12 DE NOVEMBRO DE 2012
Clipagem ASCOM
Recife, 12 de novembro de 2012
:: Jornal Do Commercio
Caderno C
Janela para um amor no Recife
Foi possível ouvir os suspiros quando as luzes do Cinema São Luiz se apagaram na última sexta-feira deixando em evidência apenas a decoração luxuosa da sala. No ano em que completa 60 anos, o palacete
é um dos poucos sobreviventes no País. A noite de abertura da Janela Internacional de Cinema
deixou claro que o festival é mais do que uma oportunidade para curtir novas produções e clássicos restaurados. É um convite ao Recife, uma ode à cidade. Em um momento no qual filmes pernambucanos ganham destaque no mundo e a capital passa por polêmicas mudanças estruturais, a Janela funciona como convocação a um olhar interno. Após matar a curiosidade sobre o filme Boa sorte meu amor, de Daniel Aragão, os recifenses atravessaram a Ponte Duarte Coelho e curtiram a festa do evento no
emblemático Edifício JK. Para corroborar sua relação com a cidade, o homenageado da quinta edição da Janela é o fotógrafo Alcir Lacerda, que recentemente deixou a cidade órfã de sua dedicação. A imagem escolhida para ser o símbolo do evento é uma inquietante foto da Avenida Agamenon Magalhães nos anos 1970. Nela uma mulher caminha em uma estrada quase deserta na avenida que hoje recebe
82 mil carros por dia. “As imagens de Alcir nos ajudam a entender o que está acontecendo com nossa cidade”, disse Kleber Mendonça Filho, produtor do festival, antes de chamar Mariana Lacerda ao palco. A cineasta, emocionada, exibiu um teaser do documentário que está produzindo sobre o fotógrafo. As três
filhas de Alcir receberam a homenagem do festival. Para dar a largada ao momento mais aguardado do evento, Daniel Aragão agradeceu à força de vontade de todos os envolvidos na produção de Boa sorte meu amor. “Todos que participaram acreditaram no filme, mesmo com as estranhezas e alegrias que ele pode provocar nas pessoas”, adiantou. Pedro Severien, que assina a produção, completou os agradecimentos: “Contamos com a ajuda de dezenas de famílias. Para citar um exemplo, a casa da minha mãe virou um hotel”, brincou. O filme foi produzido com incentivo do Funcultura. Daniel pôde mostrar em sua cidade as razões porque seu primeiro longa- metragem tem tido boa repercussão por onde passa. A produção teve première mundial em agosto, no 65˚ Festival de Locarno, na Suíça, onde recebeu o prêmio de Melhor Filme pelo Júri Jovem. Ainda logrou os prêmios de Melhor Som e Melhor Direção no 45˚ Festival de Brasília do Cinema Brasileiro em setembro. A trama, essencialmente musical,
conta a história de Dirceu e Maria, duas pessoas em conflito com seus passados. Na produção, paisagens do Recife, entre suas ruas, as torres gêmeas do Centro da cidade e o próprio prédio do Cinema São Luiz revelam um cenário nostálgico, todo em preto e branco. A atriz carioca Christiana Ubach e o paulista Vinicius Zinn fazem a dupla provocante de protagonistas. Se as novas produções pernambucanas
são destaques no festival, os clássicos digitalizados fazem suas partes. Em 1966, o Cinema São Luiz exibiu, por meses, o longa A noviça rebelde (1965), de Robert Wise, causando frisson na população recifense. Ontem o longa voltou a ser exibido para a emoção dos cinéfilos espertos. No mesmo dia, Veludo
azul (1986), dirigido por David Lynch, atraiu os espectadores. Anteontem foi a vez de Psicose (1960), clássico de Alfred Hitchcock, lotar o palacete da Rua da Aurora.
Vitrine para a produção local mais recente
“Acabo de saber que o curta Câmara escura, de Marcelo Pedroso, ganhou o Grande Prêmio do Festival Curta Cinema do Rio de Janeiro”, anunciou, orgulhoso, Kleber Mendonça na noite de abertura da Janela Internacional de Cinema. Mais um prêmio para a coleção das produção pernambucana atual, que vive um momento de ouro. Nesse mesmo festival, que ocorreu na semana passada, o curta A onda traz, o vento leva, do também pernambucano Gabriel Mascaro levou para casa o Prêmio Especial do Júri. O curta passa hoje, às 18h, no Cinema São Luiz. A programação que o filme de Gabriel foi incluído, a Curtas Brasileiros 1, tem mais uma produção da terra, A vida noturna das igrejas de Olinda, de Mariana Lacerda. O programa volta a ser exibido amanhã, às 17h, no Cinema da Fundação. Nesse mesmo local, a programação de hoje da Janela traz ainda outros dois programas de curtas brasileiros, às 17h e 19h. Entre eles está A menina da boneca, do pernambucano André Pinto. No sábado, às 17h, Gabriel exibe no São Luiz o longa Doméstica. Ainda hoje mais um filme da nova safra brasileira deve movimentar os cinéfilos: O que se move, do carioca Caetano Gotardo passa, às 20h, no São Luiz. É o primeiro longa do diretor e deve causar emoções, encanto e “estranheza” no espectadores. Três histórias, baseadas em fatos reais, são guiadas pela dor de um quarto vazio, da perda de um filho e da eterna espera. Sem relações diretas umas com a outras, os contos se entrelaçam pela essência. O que se move é um filme que pede para ser ouvido e contemplado. A atriz Fernando Viana ganhou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Gramado em agosto. (B.B.)
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