13 DE NOVEMBRO DE 2012
Clipagem ASCOM
Recife, 13 de novembro de 2012
:: Jornal Do Commercio
Caderno C
O Rei dos Desafetos
Diogo Guedes
A certa altura de sua vida, o escritor pernambucano Carneiro Vilella (1846-1913) escolheu parar de alternar empregos em jornais. Cansado da pressão dos desafetos que colecionou com suas crônicas, passaria a viver da construção de gaiolas. Engana-se, no entanto, quem acha que ele fez isso para se silenciar: queria, na verdade, manter a sua independência intelectual, continuando a escrever livremente em jornais, sem medo de ser demitido até porque suas crônicas funcionavam como uma metralhadora moral. Boa parte desses textos foram finalmente editados no livro Cartas sem arte crônicas (Ed. Universitária, 339 páginas, R$ 40), organizado pela professora e pesquisadora Fátima Maria Batista de Lima, com lançamento às 19h, na Livraria Cultura do Paço Alfândega.
Fundador da Academia Pernambucana de Letras, Carneiro Vilella é o autor do romance Emparedada da Rua Nova, relato naturalista sobre uma jovem grávida, emparedada por seu namorado no Recife. É, até hoje, sua única obra conhecida do público, alçada ao posto de lenda urbana. Para Fátima, esse foi um esquecimento proposital” do público e da crítica. Vilella falava de tudo e de todos. Tal conduta explica, de certa maneira, o ostracismo que lhe impuseram”, explica a organizadora. Sua lâmina era tão cortante que, quando lhe faltava assunto, ele falava mal dele mesmo. Um homem desses não podia ser muito amado”, aponta o professor da UFPE Anco Márcio.
As crônicas reunidas em Cartas sem arte foram publicadas entre 1888 e 1905 nos jornais Diario de Pernambuco e A Província e na revista A Cultura Acadêmica. Segundo Fátima, o interesse na obra do autor surgiu depois de um passeio guiado pelo professor José Ernani Souto, que contou a história da emparedada. Aquilo me chamou a atenção, porque quando criança ouvira de meu pai uma história parecida, conta. Foi na pesquisa para o mestrado, nos arquivos da Fundação Joaquim Nabuco, que ela achou crônicas do autor, ignoradas por críticos e historiadores.
Para Anco Márcio, Carneiro Vilella faz dos seus textos crônicas de pregação moral, mas que não são exatamente moralistas. Vilella é o elo entre um crítico moral do Brasil Colônia, que foi Gregório de Mattos, e um outro do século 20, que foi Nelson Rodrigues. Todos partem do cotidiano para desvelar o que se escondia por trás da aparência, define.
Para Fátima, a arma de Vilella era sua pena. Era autor compromissado com a sua época, que não se intimidava frente aos poderosos, destaca. A principal forma de ironizar as práticas e costumes fingidos da sociedade como, por exemplo, senhoras burguesas expondo um falso luto durante o Dia de Finados era a ironia cortante. Lemos Vilela com um permanente sorriso no canto da boca, como se ele nos vingasse do mundo, ao tempo em que mantemos uma permanente tensão, pois a próxima vítima dos seus escritos poderia ser você, alerta.
Caderno C
Janela de Cinema exibe clássico de Luchino Visconti
Dono de um dos planos-sequência mais famosos da história do cinema, O leopardo, clássico de Luchino Visconti, é uma das principais atrações de hoje do Janela Internacional. O longa é exibido às 20h, no São Luiz.
Na história, o processo da unificação italiana leva o príncipe Fabrizio a lutar para manter seus valores em meio a contradições políticas. O filme encerra a programação do dia. Antes dele, haverá o Panorama Alemão, com o longa Para Elise, e mostra de curtas brasileiros – incluindo o pernambucano Porcos raivosos, de Isabel Penoni e Leonardo Sette.
Na Fundação, às 17h, há também curtas brasileiros, como A onda traz, o vento leva, de Gabriel Mascaro. Às 19h, há reexibição de Veludo azul, de David Lynch (EUA).
Cidades
Folia homenageia Naná e Alcir
A cidade do Recife rende homenagens ao percussionista Naná Vasconcelos e ao fotógrafo Alcir Lacerda (1927-2012) no Carnaval do próximo ano. Pernambucanos de nascimento, eles foram escolhidos pelo prefeito eleito, Geraldo Júlio (PSB), que assume o cargo no mês de janeiro e vai coordenar a festa em 2013, pela primeira vez. Depois de fazer o anúncio, o futuro gestor disse que Naná Vasconcelos está mantido na programação de abertura do Carnaval.
Geraldo Júlio recebeu a imprensa no auditório da Central de Artesanato de Pernambuco, na zona portuária do Bairro do Recife, ontem pela manhã, para tornar público o nome dos homenageados, mas não detalhou os preparativos da folia recifense. Disse, apenas, que está discutindo os preparativos do Carnaval com a atual administração e que fará uma festa democrática e descentralizada.
“O prefeito João da Costa foi elegante em compartilhar as decisões com a gente”, destacou. Até este ano, a estrutura do Carnaval da cidade contava com oito polos de animação no Centro, nove polos espalhados em bairros populares como Ibura, Várzea, Alto José do Pinho e Casa Amarela, além de 40 polinhos de comunidades que recebem apoio do município.
Juvenal de Holanda Vasconcelos, olindense de 68 anos, recebeu a homenagem como um presente. É um carinho, um reconhecimento do trabalho que tenho feito pelo mundo, falando dessa terra, disse Naná Vasconcelos, visivelmente emocionado. O artista faz a abertura do Carnaval do Recife há 12 anos e agora está desenvolvendo um novo projeto para apresentar ao prefeito eleito, com modificações na festa.
“Quero saber se posso trazer um artista africano, pois considero a África a espinha dorsal da nossa cultura, ou um português, aproveitando os eventos do Ano de Portugal no Brasil (uma iniciativa do governo lusitano)”, adianta Naná Vasconcelos. Outra opção é trazer um instrumentista dos Estados Unidos, para fazer música improvisada, “que é o meu mundo, acrescenta”.
Certeza mesmo é a participação dos batuqueiros de maracatu na noite de abertura do Carnaval, com o percussionista homenageado. Vou começar a visitar as nações de maracatu em dezembro”, informa. Betty Lacerda, filha de Alcir, recebeu com surpresa a homenagem ao pai, nascido em São Lourenço da Mata, município do Grande Recife, e fotógrafo por mais de seis décadas.“
“A família está muito contente, apesar de o meu pai só ter sido folião na juventude, essa é a cidade que ele fotografou. O lugar da festa está eternizado nas imagens que ele captou. Unir o mestre da fotografia com Naná Vasconcelos, o mestre da música pernambucana, será um casamento feliz”, avalia Betty Lacerda. Ela representou o pai no evento de ontem.
Fotografias de Alcir Lacerda serão usadas pelo escritório do arquiteto Carlos Augusto Lira, na montagem da decoração do Carnaval 2013. Este ano, a folia custou R$ 30 milhões, dos quais cerca de R$ 10 milhões captados com a iniciativa privada, de acordo com a prefeitura.
Caderno C
Cinema
Janela 2 – O 5° festival Janela Internacional de Cinema do Recife recebe uma série de curtas brasileiros sobre a temática História oral, às 17h, com destaque para o pernambucano A Onda traz, o vento leva, de Gabriel Mascaro. Às 19h haverá o clássico restaurado Veludo Azul (David Lynch, EUA, 1982) e às 21h, o longa Speed – Em busca do tempo perdido (Florian Optiz, ALE 2012). Cinema da Fundação.
:: Folha De Pernambuco
Grande Recife
Naná e Alcir serão celebrados na folia
O Carnaval do Recife de 2013 irá homenagear o percussionista Naná Vasconcelos e o fotógrafo, que faleceu há dois meses, às vésperas de completar 85 anos, Alcir Lacerda. O anúncio foi feito durante uma entrevista coletiva dada na manhã de ontem pelo prefeito eleito, Geraldo Júlio, na Central de Artesanato de Pernambuco, no Bairro do Recife, no centro da Cidade. O fotógrafo foi sócio-fundador do Galo da Madrugada e foi um dos pioneiros nas áreas da fotopublicidade e do fotojornalismo. Naná é o responsável pela abertura do Carnaval recifense e considerado um dos melhores percussionistas do mundo.
“O Carnaval do Recife é uma festa democrática, feita para o povo e que deve ter como homenageadas as pessoas que representem bem à população e estes são Naná Vasconcelos e Alcir Lacerda”, declarou Geraldo Júlio. O prefeito eleito ainda falou sobre os preparativos para o Carnaval 2013. “Muitas providências já estão sendo tomadas pela atual gestão para que o Carnaval possa acontecer sem nenhum problema. A escolha dos homenageados é uma dessas etapas”, explicou Geraldo. Também presente à coletiva, o secretário municipal de Turismo, Carlos Braga, enfatizou a grandeza do período de Momo na cidade. “É uma grande festa que atraiu, em 2012, 710 mil visitantes e movimentou R$ 500 mil”, disse.
Emocionado, Naná Vasconcelos comentou da honra e da felicidade de receber a homenagem. “É tudo muito gratificante e profundo para mim, ser homenageado em minha terra. Vou procurar fazer, como sempre e agora, mais ainda, um Carnaval alegre e miscigenado. O Carnaval é uma festa para celebrar as similaridades e exaltar as diferenças”, disse. Representando Alcir Lacerda, Betty Lacerda, filha do fotógrafo, também falou da escolha de seu pai como homenageado. “Meu pai eternizou o Recife através das imagens e a gente vai juntar, de maneira inédita, às fotografias em preto e branco que ele fez com a festa, a alegria e a música de Naná Vasconcelos”, declarou.
Naná Vasconcelos, apesar de ser especialista no berimbau, aprendeu a tocar quase todos os instrumentos de percussão. Gravou cerca de 200 discos, entre autorais e participações em gravações de outros artistas, nos seus 56 anos de carreira. Já Alcir Lacerda, no final da década de 1950, criou, juntamente com Clodomir Bezerra, a Acê Filmes, empresa que realizou serviços nas áreas publicitária e jornalística. Em mais de 60 anos de carreira, foi um dos principais fotógrafos de sua geração, sendo pioneiro nas fotos artísticas autorais, principalmente de paisagens do Interior e do Litoral do Estado.
Programa
Cinema
V Janela Internacional de Cinema do Recife/São Luiz: 16H – Panorama Alemão; 18h – Curtas Brasileiros 5:20h – O Leopardo, Luchino Visconti. / Cinema da Fundação: 17h – Curtas Brasileiros 1;
19h – Veludo Azul, David Lynch; 21h – Speed – Em Busca do Tempo Perdido, de Florian Optiz.
:: Diário de Pernambuco
Últimas
Filme Dá voz às igrejas de Olinda
A vida noturna das igrejas de Olinda, a cineasta Mariana Lacerda faz o público ouvir as vozes das construções seculares da Cidade Patrimônio como se elas fossem pessoas. O curta-metragem foi exibido pela 1ª vez em Pernambuco na noite de ontem, no São Luiz, e será reprisado hoje, às 17h, no Cinema da Fundaj, no Festival Janela Internacional de Cinema do Recife.
No lugar de produzir um documentário tradicional, a diretora seguiu o caminho da fantasia e da poesia. É como se as igrejas começassem a falar o que elas viveram. À noite elas se sentiriam mais à vontade. Idéia é trabalhar a memória dos lugares, explicou Mariana ao apresentar o filme. As falas são textos extraídos de pesquisas sobre Olinda e relatos de viajantes que passaram pela cidade.
As imagens mostram as igrejas, principalmente, seu interior. As cenas são mesmo escuras e cheias de sombras. Há um clima de mistério no ar com uma câmera que flutua de maneira fantasmagórica. Não há discursos explícitos, mas sente-se que elas estão solitárias e sem a devida atenção dos seres humanos. A sensação de abandono é sugerida com um final mágico proporcionado por efeitos especiais digitais. Além do filme de Mariana, a sessão de curtas, que também será exibida hoje, é formada
pelos filmes IN, de Bruno de Oliveira (Paraná), Quem tem medo de Cris Negão?, de René Guerra (São Paulo), e A onda traz, o vento leva, do pernambucano Gabriel Mascaro (sobre um surdo, portador de HIV, que trabalha com caixas de som, tem uma filha e vive momentos felizes apesar das
dificuldades).
(Júlio Cavani)
Cinema
Festival Janela – Atrações estão divididas entre o Cine São Luiz e o Cinema da Fundação. No São Luiz, Para Elise (16h), Curtas Brasileiros 5 (18h) e Leopardo (20h). No Cinema da Fundação , Curtas Brasileiros 1 (17h), Veludo Azul (19h) e Speed: Em busca do tempo perdido (21h).
Redes Sociais