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23 DE SETEMBRO DE 2012

Publicado: Segunda, 24 de Setembro de 2012, 09h34 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h25 | Acessos: 785

Clipagem ASCOM
Recife, 23 de setembro de 2012

:: JORNAL DO COMMERCIO
POLITICA 

PINGA-FOGO

O sentido da mudança

Mudança de verdade, continuar a mudança, mudança com segurança ... O nome mudança aparece de todas as formas nos discursos dos prefeituráveis do Recife. Cada enunciado carrega a sua marca, que surge a partir de um determinado contexto. Cada político expressa uma ideia que é construída coletivamente. Nem sempre o sentido dado pelo autor é compreendido por quem recebe a mensagem.
Não queremos fazer nenhuma análise teórica, mas levantar questões para refletirmos juntos, tomando como base as observações, sempre pertinentes, das pesquisadoras Isaltina Gomes (UFPE) e Patrícia Melo (Fundaj). Elas concordam que nenhum dos candidatos trouxe nada de novo. Para Patrícia, a palavra mudança é usada como conceito vazio. Mudança para quê, em relação a quê? Por que mudar? Mudar como? Nada disso é trazido de forma consistente.
Isaltina aponta incoerências. O PT diz que continuará a mudar, mas omite a atual gestão. É um jogo de esconde. O DEM fala de mudança, como se não tivesse sido governo. O PSDB incorre no mesmo erro. Além disso, o sentido de mudança está baseado em outro partido: o PV. Outro jogo de esconde. O PSB apoia o discurso da mudança, vinculando-o ao conceito de planejamento e gestão.
Todos passam de raspão pelo conceito que está por trás de tudo o que é dito: o projeto político do grupo que cada um representa. É a explicação disso que pode dar sentido à tal mudança.
Exclusão tem raízes bem antigasCerca de mil pessoas vivem hoje nas ruas do Recife. Parece pouco, diante do eleitorado de 1,16 milhão cadastrados na Justiça Eleitoral. O percentual dos que vivem na mendicância é tão pequeno que não elegeria sequer um vereador. Grande, mesmo, é o problema. A exclusão social data da formação do Estado brasileiro, e em vez de ser corrigido, o cenário se agravou ao longo de décadas.Segundo a pesquisadora Cibele Rodrigues, da Fundação Joaquim Nabuco, no período da colônia direitos sociais como saúde e educação já eram negados aos mais pobres. Hoje, esses direitos já deveriam estar universalizados, mas não é o que dizem dados do SUS e das escolas públicas. Cibele afirma que as elites jamais enxergaram os menos abastados como iguais. “Isso se reflete na classe política, que não se preocupa com o voto dos excluídos”, explica.
Mas onde o poder público não chega, a sociedade atua. Grupos particulares, formados por estudantes, profissionais liberais e entidades religiosas, tentam ajudar oferecendo comida, roupas e remédios. Da parte da Prefeitura, ações têm sido implementadas, embora os gestores admitam dificuldades para atingir toda a população de rua. Há 14 casas de acolhida na cidade, com cerca de 350 frequentadores eventuais. Em algumas delas, são oferecidas oficinas com noções de cidadania, cursos profissionalizantes e orientação para obter documentos. “Nós encaminhamos para tirar segunda via de certidão de nascimento, RG, CPF e até título de eleitor, mas há um grande índice de perda e furtos nas ruas. E, embora o Pacto pela Vida tenha ajudado a reduzir a violência, o uso do crack agravou o cenário”, explica Melissa Azevedo, uma das diretoras do Instituto de Assistência Social e Cidadania da PCR.
A Justiça Eleitoral, por sua vez, esclarece que para conseguir o título, o eleitor pode declarar não ter residência fixa, mas a excepcionalidade precisa do aval de um juiz e do Ministério Público Eleitoral. Isso quando os pleitos chegam ao Tribunal, já que os principais interessados carecem de informações sobre o procedimento.

ECONOMIA
DESAFIO METROPOLITANO

A política que dá resultadoA integração das grandes cidades não se dá mais só no seu entorno. A tecnologia permite articular diferentes metrópoles entre si na busca de soluções urbanas. Novas instituições reúnem população, empresas e técnicos em cobranças ao poder público, sem intermédio político. Na última reportagem da série Desafio Metropolitano, conheça a política pelas cidades e discussões sobre o futuro urbano que nasce em torno do Recife. Os textos são de Giovanni Sandes.A forte sensação de que excelentes propostas de candidatos a prefeito serão só lembrança depois das eleições é comum. Cidades-polo e metrópoles mundo afora repetem à exaustão a dança de promessas seguidas por inércia, enquanto explosões de crescimento agravam contradições. De Bogotá, na Colômbia, uma inovação contra o ritual de esperança e frustração se espalha na América Latina e chega a Pernambuco: uma rede de movimentos apartidários pelo desenvolvimento sustentável das cidades. Não é algo utópico, nem uma nova versão de protestos da moda. São instituições nos moldes colaborativos das redes sociais, mas com existência física e missão extenuante – fazer continuamente a boa política, de propostas e avaliação de ações, com voz diante dos governos. Arquitetos, urbanistas, economistas, cidadãos e grandes empresas aderiram ao modelo e defendem sua ampliação.Em 1999, começava o movimento Bogotá – Como Vamos?, que fez a capital colombiana de cidade da violência um exemplo de urbanismo.
O trabalho começou com a produção de indicadores socioambientais e econômicos para monitorar as cidades, embasar propostas, acompanhar e analisar resultados. Juntar empresários, técnicos e moradores deu trabalho. Mas a cidade ganhou voz sem precisar de políticos ou intermediários.
A iniciativa cresceu na Colômbia, para cidades como Medellín, antes muito marcada pelo narcotráfico. Com o grande interesse estrangeiro, de quem compartilha trauma e receio do crescimento que distorce, surgiu a “rede de cidades sustentáveis”. Com um banco de dados que traz projetos e metodologia de boas práticas urbanas, a rede se espalhou na América Latina, do México ao Chile.
No Brasil, o similar traz no nome a expressão “rede social”, mas em nada lembra derivados do #OcupeWallStreet, ocupações simbólicas como o #OcupeEstelita, que depois dos protestos, ficou esquecido em um momento crucial: as eleições municipais.“A internet propicia esse tipo de ocupação simbólica. Mas não está claro se os protestos terão consequência posterior ou serão como a lógica da internet, voláteis”, avalia o cientista político Túlio Velho Barreto, da Fundação Joaquim Nabuco. Ele comenta que os movimentos e redes de cidades, por outro lado, têm amplitude e articulação local, nacional e internacional. “O movimento de cidades sustentáveis partiu de instituições já existentes antes das redes sociais e que estão sabendo aproveitar as novas ferramentas”, afirma Túlio.
Da mineira Betim, casa da Fiat no Brasil, o Movimento Nossa Betim convidou a futura nova base da montadora, Goiana, em Pernambuco, a criar uma iniciativa similar. Ana Luiza Veloso, coordenadora de Relacionamento com a Comunidade da Fiat, diz que o apoio da empresa, ao contratar a produção de indicadores em Betim e Goiana, é para embasar ações privadas e públicas que serão apontadas por moradores e lideranças locais.
Enquanto em Goiana se discute criar o movimento, na capital já existe o Observatório do Recife (ODR), que tem parceiros como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e associados como empresas e entidades de classe, da indústria e comércio. O ODR elaborou propostas para a cidade e apresentou aos principais candidatos, algumas incorporadas aos programas de governo. A expectativa é que tenham sido só os primeiros debates. “É cansativo, mas temos exemplos de onde deu resultados. Não vamos discutir só a capital formal, mas também o entorno. Recife é mais que Recife”, diz Roberto Montezuma, presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU-PE).
“Esses movimentos descolados do poder executivo têm, em tese, maior isenção e começam a contaminar as cidades de forma positiva contra o crescimento urbano desordenado e desrespeitoso”, afirma o cientista político Hely Ferreira, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). “Isso indica vontade da população de participar de forma direta, mas também o desgaste da representação política tradicional, de partidos e sindicatos”.

:: DIARIO DE PERNAMBUCO
Não houve notícia sobre a Fundaj.

:: FOLHA DE PERNAMBUCO
COLUNAS 

Cidadania
A Operação Condor – II

A respeito do falecimento do ex-governador Carlos Lacerda em um hospital do Rio de Janeiro, onde estava internado, existem versões fantasiosas. Uma delas atribui a rosas com espinhos envenenados que lhes teriam sido mandadas por um “admirador”, os quais o teriam ferido, passando a circular na sua corrente sanguínea, causando-lhes a morte. A ser verdadeira a hipótese de envenenamento, o mais provável é que o meio criminoso usado tenha sido uma injeção letal, uma das situações obscuras que ainda pairam sobre o período em referência.Quanto aos demais, o acidente com o ex-presidente JK na rodovia presidente Dutra já abordamos, ontem, quando esquecemos citar que a reabertura das investigações sobre o acidente tenha sido reivindicada pela OAB de Minas Gerais.
Feito acréscimo e a correção, restariam, portanto, tratar sobre as condições em que ocorreram os óbitos do ex-presidente João Goulart e do pedido de asilo político feito no Uruguai pelo ex-governador Leonel Brizola à embaixada local dos EUA. O pedido foi concedido, tornando-se aquele político um exilado brasileiro no país norte-americano, retornando ao Brasil com a anistia assinada pelo ex-presidente João Figueiredo.
Em relação ao ex-presidente Goulart, um agente uruguaio, que pertencia aos serviços secretos da nação vizinha, declarou ter se infiltrado e conquistado a confiança do político gaúcho, morando na mesma fazenda do Uruguai, onde substituiu um dos vidros de remédios europeus que ele tomava diariamente, a fim de evitar problemas cardíacos, por pílulas de cor e formato idêntico aos do medicamento, mas que eram comprimidos de veneno. Essa versão é confirmada pelo filho do ex-presidente, João Vicente Goulart.
A propósito do sensível tema, a Fundação Joaquim Nabuco publicou, salvo engano, sob a coordenação do sociólogo Túlio Velho Barreto, um volume contendo entrevistas de várias personalidades políticas da época, entre as quais declarações do ex-governador Miguel Arraes. Este, abandonando a conduta discreta que sempre o caracterizou, tece considerações sobre o livro de Carlos Heitor Cony, “O Beijo da Morte”, fazendo uma revelação até então desconhecida pelo grande público.
Afirmou, e está escrito, o ex-governador que avisou ao ex-presidente João Goulart e ao ex-governador Leonel Brizola dos riscos que corriam, caso permanecessem residindo no Uruguai. O ex-presidente Jango Goulart foi informado de tal situação em um hospital na Suiça, para onde viajara com um passaporte fornecido pelo governo paraguaio, onde aconteceu o encontro entre os dois políticos. Ao que parece, a informação não atingiu seu objetivo, uma vez que o ex-presidente continuou residindo na fazenda em território uruguaio. Já o ex-governador Leonel Brizola avaliou a informação e decidiu deixar o Uruguai, solicitando asilo político nos EUA.
As linhas escritas, neste espaço, ontem e hoje, têm o objetivo de defender a elucidação definitiva da verdade de supostos ou verdadeiros fatos criminosos ocorridos e que não devem continuar perturbando a memória de muitos, além de contribuir para que todos os brasileiros cultivem a fraternidade, mesmo que haja eventuais divergências de essência política, absolutamente naturais no regime democrático.

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