22 DE NOVEMBRO DE 2012
Clipagem ASCOM
Recife, 22 de novembro de 2012
:: Jornal Do Commercio
Repórter JC
A fome de cada dia
O Centro Josué de Castro realiza mais uma jornada para atualizar o pensamento do cientista Josué de Castro, este ano através de mostra de curtas pernambucanas que tenham como tema as Fomes Ocultas, aqueles não resolvidas pela sociedade de consumo. No Cinema da Fundação, no Derby, dia 26, às 18h, com debate a mostra sobre a vida e a obra de Josué de Castro.
Politica
O sorriso de Joaquim
Fabiana
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A entrevista estava marcada há dois meses: foi confirmada por e-mail no dia 24/02/2010, fechada para o dia 19/4. Era uma ótima notícia: o ministro Joaquim Barbosa, o homem que já chamava atenção de todo o País por sua postura sem verniz durante as sessões do Supremo Tribunal Federal (STF), o homem público arrasa-quarteirão que era volta e meia citado como O Primeiro Negro a Ocupar uma Cadeira no STF (o que não é verdade), ia participar de um projeto especial que estávamos produzindo. O caderno, feito na passagem dos cem anos da morte de Joaquim Nabuco, tinha um ponto de partida que era também uma provocação: trazer cinco brancos pobres e cinco negros de alto status, fosse ele econômico, político, social, cultural. A provocação estava justamente em conversar com aqueles que, como o ministro, haviam alcançado sucesso profissional e pessoal. Negros que eram e são constantemente usados para provar que não somos racistas. As experiências colhidas e trazidas no material publicado em agosto daquele ano mostrou que a cor da pele, mesmo entre quem tinha chegado lá, continuava a gerar discriminação.Fui a visitante número 438860 a entrar, às 15h29, no Anexo 2 do Supremo, onde funciona o gabinete que o ministro ocupará até amanhã no fim de semana, ele se muda para a sala da presidência, localizada no prédio principal do Tribunal. As unhas da funcionária que recebeu a mim e ao fotógrafo Heudes Régis, logo na entrada do anexo, onde é solicitado que o visitante faça uma fotografia digital que acompanhará a identificação para circular no local, nunca saíram da lembrança: eram compridas, verdes e decoradas com pequenas flores. Um verdadeiro espetáculo, quase um manifesto à exuberante sisudez daquele ambiente. Ponto para a recepcionista.Fomos encaminhados até o ministro: antes de entrarmos, uma sala que leva ao corredor onde funcionam os gabinetes era vigiada por dois homens de terno preto. Uma secretária pediu nossa identificação e fomos liberados. Chegamos ao gabinete c-429, outra ante-sala na qual, atrás de um pequeno balcão, estavam centenas de pastas com números vários. Processos, documentos, relatórios: parte da carne do trabalho do ministro estava ali, naquele amontoado de papéis que em breve (ou não) iriam provocar a alegria de uns, a gastrite de outros.O então chefe de gabinete, Marco Aurélio Lúcio (no site do STF há a relação daqueles que trabalham com os ministros, o espaço dedicado a equipe de Barbosa está atualmente sem os nomes), com quem havia trocado os e-mails, veio nos receber. Logo, éramos encaminhados até o amplo gabinete do homem que hoje toma, oficialmente, posse da presidência do Supremo. Joaquim Barbosa nos esperava em pé, atrás da cadeira marrom de espaldar alto, uma pose que boa parte do Brasil já conhece. É a mesma adotada em vários momentos do atual processo do mensalão, a mesma adotada enquanto ele profere votos e às vezes, como alguns colegas ministros consideram, impropérios. É a postura que ele suporta manter quando a coluna começa a doer e ela dói muito, a ponto de Barbosa ter recusado em 2009 a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para se dedicar ao tratamento de uma crise.Apresentações feitas, expliquei a reportagem e iniciei a sabatina de perguntas, escritas à mão em um bloco, as respostas iam para um outro, o gravador ligado, Heudes observando seu futuro fotografado. As perguntas eram fruto de uma pesquisa redonda, que incluía a vida do ministro, os estudos de Florestan Fernandes, a questão das políticas de cotas e, claro, o aspecto racial. Logo na segunda questão, baseada justamente em uma análise de Florestan (O senhor acha que a aceitação seletiva de negros e mulatos em cargos de prestígio funciona como um mecanismo de aceitação que também esconde o preconceito?), Joaquim Barbosa empertigou-se. Eu não estou entendendo essa entrevista. Me avisaram que era sobre Joaquim Nabuco. O tom de voz me avisava que em mais ou menos dez minutos nossa doce ida a Brasília iria terminar. Expliquei, novamente, que o projeto era baseado em Joaquim Nabuco e que estava realizando dez perfis de negros e brancos para compor o especial. O ministro, que nos olhava lá do alto, a coluna doendo, a cara cada vez mais fechada, o sorriso escasso agora transformado só em uma sombra, uma sombrinha de nada, anunciou: sobre racismo, sobre a vida dele, não falaria. Mas as perguntas eram mais gerais, analíticas, expliquei. Nem sobre isso, minha cara, vamos encerrar por aqui. Mas, ministro, eu informei o que era a pauta. Mas eu não falo sobre isso. Não falo mais sobre isso.Traduzindo o que acontecia naquele momento: toda a situação dizia que a repórter havia encaminhado uma pauta para a assessoria do ministro, pauta que foi aceita, a entrevista marcada. Chegando lá, ela trocou a pauta combinada por outra que certamente não seria realizada. Estava muito claro, afinal os jornalistas, todos os jornalistas, são aqueles profissionais anti-éticos, vampiros, enganadores. Vivemos o momento mãos ao alto: a culpa é da mídia. Bem. A questão é que não eu sabia do que o ministro não sabia. Pedi para que ele chamasse o chefe de gabinete para esclarecermos a situação. Apertou um botãozinho, Marco, por favor. Marco apareceu. Eu não estou entendendo essa entrevista. Não é sobre Nabuco, é sobre racismo, sobre mim. O tom do olhar do ministro foi imediatamente transferido para o chefe de gabinete. Pedi: Você pode olhar seus e-mails, ver a pauta que expliquei e trazer para o ministro, por favor? O chefe de gabinete saiu. Passaram-se alguns minutos que duraram cinquenta milhões de anos (enquanto as calotas de gelo derretiam no Ártico e os dinossauros morriam esmurrados por meteoros, Barbosa continuava de pé). Marco retornou à sala com um papel na mão. Ministro, desculpe. A pauta explica realmente que é um perfil.Ufa. A balança da verdade e da justiça empunhada secularmente pela deusa Maat, filha de Rá, o deus Sol, pendera para os fracos e oprimidos. Olhei para o ministro me sentindo muito vingada (também pelos Deuses que não fizeram o chefe de gabinete voltar e falar não deu para ver o e-mail, o sistema está fora do ar). Barbosa finalmente sentou-se. Mas não se rendeu. Tudo bem. Mas sobre mim eu não falo. Se for sobre Joaquim Nabuco, sim. Chamou para a briga. Fechei o caderninho com todas as minhas perguntas jornalisticamente e sociologicamente fundamentadas. Àquela altura da pesquisa para a reportagem, tinha o CPF, RG e Facebook de Joaquim Nabuco guardados na memória. Era possível sim contrapor sua trajetória à própria história do Brasil e consequentemente, à história daquele Joaquim que eu tentava entrevistar.Começamos a falar sobre a trajetória do abolicionista, sobre o mito que concedia a Nabuco uma aura quase santa e impedia-nos de observá-lo como figura histórica. Sobre o capital econômico e social que facilitou sua ascendência, suas viagens à Europa, suas manobras políticas, sua relação com negros como Patrocínio e Gama, sua vaidade, os ecos de suas importantes discussões na questão racial, hoje. Sobre as similaridades que negros e brancos de ontem possuem com negros e brancos de hoje. Sobre o fato de os negros carregarem, ainda, os estigmas que a eles foram impostos logo após o fim da escravidão, quando foram lançados a um mercado de trabalho competitivo, onde brancos europeus, os preferidos, já faziam-se presentes. No fim, falávamos sobre hoje. Falávamos sobre o Brasil e sobre nós mesmos.A entrevista durou cerca de 1h15. Por um infortúnio tecnológico, o celular no qual a conversa foi gravada foi levado por um gatuno antes que o material fosse passado para o computador. Mas a memória registra poderosamente o momento no qual o rosto do ministro foi se modificando, o sorriso finalmente chegando, o momento no qual ele percebeu que, antes de tudo, não era visto por aquela equipe apenas como O Primeiro Negro a Ocupar uma Cadeira no STF. É um olhar que o reduz, que limita sua figura a uma temática única, enquanto sua fala atinge outras várias questões pouco comuns ao debate público transparente (células-tronco, casamento gay, aborto). Falamos sobre a foto, Heudes pediu para o ministro ir para perto de uma das paredes/divisórias e começou a fotografá-lo. Os braços cruzados, Joaquim Barbosa sorria. Vocês desculpem o mal-entendido. É que me pedem para falar sobre esse assunto como se eu não pudesse falar sobre outros. E eu não me deixo instrumentalizar. Tinha razão. Nos despedimos cordialmente, abraços, envio a matéria, lembranças a Recife. Voltamos pelo mesmo corredor, torci em vão para passar por Gilmar Mendes e ver de perto seu protuberante lábio inferior. Passamos pela secretária, pelos os homens de preto. Na recepção, procurei a recepcionista. Melhor, procurei suas unhas verdes. Precisava de alguma fantasia depois daquela que se tornara uma das mais tensas entrevistas da minha vida. Não a encontrei. Mas, desde então, passei a ter alguma simpatia pelas corajosas mulheres que andam pelo mundo com flores nas pontas dos dedos. Mais ainda: passei realizar a estranhíssima relação entre Joaquim Barbosa, novo presidente do STF, e mulheres com as unhas decoradas.
Caderno C
Cinema
Mostra Cinema Direto Canadense - O Festival dedicado aos filmes que marcaram a produção audiovisual do Canadá nos anos 1960 e 1970 exibe, às 16h, o longa-metragem Vamos lá, filhos; às 18h, o filme Acádia Acádia ?!? e, a partir das 20h, As ordens. Cinema da Fundação.
Tudo que eu Amo – (Wszystko, Cokocham, POL, 2009) – De Jacek Borcuch. Com Mateusz Kosciukiewicz, Olga Frrycz. Em 1981 há rumores sobre comunista da Polônia. No meio de tudo, Janek, filho rebelde de um policial militar, apaixona-se por Basia, filha de um ativista político simpático ao movimento. O filme segue em cartaz apenas até quinta-feira, já que na sexta o Cinema da Fundaj, recebe o Festival de Cinema e Direitos Humanos. Cinema da Fundação – 14h40, 16h30, 18h30, 20h30. Drama. 16 anos.
:: Folha De Pernambuco
Programa
Cinema
Tudo que Eu Amo / (Wszystko, Cokocham) / De Jacek Borcuch / Com Mateusz Kosciukiewicz Olga Frrycz, Jakub Gierszal. É 1981 e os rumores de uma revolução na Polônia crescem como uma bola de neve. O movimento “Solidariedade” começa a ganhar força e o povo critica o regime comunista. O adolescente filho rebelde de um policial militar é o vocalista de uma banda de punk local e se apaixona pela filha de um ativista político. Cinema da Fundação: 14h40, 16h30, 18h30, 20h30. 16 anos.
:: Diário de Pernambuco
Viver
Cinema
Tudo que eu amo (POL, 2009). De Jacek Boruch. Mateusz Kosciukiewicz, Olga Frycz. Quatro amigos tentem montar uma banda, mas as diferentes realidades dos integrantes são afetadas pela crise social e percepções externas existentes no país. Cinema da Fundação. 14h40, 16h30, 18h30, 20h30. 16a.
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