31 DE AGOSTO DE 2012
Clipagem ASCOM
Recife, 31 de agosto de 2012
:: JORNAL DO COMMERCIO
CADERNO C
DIA A DIA
novo livro de Fabiana Moraes
Foi um sucesso o lançamento do livro Nabuco em pretos e brancos, da repórter deste JC, Fabiana Moraes, quarta, na Livraria Cultura. Entre os presentes, o superintendente do SJCC, Rodolfo Tourinho, o conselheiro, Eduardo Lemos, o diretor de Redação do JC, Ivanildo Sampaio, e o diretor-adjunto, Laurindo Ferreira. A obra reúne os cadernos Quase brancos, quase negros e Um pé no salão, outro na senzala, de 2010, que homenagearam o centenário da morte de Joaquim Nabuco, além de material inédito.
ARTIGO
Nelson cronista Paulo Gustavo
O Google já não nos deixa ser tão originais como antigamente. Outro dia me deliciava com um dos mais notáveis cronistas cariocas: Paulo Barreto, ou melhor, o fabuloso João do Rio. Lia a sua coletânea A alma encantadora das ruas. Quem ama o Rio de Janeiro não pode desconhecer esse escritor que incorporou em seu pseudônimo o próprio nome da cidade. Quem ama as ruas também. As ruas, ou a rua, como metáfora dramática da vida. Pois bem, lia João do Rio e, de súbito, era como se estivesse lendo o pai ou o avô de Nelson Rodrigues. Minha originalidade nessa percepção foi de fato mais que efêmera: fugaz. Fui ao onisciente Google. E lá está uma frase luminosa de Ney Matogrosso: "A partir de João do Rio, entendi melhor Nelson Rodrigues". Não me esclareceu o Google se a aproximação dos dois autores vai além de meras frases. João de fato antecipa Nelson: ficcionaliza a crônica, abre-se às contradições, tem fulminantes assertivas, aponta-nos a melancolia e o pathos dos universos ocultos à luz do dia, desvenda-nos os seres da noite, a marginália. Seu salão proustiano era a rua. Romantismo e realismo, em curioso amálgama, dilaceram sua escrita. E Nelson? Nelson, como diz o povo, vai mais além. Leva para a crônica o gosto pela caricatura e pela hipérbole. Além disso, é um ironista nato e um fecundo criador de metáforas. Torna-se humorista. Seu texto não é uma piscina quieta, é um mar agitado, e não prevemos a onda que nos engolfa, que nos atira às praias da reflexão. Empregando poucas palavras, manejando advérbios e adjetivos, caracteriza rapidamente um personagem, retrata uma situação. Como quem conversa e emenda assuntos aparentemente díspares, Nelson traz para a crônica a vivacidade do teatro. Proustianamente, se compraz em subverter sinais, sem também se cansar de se repetir. Nelson se lambe no espelho da crônica, de onde uma galeria de personagens (inclusive ele próprio) reflete os tempos de mudança que viveu. Nos seus textos, eternizada, perpassa a agenda dos meados do século 20: os equívocos totalitários, a revolução sexual, a exaltação acrítica da juventude, as drogas, a Guerra do Vietnã, maio de 1968, a rebelião das massas analisada por Ortega, as barbas entrecruzadas de Freud e Marx, o regime militar brasileiro... Tempos interessantes (como diria Eric Hobsbawm), dos quais Nelson, em suas crônicas, viu o sumo e talvez, genialmente, o triunfo da futilidade.
Paulo Gustavo, escritor, é servidor da Fundação Joaquim Nabuco
CADERNO C
CINEMA
Fausto (Rússia, 2011). De Aleksander Sokurov. Johannes Zeiler, Anton Adasinsky, Johannes Georg. Faust é um cientista brilhante, mas desiludido, que aceita fazer um pacto com um comerciante diabólico em troca de prestígio e do amor de sua adorada Gretchen. Cinema da Fundação. 14h50 (dom), 17h20 (sex/sab), 17h30 (dom), 20h (sex/sab). 14a.
Aqui é meu lugar (ITA/ FRA/ IRL, 2011). De Paolo Sorrentino. Sean Penn, Frances McDomand. Decidido a encontrar aquele que foi o algoz do seu pai nos tempos da guerra, homem sai numa viagem de descoberta pela América. Cinema da Fundação. 15h (sex/sab), 20h10 (dom). 12a.
:: DIARIO DE PERNAMBUCO
VIVER
Fausto (Rússia, 2011). De Aleksander Sokurov. Johannes Zeiler, Anton Adasinsky, Johannes Georg. Faust é um cientista brilhante, mas desiludido, que aceita fazer um pacto com um comerciante diabólico em troca de prestígio e do amor de sua adorada Gretchen. Cinema da Fundação. 14h50 (dom), 17h20 (sex/sab), 17h30 (dom), 20h (sex/sab). 14a.
Aqui é meu lugar (ITA/ FRA/ IRL, 2011). De Paolo Sorrentino. Sean Penn, Frances McDomand. Decidido a encontrar aquele que foi o algoz do seu pai nos tempos da guerra, homem sai numa viagem de descoberta pela América. Cinema da Fundação. 15h (sex/sab), 20h10 (dom). 12a.
VIVER
Recife real com pitadas de ironia
Na contramão de filmes sobre favela ou Sertão, o cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho ajusta o foco para a vivência da classe média
Na contramão de filmes sobre favela ou Sertão, o cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho ajusta o foco para a vivência da classe médiaO Recife tipo exportação tem cores vibrantes, sons de batuque e uma pitada de mazela social, com tons marrons e luz forte. Essa representação nunca agradou o cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho (Recife frio, Eletrodoméstica), e é exatamente o Recife real, focado na classe média de uma rua em Setúbal (a mesma do diretor, por sinal), que virou notícia em jornais internacionais e está em cartaz em cinemas dos Estados Unidos.
Não há data marcada sequer para a pré-estreia de O som ao redor no Recife, mas o longa-metragem já pode ser visto em duas salas de cinema em Nova York. O lançamento foi tão bom (com sete das nove sessões lotadas) que a cópia foi transferida para uma sala maior. Por lá, Kleber ainda vai exibir seu primeiro longa-metragem ficcional e palestrar em quatro universidades, em outubro.“O som ao redor é um desejo de fazer um filme muito real, muito verdadeiro, sobre a realidade que a gente vive. Durante muito tempo, o cinema brasileiro tinha dois elementos básicos: a favela e o Sertão. Esse filme mostra a lacuna que fica no meio. Mostra que a gente vive em cidades e que o Brasil é dividido em camadas sociais numerosas”, defende o cineasta, que vê uma sintonia entre o Movimento Mangue para a música e as produções do final do século 20 e início do 21 para o cinema.
O Recife é cenário frequente dos filmes de Kleber, que fez questão de situar seus curtas e colocou o nome da cidade do mais famoso deles, Recife frio (2009), ficcção científica em que um estranho fenômeno esfria a região metropolitana. “Eu cresci vendo filmes do mundo inteiro. E acho muito bonito quando um filme me apresenta um lugar. Acho que o Recife também pode ser mitificado, registrado pelo cinema”, explica Kleber, cinéfilo desde os sete anos que estudou jornalismo para se aproximar da sétima arte. Foi crítico por mais de 12 anos, carreira que largou para se dedicar ao primeiro longa de ficção. “Eu consegui fazer os curtas de uma maneira meio guerrilheira. O som ao redor foi manhã, tarde e noite, sem final de semana. Eu não teria como continuar escrevendo”, explica. Mantém há 14 anos o cargo de programador do Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, e é curador do Festival Janela Internacional de Cinema do Recife, cuja quinta edição acontece em novembro.
Em O som ao redor, Kleber Mendonça volta para o medo da violência, como havia feito no primeiro curta, Enjaulado (1997). De certa forma, o longa é um retrato de qualquer recifense de classe média. O enredo se desenvolve a partir da chegada de seguranças particulares devido aos assaltos e insegurança nas redondezas e explora as relações entre os moradores, seus empregados e os seguranças, os edifícios e casas que são ao mesmo tempo fortalezas e prisões. O elenco, sem muitos rostos conhecidos, conta com Maeve Jinkings, W.J. Solha e Gustavo Jahn e o sempre excelente Irandhir Santos, protagonista de Febre do rato, de Cláudio Assis.
O diretor Kleber Mendonça com o ator Irandhir Santos durante as filmagens
Desde que estreou, em janeiro, no Festival Internacional de Cinema de Roterdã 2012, e conquistou o troféu de melhor filme pela Fipresci (Federação Internacional de Críticos de Cinema), o filme não parou. Uma única inscrição - o festival de Roterdã - e mais de 40 festivais até março do ano que vem. Dinamarca, Austrália, Nova Zelândia, Portugal, Sérvia, Bósnia, Polônia, Suíça, Lituânia, Berlim, Londres, Estônia e ainda a estreia nos Estados Unidos. No Brasil, estreou no 40º Festival de Cinema de Gramado, de onde saiu com quatro Kikitos. E já estão confirmados o Festival do Rio, a Mostra de Cinema de Belo Horizonte e uma sessão especial no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. No Recife, deve chegar em novembro.
Não é a primeira vez que Kleber conquista a crítica internacional. Em 2005, Vinil verde (2004), foi exibido na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes. Eletrodoméstica (2005) circulou por mais de 10 países. O último, Recife frio (2009), também passou pelo Festival Roterdã, de onde seguiu para outros, ganhando status de longa (e versão em DVD) de tanta repercussão. O próximo será Bacurau, parceria com Juliano Dornelas, ainda em fase de roteirização.
O som ao redor foi gravado na rua em que Kleber mora com a esposa, Emilie Lesclaux (produtora de O som…), em ruas próximas e no interior do estado. Exatamente há dois anos, no final do inverno recifense, durante seis semanas e quatro dias. Eram oito, mas o orçamento de R$ 1,8 milhão (para comparar, E aí, comeu? teve com R$ 5,5 milhões) e o tempo foi reduzido, assim como os honorários de Kleber e Emilie, que se pagaram apenas até a segunda semana. Mas o resultado mostra que o sacrifício valeu a pena.
Circuito
Por onde já se viu O som ao redor
Festival Internacional de Cinema de Roterdã (Holanda) - Tiger Award Competition - Melhor filme escolhido pela FipresciNew Directors New Films (EUA)
Festival Internacional de Cinema de Washington DC (EUA)
CPH PIX, Copenhague (Dinamarca) - Melhor filmeFestival Internacional de Cinema de São Francisco (EUA)
Indie Lisboa (Portugal)
Festival Internacional de Cinema de Sydney (Austrália)
Festival Internacional de Cinema de Los Angeles (EUA)
Cinema City, Novi Sad (Sérvia) - Competição Hungry Days - Melhor filme
Festival Internacional de Cinema de Sarajevo (Bósnia e Herzegovina)
New Horizons International Film Festival (Polônia) - Melhor filme escolhido pela FIPRESCI
Festival Internacional de Cinema de Locarno (Suíça)
Festival de Cinema de Gramado (Brasil) - prêmio da crítica, melhor desenho de som, melhor diretor e prêmio do júri popular
:: FOLHA DE PERNAMBUCO
PROGRAMA
Fausto (Rússia, 2011). De Aleksander Sokurov. Johannes Zeiler, Anton Adasinsky, Johannes Georg. Faust é um cientista brilhante, mas desiludido, que aceita fazer um pacto com um comerciante diabólico em troca de prestígio e do amor de sua adorada Gretchen. Cinema da Fundação. 14h50 (dom), 17h20 (sex/sab), 17h30 (dom), 20h (sex/sab). 14a.
Aqui é meu lugar (ITA/ FRA/ IRL, 2011). De Paolo Sorrentino. Sean Penn, Frances McDomand. Decidido a encontrar aquele que foi o algoz do seu pai nos tempos da guerra, homem sai numa viagem de descoberta pela América. Cinema da Fundação. 15h (sex/sab), 20h10 (dom). 12a.
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