahn, Maeve Jinkings, Irandhir Santos. Com a chegada da milícia, rua de classe média na zona sul do Recife sofre transformações. Cinema da Fundação. 15h20 (sex), 18h (sab).
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