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05 DE OUTUBRO DE 2012

Publicado: Sexta, 05 de Outubro de 2012, 10h23 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h25 | Acessos: 765

Clipagem ASCOM
Recife, 5 de outubro de 2012

 

:: Jornal Do Commercio

Caderno C 2

Conto Uruguaio de Amor ao Cinema

 

Logo no início de A vida útil (La vida útil, 2012), longa uruguaio que estreia hoje no Cinema da Fundação, o cineasta Federico Veiroj deixa claro: “o filme não recria o dia-a-dia da Cinemateca Uruguaia, nem dos profissionais que lá trabalham”. Apesar do alerta, o tom documental não deixa de fixar no espectador a ideia de que o que se passa na tela é tal e qual o que se vê em várias videotecas mundo afora, com a associação cada vez mais intensa de cinema a shopping centers.

Apresentado em preto e branco, ainda que filmado em cores, o filme traz como protagonista Jorge (interpretado pelo ótimo Jorge Jellinek, crítico de cinema na vida real), que há 35 anos dedica a vida a tocar a instituição. Com as salas praticamente vazias, paira por lá o risco iminente da perda do incentivo financeiro do governo, única verba que ainda mantém as portas da casa aberta para os cinéfilos locais.

O filme, com um apelo estético constante através de uma (bela) fotografia contemplativa, dá largada com um ritmo rastejante, que talvez canse parte do público. A calmaria depois se explica, entretanto, pela rotina solitária e aparentemente tediosa da personagem, que vive enfurnada entre rolos de filmes antigos e assentos vazios e danificados.

O longa ganha agilidade em uma segunda parte, quando Jorge se arrisca fora da cinemateca – ao mesmo tempo, sua zona de conforto e lugar que lhe consome à exaustão. É a partir daí que as pessoas que encontra na rua – até então estranhos com quem ele nutria um contato frio e distante – começam a ter um papel diferente diante de seus olhos, estes tão treinados para ficcionalizar o universo ao seu redor.

A vida útil se torna grande pela simplicidade. A ação, ainda que sempre sutil, é contínua, e culmina num desfecho afetuoso e delicado. Aos que não se deixaram abalar pelo ritmo rastejante do início, o filme nos trazendo uma tenra surpresa. (R.C.)

A vida útil ( La Vida Útil,URU/ESP, 2012). De Frederico Veiroj. Com Jorge Jellinek, Manuel Martinez Carril. Jorge tem 45 anos, vive com os pais e trabalha numa cinemateca. Quando perde o emprego, são os filmes que irão ajudá-lo a sobreviver. Cinema da Fundação- 15h10, 17h20, 18h50.

 

 

 Violeta Foi Para o Céu( Violeta se Fue a Los Cielos, CHI/ARG/BRA,2012) De Francisca Gavilán, Thomas Durand, Christian Quevedo, Gabriela Aguilera. A vida de Violeta Parra, conhecida como a mãe do folk latino-americano. Cinema da Fundação-15h10, 20h20. Documentário.

 

 

 :: Folha De Pernambuco

Programa

Cinefilia

Filme Celebra Amor ao Cinema

05/10/2012 02:01 - HUGO VIANA

 

Alguns filmes mostram interesse particular pelo próprio cinema, criando enredos que destacam amor aos bastidores do processo cinematográfico. Entra em cartaz, no Cinema da Fundação, o uruguaio “A Vida Útil”, de Federico Veiroj, que ao mesmo tempo em que desenvolve uma história de amor, narrando o percurso de um homem tímido até adquirir autonomia sobre suas escolhas, sugere uma reflexão sobre o estado do cinema atualmente, em especial dos locais de exibição.

O longa dura pouco mais de uma hora e pode ser dividido em duas partes. A primeira é fraca, lembra, na hipótese mais otimista, um filme institucional sobre a cinemateca, um documento que registra com rigor de observador partidário os problemas técnicos e o gradativo afastamento do público. Veiroj não desenvolve personagens ou história, parece exclusivamente interessado em reforçar que a cinemateca é um espaço importante por exibir “filmes bons”; é como um ensaio documental sem o efeito catalisador e fascinante do cinema.

A segunda parte se afasta dessa vontade quase obsessiva de reforçar a necessidade social da cinemateca e confronta a permanência do cinema na vida cotidiana de forma criativa e singela. Um dos programadores do cinema, Jorge, 45 anos, recebe a informação do fechamento da cinemateca com um tipo discreto de rebeldia; projeta uma investida romântica, corta o cabelo, exerce o direito de encontrar encanto em coisas pequenas. Numa das cenas mais curiosas, finge ser professor de direito e narra com eloquência um texto escrito por Mark Twain sobre a necessidade da mentira.

Dessa forma, o tema cinema continua presente como argumento, mas de maneira sutil; o filme investiga a possibilidade de emular na rotina a carga emocional gerada pela relação entre imagem e som. “A Vida Útil” é uma homenagem ao cinema do passado, observando com melancolia monótona o mercado contemporâneo.

A Vida Útil/ De Federico Veiroj/ Com Jorge Jellinek, Manuel Martinez Carril. Jorge tem 45 anos e ainda vive com os pais. Nos últimos 25 anos ele trabalhou na Cinemateca de Montevidéu, monta a programação de filmes e dá suporte técnico. Um dia ele perde o emprego. Então, busca se adaptar a um novo mundo que surge à sua frente. Mas Jorge percebeu que são justamente os filmes que irão ajudá-lo. Cinema da Fundação: 14h20, 18h50. 12 anos.

 

Cinebiografia

A viagem Contraditória de Violeta Parra

05/10/2012 02:00 - Talles Colatino

Uma boa biografia não nos ensina o mero bê-á-bá do seu objeto central, mas contribui principalmente para ajudar o público a interpretar os fatos que compuseram aquela vida supostamente interessante. O chileno Andrés Wood (“Machuca”) entendeu bem essa dinâmica, como prova no belíssimo “Violeta Foi Para o Céu” (premiado como melhor filme no Festival de Sundance), filme que mergulha na vida da cantora, compositora e artista plástica chilena Violeta Parra para nos mostrar as águas turvas que terminaram por afogar um espírito passional, intelectualizado pela paixão à cultura popular do seu povo.

Considerada hoje a “mãe do folclore chileno”, Violeta Parra viveu com a ânsia de tentar administrar contrassensos. Quando criança convivia com o fascínio e ódio projetados no violão do pai, o mesmo que recebeu como (única) herança ainda menina. A forma como conduzia seus relacionamentos amorosos lhe colocava entre a entrega e a necessidade de controle. A mesma confusão surge no que diz respeito à atenção aos filhos, num impasse entre a maternidade e a administração da vida profissional.

O filme, em seu mais alto mérito técnico, consegue captar a essência dúbia da figura instigante de Violeta através de um olhar caleidoscópico lançado sobre a protagonista, num trabalho de atuação impecável de Francisca Galiván. A narrativa não-linear, guiada por uma entrevista real concedida por Violeta a uma rede de televisão, desdobram nuances que afastam as linhas retas e apresentam encruzilhadas. E é justamente nelas que o espectador é provocado a encarar a figura ora doce, ora feroz de Violeta. Essa suposta falta de clareza da narração vai alimentando aos poucos o próprio discurso da personagem, contraditório, pulsante e real.

Autora de canções que se tornaram hinos duplos sobre o amor e política, em favor do comunismo, Violeta Parra é vista no filme desde a infância, passando pelo reconhecimento artístico internacional e sua luta em favor da valorização da expressão cultural do Chile. Culmina no seu trágico fim causado por ela mesma (registrada aqui numa sequência poética irretocável), talvez motivado pelo fracasso em montar um centro de estudos e resistência do folclore chileno e pelo fim de um relacionamento, fato que dimensiona ainda mais a contradição de sua música mais famosa se chamar “Gracias a La Vida” (Graças à Vida). Não é fácil tentar decifrar Violeta, mas, acredite, o prazer reside todo nessa busca. E é ótimo que o filme nos permita isso.

Violeta Foi para o Céu/ De Andrés Wood/ Com Francisca Gavilán, Thomas Durand, Christian Quevedo, Gabriela Aguilera. Drama biográfica que observa a vida de Violeta Parra, compositora, cantora e folclorista chilena que representa uma paixão nacional equivalente à Edit Piaf na França. Ela é conhecida como a “mãe do folk latino-americano”. A trama reúne diversos momentos da artista, desde a infância humilde ao reconhecimento internacional, passando pela intensidade de suas contradições internas, falhas e paixões. Cinema da Fundação: 15h10, 20h20,. 12 anos.

 

 

:: Diário de Pernambuco

Divirta-se

Cinema

Memórias de Violeta


Publicação: 05/10/2012 03:00

 

Certas situações marcam profundamente a existência humana. Violeta Parra (1917-1967), cantora, compositora, poeta e pintora, um dos maiores ícones da arte popular latino-americana, tem história que bem poderia ser resumida com a frase citada. Tida como intratável e boêmia, ao mesmo tempo terna e áspera, frágil e indomável, ela foi uma das artistas mais emblemáticas do Chile.

Inspirou-se na cultura popular para se expressar em variadas linguagens. Ganhou repercussão e reconhecimento internacionais, mas, por outro lado, sofreu e foi ignorada durante décadas pela cultura controlada pela ditadura de Pinochet. Violeta foi para o céu, filme vencedor do Sundance Film Festival neste ano, traça retrato delicado e contundente do legado da grande artista. E estreia hoje no Cinema da Fundação.

Baseada no livro homônimo de Angel Parra, filho de Violeta, a coprodução do Chile, Argentina e Brasil se apropria da rica biografia para propor espécie de mosaico audiovisual, mesclando obra, memória, amores, esperanças, sensações e lugares onde ela viveu. A narrativa segue cronologia linear. As primeiras cenas da ainda menina Violeta, já órfã de mãe, sofrendo com o alcoolismo do pai, depois com a morte dele e a consequente pobreza e desamparo, não são apenas tocantes como ajudam a compreender a alma sofrida da futura artista.

A artista, considerada a fundadora da música popular chilena, não conseguiu se afastar das próprias mazelas enquanto viveu. Mesmo tendo colecionado realizações. Foi autora de clássicos do cancioneiro latino-americano como Gracias a la vida, entre outras composições que conseguiram expressar a alma de sua nação. Foi também artista plástica reconhecida, com exposição  no Louvre, em Paris. Nada disso a afastou do intenso turbilhão de suas contradições internas, falhas e paixões, tão bem retratadas pelo dirteor Andrés Wood. (Sérgio Rodrigo Reis)

 

Violeta foi para o Céu(Chile/ Argentina/Brasil, 2011). De Andrés Wood. Francisca Gavilán, Thomas Durand, Christian Quevedo. Um retrato da famosa cantora chilena Violeta Parra, apresentadora seus trabalhos, memórias, amores e esperanças. Cinema da Fundação. 15h10(Sex), 16h40(Sab), 18h50(Sab), 20h(Dom), 20h20(Sex).12a.

 

 

 Vida Além do Emprego

Publicação: 05/10/2012 03:00

 

A vida de Jorge, um homem de meia-idade, leva ao cinema o drama comum vivenciado por trabalhadores em tempos de recessão econômica. O personagem vive com os pais e, nos últimos 25 anos, trabalha exclusivamente com cinema, em Montevidéu. Mas é demitido e fica perdido diante da falta de experiência em outras áreas. O recomeço se dá quando ele tenta modificar o modo de vida e percebe que os filmes ainda podem ajudá-lo na retomada do destino. A obra de Federico Veiroj conta com Jorge Jellinek e Mauel Martinez Carril no elenco.

 

A Vida Útil (Uruguai, 2010). De Federico Veiroj. Jorge Jellinek, Manuel Martinez Carril, Paola Vendiotto. Jorge trabalha há 25 anos na cinemateca de Montevidéu, ao perder o emprego um novo mundo surge a sua frente. Cinema da Fundação. 17h(Dom), 17h20(Sex), 18h30(Dom), 18h50(Sex), 21h(Sab). 14a.

 

 

 

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