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11 DE SETEMBRO DE 2012

Publicado: Terça, 11 de Setembro de 2012, 08h52 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h25 | Acessos: 1521

Clipagem ASCOM
Recife, 11 de setembro de 2012

:: JORNAL DO COMMERCIO
CADERNO C 

A MELHOR IMAGEM É A QUE FICA 
EXEMPLO Fotografia pernambucana perde Alcir Lacerda, mestre que abriu seu laboratório para formar várias gerações de profissionais

A fotografia brasileira perdeu os olhos que registraram com a luz, por mais de 60 anos, a história, a cultura e o crescimento de Pernambuco, essencialmente com a beleza do preto e branco. Morreu, na madrugada de ontem, no Hospital Albert Sabin, no Recife, o fotógrafo Alcir Lacerda. Aos 84 anos, vítima de um infarto, o fotógrafo deixa cinco filhos, 11 netos e sete bisnetos. O corpo de Alcir foi velado e enterrado no Cemitério da Várzea. O sepultamento aconteceu às 16h.
Alcir Lacerda nasceu em 20 de setembro 1927, em um engenho em São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana do Recife. Durante sua carreira como fotojornalista, registrou momentos históricos, como o golpe militar em Pernambuco, em 1964, a abertura da Avenida Dantas Barreto e a derrubada da Igreja dos Martírios, no centro do Recife, em 1972, além da explosão de uma bomba no Aeroporto dos Guararapes, em 1966. Com seu ateliê Acê Filmes – que fundou junto ao colega Clodomir Bezerra –, Alcir esteve à frente de campanhas publicitárias marcantes, além de prestar serviços a diversos veículos de comunicação do Brasil, como o Estado de São Paulo, Veja, Manchete e o Jornal do Commercio.
“A fotografia pernambucana perdeu um dos seus grandes mestres. Alcir sempre teve a simpatia de todos os fotógrafos. Quem é fotógrafo, em Pernambuco, deve muito a ele. Toda a equipe da JC Imagem lamenta a sua morte”, diz o editor de fotografia do JC, Arnaldo Carvalho. “Alcir Lacerda percorreu vários setores do fotojornalismo: desde o social ao factual. Ele era um grande documentarista, e o valor do acervo é inestimável.”
É no início da segunda metade do século 20 que Seu Alcir, como era chamado entre os amigos, começa a surgir com seus trabalhos de fotojornalista, documentando partidas de futebol. Pouco tempo depois, ele passa a trabalhar na Faculdade de Medicina da Universidade do Recife, onde por 20 anos uniu a microfotografia às pesquisas no campo da histologia e oncologia. “Ele começou numa época em que a fotografia não era muito desenvolvida no Recife. Alcir iniciou uma área que mistura o social e o fotojornalismo. Ele olhava para o futuro”, diz o fotógrafo João Carlos Lacerda, sobrinho de Alcir.
Ainda em vida, Alcir Lacerda doou todo o seu acervo de fotografias à Fundação Joaquim Nabuco. “O acervo de Seu Alcir é vasto. Ele fez fotos desde o litoral – sobretudo a Praia de Tamandaré, onde teve casa e viveu por um tempo –, às marcas da urbanização no Centro. Quando poucos usam preto e branco, ele continuou fazendo esse trabalho” lembra Arnaldo. Graças ao seu trabalhos, Alcir teve como reconhecimento do Governo do Estado a criação de uma sala de exposição na Torre Malakoff que leva seu nome. Atualmente, um projeto público pretende selecionar e fomentar dois trabalhos para serem expostos no local. Ao mesmo tempo, a filha do fotógrafo, Betty Lacerda, prepara um livro com as obras dele, a ser lançado em breve.
A fotojornalista Renata Victor, hoje coordenadora e professora do curso tecnológico de graduação em fotografia da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), começou a carreira a partir de um curso ministrado por Alcir Lacerda. Levada pelo pai, aos 14 anos, às aulas que aconteciam no Sindicato dos Jornalistas, Renata lembra com carinho do mestre. “Alcir foi um pai e professor de fotografia para muitos profissionais que trabalham hoje na área. Ele abriu as portas para muita gente.” Segundo a professora, a partir do próximo ano, a Unicap premiará profissionais de fotografias que se destacarem na setor local com o Prêmio Alcir Lacerda.
As mesmas lembranças que ocupam a memória de Adriana com relação a Alcir também são as mesmas das quais comunga o pesquisador e fotógrafo Alexandre Belém. “Seu Alcir representa muito para geração das décadas de 1980 e 1990, na qual eu me insiro”, conta Belém. “A gente sabia da importância histórica dele nos registros, não só por ele ser um grande fotógrafo, mas sabia que podia procurar nele um grande laboratório. O ateliê dele era um lugar para revelar filmes, recuperar grandes fotos. Eu ia lá todos os dias.”

CINEMA

Festival Making of. A partir das 19h, exibição dos making ofs dos filmes: Amigos de Risco, de Daniel Bandeira. O Céu Sobre os Ombros, de Sérgio Borges. Girimunho, de Clarissa Campolina e Helvécio Marins Jr. Cidade de Deus – 10 anos depois, de Cavi Borges e Luciano Vidigal. Pacific, de Marcelo Pedroso. Cinema da Fundação. Gratuito.

Aqui é meu lugar (ITA/ FRA/ IRL, 2011). De Paolo Sorrentino. Decidido a encontrar aquele que foi o algoz do seu pai nos tempos da guerra, homem sai numa viagem pela América. Cinema da Fundação. 14h10. Rosa e Silva 2. 21h. 12a.

Fausto (Rússia, 2011). De Aleksander Sokurov. Faust é um cientista brilhante mas desiludido, que aceita fazer um pacto com um comerciante diabólico em troca de prestígio e do amor de sua adorada Gretchen. Cinema da Fundação. 16h20. 14a.

:: DIARIO DE PERNAMBUCO
VIVER
FOTOGRAFIA PERDE GRANDE MESTRE 
Morre no Recife, aos 84 anos, o fotógrafo Alcir Lacerda, que formou várias gerações de profissionais
O Recife amanheceu triste na madrugada desta segunda-feira. Foi quando faleceu o fotógrafo Alcir Lacerda, vitimado por um infarto. Discreto e calmo, ao contrário de muitos pares de sua profissão, ele completaria 85 anos no próximo dia 20 de setembro. Com suas lentes, registrou o Recife dos tipos humanos, dos fatos políticos, da vida social, da geografia em que cabem do Litoral ao Sertão. Com sua empresa, a ACÊ Filmes, pesquisou linguagens e atuou como articulador e professor de várias gerações de fotógrafos.
Parte deste acervo, estimado em 600 mil negativos, foi doado há seis meses à Fundação Joaquim Nabuco, onde está sendo trabalhado para que possa ser acessado pelo público. “São as fotografias voltadas para os temas jornalísticos, empresariais, sociais, que estão organizadas por ano e assunto. Mas estamos buscando um projeto de financiamento para digitalizar este acervo e deixá-lo em condições de ser preservado, cristalizado”, assegura uma das quatro filhas mulheres de Alcir, a historiadora Betty Malta. Ele também deixa um filho, Alcir Lacerda Filho; a esposa, Conceição, 80 anos, e ainda 11 netos e sete bisnetos. Outras imagens, do capítulo mais artístico do legado de Alcir, pertencem à família.
Trabalhos de Lacerda serão editados em livro a ser lançado em outubro
Betty Lacerda também confirmou para o dia 25 de outubro, no Museu do Estado, o lançamento de um livro com fotografias de Alcir Lacerda patrocinado pelo governo de Pernambuco e a construtora Odebrecht. O volume será rodado pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) e, em suas 200 páginas, além das fotos, trará textos de arquitetos, fotógrafos e da própria Betty.
Uma das merecidas homenagens recentes feitas a Alcir Lacerda foi promovida pelo curso de fotografia da Universidade Católica de Pernambuco, dia 20 de agosto, para comemorar o Dia Mundial da Fotografia, celebrado no dia anterior. Na ocasião, foram projetadas imagens assinadas por ele, que recebeu ainda uma réplica sua em papel machê, feita pela professora e artista plástica Niedja Dias.
Segundo Renata Victor, cordenadora do curso e organizadora do evento, ele se tornará anual, premiando um profissional que tenha contribuído para a fotografia no estado. “A importância de Alcir Lacerda é indiscutível. Ele transformou a ACÊ Filmes num berçário dos fotógrafos pernambucanos da minha geração, numa época em que a fotografia praticamente inexistia na universidade. Era muito generoso”, opina Renata.
Edvaldo Rodrigues, do Diario, lembra o lado humano de Alcir. “Além de ser um dos melhores, ele ajudou muitos fotógrafos. Mais de uma vez, peguei freelas para fotos aéreas e ele me emprestou o equipamento”, conta.
Otávio de Souza, 55 anos, afirma que a influência de Alcir em sua vida foi tão grande que não teria seguido o caminho da fotografia não fosse um estágio em seu laboratório. “Ele me ensinou a trabalhar com preto e branco, revelação. E era uma pessoa supersimples. Foi o mentor de muitos que estão na ativa hoje e até filmes em Super 8 para casamentos ele fez”, recorda. “Ele me ensinou a ser direito e honesto.
Não queria aprender fotografia, tinha 15 anos, mas ele insistiu. Vou sentir muitas saudades”, confessa Carlos Alberto Teixeira, 57 anos.

VIDA URBANA
Violência: recifenses mudam seus hábitos
Apesar da redução nas taxas de criminalidade, pesquisa do Ministério da Justiça mostrou que cidadão é refém Leila Freitas anda para o trabalho com pouco dinheiroA cidade do Recife teve uma redução de 7,2% no número de assaltos e furtos nos sete primeiros meses deste ano, em relação ao mesmo período de 2011, segundo dados da Secretaria de Defesa Social. A queda no número de homicídios neste período foi de 17%. Mesmo com os índices de criminalidade em declínio, a sensação de insegurança dentro e fora de casa continua alta e deixa os cidadãos reféns. Estudo encomendado pelo Ministério da Justiça (MJ) mostrou que os recifenses vêm mudando seus hábitos com medo da violência. Cerca de 80,4% da população que vive na capital não saem às ruas com objetos de valor ou pertences que chamem a atenção dos bandidos. O mesmo aconteceu nas outras 26 capitais brasileiras também incluídas na pesquisa.
Como respostas ao questionário, a população do Recife apontou que deixou de sair mais à noite, evitou o uso do transporte coletivo e optou por não frequentar locais onde há consumo de bebidas alcoólicas. Medidas de proteção dentro das residências também foram adotadas. Fechaduras extras, alarmes, câmeras de monitoramento, vigilantes armados são alguns exemplos. “No entanto, o preenchimento da sensação de segurança com o uso desses instrumentos deixa de existir quando se está em território externo, ou seja, nas ruas, onde o cidadão não tem a menor possibilidade de interferência, ficando à mercê da criminalidade”, destacou a pesquisadora social e de segurança pública, da Fundação Joaquim Nabuco, Ronidalva de Andrade. 
A pesquisadora explicou que cabe a interferência mais evidente do estado para eliminar o medo dos recifenses “investindo no monitoramento eletrônico, aprimorando a resposta a qualquer traço de desordem na rua e capacitando agentes para abordagem policial”. Segundo ela, a comunidade precisa participar desse controle para avançar no sentimento de segurança. A Secretaria de Defesa Social informou que não iria se pronunciar sobre o estudo, “pois não conhece a metodologia”. 
A pesquisa do MJ foi elaborada pelo Datafolha em parceria com o Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública da Universidade Federal de Minas Gerais. Cerca de 75 mil brasileiros foram ouvidos. Até janeiro de 2013 - quando será apresentada a conclusão - outras 12 mil pessoas responderão aos questionários. A seguir, histórias de quatro cidadãos comuns que revelaram ao Diario as mudanças de hábitos para tentar driblar a violência.

SAIBA MAIS

Mudança de hábitos dos recifenses devido à violência 

69,9% evitam sair à noite ou chegar muito tarde em casa
34% mudam de caminho entre a casa e o trabalho ou a escola ou lazer
60,1% deixam de ir a alguns locais da cidade59% deixam de ir a certos bancos e caixas eletrônicos 
81,4% evitam frequentar locais desertos ou eventos com poucas pessoas circulando
80,4% evitam sair de casa portando muito dinheiro, objetos de valor ou outros pertences que chamem atenção
28% evitam usar algum transporte coletivo 21% evitam conviver com vizinhos59,1% evitam conversar ou atender pessoas estranhas
57,7% evitam frequentar locais onde haja consumo de bebidas alcoólicas
16,8% evitam ficar em casa sozinhos

Medidas de autoproteção adotadas pelos recifenses em suas casas

52,9% possuem residência com grades nas janelas
49,8% com chaves extras e trancas nas portas e janelas, além de fechaduras principais
30,5% com olho mágico ou abertura na porta para ver quem está chegando
18,5% com interfone
3,2% com alarme
3,5% com vigia armado
25% com vigia desarmado
3,7% com cerca de arame farpado sobre muro ou grade
1,7% com outros sistemas de segurança

A pesquisa
27 capitais brasileiras75 mil pessoas ouvidas*12 mil ainda serão ouvidas**
*não foi divulgada a quantidade de pessoas ouvidas por capital**conclusão prevista para dezembro

VIVER 
JOÃO ALBERTO
 
Vai até o dia 14 o Festival Nacional do Making Of, na Fundação Joaquim Nabuco, no Derby, com programação gratuita.

CINEMA

Festival Making of. A partir das 19h, exibição dos making ofs dos filmes: Amigos de Risco, de Daniel Bandeira. O Céu Sobre os Ombros, de Sérgio Borges. Girimunho, de Clarissa Campolina e Helvécio Marins Jr. Cidade de Deus – 10 anos depois, de Cavi Borges e Luciano Vidigal. Pacific, de Marcelo Pedroso. Cinema da Fundação. Gratuito.

Aqui é meu lugar (ITA/ FRA/ IRL, 2011). De Paolo Sorrentino. Decidido a encontrar aquele que foi o algoz do seu pai nos tempos da guerra, homem sai numa viagem pela América. Cinema da Fundação. 14h10. Rosa e Silva 2. 21h. 12a.

Fausto (Rússia, 2011). De Aleksander Sokurov. Faust é um cientista brilhante mas desiludido, que aceita fazer um pacto com um comerciante diabólico em troca de prestígio e do amor de sua adorada Gretchen. Cinema da Fundação. 16h20. 14a.

 

 :: FOLHA DE PERNAMBUCO
 PROGRAMA

CINEMA

Festival Making of. A partir das 19h, exibição dos making ofs dos filmes: Amigos de Risco, de Daniel Bandeira. O Céu Sobre os Ombros, de Sérgio Borges. Girimunho, de Clarissa Campolina e Helvécio Marins Jr. Cidade de Deus – 10 anos depois, de Cavi Borges e Luciano Vidigal. Pacific, de Marcelo Pedroso. Cinema da Fundação. Gratuito.

Aqui é meu lugar (ITA/ FRA/ IRL, 2011). De Paolo Sorrentino. Decidido a encontrar aquele que foi o algoz do seu pai nos tempos da guerra, homem sai numa viagem pela América. Cinema da Fundação. 14h10. Rosa e Silva 2. 21h. 12a.

Fausto (Rússia, 2011). De Aleksander Sokurov. Faust é um cientista brilhante mas desiludido, que aceita fazer um pacto com um comerciante diabólico em troca de prestígio e do amor de sua adorada Gretchen. Cinema da Fundação. 16h20. 14a.


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