02 DE OUTUBRO DE 2012
Clipagem ASCOM
Recife, 2 de outubro de 2012
:: Jornal Do Commercio
Não houve noticias sobre a Fundaj.
:: Folha De Pernambuco
Programa
O exercício do poder/(L’Exercice de L’État) / De Pierre Schoeller/ Com Oliver Gourmet, Michael Blanc. O ministro dos transportes Bertrand Saint-Jean é acordado em plena noite pelo diretor do seu escritório. Um ônibus repleto de crianças acabou de cair num penhasco. Ele dirige-se imediatamente ao local. Começa assim a odisséia na vida de um político, entre correia, luta de poderes, negociações, crise econômica... É preciso lidar com tudo, ao mesmo tempo. Quais sacrifícios ele está prestes a fazer para conservar seu cargo e sua integridade? Cinema da Fundação: 14h30, 17h10, 19h50. 12 anos.
:: Diário de Pernambuco
Opinião
Austro Costa, poeta da vida e do sonho
Marly Mota
Academia Pernambucana de Letras
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Publicação: 02/10/2012 03:00
Camilo Castelo Branco, com a sua agudeza, afirma que há esquecimentos que são lembranças. Minha memória obediente tira do esquecimento, lembranças do amigo Austro Costa ou Austriclínio Ferreira Quirino (1899-1953), que tinha Mauro Mota seu admirador imbatível. Conheci-o em janeiro de 1949 e logo esteve presente a cerimônia do meu casamento, na Igreja das Graças. Austro e sua devotada Helena Lins, formavam um casal encantador.
Foi curto o período das nossas convivências, 1949 a 1953. Frequentávamos a casa deles, na Rua dos Arcos, no Poço da Panela. Eram raros os aniversários e almoços domingueiros que não estivessem compartilhando conosco. Nessas ocasiões, Mauro Mota, brincalhão, passava a palavra em tom discursivo aos participantes. Todos davam o seu recado. Lembro Austro Costa, afetivo e compadecido de me ver tão nova na trabalheira com filhos pequeninos e dois enteados.
Mauro Mota lembrava quando estudante, com o seu fraternal amigo Álvaro Lins, da fase de boemia e dandismo de Austro Costa, fazendo o footing pela Rua Nova. Ambos ficavam à distância, medindo a importância do poeta, que circulava entre a Igreja da Conceição dos Militares e a casa Sloper. O máximo que conseguiam dele era um ligeiro e comedido cumprimento de boa-tarde. Por essa época, Austro Costa, com o pseudônimo de João-da-Rua-Nova, colaborava nos jornais do Recife assinando crônicas, com humor satírico, ironizando personagens, costumes e acontecimentos do Recife. Não o conheci excêntrico, muito ao contrário. A fase das vociferações indignadas e do lirismo conheci em seu livro póstumo De Monóculo, editado em 1966, pelo governador Paulo Guerra.
A Fundação Joaquim Nabuco em 1993 assinalou os 40 anos de morte de Austro Costa com uma exposição de fotos, livros, objetos pessoais e mesa-redonda sobre a vida e a obra do poeta, da qual participei com os escritores Cláudio Aguiar, Paulo Gustavo Oliveira, José Luiz Delgado e Waldemar Lopes. Na Academia Pernambucana de Letras, ocupou com brilho a cadeira nº 5, vaga com a morte do grande mestre Luiz Delgado. Em 22 de agosto último, a Companhia Editora de Pernambuco – Cepe reuniu obras de ilustres escritores, trazendo Austro Costa de volta, com o livro: Mulheres e Rosas, e Vida e Sonho, e De Monóculo.
Quando adolescente, em minha cidade de Bom Jardim, uma festa era um acontecimento. No esperado baile, fui vestida de verde. Ao passar por um grupo de rapazes, um deles dissera-me num galanteio, “Não me mates vestida de esperança.” Muito depois descobri que o galanteador leu o poema de Austro Costa, Salomé toda de verde.
Num começo de noite em outubro de 1953, sempre gentilíssimo, cedera o seu lugar à passageira que viajava em pé. Mais adiante o ônibus se choca com o poste. Morre o poeta tragicamente. Escreve Mauro Mota, no livro Geografia Literária, em 1959: “Austro Costa é lembrado como o poeta mais íntimo e constante do Recife. Com ele encerra-se um ciclo. Nenhum outro o repetirá. Isso já representa muito para que seja lembrado e continue presente nesta cidade de sua inquietação e dos seus sonhos.”
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