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23 DE DEZEMBRO DE 2012

Publicado: Quarta, 26 de Dezembro de 2012, 09h27 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h24 | Acessos: 537

Clipagem ASCOM
Recife, 23 de dezembro de 2012

 

:: Jornal Do Commercio

Não houve noticias sobre há Fundaj.

 

:: Folha De Pernambuco

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:: Diário de Pernambuco

PCdoB e PDT: os xodós de Eduardo e do PSB

Além de leais, partidos não têm projetos majoritários capazes de ameaçar império socialista

Não tem pra ninguém. PDT e PCdoB são os xodós do PSB. Ultrapassam facilmente a condição de simples integrantes da aliança que respalda o governo de Eduardo Campos (PSB). Estão num patamar acima das demais peças da chamada Frente Popular. E por razões que vão além do peso eleitoral. Aspectos como confiança, fidelidade e mesmo agregação de valor contam em favor dos partidos. Para medir a importância das siglas, basta observarem a situação de pedetistas e comunistas na linha sucessória dentro das gestões socialistas. No estado, o vice, João Lyra (PDT), assumirá o governo assim que Eduardo partir para voos mais altos. Na gestão de Geraldo Julio (PSB), a ser iniciada em janeiro no Recife, o substituto primeiro do prefeito é Luciano Siqueira (PCdoB). Mas por que já tantas deferências às duas legendas? 
Além da evidente lealdade, é importante lembrar que ambos os partidos não têm projetos majoritários mais ousados que sejam capazes de ameaçar o império socialista. Não dão motivos para despertar desconfiança junto ao comando da Frente. O mesmo não se pode dizer, por exemplo, do PTB, que já trabalha para eleger o senador Armando Monteiro governador em 2014. O PT – ex-aliado de primeira hora e hoje está dividido em relação ao respaldo a Eduardo – é outro que jamais escondeu sua motivação majoritária. 
“Lideranças como João Lyra, Guilherme Uchoa (presidente da Assembleia Legislativa por quatro mandatos consecutivos com apoio do Palácio do Campo das Princesas) não são atores políticos competitivos. Não ameaçam a liderança do PSB, nem são capazes de criar uma fissura na Frente Popular”, observa Túlio Velho Barreto, cientista político da Fundação Joaquim Nabuco. Igual avaliação, prossegue, vale para os líderes do PCdoB. Barreto destaca que o PDT construiu laços fortes com o PSB lá em 2006, ao aderir à candidatura de Eduardo num momento em que o socialista parecia estar fadado a apenas ser mero coadjuvante. Por isso goza hoje de tamanha credibilidade junto aos socialistas.
Por outro lado, o PCdoB, que sempre foi fiel escudeiro do PT no país e no estado, firmou-se como parceiro dos socialistas neste ano – embora já apoiasse Eduardo – na disputa da capital. A entrada na chapa de Geraldo veio como prêmio para o respaldo à ideia de lançar um nome socialista como alternativa à postulação petista. Luciano Siqueira, que havia sido vice por dois mandatos do ex-prefeito João Paulo (PT), assumiu a mesmo cargo na chapa e acabou por imprimir um conveniente “verniz vermelho” à candidatura do PSB. 
“Os comunistas têm uma certa grife. O capital político deles conta mais do que o eleitoral. O PCdoB também faz alianças amplas, não é partido que se diferencie dos outros nesse aspecto, mas, de toda forma, tem capital político acumulado, que o coloca como um partido de esquerda, com tradição de lutas, de inserção nos movimentos sociais”, diz Barreto.

Saiba mais
Na cozinha com o PSB
PDT 
*Foi dos primeiros partidos a aderir à candidatura de Eduardo Campos em 2006
*Tem o vice-governador, João Lyra, e o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Guilherme Uchoa
*Conta com três deputados na Assembleia Legislativa. Além de Uchoa, Botafogo Filho e Pedro Serafim Neto.
*Um deputado federal: Paulo Rubem Santiago.
*Na Câmara do Recife, elegeu este ano Izabela de Roldão e Rodrigo Vidal, que foi convocado para assumir a secretaria-executiva de Direito dos Animais na Prefeitura do Recife
*No estado, elegeu dez prefeitos e 119 vereadores
PCdoB
*Foi inicialmente da base da candidatura do PT em 2006 (Humberto Costa). Mas em 2012, aliou-se ao projeto do PSB e ocupou a vice na chapa Geraldo Julio, com Luciano Siqueira.
*Este ano contou com empenho pessoal do governador Eduardo Campos para reeleger Renildo Calheiros prefeito de Olinda – principal vitrine do partido no estado
*Contava com Luciano Siqueira como deputado estadual na Assembleia. Ele deixou o cargo para assumir a função de vice-prefeito do Recife.
*Na Câmara do Recife, reelegeu Almir Fernando
*No estado, elegeu três prefeitos (Olinda, Sanharó e Chã de Alegria), 59 vereadores e cinco vice-prefeitos

 

Opinião

Seca, Natal, pobreza

O ano de 1970 foi de enorme sofrimento para a população sertaneja do Nordeste. Uma seca de grandes proporções, a primeira da era da Sudene, que havia sido criada no rastro da estiagem braba de 1958 e alcançou praticamente todo o semiárido da região. Provocou grande quebra de safra de produtos de subsistência, morte de rebanhos e levas extensas de flagelados do fenômeno. Na verdade, ela expunha com severidade o estado de enorme pobreza da população sertaneja, assunto que Celso Furtado (1920-2004) e sua equipe expuseram em trabalho marcante, o famoso Relatório do GTDN (de 1959). Meu grande amigo Dirceu Pessoa (19371987), que fora técnico da Sudene, conseguiu convencer a última da necessidade de realização de uma pesquisa socioeconômica de grande porte sobre o flagelo de 1970. Fui chamado por Dirceu, que fundara sua empresa de consultoria, a Sirac, a integrar a equipe do estudo. Mobilizamos equipes vastas para levantamentos de campo sobre a situação das vítimas oficiais da seca (eram um milhão), alistadas em frentes de trabalho, bem como sobre proprietários rurais de todo porte e outros atores sociais. Escrevemos, nós dois, para a Sudene, um relatório intitulado Caráter e efeitos da seca nordestina de 1970, que foi o estudo mais abrangente, até então, do fenômeno climático que, como em 2012, aflige periodicamente a região. A realidade que conseguimos apreender era a de que os trabalhadores rurais sem terra eram quem mais sofria com a ausência de chuvas. Quanto mais terra fosse controlada pelas pessoas, tanto menor o impacto da seca nesse nível social. Em outras palavras, a seca – que é algo de certa rotina em zonas semiáridas do mundo – simplesmente retirava a tênue capa de proteção dos assalariados, meeiros, posseiros, deixando-os na completa indigência. Em 1979-1981, durante nova grande seca, já na Fundação Joaquim Nabuco, Dirceu e eu levamos à frente outra pesquisa que mostrou a persistência do desastre social do sertão, decorrente, em anos de inverno miserável, da situação prévia de exclusão em que vive grande parte da população sertaneja. Em ambos os estudos, presenciamos cenários desoladores de sofrimento e privação. Uma linhagem indômita e forte de gente do Nordeste - tão bem cantada por Luiz Gonzaga (1912-1989) , ademais, se submetia à vergonha da esmola governamental por completa falta de opções.  Depois das duas pesquisas, sugerimos algumas ações que, em anos bons, fortalecessem a sociedade nordestina para conviver menos penosamente com a seca. Nada, entretanto, com as características de projetos monumentais do tipo da Transposição do São Francisco, sobre a qual, aliás, também fizemos uma pesquisa na Fundação J. Nabuco em 1983 que, em termos muito simples e claros, mostrou que os sertanejos não queriam essa obra (logo esquecida pelo governo militar, que encomendara o estudo justamente para saber o que a população pensava da ideia). É assim que chegamos a mais um Natal em ano de seca terrível. O momento é de esperança para o mundo cristão. Só que, para atingir o que se espera, é preciso cultuar não o dinheiro como valor supremo, como faz nossa sociedade, mas a felicidade plena das pessoas.

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