22 DE FEVEREIRO DE 2013
Clipagem ASCOM
Recife, 22 de fevereiro de 2013
:: Jornal do Commercio
Caderno C
Estranheza reina em Holy Motors
O que te faz seguir em frente, Oscar? O que me fez começar. A beleza do gesto. O espantoso ofício do protagonista de Holy Motors longa que estreia hoje no Cinema da Fundação – é indissociável do ofício não menos assombroso de um cineasta. Se o ator-agente dedica seus dias a forjar realidades encarnado em dezenas de outros seus, e não cessa de fazê-lo pela simples beleza do gesto, o mesmo pode ser dito de seu criador, o francês Leos Carax, que retornou aos longas-metragens depois de 12 anos deles afastado, desde Pola X (1999).A suposta desconfiança do diretor diante de crítica e público após a ruptura do hiato cinematográfico (embora tenha produzido curtas neste ínterim) é representada por ele mesmo na cena de abertura. Em um quarto à meia-luz, ele acorda e caminha até uma parede cuja pintura remete a uma selva. Com um único movimento através de um extensor metálico para os dedos, Carax anuncia duas coisas: a parede é um abertura para o balcão de uma sala de cinema lotada, a espera de um filme (provavelmente o seu), a outra é que a lógica é persona non grata para se deixar levar por Holy motors.O drama fantástico costura um mosaico de pequenas vidas (para cada uma, um minifilme dentro do filme) em um recorte de 24 horas na vida de Oscar. A condução de histórias é feita com maestria pela antiga parceria entre Carax e o ator, mágico, mímico e acrobata Denis Lavant, que dá vida às tantas personas asquerosas, libidinosas, afetuosas, desesperadas, humanas de sua personagem. Em cada encontro, para onde Oscar é conduzido durante todo o dia por sua assistente em uma limusine branca, ele pode ser chefe, assassino, mendigo, monstro, amante, pai. Com sequências surpreendentes, impregnadas de estranheza e radicalismo estético, Carax seduz até o último segundo de filme, quando a razão para a escolha do título é justificada com a sutileza e a falta de lógica (amém) que são exploradas desde o fotograma inicial. A sequência do cemitério, protagonizada pelo duende que vive nos esgotos da capital francesa (situação vinda do média Merde, sua parte no filme coletivo Tokyo!, de 2008), sintetiza a grandiosidade fragmentada do filme-ressurreição.A rapidez com que o longa se desenvolve mesmo ritmo da jornada frenética de Oscar por vezes faz com que o espectador se desvencilhe, como o protagonista força a si mesmo, do que parece ser uma das questões mais nervosas da trama: a relação com o envelhecer. Presente de formas distintas nos também em cartaz no Recife Amor e E se vivêssemos todos juntos, em Holy Motors a velhice pode ser escancarada ou retardada por Oscar, a depender de quem ele seja em determinada missão. Fica a impressão de que tanto nele quanto em Carax e na limusine branca, ronda o pavor de que, em qualquer segundo traiçoeiro, as curvas daquela Paris à meia-luz possam se acabar.
Caderno C
Barulho que incomoda o gigante
Nos últimos meses, o cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho tem feito barulho dentro e fora do País com o premiado filme O som ao redor, seu primeiro longa-metragem de ficção, feito com menos de R$ 1,8 milhão. Produção de baixo orçamento, o filme pode até não incomodar as grandes produtoras que dominam as bilheterias fez até agora 80 mil espectadores. Mas as opiniões do diretor, que também é crítico dos mais sinceros, sim, a ponto de provocar reação do poderoso Cadu Rodrigues, diretor executivo da Globo Filmes, maior produtora de blockbuster made in Brasil. Em tom de afronte, Rodrigues propôs um desafio ao diretor pernambucano: produzir e dirigir um e fazer 200 mil espectadores com todo o apoio da Globo Filmes. Se fizer, nada do nosso trabalho será cobrado do filme dele. Se não fizer os 200 mil, assume publicamente que, como diretor, ele talvez seja um bom crítico, alfinetou. A razão da ousada proposta veio depois da publicação de uma matéria na Folha de S. Paulo, na qual Kleber emite sua opinião negativa sobre o modus operandis da Globo Filmes. Minha tese é a seguinte: se meu vizinho lançar o vídeo do churrasco dele no esquema da Globo Filmes, ele fará 200 mil espectadores no primeiro final de semana, disse o cineasta na reportagem especial No quintal de Kleber Mendonça. Tendo entendido as aspas como uma provocação, Cadu Rodrigues lançara mão do desafio em carta aberta. Em sua tréplica, via Facebook, direto de Istambul, onde está apresentando O som ao redor, Kleber agradeceu e recusou o desafio, sob o argumento que o valor de um filme, ou de um artista, não deveria residir única e exclusivamente nos número$ (sic). E disparou mais uma crítica de volta: em sua opinião, a Globo Filmes atrofia o conceito de diversidade no cinema brasileiro e adestra um público cada vez mais dopado para reagir a um cinema institucional e morto. (Veja a resposta na íntegra no quadro ao lado). O som ao redor tem dando uma grande visibilidade a Kleber Mendonça Filho. Entre seus últimos méritos, ele teve a obra indicada entre os dez melhores filmes pelo crítico do The New York Times, A.O. Scott. O nome do diretor apareceu na mesma lista de Steven Spielberg e Quentin Tarantino. Uma repercussão que as produções da Globo Filmes não alcança. Enquanto o filme de Kleber custou R$ 1,8 milhão, sendo R$ 550 mil provenientes do Fundo para o Audiovisual do Estado do Pernambuco, um recente lançamento da Globo Filmes, a comédia De pernas para o ar, custou R$ 10 milhões e atraiu cerca de 600 mil pessoas na sua primeira semana de exibição. Você não pode comparar um filme que teve 200 cópias com outro que teve dez ou cinco cópias. A gente também não sabe dizer quantas pessoas espalhadas pelo Brasil estariam interessadas em ver um filme desse tipo (fora do circuito comercial). Pode ser que atingisse muita gente, pode ser que não. As pessoas que estão habituadas a ver filmes diferentes são obrigadas a sentar em salas espremidas feitas para os que já curtem esse tipo de cinema, comenta o professor e crítico Alexandre Figueirôa, do curso de Comunicação da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). O professor Cláudio Bezerra, também da Unicap, argumenta que embora a Globo Filmes ocupe uma fatia do mercado, a história é mais profunda. Quem domina as salas de exibição são as grandes corporações internacionais. Claro que a Globo Filmes tem parcerias com alguns desses estúdios. Naturalmente ela poderia ceder e apoiar produções independentes. Mas ela atende a um determinado mercado e tipo de filme, diz. É preciso uma lei que dê mais apoio e instrumentos legais que obriguem as emissoras de TV a comprarem essa produção independente. Seria uma das formas de dar visibilidade e retorno financeiro aos realizadores e não ficar uma coisa de gueto. Sobre o embate sempre recorrente acerca da relação entre os cinemas comercial e os independentes brasileiros, a professora do curso de Cinema da Universidade Federal de Pernambuco, Mannuela Costa, levanta como questionamento a maneira de se medir e nivelar o modo de recepção e repercussão dos filmes nacionais. O impacto da cultura vai além de um pensamento estatístico, diz, referindo-se ao número de público ou de salas onde estão sendo vistos. Para ela, importa o quanto se pode apreender e pensar a partir das produções. Concordo com a posição de Kléber Mendonça. Acho que a Globo deveria investir mais em pessoas que se propõem a um cinema diferente, além disso, acredito que política pública de fomento tem que justamente corrigir falhas do mercado. Se o filme comercial fica com as regras do mercado, cabe ao Estado, como regulador, abrir espaços. Mannuela, que leciona a disciplina de Economia Criativa, lembra que o mercado nacional é bastante desequilibrado, como revelou pesquisa da Agência Nacional do Cinema (Ancine). Os números mostram que cinco produções brasileiras (6% dos lançadas em 2012) fizeram mais de 1 milhão de espectadores no País, enquanto 51 filmes (61%) tiveram menos de 10 mil espectadores e 26 (31%) não chegaram a 1 mil espectadores.
Caderno C
Cinema
Holy Motors (FRA, ALE, 2012). De Leox Carax. Com Dennis Lavant, Eva Mendes. De madrugada até à noite, algumas horas na existência do Senhor Oscar, um ser que viaja de vida em vida. È alternadamente um abastado industrial, um assassino, um pedinte, uma criatura monstruosa, um pai de família. Cinema da Fundação – 18h10 (sex); 20h20 Drama. 14 anos.
Amor (Amour, FRA/ALE/AUS, 2012). De Michael Haneke. Com Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Isabelle Huppert. As dificuldades e os afetos de um casal de idosos. Cinema da Fundação. 15h20 (Sab, dom); 15h40 (sex); 17h50 (dom). Drama. 16 anos.
O som ao redor (BRA, 2012). De Kleber Mendonça Filho. Com Irandhir Santos, Gustavo Jahn, Maeve Jinkings. Premiado longa pernambucano que retrata a vida numa rua de classe média na Zona Sul do Recife. Cinema da fundação –17h50 (sab). Drama. 16 anos.
:: Folha de Pernambuco
Sabores
Quando o alimento vira patrimônio
Iphan e Unesco são as instituições competentes para “carimbar” culturas gastronômicas
Ao longo dos seus mais de 500 anos de história, o Brasil desenvolveu uma cultura multifacetada, composta e sustentada por influências completamente díspares. No tocante à sua culinária, não é diferente, afinal, a comida tem uma função que vai além do ato de alimentar puro e simples, de suprir uma necessidade primária para a sobrevivência, está inexoravelmente ligada aos aspectos socioculturais da trajetória de um povo, compondo sua identidade com um rico repertório de aromas e sabores.
Moqueca, feijoada, bolo de rolo, cachaça, acarajé, tapioca, tacacá. Cada região brasileira, com seu clima, geografia, e até movimentos migratórios diferentes, ou seja, um terror próprio, criou algo particular, difícil apontar um único símbolo gastronômico para traduzir à mesa o nosso País. “A culinária brasileira, na última década, vem sendo, finalmente, reconhecida enquanto patrimônio cultural. Seja através da valorização do produto local pelos chefes e pela Academia, ou pelos órgãos do governo, que têm visto a nossa cozinha como passível de tombamento”, afirma o professor de História da Gastronomia do Centro Universitário Senac, Sandro Dias.
O intangível
De acordo com o texto da bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco, Lúcia Gaspar, no próprio site, patrimônio cultural imaterial trata-se da nossa herança cultural que é transmitida de geração para geração, mas não pode ser tocada. Por isso, também é chamado de patrimônio intangível. Para ser compreendido, no entanto, é necessário que se tenha uma representação material dele. No Brasil, a defesa desse patrimônio, quando é de interesse nacional, é atribuição da União, por meio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Em Pernambuco, o órgão responsável pelo registro do patrimônio cultural do Estado é a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe).
Em âmbito federal, o primeiro bem registrado ligado à cozinha nacional foi o Ofício das Baianas de Acarajé, em 2005. A prática tradicional de produção e venda, em tabuleiro, das chamadas comidas de baiana, feitas com azeite de dendê e ligadas ao culto dos orixás, amplamente disseminadas na cidade de Salvador é patrimônio imaterial do povo brasileiro. Você pode se perguntar “O ofício? Mas e o acarajé?”. A técnica da coordenação de registro do Departamento do Patrimônio Imaterial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Diana Dianovsky, explica que nenhum produto é de salvaguarda.
“A Unesco define como Patrimônio Cultural Imaterial as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas - junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados - que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural”, conta.
Mas o saber instituído numa prática culinária ou um local de produção de uma comida específica pode entrar nos livros do Iphan, como o Modo Artesanal de Fazer Queijo de Minas nas Regiões do Serro, da Serra da Canastra e Salitre/Alto Paranaíba (tombado em 2008) ou a Região Doceira de Pelotas, no Rio Grande do Sul, que ainda está em processo de registro. Como dito, os bens também podem ser reconhecidos em âmbito estadual. Por aqui, o bolo de rolo e o souza leão, a cachaça e a cartola são considerados patrimônio cultural imaterial pela Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).
“A Gastronomia define nossa identidade tanto quanto os sons do samba, a arquitetura barroca ou a modernista”, disse alguma vez o sociólogo Carlos Alberto Dória. Daí, tamanha a importância de proteger esse bem. No Brasil, o artigo número 216 da Constituição de 1988 define o patrimônio cultural como os bens de natureza material e imaterial, individualmente ou em conjunto, que se referem à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira.
“Em um momento que se vive movimentos de globalização e, consequentemente, uma padronização até mesmo das ideias e dos afazeres ligados à culinária, protegê-la torna-se mais do que necessário e nós estamos vendo essa ação”, argumenta o professor Sandro. Até alguns acontecimentos, como o ocorrido na Bahia em 2010, quando grupos evangélicos vendiam o acarajé como “bolinho de Jesus”, podem descaracterizar algo enraizado na história do Brasil. Afinal, o vínculo religioso da comida está diretamente relacionado ao camdomblé e à orixá Iansã. O fato é que nenhum alimento é neutro, tudo é coberto por elementos que compõem a nossa história - os ingredientes que, hoje, fazem parte da mesa podem ser todos explicados pelas manifestações culturais e sociais, pelas influências sofridas por todos os povos que contribuíram para a formação nacional.
Política
Qualidades de Lyra são lembradas
Em missa, no Recife, políticos exaltam a personalidade de ex-ministro
A dor pela perda irreparável e a admiração pela pessoa e personalidade política que foi Fernando Lyra, se fizeram presentes, ontem à noite, no Colégio Salesiano, no Recife, durante a missa de sétimo dia da morte do ex-ministro, falecido em decorrência de falência múltipla dos órgãos. Unidos em uma só oração na Capela Sagrado Coração, familiares, amigos, admiradores e políticos das mais diversas correntes partidárias lamentaram, rezaram e, sobretudo, agradeceram a Deus pela existência daquele político pernambucano apontado, de forma unânime, como “predestinado a mudar a história do País e a amar a sua família”.
“Eu quero agradecer por ele ter escolhido a política, por ter feito a política com princípios. Quero agradecer pelo seu importante papel de trazer a democracia, pois ela viria, mas, sem Lyra, demoraria a chegar. Eu quero agradecer também pelo ombro sempre à disposição para ajudar a quem precisasse, por ter me colocado na política e me ajudado a seguir os primeiros passos”, agradeceu, sob forte comoção, o senador Cristovão Buarque (PDT).
“Fernando tem duas presenças distintas. A primeira é ligada à transição democrática. Foi um ator definitivo. A segunda é a figura humana que era Fernando, uma pessoa de bem com a vida. Uma pessoa que viveu intensamente o lema de Blaise Pascoal de viver a vida como se cada dia fosse o derradeiro, mas com a consciência da eternidade”, acrescentou o advogado e aliado no Ministério da Justiça durante o Governo Sarney, José Paulo Cavalcanti Filho.
“A medida que o tempo corre, a situação de Fernando é mais definida. Ele vai fazer muita falta à família, aos amigos como eu, ao Estado e ao País, pela capacidade de trabalho. Um dos grandes pernambucanos dos últimos tempos”, destacou o ex-ministro Armando Monteiro Filho, ao prestigiar a solenidade religiosa, juntamente com o presidente do Grupo EQM, Eduardo Monteiro e o diretor-executivo da Folha de Pernambuco, Paulo Pugliesi.
Ainda bastante emocionada, Márcia Lyra, esposa de Fernando por longos anos, destacou que o companheiro tinha diversas virtudes, mas uma em específico lhe era peculiar e se eternizará. “Ele não gostava de falar mal de ninguém”, exaltou em poucas palavras. Para as sobrinhas de Lyra, Nara e Paula Lyra, o ex-ministro representou o equilíbrio familiar. “Tudo era feito junto com ele. Era o centro da família. Era uma pessoa maravilhosa e atenciosa”, destacaram.
A cerimônia, que foi celebrada pelo padre João Carlos, contou ainda com a participação do prefeito do Recife, Geraldo Julio, e do vice-governador do Estado e irmão de Fernando, João Lyra, que, do altar, agradeceu todo o apoio recebido nesse momento triste para a família.
Programa
“Holy Motors”
Espelho do homem na sociedade
Mesmo aqueles íntimos da obra do francês Leos Carax devem ter se espantado, no bom sentido, com o turbilhão de sensações propostas por “Holy Motors” (Fra./Ale. 2012) que entra em cartaz hoje no Cinema da Fundação. Uma dúvida era certa a estes íntimos: o que viria em “Holy Motors” uma vez que este seria uma espécie de retorno do cineasta ao longa-metragem 13 anos após o mediano “Pola X”?
Mais conhecido no Brasil por “Sangue Ruim” (1984) e o ótimo “Os Amantes da Ponte Neuf” (1986), ambos estrelados por Juliette Binoche e Denis Lavant, Carax deu o ar da graça no melhor episódio do coletivo longa “Tokyo” (2008). A propósito, o personagem de seu episódio ali, intitulado “Merda”, reaparece em “Holy Motors”.
Interpretado por Lavant, o Sr. Merda é a medonha criatura que sai dos esgotos (agora de Paris) comendo flores, perturbando transeuntes, sequestrando beldades (Eva Mendes) e levando-as de volta ao esgoto. O Sr. Merda, enfim, tira a paz do “mundo de cima” ao relembrá-lo que o sujo existe e não pode ser ignorado.
Em “Holy Motors” (numa tradução livre, “motores sagrados”), o episódio é um entre nove pelos quais vive o Sr. Oscar (Lavant, desdobrando-se em 11 personagens). Em sua limusine branca circulando por Paris, Sr. Oscar tem em sua agenda do dia nove encontros, e para cada um deles, nós acompanhamos sua preparação no interior da limusine, como a automaquiagem que aplica para se transformar no Sr. Merda.
Com situações cada uma mais surpreendente e inesperada que a anterior, Mr. Oscar surge como uma espécie de representação de nós mesmos em nossos diversos papéis sociais, que interpretamos sem nem nos percebermos no dia a dia. São situações em que uma roupa, ou um cenário são apenas elementos que contribuem para um comportamento específico e esperado para a situação; ou seja, o assunto aqui é a nossa identidade.
Seja como uma velhinha indigente, seja como uma figura cibernética (gerando lindas imagens magnéticas), um acordeonista, como um pai durão, ou um tio moribundo, a proposta criado por Carax para Lavant interpretar é um presente para qualquer ator.
O Sr. Oscar também pode ser lido também como uma espécie de criatura divina que está aqui para manter a ordem entre os humanos. A propósito do “divino”, é imperdível o diálogo lacônico das limusines, lamentando-se que os homens cada vez menos se interessam por “motores sagrados”.
Programa
Cinema
Holy Motors / De Leo Carax / Com Dennis Lavant, Eva Mendes, Kylie Minogue. Oscar transita solitário em vidas paralelas, atuando como chefe, assassino, mendigo, monstro, pai... Mergulha profundamente em cada um dos papéis e é transportado por Paris e arredores em uma luxuosa limusine, comandada pela loira Celine. Ele é um homem em busca da beleza do movimento, da força motriz, das mulheres e dos fantasmas de sua vida. Cinema da Fundação: 18h10, 20h20 (sex) / 20h20 (sab/dom) / 15h40 (ter) / 18h10 (qua) / 16h, 18h10 (qui). 14 anos.
Amor / De Michael Haneke / Com Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Isabelle Huppert. Georges e Anne são um casal de aposentados, que costumava dar aulas de música. Eles têm uma filha musicista que vive com a família em um país estrangeiro. Certo dia, Anne sofre um derrame e fica com um lado do corpo paralisado. O casal de idosos passa por graves obstáculos, que colocarão o seu amor em teste. Cinema da Fundação– 15h40 (sex/qua) / 15h20 (sab) / 15h20, 17h50 (dom) / 20h20 (ter/qua). 14 anos.
O Som ao Redor / De Kleber Mendonça Filho / Com Irandhir Santos, Gustavo Jahn, Maeve Jinkings. A presença de uma milícia na zona sul do Recife muda a vida dos moradores do local. Ao mesmo tempo em que alguns comemoram a tranqüilidade trazida pela segurança privada, outros passam por momentos de estrema tensão. Ao mesmo tempo, casada e mãe de duas crianças, Bia tenta encontrar um modo de lidar com o barulhento cachorro de seu vizinho. Cinema da Fundação: 17h50 (sab/ter) / 20h20 (qua). 16 anos.
:: Diário de Pernambuco
Viver
Cinema
Holy Motors. Monsieur Oscar é um homem sombrio que viaja de uma vida para outra. Cinema da Fundação. 18h10 (sex), 20h20. 14a.
Amor. Casal octogenário para lidar com a idade, a família e o relacionamento a dois. Cinema da Fundação. 15h40 (sex), 15h20 (sab/dom), 17h50 (dom). 14a.
O Som ao Redor. Com a chegada da milícia, rua de classe média na zona sul do Recife sofre transformações. Cinema da Fundação. 17h50 (sab).
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